{"id":17362,"date":"2014-08-31T11:56:26","date_gmt":"2014-08-31T14:56:26","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=17362"},"modified":"2014-08-31T11:56:26","modified_gmt":"2014-08-31T14:56:26","slug":"marina-silva-o-mundo-de-olho-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/marina-silva-o-mundo-de-olho-no-brasil\/","title":{"rendered":"Marina Silva: o mundo de olho no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por JOS\u00c9 ANTONIO SEVERO<\/span><br \/>\nA elei\u00e7\u00e3o de Marina Silva seria a vit\u00f3ria do antipetismo, e a chegada ao governo de uma terceira via, pois levaria junto de rold\u00e3o o PSDB, que \u00e9 a vers\u00e3o acad\u00eamica da mesma vertente da antiga esquerda paulista, que domina e divide o eleitorado do Brasil em dois.<br \/>\nN\u00e3o haveria nada de mais num sistema democr\u00e1tico liberal, pois a altern\u00e2ncia do poder n\u00e3o \u00e9 apenas uma teoria, mas resultado natural e previs\u00edvel da exaust\u00e3o de uma corrente majorit\u00e1ria, substitu\u00edda por outra. Isto j\u00e1 era preconizado pelos cientistas pol\u00edticos. S\u00f3 que se esperava isto para 2018 ou 22.<br \/>\nNo Imp\u00e9rio o bipartidarismo alternativo assegurou a estabilidade pol\u00edtica do Brasil, que foi uma ilha de jogo pol\u00edtico eleitoral na Am\u00e9rica Latina convulsionada pelas rebeli\u00f5es armadas, gerando seus produtos costumeiros, as ditaduras mais ou menos caudilhistas, comandadas por generais vencedores de batalhas.<br \/>\nNo Brasil, do alto de sua legitimidade mon\u00e1rquica, Dom Pedro II promovia a altern\u00e2ncia por decreto. Quando percebia que a corrente governante se exaurira, dissolvia o parlamento, convocava elei\u00e7\u00f5es e favorecia a forma\u00e7\u00e3o de governos ora liberais ora conservadores.<br \/>\nNa Rep\u00fablica essa altern\u00e2ncia n\u00e3o se deu. A mudan\u00e7a de hegemonias sempre foi tumultuada.<br \/>\nOs caf\u00e9s com leite da Rep\u00fablica Velha foram apeados por uma revolu\u00e7\u00e3o, em 1930. A vertente castilhista de Get\u00falio Vargas s\u00f3 foi cair de fato em 1964. Dutra era caudat\u00e1rio de Vargas e J\u00e2nio n\u00e3o chegou a governar. A UDN subiu ao poder pelo golpe de 1964, mas tampouco ficou muito tempo, pois j\u00e1 em 1969, com o AI-5, nada sobrou dos conspiradores que derrubaram Jo\u00e3o Goulart. Depois vieram os origin\u00e1rios da antiga oposi\u00e7\u00e3o reunida no MDB e fracionada no pluripartidarismo atual.<br \/>\nMarina vai mudar esse quadro, se vencer.<br \/>\nA novidade ser\u00e1 que ela traz para o governo uma nova maioria desagregada, unida em torno de teses desconexas e hostis \u00e0 pol\u00edtica convencional. Comp\u00f5em uma formid\u00e1vel for\u00e7a eleitoral, mas sem representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. \u00c9 uma manifesta\u00e7\u00e3o da democracia de massa, que se esgota no fen\u00f4meno eleitoral.<br \/>\nEntretanto, passada a elei\u00e7\u00e3o, o regime demanda a representa\u00e7\u00e3o organizada, que ficar\u00e1 ainda nas m\u00e3os das for\u00e7as derrotadas nas urnas majorit\u00e1rias, mas maci\u00e7amente vitoriosas na elei\u00e7\u00e3o parlamentar. O mesmo eleitorado elege dois animais diferentes. Como isto vai funcionar na pr\u00e1tica para gerir o estado ningu\u00e9m pode ainda dizer com certeza.