{"id":1636,"date":"2008-09-23T13:24:12","date_gmt":"2008-09-23T16:24:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1636"},"modified":"2008-09-23T13:24:12","modified_gmt":"2008-09-23T16:24:12","slug":"tecnicos-ressuscitam-duvidas-sobre-capacidade-hidrica-do-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/tecnicos-ressuscitam-duvidas-sobre-capacidade-hidrica-do-rs\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnicos ressuscitam d\u00favidas sobre capacidade h\u00eddrica do RS"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carlos Matsubara, Ambiente J\u00c1,<\/strong><br \/>\nEspecialistas em gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, entre eles, t\u00e9cnicos da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam), admitiram ontem (22\/09) que boa parte da \u00e1gua dispon\u00edvel no Rio Grande do Sul est\u00e1 comprometida pelo uso excessivo. Na ocasi\u00e3o foi apresentado o trabalho realizado pela Consultoria Biolaw sobre a situa\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos das 25 bacias hidrogr\u00e1ficas do Estado.<br \/>\nEra uma reuni\u00e3o extraordin\u00e1ria da C\u00e2mara T\u00e9cnica da Biodiversidade e Pol\u00edtica Florestal do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) para que seus membros pudessem ouvir o que todo mundo j\u00e1 sabia. O Rio Grande do Sul ainda tem d\u00favidas se pode ou n\u00e3o plantar grandes extens\u00f5es de eucalipto para produ\u00e7\u00e3o de papel e celulose.<br \/>\nPrimeiro a falar, o engenheiro civil e consultor da Biolaw, Sidnei Agra, afirmou que as  conclus\u00f5es do estudo recomendam cautela no licenciamento da atividade, especialmente em algumas bacias hidrogr\u00e1ficas mais cr\u00edticas. Paradoxalmente, ele sublinhou que \u201co mesmo n\u00e3o veta nenhum novo empreendimento, apenas aponta \u00e1reas mais cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento h\u00eddrico das 25 bacias\u201d.<br \/>\nO trabalho gerou diretrizes para o Zoneamento Ambiental para a Silvicultura (ZAS), e n\u00e3o apresenta restri\u00e7\u00f5es h\u00eddricas para o licenciamento da atividade nas Unidades de Paisagem Natural (UPN). \u201cEm todo caso sugerimos que sejam solicitados estudos complementares ao empreendedor\u201d, disse Agra.<br \/>\nPara retratar os poss\u00edveis efeitos de uma eventual monocultura eucal\u00edptica no Estado, ele demonstrou que o resultado de simula\u00e7\u00f5es indicaram um aumento entre 24% e 76%  do uso da \u00e1gua pela atividade silvicultura. De acordo com o especialista a bacia de maior comprimento \u00e9 a de Quara\u00ed e a de menor vaz\u00e3o, do Turvo.<br \/>\nPara a ge\u00f3grafa e t\u00e9cnica da Fepam, Lilian Ferraro, em situa\u00e7\u00f5es cr\u00edticas o \u00f3rg\u00e3o ambiental j\u00e1 exige do empreendedor que no EIA-Rima sejam feitos estudos locais. Quando se utiliza 40% da \u00e1gua dispon\u00edvel j\u00e1 \u00e9 um alerta em raz\u00e3o de per\u00edodos de estiagem. \u201cNesses caso a decis\u00e3o (de autorizar ou n\u00e3o) fica a cargo dos Comit\u00eas de Bacia\u201d, explicou. Outra situa\u00e7\u00e3o decidida pelos comit\u00eas \u00e9 quando se existe conflito no uso da \u00e1gua.<br \/>\nO pesquisador do Instituto de Pesquisas Hidr\u00e1ulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Andr\u00e9 Bulh\u00f5es, garantiu que, se estudarmos mais, vamos descobrir que todas as \u00e1rvores, especialmente o eucalipto, t\u00eam a capacidade de causar impacto em \u00e1reas onde o len\u00e7ol fre\u00e1tico est\u00e1 estocando \u00e1gua no solo. \u00c1gua esta que vai \u201calimentar\u201d os arroios e rios.