{"id":1457,"date":"2008-08-24T06:50:41","date_gmt":"2008-08-24T09:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1457"},"modified":"2008-08-24T06:50:41","modified_gmt":"2008-08-24T09:50:41","slug":"livramento-vai-resgatar-o-polemico-general-farrapo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/livramento-vai-resgatar-o-polemico-general-farrapo\/","title":{"rendered":"Livramento vai resgatar o pol\u00eamico general farrapo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cleber Dioni *<\/strong><br \/>\nAp\u00f3s 61 anos, Santana do Livramento voltar\u00e1 a abrigar os restos mortais de David Canabarro, o general que se tornou um dos grandes her\u00f3is riograndenses, mas que para alguns pesquisadores n\u00e3o passou de um traidor, respons\u00e1vel pelo massacre dos lanceiros negros farrapos, em Porongos.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/canabarro1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Canabarro\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/canabarro1.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" \/><\/a>Os despojos ser\u00e3o retirados na segunda-feira (25) de manh\u00e3 e seguir\u00e3o em uma urna rumo ao munic\u00edpio da fronteira-oeste, onde o l\u00edder farroupilha escolheu para viver a partir dos 32 anos de idade. O t\u00famulo do cemit\u00e9rio da Santa Casa de Porto Alegre foi aberto na quarta-feira passada para verificar as condi\u00e7\u00f5es dos despojos, o que segundo o presidente da Comiss\u00e3o de Remo\u00e7\u00e3o e Translado de David Canabarro, o poeta Edilson Villagran Martins, est\u00e1 em boas condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO translado ser\u00e1 escoltado inicialmente pela guarda de honra da Brigada Militar e depois por um grupo de tradicionalistas santanenses, ficando o revezamento dos cavalarianos a cargo dos CTGs das cidades por onde cruzar.<br \/>\nA chegada a Livramento est\u00e1 prevista para o dia 13 de setembro, v\u00e9spera dos festejos da Semana Farroupilha. Ser\u00e1 enterrado junto a um monumento com seu busto, que est\u00e1 sendo feito na vizinha Rivera, no Uruguai. O local escolhido para receber o mausol\u00e9u \u00e9 um terreno ao lado da antiga resid\u00eancia do l\u00edder farroupilha, onde o Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) e a administra\u00e7\u00e3o municipal ir\u00e3o instalar o Museu do Pampa.<br \/>\nCerca de 20 integrantes do Grupo Santanense de Cavalgada percorrer\u00e3o mais de 500 quil\u00f4metros a cavalo escoltando a urna e a centelha da Chama Crioula, acesa este ano em S\u00e3o Leopoldo. A urna ser\u00e1 levada em um carro.<br \/>\nH\u00e1 uma forte liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre os dois fatos: a chegada dos despojos de Canabarro \u00e0 Capital, h\u00e1 61 anos (05.09.1947), coincide com a cria\u00e7\u00e3o da Chama Crioula, s\u00edmbolo m\u00e1ximo das comemora\u00e7\u00f5es da Semana Farroupilha. Sendo que alguns dos jovens tradicionalistas que realizaram o cortejo f\u00fanebre, a cavalo, no dia 5, participaram do piquete no acendimento da primeira Chama, no dia 7. Figuravam entre eles, Cyro Dutra Ferreira, Jo\u00e3o Carlos D&#8217;\u00c1vila Paix\u00e3o C\u00f4rtes e Orlando Degrazzia.<br \/>\n<strong>Um memorial para o mausol\u00e9u<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/busto_roubado_cleber_dioni3.