{"id":16664,"date":"2014-08-13T15:28:43","date_gmt":"2014-08-13T18:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=16664"},"modified":"2014-08-13T15:28:43","modified_gmt":"2014-08-13T18:28:43","slug":"debate-na-fee-mostra-que-os-juros-sao-o-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/debate-na-fee-mostra-que-os-juros-sao-o-problema\/","title":{"rendered":"Debate na FEE mostra que os juros s\u00e3o o problema"},"content":{"rendered":"<p>Retomando suas tardes de debates, a Funda\u00e7\u00e3o de Estat\u00edsticas e Estudos (FEE) apresentou \u00e0 intelig\u00eancia portoalegrense, na ter\u00e7a-feira (12\/8), o economista Mark Setterfield, do Centro de Pesquisa Social de Nova York. Barbudinho de pouco mais de 30 anos, ele leciona no Trinity College, de Hartford, EUA, e \u00e9 bolsista de uma funda\u00e7\u00e3o financiada pelo megaespeculador global George Soros.<br \/>\nSeu objeto de estudo \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre consumo, endividamento e desigualdade de renda na sociedade norte-americana, onde \u201cos trabalhadores se endividam para tentar imitar o consumo dos ricos\u201d (que ele chama de rentistas). Outra li\u00e7\u00e3o dele que se encaixa na realidade brasileira: \u201cQuanto maior a desigualdade de renda, maior o consumo por emula\u00e7\u00e3o dos ricos\u201d.<br \/>\nSetterfield vem pesquisando como o processo maluco de endividamento das fam\u00edlias americanas desembocou na crise financeira de 2008, cujo desfecho foi o aumento das desigualdades entre fam\u00edlias e rentistas, isto \u00e9, entre a base social e o topo da pir\u00e2mide de renda, enfim, entre pobres e ricos. Quando se estabelece, o endividamento popular contribui para o crescimento econ\u00f4mico, mas ningu\u00e9m garante a sustentabilidade do processo, que Setterfield comparou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de pir\u00e2mides \u00e0 base do chicote sobre escravos. Foi a \u00fanica vez que a plat\u00e9ia de 60 pessoas riu.<br \/>\nPode ser que Setterfield nem seja o cara, mas ficou claro que a dire\u00e7\u00e3o da FEE est\u00e1 procurando subs\u00eddios para tirar o Brasil do atual impasse da economia brasileira, cujo crescimento baseado no consumo da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda estaria se esgotando, segundo conclus\u00e3o de v\u00e1rios economistas.<br \/>\nComo interface do americano nos debates, a FEE colocou o economista da casa Bruno Paim, que exibiu uma tabela mostrando que desde 2004 o consumo tem sido o principal ingrediente do crescimento econ\u00f4mico brasileiro, o qual est\u00e1 em decl\u00ednio, mas ainda acima do crescimento vegetativo da popula\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 algo positivo no cen\u00e1rio brasileiro: o saldo das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito das pessoas f\u00edsicas \u00e9 de seis a sete vezes mais baixo do que nos EUA, e o prazo m\u00e9dio de endividamento tamb\u00e9m \u00e9 dos mais baixos da Am\u00e9rica Latina. \u201cO problema s\u00e3o os juros elevados demais\u201d, diz Paim, salientando que entre 2004 e 2013 o percentual dedicado pelas fam\u00edlias \u00e0 amortiza\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas aumentou de 30% para 40%.<br \/>\nAssim, as situa\u00e7\u00f5es vividas pelo Brasil e os EUA n\u00e3o s\u00e3o compar\u00e1veis, at\u00e9 mesmo porque, ao contr\u00e1rio do ocorrido na sociedade americana, o endividamento dos brasileiros n\u00e3o teve como consequ\u00eancia um aumento da desigualdade e sim uma diminui\u00e7\u00e3o. Isso tudo com os bancos batendo recordes de lucros a cada trimestre. Da\u00ed a conclus\u00e3o de Setterfield: \u201cDado o peso dos juros no Brasil e a tend\u00eancia de aumento dos juros nos EUA, a economia brasileira pode sair prejudicada no futuro&#8230;\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retomando suas tardes de debates, a Funda\u00e7\u00e3o de Estat\u00edsticas e Estudos (FEE) apresentou \u00e0 intelig\u00eancia portoalegrense, na ter\u00e7a-feira (12\/8), o economista Mark Setterfield, do Centro de Pesquisa Social de Nova York. 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