{"id":17627,"date":"2014-09-14T23:04:31","date_gmt":"2014-09-15T02:04:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=17627"},"modified":"2014-09-14T23:04:31","modified_gmt":"2014-09-15T02:04:31","slug":"imprensa-e-jornalismo-cada-vez-mais-distantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/imprensa-e-jornalismo-cada-vez-mais-distantes\/","title":{"rendered":"Imprensa e jornalismo, cada vez mais distantes"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma imprensa sem jornalismo<\/strong><br \/>\nPor: <strong>Luciano Martins Costa<\/strong><br \/>\n(\u00a0Do Observat\u00f3rio da Imprensa)<br \/>\nJ\u00e1 se disse neste Observat\u00f3rio que n\u00e3o existe mais uma rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre imprensa e jornalismo no Brasil.<br \/>\nAlguns comentaristas que se manifestam sobre os temas propostos pelo observador neste espa\u00e7o, entre eles acad\u00eamicos portadores de curr\u00edculos respeit\u00e1veis, consideram exagerada, ou no m\u00ednimo controversa essa afirma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nMas a ruptura entre a m\u00eddia tradicional, como institui\u00e7\u00e3o, e o jornalismo, como atividade socialmente relevante no equil\u00edbrio entre as for\u00e7as que atuam no espa\u00e7o p\u00fablico, fica mais evidente conforme se intensifica a disputa eleitoral.<br \/>\n\u00c9 neste per\u00edodo que os principais protagonistas da institui\u00e7\u00e3o conhecida como imprensa extrapolam de suas fun\u00e7\u00f5es mais nobres para atuar como agentes de propaganda a servi\u00e7o de determinada pauta pol\u00edtica.<br \/>\nComo na frase de um antigo assessor do ex-presidente americano Bill Clinton, trata-se, como sempre, da economia: por tr\u00e1s de toda controv\u00e9rsia abrigada pelos jornais, pode-se notar a linha d\u2019\u00e1gua da quest\u00e3o crucial que ainda divide o mundo das ideias, grosseiramente, entre esquerda e direita.<br \/>\nTrata-se de um embate mais pr\u00f3ximo do pensamento religioso do que da racionalidade.<br \/>\nAcontece que essa matriz dicot\u00f4mica n\u00e3o d\u00e1 conta de iluminar as quest\u00f5es da complexa realidade contempor\u00e2nea.<br \/>\nAssim como as planilhas de uma pesquisa de opini\u00e3o, por mais extensas e detalhadas que sejam, n\u00e3o conseguem abarcar as sutilezas que demarcam as vari\u00e1veis individuais, a informa\u00e7\u00e3o mediada passa longe de retratar a diversidade de interpreta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis para cada evento.<br \/>\nA origem dessa complexidade \u00e9 facilmente identific\u00e1vel: quanto maior o protagonismo dos indiv\u00edduos, estimulado pela cultura de massas e facilitado pelas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, maior o peso das individualidades sobre o coletivo.<br \/>\nTomemos, por exemplo, o caso da Petrobras, que frequenta o notici\u00e1rio a bordo de uma sucess\u00e3o de not\u00edcias sobre desvios de recursos, fraudes e supostos erros de gest\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como escapar ao fato de que toda a celeuma em torno da estatal brasileira de petr\u00f3leo tem como n\u00facleo a diverg\u00eancia central grosseiramente delimitada entre direita e esquerda. Isolada a quest\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, fen\u00f4meno hist\u00f3rico, o que alimenta o debate \u00e9 a diverg\u00eancia ideol\u00f3gica.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A RUPTURA<\/span><br \/>\nDesde os coment\u00e1rios em programas noticiosos do r\u00e1dio e da televis\u00e3o at\u00e9 os artigos de economistas e jornalistas especializados, passando pelos editoriais que procuram conduzir a opini\u00e3o do leitor para determinado vi\u00e9s, todas as manifesta\u00e7\u00f5es credenciadas pela imprensa brasileira sobre a Petrobras carregam uma alta dose de avers\u00e3o ao controle da estatal pelo&#8230; Estado.<br \/>\nParalelamente ao notici\u00e1rio \u2013 necess\u00e1rio e coerente com o papel da imprensa &#8211; sobre erros, fraudes, crimes e outros desvios na gest\u00e3o da empresa, o que se critica, realmente, \u00e9 a estrat\u00e9gia de gest\u00e3o.<br \/>\nDizem comentaristas da m\u00eddia tradicional que o governo atual prejudica a Petrobras ao definir uma estrat\u00e9gia que a coloca como um dos instrumentos da pol\u00edtica econ\u00f4mica.<br \/>\nOra, se a alian\u00e7a pol\u00edtica que governa o pa\u00eds foi eleita h\u00e1 doze anos para conduzir um projeto de governo que se prop\u00f5e a reduzir as diferen\u00e7as de renda, ainda que eventualmente contrariando a doutrina do livre mercado, e o eleitorado tem renovado seus mandatos, n\u00e3o h\u00e1 como questionar a legitimidade de suas a\u00e7\u00f5es quando elas s\u00e3o coerentes com o compromisso anunciado.<br \/>\nA Petrobras, assim como o Banco do Brasil, a Caixa Econ\u00f4mica Federal e todos os ativos do Estado s\u00e3o instrumentalizados para a realiza\u00e7\u00e3o desse prop\u00f3sito.<br \/>\nEssa escolha permitiu, h\u00e1 cinco anos, que o governo utilizasse os bancos oficiais para manter a oferta de cr\u00e9dito, quando a crise surgida no sistema financeiro dos Estados Unidos quebrou a capacidade dos bancos privados de financiar atividades econ\u00f4micas essenciais.<br \/>\nSob essa estrat\u00e9gia, a Petrobras n\u00e3o apenas reduz a depend\u00eancia nacional de insumos fundamentais para o dia a dia do pa\u00eds \u2013 tamb\u00e9m atua como fator de modera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<br \/>\nSubmetida aos caprichos do mercado, ela serviria apenas aos investidores da bolsa de a\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos \u2013 que, ali\u00e1s, durante os anos anteriores se valeram de muita manipula\u00e7\u00e3o para fazer lucros da noite para o dia.<br \/>\nEssa \u00e9 apenas uma das muitas complexidades que a m\u00eddia tradicional n\u00e3o penetra, nas interven\u00e7\u00f5es di\u00e1rias que protagoniza no debate eleitoral.<br \/>\nPor qu\u00ea? Porque n\u00e3o existe mais a rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre imprensa e jornalismo no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma imprensa sem jornalismo Por: Luciano Martins Costa (\u00a0Do Observat\u00f3rio da Imprensa) J\u00e1 se disse neste Observat\u00f3rio que n\u00e3o existe mais uma rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica entre imprensa e jornalismo no Brasil. 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