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"busto roubado\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/busto_roubado_cleber_dioni3-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a>A comiss\u00e3o respons\u00e1vel pelo translado elaborou um projeto para capta\u00e7\u00e3o de recursos atrav\u00e9s das leis de incentivo \u00e0 cultura a fim de construir um memorial na Pra\u00e7a General Os\u00f3rio, no centro de Livramento, para receber os restos mortais de Canabarro. O projeto, inicialmente or\u00e7ado em R$ 90 mil, subiu para R$ 150 mil, depois que o busto de Canabarro, no monumento existente na pra\u00e7a desde 1935, e que seria transferido para o novo espa\u00e7o, foi roubado em setembro do ano passado. Agora, uma equipe de Rivera, cidade uruguaia vizinha a Livramento, foi contratada para esculpir o busto do farrapo que ficar\u00e1 num terreno adquirido recentemente pelo munic\u00edpio, ao lado da casa que pertenceu \u00e0 Canabarro, onde est\u00e1 prevista a instala\u00e7\u00e3o do Museu do Pampa.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/croqui_do_mausoleu_divulgacao2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"croqui do mausoleu\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/croqui_do_mausoleu_divulgacao2-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"219\" \/><\/a>O memorial foi desenhado pela arquiteta Ana Zart Bonilha. Concebido como o \u201cEspa\u00e7o David Canabarro\u201d, o monumento fica em posi\u00e7\u00e3o de destaque sobre uma base em granito polido que abrigaria os despojos do general. Na pedra ser\u00e3o gravados os nomes das principais batalhas das quais o l\u00edder farrapo participou. O espa\u00e7o ter\u00e1 ainda um jardim feito com terra de Taquari, cidade natal de Canabarro, um espelho d\u2019\u00e1gua e bancos no entorno A \u00e1rea total, incluindo a pavimenta\u00e7\u00e3o, tem cerca de 70m\u00b2.<br \/>\n\u201cA id\u00e9ia central \u00e9 resgatar a mem\u00f3ria hist\u00f3rica dos santanenses e ao mesmo tempo criar um espa\u00e7o de conv\u00edvio e contempla\u00e7\u00e3o que se torne refer\u00eancia para o turismo da fronteira\u201d, ressalta arquiteta.<br \/>\n<strong>Uma longa jornada<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/joao_fernandes_trineto_de_canabaro_cleber_dioni2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Jo\u00e3o Fernandes trineto de Canabaro\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/joao_fernandes_trineto_de_canabaro_cleber_dioni2-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a>O presidente da comiss\u00e3o\u00a0assegura que j\u00e1 est\u00e1 de posse de todas autoriza\u00e7\u00f5es para realizar a viagem.<br \/>\nEle cita contribui\u00e7\u00f5es importantes de familiares como Jo\u00e3o Fernandes, trineto de Canabarro, e Cl\u00f3vis Fernandes, tataraneto do general, que estiveram envolvidos na comiss\u00e3o e ajudaram a recolher assinaturas de parentes.<br \/>\nAl\u00e9m dos familiares, foram necess\u00e1rias autoriza\u00e7\u00f5es do provedor da Irmandade da Santa Casa de Porto Alegre, Jos\u00e9 Sperb Sanseverino, de representantes da Liga de Defesa Nacional, do Governo do Estado, da Prefeitura de Santana do Livramento e do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul (IHGRS).<br \/>\nO presidente da comiss\u00e3o confessa que n\u00e3o foi f\u00e1cil convencer a todos. \u201cA id\u00e9ia surgia de tempos em tempos mas esse \u00faltimo projeto teve in\u00edcio em 2003. Alguns n\u00e3o se deram conta da import\u00e2ncia hist\u00f3rica disso tudo e se mantiveram neutros, mas muitos ajudaram. Para o poeta, o historiador Ivo Caggiani teve frustrada sua tentativa devido \u00e0 falta de apoio.<br \/>\nDesta vez, o \u00faltimo obst\u00e1culo foi o parecer favor\u00e1vel do IHGRS. \u201cHavia alguma resist\u00eancia na entidade. Na assembl\u00e9ia que definiria o parecer, o professor Moacyr Flores n\u00e3o compareceu\u201d, destaca o poeta.