{"id":15247,"date":"2014-07-20T00:27:18","date_gmt":"2014-07-20T03:27:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=15247"},"modified":"2014-07-20T00:27:18","modified_gmt":"2014-07-20T03:27:18","slug":"a-revolucao-eolica-42-embalados-pelos-ventos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-revolucao-eolica-42-embalados-pelos-ventos\/","title":{"rendered":"A Revolu\u00e7\u00e3o E\u00f3lica (42) \u2013 Embalados pelos ventos"},"content":{"rendered":"<p>Sem contar os cataventos que no s\u00e9culo passado puxavam \u00e1gua de po\u00e7o ou acendiam l\u00e2mpadas e aparelhos de r\u00e1dio em fazendas na campanha ga\u00facha, a energia e\u00f3lica chegou ao Rio Grande do Sul em meados de 2006, quando o parque de Os\u00f3rio come\u00e7ou a enviar eletricidade para uma subesta\u00e7\u00e3o da CEEE.<br \/>\nEm seis anos,13 parques e\u00f3licos operam no Estado, com capacidade para gerar 414 megawatts, 22% do total instalado no pa\u00eds.<br \/>\nNo ano passado, os 600 aerogeradores espetados em diversos pontos do Estado mandaram para a rede el\u00e9trica 150 megawatts, energia suficiente para abastecer uma cidade como Santa Maria.<br \/>\nMesmo com a desvantagem de ser inconstante, o vento fornece uma energia complementar limpa, que permite economizar nas hidrel\u00e9tricas e nas t\u00e9rmicas.<br \/>\n<strong>NORDEST\u00c3O QUEM DIRIA&#8230;<\/strong><br \/>\nO vento Nordeste, que sempre irritou os moradores do litoral Sul, hoje \u00e9 motivo de orgulho em Os\u00f3rio. \u00c9 ele que move o primeiro parque e\u00f3lico do Rio Grande do Sul.<br \/>\nConstru\u00eddo pela espanhola Elecnor em parceria com os alem\u00e3es da Wobben Windpower. Come\u00e7ou a operar em abril de 2006, com 75 aerogeradores somando 150 MW de capacidade instalada.<br \/>\nPor ser o primeiro do Rio Grande, gozou de condi\u00e7\u00f5es privilegiadas oferecidas pelo Programa de Incentivo a Fontes Alternativas (Proinfa), do Minist\u00e9rio das Minas e Energia.<br \/>\nA maior vantagem foi o pre\u00e7o do megawatt\/hora: R$ 240, tr\u00eas vezes mais caro do que a energia de origem h\u00eddrica na \u00e9poca e quase o dobro da cota\u00e7\u00e3o da energia e\u00f3lica no leil\u00e3o de agosto do ano passado promovido pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica.<br \/>\nNesse \u00faltimo leil\u00e3o, a cota\u00e7\u00e3o do megawatt hora caiu para R$ 130,86, bem mais baixo que o valor ofertado pelas usinas movidas a queima de baga\u00e7o de cana (R$144,20) e pelas pequenas centrais hidrel\u00e9tricas (R$141,93).<br \/>\nO sucesso do empreendimento de Os\u00f3rio virou um marco no litoral norte, onde o vento dominante (o nordest\u00e3o) garante um aproveitamento (da pot\u00eancia instalada) acima da m\u00e9dia mundial (33%).<br \/>\nSe o rendimento \u00e9 de 34%, 36% ou 40% nunca se soube, mas o fato \u00e9 que os aerogeradores de Os\u00f3rio s\u00f3 param para manuten\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAcossada por um enxame de concorrentes \u2013 a argentina Impsa, a norte-americana General Electric, a espanhola Gamesa, a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas, a francesa Alstom, a alem\u00e3 Siemens \u2013, a pioneira Elecnor n\u00e3o se acomodou e conseguiu licen\u00e7a para implantar novos geradores em Os\u00f3rio e na vizinha Palmares do Sul.<br \/>\nSomados, os dois parques ter\u00e3o sua capacidade total ampliada para 500 MW.<br \/>\nDona da rede de transmiss\u00e3o, a CEEE se tornou s\u00f3cia (10%) do grupo espanhol operador dos cataventos de Os\u00f3rio e Palmares do Sul.<br \/>\nEm 2011, o grupo colocou em opera\u00e7\u00e3o o Parque Cidreira I (70 MW), tamb\u00e9m no litoral norte.