{"id":16558,"date":"2014-08-11T18:37:28","date_gmt":"2014-08-11T21:37:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=16558"},"modified":"2014-08-11T18:37:28","modified_gmt":"2014-08-11T21:37:28","slug":"comissao-confirma-primeiro-caso-de-tortura-em-hospital-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/comissao-confirma-primeiro-caso-de-tortura-em-hospital-militar\/","title":{"rendered":"Comiss\u00e3o da Verdade confirma primeiro caso de tortura em hospital militar"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro comprovou nesta segunda-feira, 11, o primeiro caso de tortura dentro de um hospital militar, no per\u00edodo da ditadura. A CEV divulgou laudo pericial confirmando que, por pelo menos tr\u00eas vezes, o engenheiro Raul Amaro Nin Ferreira sofreu tortura, inclusive \u00e0s v\u00e9speras de sua morte, no Hospital Central do Ex\u00e9rcito (HCE), em Triagem, na zona norte do Rio. Raul passou 12 dias em poder dos militares.<br \/>\nCom base em vasta documenta\u00e7\u00e3o oficial e no laudo cadav\u00e9rico, o m\u00e9dico-legista da CEV Nelson Massini revelou que Raul tinha les\u00f5es pelo corpo adquiridas durante a interna\u00e7\u00e3o no HCE, para onde foi levado no quarto dia de pris\u00e3o, 4 de agosto de 1971. O ativista tinha contus\u00f5es no t\u00f3rax, nas pernas e nas coxas, o que indica que foi atingido com socos, mas principalmente com pontap\u00e9s e por meio de instrumento n\u00e3o identificado. O uso de choque el\u00e9trico n\u00e3o foi descartado.<br \/>\nSegundo Massini, a colora\u00e7\u00e3o dos hematomas em Raul \u00e9 contundente para estimar os dias em que a v\u00edtima foi torturada. \u201cO laudo [cadav\u00e9rico] traz detalhadamente a cor e o espectro das les\u00f5es, com os quais se pode detalhar a evolu\u00e7\u00e3o regressiva delas. Ele tem les\u00f5es dos dias 6 e 7 de agosto e, por fim, do dia 11. Essas \u00faltimas, vermelhas [que s\u00e3o as mais recentes], em pontos diferentes, sinal de que, no dia [da morte], ele foi espancado e o legista detalhou isso no laudo\u201d, informou.<br \/>\nDocumentos a que a fam\u00edlia teve acesso para compor o dossi\u00ea sobre o caso, entregue \u00e0 CVE em 2013, mostram que o Ex\u00e9rcito enviou investigadores para interrogar Raul no Hospital do Ex\u00e9rcito dia 11 de agosto, o que pode explicar as les\u00f5es mais recentes no corpo da v\u00edtima. Oficialmente, o ativista morreu de infarto, o que, segundo Massini, pode ter sido decorrente do estresse.<br \/>\nEm nota, a fam\u00edlia de Raul se disse \u201chorrorizada\u201d com a tortura dentro do Hospital do Ex\u00e9rcito. Ela cobra que o \u00fanico coronel vivo envolvido no caso, Jos\u00e9 Antonio Nogueira Belham, que assina documento enviando os interrogadores ao HCE, esclare\u00e7a lacunas do dossi\u00ea, como os sinais de tortura no corpo do ativista antes de ele chegar ao hospital, e revele a identidade dos torturadores.<br \/>\nA presidenta da Comiss\u00e3o Estadual da Verdade, Nadine Borges, al\u00e9m do comparecimento do coronel reformado Antonio Nogueira Belham \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, quer que o Ex\u00e9rcito entregue o prontu\u00e1rio de todos os ativistas que passaram pelo hospital, para esclarecer o papel da unidade de sa\u00fade, por onde passaram dezenas de presos pol\u00edticos, no contexto da ditadura.<br \/>\n\u201cOs relatos de tortura e de morte dentro da estrutura militar, mesmo que as For\u00e7as Armadas neguem, n\u00f3s sabemos que ocorria. O que n\u00e3o sab\u00edamos \u00e9 que o Hospital Central do Ex\u00e9rcito servia para torturar e matar, sendo o caso do Raul o primeiro a ser revelado\u201d, disse Nadine. \u201c\u00c9 chocante. Isso n\u00e3o acontece nem em guerra, mas na ditadura brasileira, aconteceu\u201d, declarou<br \/>\nPara a fam\u00edlia, a hist\u00f3ria de Raul Nin s\u00f3 ser\u00e1 passada a limpo quando jornais tamb\u00e9m revisarem suas publica\u00e7\u00f5es. \u201cExtrato de reportagem de O Globo diz que Raul era terrorista e foi hospitalizado por n\u00e3o se alimentar, quando, na verdade, ele tinha sido torturado a ponto de n\u00e3o aguentar mais e ser transferido para a &#8216;recupera\u00e7\u00e3o&#8217; no HCE\u201d, disse o sobrinho, Felipe Nin<br \/>\nProcurado pela reportagem, o Ex\u00e9rcito n\u00e3o comentou as revela\u00e7\u00f5es da CEV e do legista. O coronel reformado do ex\u00e9rcito Jos\u00e9 Antonio Nogueira Belham n\u00e3o foi localizado.<br \/>\n<strong>(Ag\u00eancia Brasil)\u00a0<\/strong><br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o Estadual da Verdade do Rio de Janeiro comprovou nesta segunda-feira, 11, o primeiro caso de tortura dentro de um hospital militar, no per\u00edodo da ditadura. 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