<br \/>\nO prefeito Renato Baptista dos Santos, de Taquari, cidade natal de Canabarro, em 2006 chegou a esbo\u00e7ar uma rea\u00e7\u00e3o contra a id\u00e9ia da transfer\u00eancia para Livramento, mas foi demovido pelo pr\u00f3prios descendentes de Canabarro que moram na fronteira-oeste. Hoje, evita em falar no assunto.<br \/>\nVillagr\u00e1n pretende distribuir 100 medalhas com a fisionomia do general a todas institui\u00e7\u00f5es e pessoas que se engajaram nessa mobiliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<strong>Piquete criou Chama Crioula<\/strong><br \/>\nA chegada dos restos mortais de David Canabarro em Porto Alegre, em setembro de 1947, coincide com a cria\u00e7\u00e3o da Chama Crioula, s\u00edmbolo m\u00e1ximo das comemora\u00e7\u00f5es da Semana Farroupilha.<br \/>\nH\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre os dois fatos, al\u00e9m de terem completado 60 anos: \u00e9 que a alguns dos jovens tradicionalistas que realizaram o cortejo f\u00fanebre, a cavalo, no dia 5, participaram do piquete no acendimento da primeira Chama Crioula, no dia 7.<br \/>\nO gesto, batizado inicialmente como Ronda Ga\u00facha, foi o embri\u00e3o do Movimento Tradicionalista Ga\u00facho. Teve como protagonistas oito estudantes do Col\u00e9gio Julio de Castilhos, que ficaram conhecidos como o \u201cGrupo dos 8\u201d. Eram eles: Ant\u00f4nio Jo\u00e3o de S\u00e1 Siqueira, Cil\u00e7o Campos, Ciro Dias da Costa, Cyro Dutra Ferreira, Fernando Machado Vieira, Jo\u00e3o Carlos D&#8217;\u00c1vila Paix\u00e3o C\u00f4rtes, Jo\u00e3o Machado Vieira e Orlando Degrazzia.<br \/>\nPaix\u00e3o C\u00f4rtes liderava o grupo e foi quem organizou a forma\u00e7\u00e3o da guarda de honra civil que acompanharia a cavalo os despojos do general farroupilha em troca da libera\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito para a retirada de uma centelha da pira da P\u00e1tria. Levado at\u00e9 o Julinho, o fogo acendeu um candeeiro, simbolizando o culto aos personagens da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, iniciada naquele m\u00eas, em 1835.<br \/>\n<strong>Um Panteon para os her\u00f3is<\/strong><br \/>\nA Liga de Defesa Nacional foi quem mandou remover os despojos do general porque pretendia construir no cemit\u00e9rio da Santa Casa de Porto Alegre o Panteon Riograndense, obra jamais realizada.<br \/>\nUma nota de 10 linhas na p\u00e1gina 2 do Correio do Povo, do dia 5 de setembro de 1947, uma sexta-feira, publica um telegrama do prefeito Flavio Mena Barreto Matos endere\u00e7ado ao major Darci Vignoli, presidente da Liga de Defesa Nacional, em que anuncia a chegada dos restos mortais de Canabarro, \u00e0s 10 horas da manh\u00e3, no aeroporto de S\u00e3o Jo\u00e3o, em Porto Alegre. A urna chegaria em avi\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira pilotado pelo tenente-coronel aviador Remo Canabarro Lucas, bisneto do general farrapo.<br \/>\nNa edi\u00e7\u00e3o de s\u00e1bado, dia 6, o jornal publica uma foto do cortejo, com os militares, na frente, conduzindo a urna. E fala no Departamento de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas do Col\u00e9gio Julio de Castilhos que, \u201cassociando-se \u00e0 homenagem, escalou um grupo de cavalarianos para, em trajes gauchescos, acompanhar os seus despojos at\u00e9 a pra\u00e7a Senador Flor\u00eancio, onde os mesmos foram entregues oficialmente \u00e0 Irmandade da Santa Casa\u201d.