<br \/>\n<strong>CATAVENTOS NA COXILHA<\/strong><br \/>\nMais de uma d\u00e9cada depois de ter seu parque de gera\u00e7\u00e3o totalmente privatizado, a Eletrosul tornou-se, em julho de 2011, a primeira empresa do Sistema Eletrobras a produzir energia a partir dos ventos \u2013 no Cerro Chato, em Santana do Livramento, um dos lugares mais pobres do Rio Grande do Sul, \u00e1rea de grandes propriedades dominadas pela pecu\u00e1ria extensiva, na fronteira do Brasil com o Uruguai, no extremo sul.<br \/>\nA reviravolta da Eletrosul come\u00e7ou em 2004, quando o presidente Lula enviou ao Congresso uma medida provis\u00f3ria elaborada pela ent\u00e3o ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, que reorganizava o setor el\u00e9trico e retirava as estatais, inclu\u00edndo a Eletrosul, no Plano Nacional de Privatiza\u00e7\u00f5es.<br \/>\nA partir dali, os valores investidos somente em gera\u00e7\u00e3o saltaram de R$ 189,9 milh\u00f5es, em 2008, para R$ 723,4 milh\u00f5es em 2012. E seguem crescendo.<br \/>\n<strong>VENTOS NA FRONTEIRA<\/strong><br \/>\nS\u00e3o dois ventos dominantes na fronteira oeste do Rio Grande do Sul &#8211; o Aragano, no ver\u00e3o, e o minuano, no inverno. Sopram o ano inteiro, chegam a 80 quil\u00f4metros por hora.<br \/>\nPara colher a energia deles, a Eletrosul ergueu 45 cataventos a 98 metros de altura distribu\u00eddos em 25 \u00e1reas de propriedade particular. Cada torre rende ao propriet\u00e1rio do terreno R$ 2.500 por m\u00eas de aluguel. Uma centena de pessoas trabalha na administra\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do parque e\u00f3lico. O ICMS do munic\u00edpio cresceu 10% em 2012.<br \/>\nEm termos energ\u00e9ticos, Cerro Chato est\u00e1 aqu\u00e9m das expectativas. Ao longo do \u00faltimo ano, ele n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar 30% da sua capacidade.<br \/>\nMas o neg\u00f3cio \u00e9 bom, tanto que a Eletrosul est\u00e1 construindo mais tr\u00eas complexos e\u00f3licos &#8211; em Santana do Livramento, Santa Vit\u00f3ria do Palmar e Chu\u00ed \u2013 que ir\u00e3o acrescentar 480 MW ao sistema el\u00e9trico a partir de 2014.<br \/>\nO maior deles \u00e9 o Geribatu (em Santa vit\u00f3ria), com 129 aerogeradores e pot\u00eancia instalada de 258 MW.<br \/>\nNesses projetos ser\u00e3o investidos mais de R$ 1,5 bilh\u00e3o, abrindo a possibilidade de incrementar a interliga\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica com o Uruguai.<br \/>\nO Grupo CEEE estuda parceria com a Eletrosul para implantar o Parque E\u00f3lico Serra dos Antunes, em Os\u00f3rio, com 98 MW.<br \/>\n<strong>ENERGIA QUE MAIS CRESCE<\/strong><br \/>\nH\u00e1 20 anos, a energia e\u00f3lica era uma utopia improv\u00e1vel. Hoje o vento j\u00e1 contribui com 4,2% da energia consumida no mundo e \u00e9 uma das fontes que mais crescem.<br \/>\nH\u00e1 dois anos cresce acima de 20% ao ano.J\u00e1 est\u00e1 presente em 80 pa\u00edses.<br \/>\nA capacidade total das usinas e\u00f3licas supera os 200 mil MW, segundo o Conselho Global de Energia E\u00f3lica.<br \/>\nNa Am\u00e9rica Latina, o Brasil apresenta as maiores taxas de crescimento. Mais de 1.800 MW j\u00e1 podem ser gerados nos parques e\u00f3licos brasileiros. E o crescimento \u00e9 exponencial.<br \/>\nPesquisas estimam que o potencial e\u00f3lico no pa\u00eds chegue a 143 mil MW, mais de dez vezes o que \u00e9 gerado pela Usina Hidrel\u00e9trica de Itaipu, cuja pot\u00eancia \u00e9 de 14 mil MW.<br \/>\nEmbora o Brasil tenha o maior parque e\u00f3lico da Am\u00e9rica Latina, os ventos ainda correspondem a menos de 1% da energia produzida no territ\u00f3rio brasileiro. No ranking dos pa\u00edses produto res, os Estados Unidos lideram com 35 mil MW de capacidade instalada. Na sequ\u00eancia v\u00eam a China, com 26 mil MW e a Alemanha, com 25,8 mil MW, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Energia E\u00f3lica (WWEA, na sigla em ingl\u00eas).