{"id":1587,"date":"2008-09-11T15:34:12","date_gmt":"2008-09-11T18:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1587"},"modified":"2008-09-11T15:34:12","modified_gmt":"2008-09-11T18:34:12","slug":"quadruplicacao-da-aracruz-o-que-mostram-estudos-sobre-dioxinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/quadruplicacao-da-aracruz-o-que-mostram-estudos-sobre-dioxinas\/","title":{"rendered":"Quadruplica\u00e7\u00e3o da Aracruz: o que mostram estudos sobre dioxinas?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cl\u00e1udia Viegas, Ambiente J\u00c1<\/strong><br \/>\nNa mem\u00f3ria do morador da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre que j\u00e1 passou dos 30 anos de idade, especialmente os da orla da Capital, um dos fatos mais marcantes foi sem d\u00favida o odor exalado pela Borregaard. A antiga planta de celulose, fechada em dezembro de 1973 pelas autoridades da Sa\u00fade do Estado, reaberta alguns meses depois, fechada novamente no final de 1974, e s\u00f3 reativada depois de v\u00e1rios compromissos de melhorias tecnol\u00f3gicas para reduzir impactos ambientais, representou um dos marcos mais importantes da luta socioambiental pelo direito de respirar melhor em Porto Alegre e arredores.<br \/>\nNos dias atuais, esta que \u00e9 Aracruz, que j\u00e1 foi Riocell e Klabin, n\u00e3o apenas afugentou um nome estranho como tamb\u00e9m deixou de atormentar os porto-alegrenses com o velho conhecido cheiro. Por\u00e9m, a contenda n\u00e3o parou por a\u00ed. A consci\u00eancia ecol\u00f3gica ati\u00e7ada dos ga\u00fachos desviou seu olhar do pr\u00f3prio nariz para as caladas \u00e1guas do Lago Gua\u00edba e seu percurso no cotidiano coletivo, da bomba de capta\u00e7\u00e3o \u00e0s torneiras. Se \u00e1gua n\u00e3o tem gosto, pelo menos n\u00e3o deveria ter, isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possa trazer danos \u00e0 sa\u00fade. Uma grande bandeira se levantou, desta vez apontada contra as chamadas dioxinas e furanos, compostos cancer\u00edgenos e mutag\u00eanicos que muito comumente se formam a partir de certos processos industriais que utilizam o cloro e seus compostos.<br \/>\n<strong>Ar e \u00e1gua<\/strong><br \/>\nAs emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas s\u00e3o a marca registrada da f\u00e1brica de celulose em sua trajet\u00f3ria de aproximadamente tr\u00eas d\u00e9cadas e meia em Gua\u00edba. Mas as melhorias no processo de produ\u00e7\u00e3o, a introdu\u00e7\u00e3o de sistemas de filtros mais eficientes e, especialmente, a convers\u00e3o do processo de branqueamento \u2013 que, em meados dos anos 90 passou a ser livre de cloro elementar para adotar compostos de cloro \u2013 levaram, aos poucos, a uma nova rotina de questionamentos populares sobre os efeitos ambientais das a\u00e7\u00f5es da f\u00e1brica, desta vez, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua. O principal ponto de d\u00favidas voltou-se \u00e0 emiss\u00e3o de organoclorados (dioxinas e furanos), considerados extremamente prejudiciais ao meio e \u00e0 sa\u00fade humana por sua persist\u00eancia no ambiente, baixa volatilidade e caracter\u00edstica lipof\u00edlica, ou seja, de facilmente se acumular no tecido gorduroso, causando toxicidade aguda, com efeitos como o c\u00e2ncer e disfun\u00e7\u00f5es no sistema reprodutivo.<br \/>\nAs dioxinas, na realidade, s\u00e3o o nome gen\u00e9rico de uma fam\u00edlia de aproximadamente 210 compostos ente os quais se destacam 17 is\u00f4meros por sua toxicidade, em especial o grupo 2,3,7,8 tetraclorodibenzeno-para-dioxina (TCDD) e 2,3,5,7 tetraclorodibenzeno para-furano (TCDF).