<br \/>\nNo dia seguinte, o CP informa que \u201cpouco antes de ser extinto o fogo da pira da P\u00e1tria, no Parque Farroupilha, foi nele acendida uma tocha e conduzida por alunos do Col\u00e9gio Julio de Castilhos, todos vestidos com roupas tipicamente ga\u00fachas, e conduzindo as bandeiras Farroupilha e Nacional, at\u00e9 o sagu\u00e3o do col\u00e9gio, onde a chama simb\u00f3lica foi colocada numa pequena pira que permanecer\u00e1 acesa at\u00e9 o dia 20 de setembro, data em que se comemora mais um anivers\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha. Esse per\u00edodo \u00e9 denominado \u201cRonda Ga\u00facha\u201d. Nos desfiles do dia 20, apenas a Brigada Militar desfilou em frente ao Pal\u00e1cio Piratini, prestando contin\u00eancia ao governador Valter Jobim.<br \/>\n<strong>Dias inesquec\u00edveis<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/paixao_cortes_arquivo_ja_editores2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Paix\u00e3o Cortes\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/paixao_cortes_arquivo_ja_editores2-300x400.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"400\" \/><\/a>A movimenta\u00e7\u00e3o de jovens pilchados a cavalo pelas ruas de Porto Alegre tornou aqueles primeiros dias de setembro inesquec\u00edveis para Paix\u00e3o C\u00f4rtes. Ele lembra que o departamento de tradi\u00e7\u00f5es do Julinho preparou v\u00e1rias festividades, entre elas, um baile ga\u00facho e um concurso de pilchas, no Teres\u00f3polis T\u00eanis Club, do qual foi julgador o escritor Manoelito de Ornelas. \u2018\u201dN\u00f3s quer\u00edamos passar toda aquela semana, em especial, revivendo os costumes l\u00e1 de fora\u201d, afirma o folclorista.<br \/>\nMas o fato inusitado naqueles dias foi a prepara\u00e7\u00e3o dos jovens para o cortejo f\u00fanebre. \u201cTivemos que sair por a\u00ed, conseguir cavalos, arreios, depois as pessoas nos olhavam como um bando de loucos andando a cavalo na cidade. Mas cumprimos com o combinado e no 7 de setembro, em plena Jo\u00e3o Pessoa, nos foi autorizados acender a Chama Crioula. Est\u00e1vamos embandeirados com os s\u00edmbolos do col\u00e9gio e do Rio Grande do Sul. Levamos a Chama para o sal\u00e3o do Julinho, onde foi acender o Candeeiro Crioulo\u201d.<br \/>\nLogo em seguida, v\u00e1rias pessoas foram se juntar aos jovens tradicionalistas, entre eles, Luiz Carlos Barbosa Lessa, tamb\u00e9m aluno do Julinho, um dos fundadores do primeiro Centro de Tradi\u00e7\u00f5es Ga\u00fachas do Estado, o CTG 35, e que viria se tornar mais tarde um dos maiores pesquisadores da cultura ga\u00facha.<br \/>\n<strong>Museu ser\u00e1 p\u00f3lo cultural<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/casa_que_pertenceu_a_canabaro_e_vai_virar_museu_foto_cleber_dioni2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"casa que pertenceu a Canabaro vai virar museu\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/casa_que_pertenceu_a_canabaro_e_vai_virar_museu_foto_cleber_dioni2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>A propriedade que pertenceu a Canabarro vai virar o Museu do Pampa Ga\u00facho, projeto elaborado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) em conv\u00eanio com a prefeitura de Livramento.<br \/>\nA administra\u00e7\u00e3o municipal comprou o im\u00f3vel para que o Iphan o reformasse e \u00e9 o pr\u00f3prio instituto que vai supervisionar a instala\u00e7\u00e3o do museu.<br \/>\nA aquisi\u00e7\u00e3o demorou mais do que o previsto porque o antigo morador, Luiz de Mello Arnes, ganhou o t\u00edtulo de uso capi\u00e3o no in\u00edcio de 2007, o que dificultou a desapropria\u00e7\u00e3o. Arnes residiu com seus familiares na casa hist\u00f3rica por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas. O munic\u00edpio teve que desembolsar R$ 200 mil para receber as chaves.