{"id":15903,"date":"2014-07-30T00:47:31","date_gmt":"2014-07-30T03:47:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=15903"},"modified":"2014-07-30T00:47:31","modified_gmt":"2014-07-30T03:47:31","slug":"comissao-da-verdade-militares-alegam-erro-historico-para-nao-falar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/comissao-da-verdade-militares-alegam-erro-historico-para-nao-falar\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade: militares alegam &quot;erro hist\u00f3rico&quot; para n\u00e3o falar"},"content":{"rendered":"<p>A imprensa teve que sair a pedido dos depoentes, mesmo assim eles n\u00e3o responderam nenhuma da perguntas dos membros da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade.<br \/>\nSeriam ouvidos o general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira e os capit\u00e3es Jacy e Jurandyr Ochsendorf, todos defendidos pelo advogado Rodrigo Roca, que orientou seus clientes a ficarem em sil\u00eancio.<br \/>\n&#8220;A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 colaborar, nem se defender. \u00c9 evitar que erros hist\u00f3ricos se repitam e acabem virando uma verdade&#8221;, disse o advogado, afirmando que a comiss\u00e3o foi induzida a um &#8220;erro hist\u00f3rico&#8221; ao divulgar uma foto do acidente em que morreu a estilista Zuzu Angel, na qual aparece o coronel Freddie Perdig\u00e3o.<br \/>\nA imagem foi entregue \u00e0 CNV pelo ex-delegado do Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (Dops) Claudio Guerra. &#8220;Com esse engano, causou-se um transtorno muito grande, acredito eu, para os parentes e para os companheiros de farda [do coronel Perdig\u00e3o]. Quem declarou isso a Vossa Excel\u00eancia, ou se enganou, ou te enganou, que \u00e9 pior ainda&#8221;, disse o advogado ao coordenador da CNV, Pedro Dallari.<br \/>\nDallari classificou a justificativa de incoerente: &#8220;Se h\u00e1 erro, o erro s\u00f3 pode ser corrigido com depoimentos, com elementos e com documentos. N\u00e3o com sil\u00eancio. A declara\u00e7\u00e3o de que [o convocado ou convidado]\u00a0 n\u00e3o vai se manifestar sobre um assunto n\u00e3o ajuda na investiga\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Dallari. Ele ressaltou que a foto do acidente foi recebida de uma testemunha de grande credibilidade, que participou ativamente dos eventos. &#8220;N\u00e3o podemos aceitar que haja contesta\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es por quem se nega a prestar depoimento, porque a\u00ed seria uma invers\u00e3o da pr\u00f3pria l\u00f3gica do processo de investiga\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nApesar de lamentar, o coordenador da comiss\u00e3o, no entanto, minimizou: &#8220;\u00c9 claro que, para a CNV, seria muito importante que houvesse mais colabora\u00e7\u00e3o, mas eu diria que j\u00e1 temos elementos suficientes. A fala deles era importante do ponto de vista do direito de defesa, de eles poderem apresentar a sua vers\u00e3o dos fatos. Para mim, essa estrat\u00e9gia pode fazer sentido juridicamente, embora, do ponto de vista da imagem, seja p\u00e9ssima, porque quem fala que n\u00e3o tem nada a declarar em geral \u00e9 quem \u00e9 culpado. Se eles fossem inocentes, apresentariam a sua vers\u00e3o dos fatos.&#8221;<br \/>\nO general Nilton Cerqueira comandava a Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro na \u00e9poca do atentado do Riocentro, em 1981, e h\u00e1 um of\u00edcio em seu nome que pede a retirada do policiamento no dia do<em>show<\/em>\u00a0em que ocorreria o atentado. Em outra audi\u00eancia p\u00fablica sobre o caso, a CNV apontou essa estrat\u00e9gia como uma das formas de contribuir com o clima de terror no epis\u00f3dio, em que a bomba acabou explodindo no carro com os militares dentro. A participa\u00e7\u00e3o de Nilton tamb\u00e9m \u00e9 apontada no Araguaia e na Opera\u00e7\u00e3o Paju\u00e7ara, em que foi morto o l\u00edder militante Carlos Lamarca, na Bahia. &#8220;Ele esteve relacionado diretamente a esses eventos. \u00c9 protagonista de eventos dram\u00e1ticos da hist\u00f3ria do Brasil&#8221;.<br \/>\nMais de dez perguntas foram feitas a Nilton, e nenhuma foi respondida. De acordo com a advogada Rosa Cardoso, integrante da CNV, ele disse apenas que pediu para os jornalista deixarem o sal\u00e3o porque &#8220;a imprensa distorce tudo&#8221; e afirmou &#8220;que era um absurdo a comiss\u00e3o investigar o fato 30 anos depois&#8221;.<br \/>\n<figure id=\"attachment_16029\" aria-describedby=\"caption-attachment-16029\" style=\"width: 277px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-16029 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/jurandir.jpg\" alt=\"jurandir\" width=\"277\" height=\"160\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-16029\" class=\"wp-caption-text\">Jurandyr Ochsendorf |T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOs irm\u00e3os Jacy e Jurandyr s\u00e3o apontados como participantes da farsa montada para sustentar a vers\u00e3o de que o deputado Rubens Paiva foi resgatado por guerrilheiros e fugiu, encobrindo o fato de ter sido torturado e morto.<br \/>\n&#8220;Estavam vinculados ao DOI-Codi e participaram diretamente da opera\u00e7\u00e3o de simula\u00e7\u00e3o da fuga de Rubens Paiva. Depois, a comiss\u00e3o apurou que Rubens Paiva n\u00e3o fugiu, foi executado no DOI-Codi, e o que se fez foi forjar a fuga do parlamentar. Os capit\u00e3es Jacy e Jurandyr tiveram participa\u00e7\u00e3o direta no evento, como foi relatado por um colega deles.&#8221;<br \/>\nAntes do depoimento de Jurandyr, membros da CNV chegaram a insistir que ele falasse, e, se n\u00e3o fosse falar, que a imprensa pudesse acompanhar\u00a0 as perguntas. Em resposta, o militar respondeu apenas que &#8220;permaneceria calado&#8221; e que &#8220;preferia a aus\u00eancia da imprensa&#8221;.<br \/>\nO jurista Jo\u00e3o Paulo Cavalcanti Filho, que pediu a perman\u00eancia da imprensa, classificou a posi\u00e7\u00e3o de uma &#8220;deseleg\u00e2ncia&#8221;, j\u00e1 que os jornalistas tiveram que sair do sal\u00e3o no in\u00edcio de cada depoimento. Cinegrafistas e fot\u00f3grafos foram impedidos pela seguran\u00e7a pela Pol\u00edcia Federal de fazer imagens do embarque dos dois \u00faltimos depoentes, Jacy e Jurandyr, em carros no p\u00e1tio interno do Arquivo Nacional.<br \/>\n<span style=\"color: #787878\"><span style=\"font-weight: bold\">Vin\u00edcius Lisboa \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/span><span style=\"color: #000000\">\u00a0 \u00a0 \u00a0<\/span><span style=\"color: #787878\">Edi\u00e7\u00e3o:\u00a0<span style=\"font-weight: bold\">N\u00e1dia Franco<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A imprensa teve que sair a pedido dos depoentes, mesmo assim eles n\u00e3o responderam nenhuma da perguntas dos membros da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade. 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