{"id":14241,"date":"2014-06-18T11:33:53","date_gmt":"2014-06-18T14:33:53","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=14241"},"modified":"2014-06-18T11:33:53","modified_gmt":"2014-06-18T14:33:53","slug":"o-guaiba-nas-imagens-poeticas-de-achutti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-guaiba-nas-imagens-poeticas-de-achutti\/","title":{"rendered":"O Gua\u00edba nas imagens po\u00e9ticas de Achutti"},"content":{"rendered":"<p>Em \u201cO Gua\u00edba por Achutti\u201d \u2013 obra financiada via Minist\u00e9rio da Cultura, produ\u00e7\u00e3o executiva de Pedro Longhi, e Fl\u00e1vio Wild como designer \u2013, o fot\u00f3grafo revela a beleza e as mazelas de um espa\u00e7o aqu\u00e1tico de \u00e1guas sempre renovadas, cheio de hist\u00f3rias e lendas como as das cidades que foram constru\u00eddas a sua volta.<br \/>\nPara tanto, servem de apoio os textos de apresenta\u00e7\u00e3o do historiador Voltaire Schilling e o ensaio do jornalista Andr\u00e9 Simas Pereira.<br \/>\n<br \/>\nA gera\u00e7\u00e3o de Achutti, que cresceu na d\u00e9cada de 60 do s\u00e9culo passado, foi \u00e0 \u00faltima a curtir o Gua\u00edba naquilo que ele tinha de melhor: suas praias, a orla balne\u00e1ria que do lado porto-alegrense vai, principalmente, do bairro Assun\u00e7\u00e3o ao Lami.<br \/>\nEle recorda de quando era crian\u00e7a e morava no bairro Menino Deus: [&#8230;] \u201clembro, vagamente, de que a Av. Bastian margeava o Gua\u00edba. Eu lembrava que at\u00e9 havia dunas, mas meu pai me corrigiu outro dia que dunas talvez n\u00e3o, a vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 que era alta e eu baixo\u201d (ACHUTTI, 2014).<br \/>\nAchutti cresceu, foi fazer doutorado em Antropologia em Paris, Fran\u00e7a, virou professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas n\u00e3o esqueceu o seu rio. Batalhou durante dez anos o projeto de retrat\u00e1-lo. Uma vez conseguidos os recursos, ficou mais de um ano fotografando as aguas, ilhas, constru\u00e7\u00f5es, embarca\u00e7\u00f5es, e pessoas.<br \/>\nN\u00e3o escolheu uma luz espec\u00edfica, pois a ideia era fugir do lugar comum, cart\u00e3o postal, dando prefer\u00eancia \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o t\u00edpica de cada esta\u00e7\u00e3o, sem temer tempos feios. Assim, a luminosidade escaldante do ver\u00e3o, convive com a neblina do inverno, que, nesse caso, oferece uma imagem que faz lembrar alguns quadros de William Turner (1789-1862), famoso pelos seus fogs londrino.<br \/>\nPor isso, considera seu mais recente trabalho, acima de tudo, como uma homenagem po\u00e9tica: \u201cao rio que vi do alto, a minha primeira praia, rio de projetos, sonhos de crian\u00e7a, adolescente e jovem adulto\u201d. (ACHUTTI, 2014).<br \/>\nMas se as fotos real\u00e7am a beleza e o lirismo, os textos que acompanham o trabalho \u2013 principalmente o ensaio de 25 p\u00e1ginas de Andre Simas Pereira \u2013 relatam com profundidade diversos aspectos sobre o Gua\u00edba e Porto Alegre. Percebe-se, logo, que suas hist\u00f3rias e lendas urbanas nos \u00faltimos dois s\u00e9culos e meio se completam, e se confundem.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Auguste de Saint-Hilaire<\/span><br \/>\nAssim, na narrativa hist\u00f3rica de Pereira n\u00e3o faltam cita\u00e7\u00f5es e observa\u00e7\u00f5es de famosos estudiosos europeus, como Auguste de Saint-Hilaire, que visitou Porto Alegre em 1820. Ou a descri\u00e7\u00e3o do primeiro aterro sofrido pelo Gua\u00edba, em 1842, para a constru\u00e7\u00e3o da doca do primeiro mercado p\u00fablico da cidade, inaugurado em 1844; a Ferrovia (para transportar fezes) do Riacho.<br \/>\nE da\u00ed para um interessante mergulho no s\u00e9culo XX, com a constru\u00e7\u00e3o do moderno porto fluvial; a descri\u00e7\u00e3o do prato principal servido na ilha do Pres\u00eddio, quando abrigou um ilustre preso pol\u00edtico, o ex-prefeito Raul Pont; e as homenagens f\u00fanebres das cinzas jogadas no rio de Luiz Pilla Vares, ex-secret\u00e1rio de Cultura de Porto Agre, e de L\u00e1szl\u00f3 B\u00f6hm, ex- diretor do DMAE e grande velejador, que deixou 250 litros de chope, previamente pagos antes de sua morte, para que os amigos bebessem em sua homenagem.<br \/>\nEnfim, \u201cGua\u00edba por Achutti\u201d, mais do que um belo livro de fotos e hist\u00f3rias de uma das mais belas paisagens lacustre-fluvial do territ\u00f3rio brasileiro, traz a oportunidade para refletir e elaborar a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e t\u00e9cnicas de reconquista de um espa\u00e7o que por descaso do poder p\u00fablico tem sido tratado, principalmente, como uma cloaca e dep\u00f3sito de lixo das mais variadas proced\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em \u201cO Gua\u00edba por Achutti\u201d \u2013 obra financiada via Minist\u00e9rio da Cultura, produ\u00e7\u00e3o executiva de Pedro Longhi, e Fl\u00e1vio Wild como designer \u2013, o fot\u00f3grafo revela a beleza e as mazelas de um espa\u00e7o aqu\u00e1tico de \u00e1guas sempre renovadas, cheio de hist\u00f3rias e lendas como as das cidades que foram constru\u00eddas a sua volta. Para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":14248,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-14241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materiasecundaria"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-3HH","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}