<br \/>\nA propriedade fica na avenida 24 de Maio, 1024, esquina com a rua Bar\u00e3o do Triunfo e ao lado de uma unidade do Ex\u00e9rcito. Est\u00e1 distante cerca de 500 metros da Pra\u00e7a General Os\u00f3rio, no Centro, e 900 metros da fronteira com Rivera.<br \/>\nCanabarro mandou construir a resid\u00eancia por volta de 1845 para servir de hospedagem a ele e a seus familiares enquanto estivessem de passagem na cidade. Depois, doou a uma irm\u00e3. O general passava a maior parte do tempo na est\u00e2ncia S\u00e3o Greg\u00f3rio, no distrito do Cati, em Livramento. Viveu na campanha at\u00e9 a morte, em 1867.<br \/>\nA casa \u00e9 simples. Os registros do Iphan da \u00e9poca do tombamento, em maio de 1953, d\u00e3o alguns detalhes: \u201cpossui paredes externas executadas em alvenaria de pedra, as internas em pau-a-pique e a cobertura em telhas cer\u00e2micas, do tipo capa\/canal, constituindo um exemplo da arquitetura singela caracter\u00edstica da regi\u00e3o da campanha do Rio Grande do Sul\u201d.<br \/>\nA arquiteta Ana L\u00facia Meira, superintendente do Iphan no Estado, diz que a propriedade tombada pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico est\u00e1 sendo pensada como um ode \u00e0 vida, ao bioma Pampa, ao ambiente, \u00e0 cultura.<br \/>\nA historiadora Beatriz Muniz Freire, do Iphan, \u00e9 quem vai supervisionar a instala\u00e7\u00e3o do museu. \u201cA proposta n\u00e3o se limita a contar atrav\u00e9s de pe\u00e7as e fotos a trajet\u00f3ria de Canabarro. \u00c9 muito mais do que isso. A id\u00e9ia \u00e9 transformar o Museu do Pampa num referencial da cultura ga\u00facha na Regi\u00e3o da Campanha\u201d, afirma.<br \/>\nA casa ser\u00e1 umas das pe\u00e7as do museu, que pode se transformar num projeto maior, que incluiria o pr\u00e9dio da Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria, hoje em desuso, distante cerca de 100 metros dali. \u201cA cidade de Livramento possui muitos espa\u00e7os, tem a Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria, tem a estrutura do antigo Frigor\u00edfico Armour, mais distante. Pensamos em transformar aquela \u00e1rea em torno da casa, e quem sabe a cidade, num p\u00f3lo cultural, poderemos firmar um acordo binacional, onde o vizinho Uruguai poderia contribuir com sua hist\u00f3ria e recursos t\u00e9cnicos\u201d, explica.<br \/>\nDe acordo com o projeto, ser\u00e3o instaladas salas de espet\u00e1culo e de exposi\u00e7\u00f5es permanentes e tempor\u00e1rias, uma biblioteca com acervo sobre a conquista da fronteira, cole\u00e7\u00f5es de interesse art\u00edstico e hist\u00f3rico, e estuda-se tamb\u00e9m at\u00e9 uma loja de artesanato.<br \/>\nA arquiteta Ana Meira n\u00e3o viu sentido em permitir a constru\u00e7\u00e3o do memorial a Canabarro no terreno do futuro museu. \u201cColocar um enterramento l\u00e1 significaria mudar totalmente esse sentido e o Museu do Pampa viraria um mausol\u00e9u, tudo o que n\u00e3o queremos\u201d, salienta. Por isso, a prefeitura adquiriu um outro terreno, segundo Villagran.<br \/>\nPara a diretora do Departamento de Cultura de Livramento, Cec\u00edlia Amaral, o museu deve se transformar num ponto tur\u00edstico e num dos maiores referenciais da cultura sul-rio-grandense. \u201cQueremos que o museu seja um centro cultural, uma refer\u00eancia sobre a hist\u00f3ria da conquista da fronteira\u201d, diz Cec\u00edlia.