{"id":15889,"date":"2014-07-29T12:44:13","date_gmt":"2014-07-29T15:44:13","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=15889"},"modified":"2014-07-29T12:44:13","modified_gmt":"2014-07-29T15:44:13","slug":"energia-eletrica-empresas-aproveitam-crise-para-turbinar-os-lucros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/energia-eletrica-empresas-aproveitam-crise-para-turbinar-os-lucros\/","title":{"rendered":"Energia El\u00e9trica: geradoras aproveitam crise para turbinar os lucros"},"content":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Engenheiros e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Defesa do Consumidor recorreram ao Conselho de Defesa Econ\u00f4mica (CADE), para denunciar &#8220;pr\u00e1ticas abusivas de empresas geradoras de energia durante crise de estiagem que afetou a produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no pa\u00eds&#8221;.<br \/>\nSegundo nota das entidades, as concession\u00e1rias est\u00e3o aproveitando a crise para obter lucros estratosf\u00e9ricos, pr\u00e1tica que pode &#8220;levar a uma crise sem precedentes, que j\u00e1 apresenta reflexos negativos no setor industrial&#8221;.<br \/>\n&#8220;Para o consumidor, o aumento na conta de luz ser\u00e1 inevit\u00e1vel&#8221;. As empresas geradoras, segundo a den\u00fancia, est\u00e3o aproveitando a escassez de energia el\u00e9trica dispon\u00edvel, para lucrar com a venda de eletricidade no mercado de curto prazo, com pre\u00e7os abusivos.<br \/>\nPara a FNE, o governo federal est\u00e1 atacando de modo errado a crise do setor el\u00e9trico. Ao conceder subs\u00eddios e empr\u00e9stimos com recursos p\u00fablicos e privados \u00e0s concession\u00e1rias de distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica, &#8220;est\u00e1 apenas gerando uma d\u00edvida, que ser\u00e1 repassada aos consumidores ao longo dos pr\u00f3ximos anos&#8221;.<br \/>\nNo documento, as entidades denunciam que, para manter sua lucratividade, as empresas geradoras de energia deixam de firmar contratos, obrigando as distribuidoras a comprar energia no mercado de curto prazo.<br \/>\nOu seja, as geradoras n\u00e3o participam dos leil\u00f5es oficiais promovidos pelo governo federal, destinados ao atendimento das distribuidoras, fazendo com que se tenha pouca energia dispon\u00edvel no mercado regulado, &#8220;o que aumenta significativamente os custos de aquisi\u00e7\u00e3o de energia&#8221;.<br \/>\nO diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de S\u00e3o Paulo (SEESP), Carlos Augusto Kirchner, explica que as geradoras est\u00e3o burlando a legisla\u00e7\u00e3o que manda contratar 100% da carga dispon\u00edvel. Deixam de vender nos leil\u00f5es oficiais, para colocar no mercado a curto prazo, a pre\u00e7os elevados.<br \/>\n<span class=\"intertit\">D\u00edvida impag\u00e1vel<\/span><br \/>\nIsso aumenta o preju\u00edzo das distribuidores, que tem que ser socorridas pelo governo.<br \/>\n\u201cA d\u00edvida acumulada em empr\u00e9stimos emergenciais de socorro \u00e0s empresas distribuidoras e aportes da Uni\u00e3o ser\u00e1 bilion\u00e1ria e se tornar\u00e1 impag\u00e1vel, fazendo com que os preju\u00edzos sejam repassados para as tarifas dos consumidores&#8221;, afirma.<br \/>\nAs entidades pedem ao CADE que sejam adotadas medidas preventivas e coercitivas &#8211; com a abertura de inqu\u00e9rito administrativo para apura\u00e7\u00e3o das infra\u00e7\u00f5es \u00e0 ordem econ\u00f4mica &#8211; junto a todos os agentes que est\u00e3o se beneficiando com a venda no mercado de curto prazo.<br \/>\nA consultora do Proteste, Fl\u00e1via Lefevre, destaca: \u201cS\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es imediatas em vista da bilion\u00e1ria d\u00edvida que vem sendo acumulada e que vem sempre aumentando para socorrer as empresas distribuidoras e que ser\u00e3o pagas pelos consumidores de energia\u201d.<br \/>\nSegundo a FNE, essa pol\u00edtica energ\u00e9tica mercantil poder\u00e1 desencadear uma crise econ\u00f4mica sem precedentes, al\u00e9m de afetar o setor industrial com a gera\u00e7\u00e3o de desemprego, instabilidade, perda da competitividade e infla\u00e7\u00e3o. O presidente da FNE, Murilo Celso de Campos Pinheiro, argumenta que se trata de uma afronta n\u00e3o somente para os engenheiros, mas ao interesse p\u00fablico, aos consumidores de energia e ao setor produtivo do pa\u00eds.