<br \/>\nNo EIA da Aracruz, a abordagem da qualidade da \u00e1gua utilizou como par\u00e2metros as resolu\u00e7\u00f5es Conama para qualidade da \u00e1gua, sendo analisados cerca de 120 par\u00e2metros em 15 pontos de amostragem nas \u00e1guas do Gua\u00edba. Foi tamb\u00e9m utilizada como refer\u00eancia a Portaria 518\/204 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que estabelece os padr\u00f5es de potabilidade da \u00e1gua. A empresa, de acordo com o estudo, cumpriu todas as exig\u00eancias da Fepam, atendendo a crit\u00e9rios de classifica\u00e7\u00e3o existentes na literatura.<br \/>\n<strong>Sem limites<\/strong><br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 que, para emiss\u00f5es de dioxinas, n\u00e3o existe um par\u00e2metro nacional de limite na legisla\u00e7\u00e3o brasileira. Mesmo internacionalmente, os crit\u00e9rios para emiss\u00e3o deste tipo de poluente s\u00e3o bastante vari\u00e1veis e chegam a ser controversos porque dependem de s\u00e9ries hist\u00f3ricas de an\u00e1lises realizadas por laborat\u00f3rios em n\u00edveis de detec\u00e7\u00e3o da ordem de nanogramas por tonelada equivalente por litro (parte por bilh\u00e3o, 10-9) ou picogramas (parte por trilh\u00e3o, 10-12).<br \/>\nO coordenador de Pesquisa Tecnol\u00f3gica, Qualidade e Processo e gerente de Qualidade e Meio Ambiente da Aracruz em Gua\u00edba, engenheiro Cl\u00f3vis Zimmer, confirma que \u201cn\u00e3o h\u00e1 limites internacionais para emiss\u00f5es de dioxinas e furanos\u201d. Segundo ele, pesquisadores da Universidade de T\u00fcbingen, Alemanha, realizaram uma pesquisa no Lago Gua\u00edba sobre este assunto, em 1991, e este \u00e9 um estudo de refer\u00eancia que est\u00e1 descrito no EIA. Para abordar a quest\u00e3o, afirma Zimmer, \u201ca Aracruz segue padr\u00f5es de potabilidade da \u00e1gua que s\u00e3o dados pela Portaria 518\u201d. Ele explica que \u201cpelos padr\u00f5es de potabilidade da \u00e1gua da Ag\u00eancia Norte-americana de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Environmental Protection Agency, EPA), \u00e9 aceit\u00e1vel o \u00edndice de dioxinas e furanos de 30 ppq (partes por quatrilh\u00e3o)\u201d, o que significa 30x 10-12 picogramas por litro.<br \/>\nZimmer destaca que a Aracruz trabalha de acordo com as diretivas do IPPC (International Plant Protection Convention), o qual resulta de uma Diretiva Europ\u00e9ia de 1999. Esta diretiva visa a prevenir, ou, onde n\u00e3o for poss\u00edvel, reduzir a polui\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es industriais e outras, permitindo acesso \u00e0s melhores tecnologias dispon\u00edveis. \u201cSomos cobrados a operar dentro do conceito de Melhores Tecnologias Dispon\u00edveis (Best Available Technologies)\u201d, diz o engenheiro.<br \/>\nA planta da Aracruz em Gua\u00edba tem uma s\u00e9rie hist\u00f3rica de avalia\u00e7\u00f5es dos teores de dioxinas emitidos h\u00e1 cerca de 10 anos. S\u00e3o realizadas duas coletas de amostras anualmente, e enviadas para an\u00e1lise de um laborat\u00f3rio canadense, pois, conforme o engenheiro, no Brasil n\u00e3o h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que realizem esses testes de detec\u00e7\u00e3o, que exigem rigoroso controle. \u201cOs resultados das an\u00e1lises realizadas em 2 de julho de 2007 e 2 de janeiro de 2008 apontam zero emiss\u00f5es. O monitoramento dos efluentes vem sendo realizado desde 1998, e os valores ficaram sempre na m\u00e9dia de 0,01 x 10-12 (ou seja, 0,01 picogramas por litro ou partes por quatrilh\u00e3o). Para cada uma dessas an\u00e1lises, a Aracruz paga US$ 3 mil cada uma, o que implica uma m\u00e9dia de US$ 50 mil por ano em an\u00e1lises.