<br \/>\nFalta definir o que ser\u00e1 transferido do Museu David Canabarro para o futuro Museu do Pampa, ainda que o \u00f3rg\u00e3o municipal possua pouqu\u00edssimos objetos do general farroupilha. Uma das pe\u00e7as \u00e9 um quadro de autor desconhecido, pintado em Pelotas em 1887 e doado pelo Museu Julio de Castilhos em 1953. H\u00e1 algumas pe\u00e7as expostas, como uma faixa e duas dragonas que est\u00e3o identificadas como de David Martins, mas que se referem a um general santanense que, enquanto tenente, chegou a servir como secret\u00e1rio de Canabarro e, mais tarde, j\u00e1 no posto de general, comandou a divis\u00e3o dos maragatos em Livramento durante a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista, em 1893.<br \/>\n<strong>Gil aconselhou patrocinadores<\/strong><br \/>\nQuando esteve no Estado em novembro de 2005 para a reinaugura\u00e7\u00e3o do Museu Dom Diogo, de Bag\u00e9, o ministro da Cultura Gilberto Gil lembrou que a implanta\u00e7\u00e3o do Museu do Pampa, em Livramento, e do Museu do Doce, em Pelotas, foram aprovados no projeto de Moderniza\u00e7\u00e3o de Museus 2005\/2006 do MinC\/Iphan.<br \/>\nSugeriu que, a exemplo do Museu Dom Diogo, os dois projetos deveriam ser viabilizados por meio da Lei de Incentivo \u00e0 Cultura (LIC), com patroc\u00ednio de institui\u00e7\u00f5es federais como Petrobras ou Caixa Econ\u00f4mica Federal, que j\u00e1 financiaram v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es do Estado.<br \/>\n<strong>Caggiani foi pioneiro<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/ivo_caggiani1.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Ivo Caggiani\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/ivo_caggiani1.jpg\" alt=\"\" width=\"204\" height=\"405\" \/><\/a>A id\u00e9ia de transformar a casa bicenten\u00e1ria em museu surgiu em 1954, um ano depois de ser tombada pelo Iphan. Foi proposta pelo historiador e jornalista Ivo Caggiani, um dos melhores bi\u00f3grafos do general farrapo. Ele tamb\u00e9m foi o primeiro a pedir o retorno dos restos mortais do oficial para Livramento.<br \/>\nCaggiani, falecido em abril de 2000, queria que o im\u00f3vel virasse o museu David Canabarro, mas quem ficou com a denomina\u00e7\u00e3o foi o museu municipal. A iniciativa tinha um alcance maior: inclu\u00eda o tombamento da fazenda S\u00e3o Greg\u00f3rio e do quartel-general de Canabarro, n\u00e3o muito distante da sua est\u00e2ncia. Mas n\u00e3o vingou.<br \/>\nEm 2003, a superintend\u00eancia do Iphan no Rio Grande do Sul elaborou um projeto espec\u00edfico para aquela propriedade a fim de criar um p\u00f3lo cultural na regi\u00e3o. Devido ao p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o da casa, e as sucessivas altera\u00e7\u00f5es ao longo dos anos, os t\u00e9cnicos do \u00f3rg\u00e3o federal sugeriram \u00e0 Prefeitura que desapropriasse o im\u00f3vel para que fossem feitas as restaura\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA quest\u00e3o foi parar na Justi\u00e7a, e se arrastou por quatro anos. Nesse meio tempo, a casa foi restaurada. At\u00e9 que, em julho de 2007, o antigo morador desocupou o im\u00f3vel.<br \/>\n<strong>A cidade que acolheu o general<\/strong><br \/>\nSantana do Livramento, na fronteira-oeste do Estado, a 500 quil\u00f4metros da Capital, foi a cidade que David Canabarro escolheu para viver a partir dos 32 anos de idade, aproximadamente, depois de servir como tenente nas for\u00e7as do coronel Bento Gon\u00e7alves, na Campanha de 1828, que culminou com a independ\u00eancia do Uruguai.<br \/>\nFoi morar com o tio Ant\u00f4nio Ferreira Canabarro na est\u00e2ncia S\u00e3o Greg\u00f3rio, em Livramento. Ali come\u00e7ou a criar gado. E foi no interior desse munic\u00edpio, na fazenda do capit\u00e3o Ant\u00f4nio Mendes de Oliveira, que o general morreu, em 12 de abril de 1867, aos 70 anos, v\u00edtima de t\u00e9tano, sendo sepultado ao lado dos irm\u00e3os Jo\u00e3o e Silv\u00e9rio. Foi o tio Ant\u00f4nio quem o inspirou a mudar o sobrenome para Canabarro.