<br \/>\n\u201cN\u00f3s cobramos tamb\u00e9m uma posi\u00e7\u00e3o da Aneel (Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica) sobre a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o nesse mercado que vem sendo explorado pelas geradoras, causando forte desequil\u00edbrio entre agentes do mercado, com preju\u00edzos para todo o setor produtivo nacional\u201d, destaca. Carlos Kirchner acredita que a utiliza\u00e7\u00e3o de termel\u00e9tricas, desde outubro de 2012, devido \u00e0 forte estiagem no pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico motivo do aumento de custo para a produ\u00e7\u00e3o de energia. \u201cNa verdade, a gera\u00e7\u00e3o de energia pela fonte hidr\u00e1ulica n\u00e3o deveria implicar aumento de custos, pois a maioria delas \u00e9 proveniente de usinas hidrel\u00e9tricas j\u00e1 amortizadas, ou seja, com seus contratos de venda de energia encerrados no final de sua vig\u00eancia em 31\/12\/2012 ou em 31\/12\/2013\u201d, aponta.<br \/>\nO diretor do SEESP explica que as empresas se respaldam em uma interpreta\u00e7\u00e3o restrita e distorcida da legisla\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico para justificar suas condutas anticoncorrenciais e o aumento arbitr\u00e1rio dos lucros est\u00e1 em desacordo com regras de defesa do consumidor.<br \/>\n\u201cO fato de se produzir energia em uma usina hidrel\u00e9trica j\u00e1 amortizada como \u00e9 o caso da Cemig, Copel e Cesp ao custo de R$ 20,00 por megawatt-hora e de vend\u00ea-la pelo pre\u00e7o de R$ 822,83, com margem de 4.000% (quatro mil por cento), viola o princ\u00edpio do servi\u00e7o p\u00fablico essencial, em que a regra \u00e9 a do menor lucro poss\u00edvel\u201d, comenta.<br \/>\nDe acordo com as entidades, a conduta das concession\u00e1rias \u00e9 anticompetitiva e ilegal, pois o agente gerador transformou a sobra deliberada de energia numa pr\u00e1tica corriqueira de lucro. Por sua vez, as distribuidoras de energia, que compram o produto caro no mercado, v\u00e3o repassar o preju\u00edzo integralmente aos seus consumidores, ainda que alguns empr\u00e9stimos governamentais e privados protelem o pagamento destas d\u00edvidas.<br \/>\n\u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel a conduta que tenha como resultado a retirada de energia do mercado, implicando em escassez artificial que leva ao aumento injustificado dos pre\u00e7os prejudicando a livre concorr\u00eancia e tamb\u00e9m os consumidores\u201d, conclui Fl\u00e1via Lefevre.<br \/>\nPode se considerar como mercado imperfeito todo aquele em que um dos &#8220;players&#8221; ou o conjunto deles consegue manipular os pre\u00e7os a seu favor, maximizando assim seus lucros em detrimento da livre concorr\u00eancia.<br \/>\nNuma \u00e9poca de estiagem em que os valores do PLD atingem seu valor teto de R$ 822,83 por MWh, a forma das empresas geradoras de energia obter alt\u00edssimos lucros \u00e9 muito simples e tentadora: simplesmente n\u00e3o ofertar a energia para ningu\u00e9m e nem formalizar nenhum contrato de venda, de modo que toda a energia que fica sobrando \u00e9 automaticamente classificada como uma diferen\u00e7a a seu favor e liquidada ao pre\u00e7o de PLD.<br \/>\nSobre a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Engenheiros: Fundada em 25 de fevereiro de 1964, a FNE (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Engenheiros) tem sede em Bras\u00edlia e, hoje, \u00e9 composta por 18 sindicatos estaduais, aos quais est\u00e3o ligados cerca de 500 mil profissionais.<br \/>\n[related limit=&#8221;5&#8243;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Engenheiros e a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Defesa do Consumidor recorreram ao Conselho de Defesa Econ\u00f4mica (CADE), para denunciar &#8220;pr\u00e1ticas abusivas de empresas geradoras de energia durante crise de estiagem que afetou a produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica no pa\u00eds&#8221;. 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