<br \/>\n<span class=\"intertit\"><strong>GOVERNO MARINA<\/strong> <\/span><br \/>\nNum exerc\u00edcio de cen\u00e1rio futuro, que se poderia dizer a olho nu? Marina poder\u00e1 montar precariamente uma base parlamentar com pequenos partidos de esquerda e alguns segmentos religiosos.<br \/>\nDificilmente atingira um ter\u00e7o da C\u00e2mara e quase nada no Senado Federal. Teria, em tese, um governo algemado. A alternativa seria compor uma coalis\u00e3o no estilo PT\/PSDB, ou como dizia Jos\u00e9 Geno\u00edno, ex-presidente do PT, uma coaliza\u00e7\u00e3o para governabilidade. Ent\u00e3o de nada valeria sua prega\u00e7\u00e3o. Seria o passo atr\u00e1s, a trai\u00e7\u00e3o do eleitorado, tal qual Fernando Collor. Pode ser, isto j\u00e1 vimos.<br \/>\nNo entanto, na \u00e1rea internacional, Marina poder\u00e1 ser a maior estrela do cen\u00e1rio mundial devido ao apoio entusi\u00e1stico que arrancar\u00e1 de todas as milit\u00e2ncias ambientalistas, pacifistas e defensores das chamadas minorias discriminadas.<br \/>\nN\u00e3o foi por nada que ela foi convidada pelas autoridades do Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional para desfilar na abertura das Olimp\u00edadas de Londres.<br \/>\nA presidente Dilma, presente ao evento, quase teve um treco quando a viu marchando entre as celebridades mundiais. \u00c9 uma boa pista para se previr como ela aparecer\u00e1 na m\u00eddia: ambientalista famosa, figura amaz\u00f4nica, l\u00edder de uma pot\u00eancia mundial, a primeira presidente da nova pol\u00edtica que dever\u00e1 dominar o Ocidente neste s\u00e9culo XXI.<br \/>\nLula foi muito famoso e popular mundo a fora, mas ainda era uma express\u00e3o do S\u00e9culo XX: oper\u00e1rio da ind\u00fastria, esquerdista moderado e nascido na pobreza. Marina \u00e9 pobre de fam\u00edlia, mas n\u00e3o foi isto que a projetou. Muitos pobres chegaram ao cume no Brasil.<br \/>\nEla \u00e9 a herdeira de Chico Mendes, \u00edcone mundial. Tamb\u00e9m diferente do l\u00edder petista, ela tem forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, historiadora e psicopedagoga, formada na Universidade Federal do Acre e p\u00f3s-graduada na federal e na PUC de Bras\u00edlia, al\u00e9m de ter iniciado estudos na Universidade de Buenos Aires. N\u00e3o \u00e9 pouco. Ela faz parte da elite intelectual.<br \/>\nComo ambientalista ganhou uma dezena de pr\u00eamios internacionais de primeira linha. Ela foi chamada pelo New York Times de \u201c\u00cdcone do Movimento Ambientalista Mundial\u201d e uma das dez personalidades brasileira mais influente. \u00c9 a musa do aquecimento global. Marina ser\u00e1 uma presidente com muita m\u00eddia. H\u00e1 que ver como ela conciliaria se eleita, sua fraqueza pol\u00edtica interna com essa express\u00e3o global. De qualquer forma o mundo est\u00e1 de olho no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por JOS\u00c9 ANTONIO SEVERO A elei\u00e7\u00e3o de Marina Silva seria a vit\u00f3ria do antipetismo, e a chegada ao governo de uma terceira via, pois levaria junto de rold\u00e3o o PSDB, que \u00e9 a vers\u00e3o acad\u00eamica da mesma vertente da antiga esquerda paulista, que domina e divide o eleitorado do Brasil em dois. 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