<br \/>\nA perman\u00eancia do l\u00edder farrapo no munic\u00edpio, somada ao fato de ali terem sido criados dezenas de parentes do general, explicam em parte o carinho especial que o povo santanense dedica a Canabarro. Acredita-se que todos os parentes que vivem hoje em Livramento descendam de Maria Ang\u00e9lica, a filha mais velha de Canabarro. Jurema Fernandes Caggiani, vi\u00fava do jornalista Ivo Caggiani, Maria Leda Fernandes Rodrigues e Jo\u00e3o Fernandes s\u00e3o alguns dos bisnetos de Maria Ang\u00e9lica, que casou com 14 anos e teve 14 filhos.<br \/>\n<strong>Militar aos 15 anos<\/strong><br \/>\nCanabarro, um dos nomes mais expressivos da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, nasceu David Jos\u00e9 Martins, no dia 22 de agosto de 1796, na localidade de Pinheiros, munic\u00edpio de Taquari, distante 94 quil\u00f4metros da Capital. Era filho do porto-alegrense Jos\u00e9 Martins Coelho e da catarinense Mariana In\u00e1cia de Jesus, neto pelo lado paterno de Jos\u00e9 Martins Faleiros e Jacinta Rosa, naturais da Ilha Terceira, e pelo lado materno, de Manuel Teod\u00f3sio Ferreira e Perp\u00e9tua de Jesus.<br \/>\nIniciou a carreira militar na campanha de Dom Diogo, em 1811, aos 15 anos. A partir da\u00ed, lutou em todas as guerras das quais participou o governo imperial brasileiro. Ingressou na Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha em 1836. Comandou a funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Juliana, em 1839, ap\u00f3s a tomada de Laguna, em Santa Catarina. Teve apoio decisivo do revolucion\u00e1rio italiano Giuseppe Garibaldi.<br \/>\nEm junho de 1843, assumiu o comando-em-chefe das for\u00e7as farroupilhas, tendo recusado apreender a espada de Bento Gon\u00e7alves, afirmando que somente o pr\u00f3prio general poderia guard\u00e1-la. Passou a negociar a anistia diretamente com o general Luis Alves de Lima e Silva, ent\u00e3o Bar\u00e3o de Caxias, a servi\u00e7o do Imp\u00e9rio.<br \/>\nFicou na hist\u00f3ria sua resposta a um convite do general argentino Juan Manuel de Rosas para que reunissem as for\u00e7as contra o Imp\u00e9rio do Brasil: \u201cO primeiro de vossos soldados que transpuser a fronteira fornecer\u00e1 o sangue com o qual assinaremos a paz com os imperiais\u201d. Ap\u00f3s a anistia, participou das Campanhas contra Oribe e Rosas e da Guerra do Paraguai.<br \/>\n<strong>Houve trai\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/oficio_da_discordia_2.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"Oficio da discordia\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/08\/oficio_da_discordia_2-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/a>O jornalista Ivo Caggiani sempre discordou da vers\u00e3o de que Canabarro tivesse tra\u00eddo os lanceiros negros para acertar a paz com Caxias. Em seu livro David Canabarro, de Tenente a General, diz que a grande preocupa\u00e7\u00e3o de Caxias era justamente Canabarro, a quem nunca conseguira vencer. \u201cCaxias se surpreendeu com a batalha de Porongos, quando escreveu ao ministro da Guerra, Jer\u00f4nimo Coelho, afirmando que, sem d\u00favida, \u00e9 a primeira vez que Canabarro \u00e9 surpreendido, o que at\u00e9 agora parecia imposs\u00edvel por sua cont\u00ednua vigil\u00e2ncia&#8221;.<br \/>\nO historiador S\u00e9rgio da Costa Franco diz que o assunto n\u00e3o est\u00e1 resolvido: \u201cN\u00e3o existem provas definitivas da trai\u00e7\u00e3o\u201d, sustenta.