<br \/>\nO presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), Maur\u00edcio Tolmasquim, prev\u00ea que em tr\u00eas anos o parque e\u00f3lico do pa\u00eds chegar\u00e1 aos 8 mil MW, figurando entre os dez maiores produtores.<br \/>\n\u201cO setor continuar\u00e1 crescendo, inclusive a ind\u00fastria de aerogeradores, facilitada pelo governo que estabeleceu\u00a0 pelo menos 60% de conte\u00fado nacional\u00a0 nos equipamentos\u201d, observa.<br \/>\n<strong>UM PARQUE EM VIAM\u00c3O<\/strong><br \/>\nH\u00e1 outros empreendimentos, com estudos ambientais aprovados, que aguardam a abertura de novos leil\u00f5es de energia.<br \/>\nAlgumas empresas mant\u00eam sigilo sobre seus projetos, enquanto outras divulgam seus investimentos e anunciam a inten\u00e7\u00e3o de disputar contratos de venda de energia.<br \/>\nEm Viam\u00e3o, a Oleoplan constr\u00f3i um parque e\u00f3lico com pot\u00eancia de 25,6 MW. O investimento de R$ 100 milh\u00f5es deve estar conclu\u00eddo em 2014. Segundo seu presidente Irineu Boff, que apostou na produ\u00e7\u00e3o de biodiesel de soja, o grupo Oleoplan n\u00e3o vai ficar num \u00fanico investimento e\u00f3lico.<br \/>\n<strong>TODA PRODU\u00c7\u00c3O \u00c9 COMPRADA<\/strong><br \/>\nUma grande vantagem das e\u00f3licas brasileiras \u00e9 dispor de passagem livre nas redes de transmiss\u00e3o. As concession\u00e1rias como a CEEE n\u00e3o podem recusar a corrente oriunda dos aerogeradores.<br \/>\nOu seja, com vento forte ou brisa leve, um catavento girando \u00e9 sinal de que o parque e\u00f3lico est\u00e1 faturando. Se estiver sobrando energia na rede, devem parar as hidrel\u00e9tricas para poupar \u00e1gua nas represas e as t\u00e9rmicas para economizar combust\u00edvel. Os cataventos n\u00e3o descansam.<br \/>\n<strong>ONZE USINAS EM 2013<\/strong><br \/>\nHoje, 13 parques geram 414 MW no Estado, o que representa 22% da produ\u00e7\u00e3o nacional. As regi\u00f5es sul, nordeste, centro-norte, litoral norte e fronteira oeste oferecem as melhores condi\u00e7\u00f5es para a instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos no Estado, n\u00e3o s\u00f3 pelo maior const\u00e2ncia de ventos mas, tamb\u00e9m, pela boa infraestrutura do sistema el\u00e9trico de transmiss\u00e3o.<br \/>\nA energia contratada em sete leil\u00f5es realizados pelo governo brasileiro entre dezembro de 2009 e dezembro de 2012, para ser entregue at\u00e9 2017, foi de 7 mil MW, sendo mais de 1 mil MW em solo ga\u00facho, com previs\u00e3o de investimentos de R$ 4,9 bilh\u00f5es. Em apenas dois leil\u00f5es de 2011, foram vendidos 506,4 MW em tr\u00eas complexos e\u00f3licos no litoral sul, onde a velocidade m\u00e9dia dos ventos chega a 9,0 m\/s, ou 32,4 km\/h.<br \/>\nNeste ano, est\u00e3o previstos entrar em opera\u00e7\u00e3o 11 usinas, com 725,8 MW. At\u00e9 2016, a previs\u00e3o \u00e9 que o Rio Grande do Sul tenha instaladas 49 usinas e\u00f3licas.<br \/>\nTentando turbinar o setor, o governo ga\u00facho isentou 17 produtos entre m\u00e1quinas e equipamentos e\u00f3licos do pagamento de ICMS at\u00e9 31 de dezembro de 2015. Al\u00e9m disso, garantiu financiamentos dos bancos p\u00fablicos em que tem mando ou influ\u00eancia.<br \/>\n<strong>DILMA DEU O SOPRO INICIAL<\/strong><br \/>\nA explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do vento no Rio Grande do Sul come\u00e7ou em 1999, quando Dilma Rousseff, secret\u00e1ria de Energia do governo Ol\u00edvio Dutra (1999 2002), mandou medir a velocidade desse fen\u00f4meno meteorol\u00f3gico tradicionalmente associado ao folclore regional.