<br \/>\n<strong>EUA e Canad\u00e1<\/strong><br \/>\nEm pa\u00edses onde h\u00e1 grande n\u00famero de plantas de celulose, como Estados Unidos e Canad\u00e1, tamb\u00e9m se verificam par\u00e2metros bem diferentes quanto a emiss\u00f5es de dioxinas. E muita controv\u00e9rsia. Um estudo do governo australiano encomendado a um grupo de especialistas da consultoria Beca Amec Limited assinala que nos Estados Unidos o limite legal \u00e9 de 10 picogramas tonelada equivalente (TEQ) por litro. Contudo, outro documento divulgado em 11 de julho de 2007 pelo professor Andrew W. Wadsley, consultor de riscos ligado aos meios ambientalistas australianos, que levanta d\u00favidas da ONG WWF sobre o relat\u00f3rio da Beca, defende que podem ser atingidas concentra\u00e7\u00f5es de 2 picogramas TEQ por litro lan\u00e7ando-se m\u00e3o das chamadas \u201cmelhores tecnologias dispon\u00edveis\u201d (Best Available Technologies\/BAT). Em um documento de r\u00e9plica, a Beca Amec atesta que a maioria das empresas de celulose em territ\u00f3rio canadense e norte-americano est\u00e3o abaixo do limite legal, apresentando j\u00e1 \u00edndices de 2 a 3 picogramas TEQ pot litro. Incursionar por essas discuss\u00f5es t\u00e9cnicas leva a uma busca incans\u00e1vel por certezas, ou pelo menos a uma tentativa de reduzir cada vez mais as incertezas. Por\u00e9m, isso \u00e9 muito dif\u00edcil quando se t\u00eam realidades diferentes entre os pa\u00edses e, principalmente, quando se est\u00e1 tratando de escalas de medida, por assim dizer infinitesimais. No final, a pergunta recorrente \u00e9: qual o limite aceit\u00e1vel para emiss\u00f5es de dioxinas que possa evitar danos \u00e0 sa\u00fade?<br \/>\n<strong>Tira-teima<\/strong><br \/>\nA reportagem do Ambiente J\u00c1 consultou, al\u00e9m de documentos, t\u00e9cnicos e especialistas para verificar como funciona a detec\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de dioxinas e o que \u00e9 estabelecido como crit\u00e9rio no caso da Aracruz. Foram ouvidos o engenheiro Renato das Chagas e Silva, chefe da Divis\u00e3o de Controle da Polui\u00e7\u00e3o (Dicop) da Fepam; Josete Sanches, pesquisadora da Funda\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia do Rio Grande do Sul (Cientec); Elba Calesso Teixeira, tamb\u00e9m pesquisadora da Fepam e do Centro de Ecologia da UFRGS, doutora e p\u00f3s-doutora em Geoqu\u00edmica, e Fernando Willrich, assistente t\u00e9cnico da Divis\u00e3o de Pesquisa do Dmae.<br \/>\nA pesquisadora Josete Sanches confirmou que n\u00e3o h\u00e1 lei limitando emiss\u00f5es de dioxinas e furanos no Brasil. A doutora Elba Calesso Teixeira, afirmou que n\u00e3o acompanha atualmente este assunto porque est\u00e1 dedicada a pesquisas sobre hidrocarbonetos polic\u00edclicos arom\u00e1ticos. O pesquisador Fernando Willrich afirmou que \u201cas concentra\u00e7\u00f5es de dioxinas s\u00e3o muito baixas\u201d e que esses compostos \u201cpodem ser gerados espontaneamente, por a\u00e7\u00e3o da luz solar, por exemplo\u201d. De acordo com ele, \u201cn\u00e3o h\u00e1 leis que limitem emiss\u00f5es de dioxinas, pois a detec\u00e7\u00e3o delas \u00e9 algo t\u00e3o preciso que at\u00e9 mesmo a vidraria de laborat\u00f3rio precisa ser muito bem controlada\u201d. Ele concluiu que \u201cas concentra\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o \u00ednfimas que n\u00e3o chegam a ser um problema em si, mas isto n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o possam se acumular ao longo do tempo\u201d.<br \/>\n<strong>Detec\u00e7\u00e3o e Restri\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nRenato das Chagas e Silva, engenheiro da Divis\u00e3o de Controle da Polui\u00e7\u00e3o da Fepam, assinalou que \u201co laborat\u00f3rio \u00e9 quem determina limites para dioxinas\u201d. Isto significa, segundo ele, que os padr\u00f5es s\u00e3o estabelecidos pelos limites de detec\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios internacionais. \u201cAo avaliar que as detec\u00e7\u00f5es s\u00e3o, em uma m\u00e9dia, 100% pr\u00f3ximas de zero, eles estabelecem esse padr\u00e3o\u201d, observa. Segundo Chagas, que trabalhou na avalia\u00e7\u00e3o do EIA da quadruplica\u00e7\u00e3o da capacidade de produ\u00e7\u00e3o da Aracruz, mesmo considerando os per\u00edodos em que a f\u00e1brica operou, no passado, com outras tecnologias, que possivelmente levaram a maiores n\u00edveis de emiss\u00f5es, \u201cn\u00e3o foi encontrado nada gritante\u201d. Ele garante que \u201ca Fepam exigiu sempre um teste por semestre\u201d, quando, em muitas situa\u00e7\u00f5es, no exterior, s\u00e3o exigidas an\u00e1lises anuais. \u201cExiste uma s\u00e9rie hist\u00f3rica indicando a n\u00e3o-ocorr\u00eancia de dioxinas, ou \u00edndice praticamente zero neste caso. A n\u00e3o-detec\u00e7\u00e3o n\u00e3o quer dizer zero, mas \u00e9 insignificante, da ordem de picogramas\u201d, diz.