<br \/>\nJ\u00e1 o professor Moacyr Flores n\u00e3o t\u00eam d\u00favidas da trai\u00e7\u00e3o do general. Entre os v\u00e1rios ind\u00edcios, ele destaca que horas antes do massacre, uma patrulha farroupilha liderada pelo major Polvadeira foi atacada por soldados do coronel Francisco Pedro de Abreu, mais conhecido por Chico Pedro ou por Moringue. Os sobreviventes retornaram e foram relatar a Canabarro sobre o ocorrido. Mas o general teria desdenhado: \u201cPra que lado sopra o vento? Esse Moringue s\u00f3 com o cheiro da minha catinga j\u00e1 vai fugir\u201d. Diz-se que estava na companhia de sua amante, a \u201cpapagaia\u201d, mulher do m\u00e9dico da tropa, Jos\u00e9 Duarte.<br \/>\nO combate de Porongos aconteceu na madrugada de 14 de novembro de 1844 no Cerro de Porongos, munic\u00edpio de Pinheiro Machado, distante 370 quil\u00f4metros de Porto Alegre, na regi\u00e3o Sul do Estado. Cerca de cem soldados negros a servi\u00e7o dos Farrapos foram mortos por uma coluna imperial sob as ordens do coronel Chico Pedro.<br \/>\nFlores diz que estavam em Porongos em torno de 400 farrapos, divididos em tr\u00eas acampamentos: dos \u00edndios, dos brancos e dos negros, este sob as ordens do capit\u00e3o Teixeira Nunes, o gavi\u00e3o.<br \/>\n<strong>Tempo de guerra, mentira como terra<\/strong><br \/>\nA controv\u00e9rsia : Canabarro mandou desarmar os negros porque temia uma revolta interna ou porque havia combinado com o Imp\u00e9rio o exterm\u00ednio desses lanceiros? O certo \u00e9 que foram massacrados. Os que sobreviveram foram enviados para trabalhar na fazenda Santa Cruz, do imperador, no Rio de Janeiro.<br \/>\nO problema : as tratativas de paz com o Bar\u00e3o de Caxias, comandante das for\u00e7as imperiais, n\u00e3o envolvia a liberta\u00e7\u00e3o dos escravos negros. S\u00f3 que essa era uma promessa feita pela Rep\u00fablica Rio-grandense aos que lutassem ao lado dos farrapos. O que fazer ent\u00e3o com esses soldados ? O clima certamente era tenso entre os negros. Os generais Netto e Bento Gon\u00e7alves teriam se retirado das negocia\u00e7\u00f5es por n\u00e3o abrirem m\u00e3o da liberdade dos escravos guerreiros. Da\u00ed teria surgido, ent\u00e3o, a arma\u00e7\u00e3o para liquidar com o problema. Estariam envolvidos na trama Canabarro, Manuel Lucas de Oliveira, Moringue e Caxias.<br \/>\nA prova: um of\u00edcio de Caxias endere\u00e7ado a Moringue com instru\u00e7\u00f5es para atacar o acampamento. Um dos trechos dizia o seguinte: \u201cN\u00e3o receie da infantaria inimiga, pois ela h\u00e1 de receber ordem de um Ministro e do seu General-em-chefe para entregar o cartuchame sobre [sic] pretexto de desconfian\u00e7a dela. Se Canabarro ou Lucas, que s\u00e3o os \u00fanicos que sabem de tudo, forem prisioneiros, deve dar-lhes escapula de maneira que ningu\u00e9m possa nem levemente desconfiar, nem mesmo os outros que eles pedem que n\u00e3o sejam presos, pois V. S\u00e1. bem deve conhecer a gravidade deste secreto neg\u00f3cio que nos levar\u00e1 em poucos dias ao fim da revolta desta Prov\u00edncia&#8230;\u201d.<br \/>\nA maioria dos historiadores, no entanto, considerou o documento uma falsifica\u00e7\u00e3o de Moringue. O jornalista Alfredo Ferreira Rodrigues disse que a inten\u00e7\u00e3o do coronel era desmoralizar Canabarro diante de seus soldados. Tempo de guerra, mentira como terra.<br \/>\n<em>(*) Com reportagem publicada originalmente no jornal Extra Classe, em mar\u00e7o deste ano.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni * Ap\u00f3s 61 anos, Santana do Livramento voltar\u00e1 a abrigar os restos mortais de David Canabarro, o general que se tornou um dos grandes her\u00f3is riograndenses, mas que para alguns pesquisadores n\u00e3o passou de um traidor, respons\u00e1vel pelo massacre dos lanceiros negros farrapos, em Porongos. 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