<br \/>\nSem dados concretos sobre o potencial e\u00f3lico, n\u00e3o seria poss\u00edvel atrair investidores dispostos a montar usinas de produ\u00e7\u00e3o de eletricidade.<br \/>\nOs primeiros contatos para elaborar o Atlas E\u00f3lico ga\u00facho foram feitos no segundo semestre de 1999, quando se realizou o primeiro semin\u00e1rio sobre a energia e\u00f3lica no RS. Nesse evento apareceram pela primeira vez os espanh\u00f3is da Elecnor que mais tarde fundariam a Ventos do Sul Energia, com sede em Porto Alegre e base operacional no litoral norte. Antes disso, apenas a CEEE, dirigida por Telmo Magadan no governo de Antonio Britto (1995-1998), havia feito alguns movimentos para iniciar a explora\u00e7\u00e3o dos ventos no Rio Grande do Sul.<br \/>\nCoordenado pelo engenheiro el\u00e9trico Ronaldo Cust\u00f3dio dos Santos, funcion\u00e1rio da Secretaria de Energia que na \u00e9poca fazia mestrado em energia e\u00f3lica, o primeiro protocolo para medi\u00e7\u00e3o dos ventos no RS envolveu a CEEE e a empresa alem\u00e3 Wobben Windpower, que possu\u00eda uma f\u00e1brica de componentes e\u00f3licos em Sorocaba e montaria uma parceria com a Elecnor.<br \/>\nPara fazer o trabalho de campo, foi contratada a empresa Interc\u00e2mbio Eletro Mec\u00e2nico, do imigrante Hans Dieter Rahn, que desde a d\u00e9cada de 1950 mora em Porto Alegre, onde representa uma f\u00e1brica alem\u00e3 de anem\u00f4metros (medidores da velocidade do vento).<br \/>\nEm 2001, havia 21 torres recolhendo dados no litoral e no interior ga\u00facho.<br \/>\nEm 2002, esse n\u00famero chegou a 34 torres, as primeiras medindo a velocidade do vento a 50 metros de altura, outras a 75 metros e as mais novas com 100 metros. Armazenados na Secretaria por Anderson Barcelos, jovem funcion\u00e1rio que se tornaria assessor direto de Dilma quando ela ascendeu ao minist\u00e9rio do presidente Lula e depois chegou \u00e0 Presid\u00eancia, os n\u00fameros deram origem ao Atlas E\u00f3lico do Rio Grande do Sul.<br \/>\nPublicado em 2002, esse documento-gigante identificou um potencial para gerar 15 840 MW em solo firme com aproveitamento m\u00ednimo de 30% da pot\u00eancia dos aerogeradores, considerando-se \u00fateis os ventos acima de 7 metros por segundo a 50 metros de altura. Esse potencial de gera\u00e7\u00e3o representava quatro vezes a demanda m\u00e9dia do Estado na \u00e9poca. Entretanto, nas medi\u00e7\u00f5es que se seguiram, concluiu-se que, quanto mais alto fosse instalado um aerogerador, melhor seria o seu rendimento, pois \u00e9 longe do ch\u00e3o que os ventos sopram mais fortemente. Por isso o pioneiro projeto da ventos do Sul Energia em Os\u00f3rio, que inicialmente previa torres de 75 metros e aerogeradores com capacidade de 1,5 MW, foi alterado para operar a 100 metros com geradores de 2 MW.<br \/>\nCom o sucesso do parque e\u00f3lico de Os\u00f3rio, que opera desde fins de 2006, outros investidores encomendaram medi\u00e7\u00f5es dos ventos \u00e0 IEM do velho Rahn e a outras empresas como a Camargo Schubert, de Curitiba, respons\u00e1vel pelo Atlas do Potencial E\u00f3lico do Territ\u00f3rio Brasileiro (Eletrobr\u00e1s, 2001).<br \/>\nOs levantamentos confirmaram o que se sabia desde a chegada dos primeiros colonizadores portugueses \u2013 em fevereiro de 1727, o \u201cmau tempo\u201d (chuvas e ventos) impediu por dez dias a entrada a frota do brigadeiro Jos\u00e9 da Silva Paes, fundador de Rio Grande, no canal de liga\u00e7\u00e3o da Lagoa dos Patos com o Atl\u00e2ntico.