<br \/>\nChagas destaca que a Fepam trabalha em uma linha restritiva, \u201cquer dizer, busca a redu\u00e7\u00e3o na gera\u00e7\u00e3o\u201d. O \u00f3rg\u00e3o \u201cexige que o resultados sejam inferiores sempre aos limites de detec\u00e7\u00e3o\u201d, o que, de acordo com ele, garante uma melhoria cont\u00ednua. \u201cA Aracruz tem mais ou menos 15 anos de monitoramento. Em 1991, o processo de branqueamento dela era com cloro elementar, e foi modificado para livre de cloro elementar (Elementar Chlorine Free, ECF). A f\u00e1brica fez outras mudan\u00e7as em 2000, que ajudaram a diminuir ainda mais as emiss\u00f5es\u201d, observa.<br \/>\n\u201cOs resultados de AOX (compostos halogenados, de subst\u00e2ncias com Cloro, Iodo ou Bromo) e de dioxinas e furanos sempre ficaram abaixo dos limites de detec\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo de an\u00e1lise utilizado pelos laborat\u00f3rios mais exigentes, os que d\u00e3o as refer\u00eancias nesta \u00e1rea\u201d, diz o engenheiro, acrescentando que \u201ca possibilidade de toxicidade existe, mas h\u00e1 um padr\u00e3o, e ele consiste em buscar a n\u00e3o-exist\u00eancia de dioxinas, o que s\u00f3 pode ser confirmado por monitoramento\u201d. \u201cAcredito que n\u00e3o exista, no Brasil, uma empresa com a s\u00e9rie hist\u00f3rica de dados como a da Aracruz. \u00c9 uma base de dados que serve para estudos\u201d, constata.<br \/>\nConforme dados do EIA, a carga de poluentes da Aracruz para a \u00e1gua, ap\u00f3s realizado o tratamento de efluentes, resultar\u00e1 nos seguintes valores: demanda bioqu\u00edmica de oxig\u00eanio (DBO): 600 Kg\/dia; demanda qu\u00edmica de oxig\u00eanio (DQO): 11.875 Kg\/dia; s\u00f3lidos suspensos totais: 1.690 Kg\/dia; compostos halogenados (AOX): 0,09 Kg\/tSa (tonelada seca de celulose) (a exig\u00eancia legal para este \u00faltimo par\u00e2metro \u00e9 de 0,25 Kg\/tSa).<br \/>\n<strong>Sa\u00fade<\/strong><br \/>\nCabe ressaltar que dioxinas s\u00e3o compostos cumulativos e n\u00e3o derivam apenas de processos de produ\u00e7\u00e3o de celulose. Podem ser geradas a partir de incinera\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, queimadas florestais, atividades em fornos de cimento, disposi\u00e7\u00e3o de esgotos em aterros e at\u00e9 mesmo da queima de lenha para se aquecerem fam\u00edlias em suas casas. Uma quest\u00e3o \u00e9 o conhecimento e o controle de padr\u00f5es de emiss\u00f5es para plantas industriais, a outra \u2013 t\u00e3o ou mais relevante \u2013 \u00e9 delimitar os n\u00edveis toler\u00e1veis pelo organismo humano a esses agentes. Em v\u00e1rios pa\u00edses, autoridades da \u00e1rea de sa\u00fade estabelecem limites para a ingest\u00e3o di\u00e1ria considerando a massa corporal de um indiv\u00edduo. Assim, por exemplo, na Alemanha, tem-se o teto de 1 picograma por quilo; na Holanda, de 4 picogramas; no Canad\u00e1 e nos EUA, 10 (picograma \u00e9 a trilhon\u00e9sima parte de um grama).<br \/>\nAs dioxinas s\u00e3o armazenadas no f\u00edgado e no tecido adiposo e leva at\u00e9 dez anos, em media, para o corpo reduzir a metade da quantidade delas, uma vez armazenadas. Em dezembro de 1990, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade estabeleceu limite de 10 picogramas por quilo de peso como o limite toler\u00e1vel para a ingest\u00e3o di\u00e1ria de dioxinas da fam\u00edlia TCDD.