<br \/>\nNo Pampa, segue o professor, esses corpos d\u00b4\u00e1gua s\u00e3o os primeiros a secar em per\u00edodos de seca. \u201cO eucalipto plantado nesses locais retira essa \u00e1gua com maior intensidade do que as gram\u00edneas nativas. O eucalipto deve ser plantado em locais onde n\u00e3o h\u00e1 esse d\u00e9ficit de \u00e1gua\u201d, ponderou.<br \/>\nBulh\u00f5es entende que o ZAS deveria detalhar as regi\u00f5es onde se pode plantar como forma de avaliar o alcance das ra\u00edzes do eucalipto na retirada de \u00e1gua do len\u00e7ol fre\u00e1tico.<br \/>\nAnt\u00f4nio Eduardo Lanna, doutor (PhD) em planejamento e gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, defendeu a necessidade de mais responsabilidade nos estudos. Conforme ele, a bacia hidrogr\u00e1fica de Santa Maria, por exemplo, \u00e9 apontada como a de maior vaz\u00e3o, mas sabe-se que n\u00e3o \u00e9 homog\u00eanea. \u201c\u00c9 preciso especificar os estudos por regi\u00f5es\u201d.<br \/>\n<strong>D\u00favida foi positiva para ambientalistas<\/strong><br \/>\nA Fronteira Oeste, uma das \u00e1reas cobi\u00e7adas pelas empresas de celulose \u00e9 justamente uma das que t\u00eam pior condi\u00e7\u00e3o h\u00eddrica. Para o bi\u00f3logo e Doutor em Ecologia, Paulo Brack, ficou claro que a regi\u00e3o n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de receber os plantios de eucalipto e que essa discuss\u00e3o deveria ter sido travada, h\u00e1 no m\u00ednimo dois anos. \u201cEntendemos que o ideal seja a paralisa\u00e7\u00e3o das licen\u00e7as ambientais para a Silvicultura\u201d, afirmou o membro da ONG Instituto Ga\u00facho de Estudos Ambientais (Inga).<br \/>\nBaseado no depoimento dos t\u00e9cnicos, o bi\u00f3logo Ludwig Buckup, da Associa\u00e7\u00e3o Ga\u00facha de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Agapan), prop\u00f4s que o Plen\u00e1rio do Consema reconhe\u00e7a que existem concretas vulnerabilidades no Rio Grande do Sul no que diz respeito ao seu balan\u00e7o h\u00eddrico. \u201cSe existem essas d\u00favidas quanto a \u00e1gua consumida pelo plantio, ent\u00e3o devemos levar em conta o que foi dito e considerar a quest\u00e3o da \u00e1gua novamente\u201d, justificou. O veterano ambientalista ainda se disse \u201c convencido que o Estado tem sim em v\u00e1rios lugares, vulnerabilidade no uso de suas \u00e1guas.<br \/>\nBrack reiterou que as ONGs ambientalistas ainda aguardam retorno dos pedidos que fizeram \u00e0 Fepam h\u00e1 alguns meses. Eles querem saber quantos hectares j\u00e1 foram licenciados desde o ano passado e o que foi feito dos recursos oriundos das compensa\u00e7\u00f5es ambientais. O bi\u00f3logo estima que o montante chegue a R$ 100 milh\u00f5es. \u201cConforme a Lei , esse dinheiro deveria ser destinado a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o\u201d, lamentou. Brack lembrou que n\u00e3o h\u00e1 uma UC sequer no n\u00facleo do bioma Pampa.<br \/>\nOutra sugest\u00e3o partiu dos Amigos da Floresta, que apesar do nome, n\u00e3o s\u00e3o bem vistos pelos ambientalistas do Consema. Mesmo assim, seu representante, Leonel de Freitas sugeriu a vinda de t\u00e9cnicos em hidrologia florestal para explicar melhor a quest\u00e3o do consumo de \u00e1gua pelo eucalipto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Matsubara, Ambiente J\u00c1, Especialistas em gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, entre eles, t\u00e9cnicos da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (Fepam), admitiram ontem (22\/09) que boa parte da \u00e1gua dispon\u00edvel no Rio Grande do Sul est\u00e1 comprometida pelo uso excessivo. 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