<br \/>\nOs ventos ga\u00fachos s\u00e3o mais intensos na segunda metade do ano. No litoral s\u00e3o mais fortes no per\u00edodo da tarde; no interior, sopram mais \u00e0 noite. Predominam os ventos do leste e do nordeste com velocidades m\u00e9dias anuais de 5,5 a 6,5 metros por segundo. Ventos de mais de 7 m\/s sopram de Imb\u00e9 para o sul e tamb\u00e9m na Campanha, onde predominam o aragano ou pampeiro (em 60% do ano) e o minuano (40%, mais no inverno). N\u00e3o por acaso, foi nas coxilhas de Sant\u2019Anna do Livramento que a Eletrosul, sob a dire\u00e7\u00e3o do engenheiro Cust\u00f3dio dos Santos, se tornou a primeira estatal a produzir energia e\u00f3lica, desde meados de 2011.<br \/>\n<strong>E\u00d3LICAS TAMB\u00c9M INCOMODAM<\/strong><br \/>\nOs estudos ambientais realizados em Santana do Livramento come\u00e7aram em 2008. Foram necess\u00e1rias v\u00e1rias licen\u00e7as dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o, como Fepam, DEMA e ICMBio. Embora o complexo e\u00f3lico n\u00e3o esteja na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) do Ibirapuit\u00e3, um trecho da linha de transmiss\u00e3o atravessa por\u00e7\u00e3o da APA, o que provocou mudan\u00e7as no tra\u00e7ado original.<br \/>\nSegundo a ge\u00f3loga Bibiane Michaelsen, contratada para realizar a supervis\u00e3o ambiental da UECC, antes do in\u00edcio das obras foi feito o monitoramento da fauna durante um ano para identificar locais de reprodu\u00e7\u00e3o, nidifica\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, obedecendo ainda uma distancia m\u00ednima de 600 metros desses locais e 400 metros das resid\u00eancias, devido ao ru\u00eddo e \u00e0 sombra provocada pelos aerogeradores.<br \/>\nA disposi\u00e7\u00e3o desalinhada das torres obedece crit\u00e9rios t\u00e9cnicos mas, sobretudo, segue orienta\u00e7\u00f5es dos estudos ambientais.<br \/>\nA recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas alteradas durante as obras e o monitoramento mensal das aves e morcegos se estender\u00e1 at\u00e9 2015.<br \/>\nNo livro sobre a Usina Cerro Chato (reprodu\u00e7\u00e3o abaixo) podem ser vistos alguns animais comuns da Campanha, como as cobras, tatus, lebres, rat\u00f5es do banhado, lagartos, al\u00e9m de milhares de esp\u00e9cies de aves e os animais de cria\u00e7\u00e3o como gado, ovelhas e emas.<br \/>\nAntes, durante a constru\u00e7\u00e3o do Parque E\u00f3lico de Os\u00f3rio, os \u00f3rg\u00e3os ambientais (Fepam e Ibama) exigiam apenas estudos para evitar interfer\u00eancia na vida das aves migrat\u00f3rias.<br \/>\nDepois se viu que a opera\u00e7\u00e3o dos cataventos interferia na vida dos morcegos e dos sapos. E tamb\u00e9m se concluiu que os estudos pr\u00e9vios deviam levar em considera\u00e7\u00e3o os humanos que habitam os arredores.<br \/>\nNo Cear\u00e1, pioneiro na explora\u00e7\u00e3o dos ventos para gera\u00e7\u00e3o de eletricidade, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal denunciou diversos problemas socioambientais como devasta\u00e7\u00e3o de dunas, aterramento de lagoas, interfer\u00eancia em aqu\u00edferos.<br \/>\nEm outros pa\u00edses o aumento dos conflitos sociais gerados pelos grandes parques e\u00f3licos intensificou os estudos sobre os impactos dessa modalidade de neg\u00f3cio.<br \/>\nNa Alemanha, aerogeradores foram obrigados a parar de funcionar em hor\u00e1rios matutinos em que as p\u00e1s produziam um giro de sombras no interior das resid\u00eancias vizinhas. Para evitar reclama\u00e7\u00f5es, os investidores passaram a construir geradores em torres dentro do mar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem contar os cataventos que no s\u00e9culo passado puxavam \u00e1gua de po\u00e7o ou acendiam l\u00e2mpadas e aparelhos de r\u00e1dio em fazendas na campanha ga\u00facha, a energia e\u00f3lica chegou ao Rio Grande do Sul em meados de 2006, quando o parque de Os\u00f3rio come\u00e7ou a enviar eletricidade para uma subesta\u00e7\u00e3o da CEEE. 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