<br \/>\nMas como controlar esta ingest\u00e3o podendo esses compostos estarem presentes em alimentos diversificados como leite, ovos, peixes e diversos outros tipos de carnes? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o que tem levado \u00e0 inseguran\u00e7a e, ao mesmo tempo, \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de alimenta\u00e7\u00e3o vegetariana sem agrot\u00f3xicos.<br \/>\n<strong>Incerteza<\/strong><br \/>\nA incerteza sobre a quantidade de ingest\u00e3o de dioxinas aliada \u00e0 certeza de sua cumulatividade no ambiente e nos organismos leva \u00e0 necessidade de precau\u00e7\u00e3o. Por um lado, apresenta-se, em geral, um v\u00e1cuo legal ou uma grande variabilidade para o estabelecimento de limites. Por outro, no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o da \u00e1gua, por exemplo, tem-se, no Brasil, uma significativa precariedade institucional. Boa parte das companhias de abastecimento de \u00e1gua, no pa\u00eds, n\u00e3o consegue nem fechar, na pr\u00e1tica, o checklist relativo aos padr\u00f5es de potabilidade. Segundo o t\u00e9cnico do Dmae Fernando Willrich, \u201cos \u00f3rg\u00e3os que trabalham com qualidade de \u00e1gua para abastecimento n\u00e3o est\u00e3o conseguindo sequer trilhar todas as exig\u00eancias da Portaria 518\/2004 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade sobre potabilidade da \u00e1gua. Talvez tr\u00eas ou quatro companhias o fa\u00e7am no Brasil \u2013 Sabesp, Sanepar, Dmae, entre elas. Faltam recursos, investimentos, pessoas, a aplica\u00e7\u00e3o da metodologia \u00e9 cara\u201d, diz.<br \/>\nUm exemplo disto foi constatado nesta segunda-feira (08\/09), quando o Minist\u00e9rio P\u00fablico de Santa Catarina (MP-SC) ordenou a apura\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de \u00edndices de alum\u00ednio acima do permitido na \u00e1gua consumida em Florian\u00f3polis (SC). Segundo o MP-SC, exames realizados no ano passado por um laborat\u00f3rio privado e pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agr\u00edcola de Santa Catarina (Cidasc), a pedido do s\u00edndico de um condom\u00ednio do bairro Agron\u00f4mica, mostraram que a \u00e1gua apresentava entre 0,5% e 1% de alum\u00ednio, quando o \u00edndice m\u00e1ximo previsto por legisla\u00e7\u00e3o federal \u00e9 de 0,2%.<br \/>\n<strong>Vigil\u00e2ncia<\/strong><br \/>\nA\u00e7\u00f5es isoladas para a vigil\u00e2ncia da qualidade da \u00e1gua, ao inv\u00e9s de coletivas e organizadas, s\u00e3o o mais comum. H\u00e1 um generalizado desconhecimento de leis e de recursos dos quais o cidad\u00e3o pode lan\u00e7ar m\u00e3o para obter mais informa\u00e7\u00f5es e evitar abusos. No Rio Grande do Sul, por exemplo, h\u00e1 uma lei recente sancionada pela governadora do Estado em junho deste ano, para garantir o acesso de qualquer pessoa a informa\u00e7\u00f5es sobre atividades potencialmente poluidoras (produ\u00e7\u00e3o, armazenagem, transporte) que utilizem os chamados POPs \u2013 Poluentes Org\u00e2nicos Persistentes, entre os quais se incluem compostos empregados na produ\u00e7\u00e3o de PVC, na gera\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o de herbicidas, inseticidas e fungicidas, na incinera\u00e7\u00e3o de lixo e nos processos industriais que empregam cloro e derivados do petr\u00f3leo. Para isto, a lei, de iniciativa do deputado Elvino Bohn Gass, prev\u00ea que o interessado fa\u00e7a uma requisi\u00e7\u00e3o por escrito aos \u00f3rg\u00e3os ambientais respons\u00e1veis pelo controle do uso dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1udia Viegas, Ambiente J\u00c1 Na mem\u00f3ria do morador da Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre que j\u00e1 passou dos 30 anos de idade, especialmente os da orla da Capital, um dos fatos mais marcantes foi sem d\u00favida o odor exalado pela Borregaard. 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