{"id":17994,"date":"2014-09-22T11:56:28","date_gmt":"2014-09-22T14:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=17994"},"modified":"2014-09-22T11:56:28","modified_gmt":"2014-09-22T14:56:28","slug":"patrono-da-feira-editou-livro-que-defende-a-tortura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/patrono-da-feira-editou-livro-que-defende-a-tortura\/","title":{"rendered":"Feira do Livro: patrono editou livro que defende a ditadura"},"content":{"rendered":"<p>Airton Ortiz, anunciado a poucos dias como Patrono da Feira do Livro, editou em 1985, quando o Brasil ainda se debatia com a ditadura, um livro que defende o regime militar e seus m\u00e9todos, inclusive a tortura.<br \/>\nO caso foi minimizado na mat\u00e9ria da Zero Hora, dado como um fato secund\u00e1rio de uma not\u00edcia mais importante: o lan\u00e7amento de mais uma edi\u00e7\u00e3o do livro Brasil, Sempre, do sargento reformado Marco Pollo Giordani ex -agente do Doi CODI.<br \/>\nNada pessoal, mas do ponto de vista estritamente jornal\u00edstico o que interessa mesmo \u00e9 essa informa\u00e7\u00e3o, que estava submersa no tempo, e que poderia ter influido decisivamente na escolha do patrono da 60a. Feira do Livro de Porto Alegre, um dos maiores eventos culturais do pa\u00eds, criado e cevado nos c\u00e2nones do humanismo.<br \/>\nN\u00e3o vejo nada de errado num editor que faz um neg\u00f3cio para editar um livro assim, mas n\u00e3o votaria nele para patrono da feira.<br \/>\nEis o que diz o Clic<br \/>\n<strong>Livro de agente do regime militar, &#8220;Brasil: Sempre&#8221; ser\u00e1 relan\u00e7ado nesta sexta<\/strong><br \/>\nT\u00edtulo foi editado originalmente em 1985 por Airton Ortiz, patrono da pr\u00f3xima Feira do Livro de Porto Alegre. Volume \u00e9 assinado pelo sargento reformado Marco Pollo Giordani<br \/>\npor\u00a0Alexandre Lucchese<br \/>\n22\/09\/2014 | 09h01<br \/>\nA capa da primeira edi\u00e7\u00e3o de &#8220;Brasil: Sempre&#8221; (centro) estampava uma provoca\u00e7\u00e3o ao fazer uso do mesmo projeto gr\u00e1fico de &#8220;Brasil: Nunca Mais&#8221; (esquerda). Nova edi\u00e7\u00e3o (direita) foi ampliada.Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nNo ano em que o golpe de 1964 completa cinco d\u00e9cadas, o mercado editorial brasileiro recebeu uma profus\u00e3o de t\u00edtulos que tentam analisar o regime militar no pa\u00eds. Nesta sexta-feira, um dos livros que mais causaram pol\u00eamica sobre o tema no Estado ganha uma nova edi\u00e7\u00e3o, com sess\u00e3o de aut\u00f3grafos na Livraria Cultura, em Porto Alegre, \u00e0s 19h.<br \/>\nLan\u00e7ado originalmente em 1986, Brasil: Sempre, do ent\u00e3o sargento Marco Pollo Giordani, tentava rebater as den\u00fancias de arbitrariedades das For\u00e7as Armadas no regime militar. O volume ganhou as livrarias pelas m\u00e3os de um ilustre personagem da 60\u00aa Feira do Livro de Porto Alegre. Airton Ortiz, patrono do evento, foi o respons\u00e1vel pela primeira edi\u00e7\u00e3o do livro quando dirigia a extinta editora Tch\u00ea!.<br \/>\n\u2013 O primeiro editor que procurei foi o Ortiz. Ele abra\u00e7ou o projeto. Eu jamais esperava isso, pois a Tch\u00ea! era considerada de esquerda, mas neg\u00f3cios s\u00e3o neg\u00f3cios \u2013 conta Giordani.<br \/>\nO t\u00edtulo do livro era uma provoca\u00e7\u00e3o a Brasil: Nunca Mais, volume lan\u00e7ado pela editora Vozes em 1985 e considerado um marco na divulga\u00e7\u00e3o de documentos de den\u00fancia sobre o regime militar. Por sua vez, Brasil: Sempre buscava apresentar o perigo dos movimentos considerados subversivos e divulgava uma lista com supostas v\u00edtimas de a\u00e7\u00f5es terroristas.<br \/>\n\u2013 N\u00e3o posso analisar s\u00f3 um lado da quest\u00e3o, mas minha ideologia \u00e9 clara, fui um homem do regime \u2013 destaca o autor, que foi agente do DOI-Codi.<br \/>\nOrtiz diz n\u00e3o se arrepender de ter aberto as portas da Tch\u00ea! para um t\u00edtulo identificado com a ditadura:<br \/>\n\u2013 Giordani era agente da ditadura militar, mas, por um problema m\u00e9dico, foi afastado e ficou brabo com o Ex\u00e9rcito. No livro, tornou p\u00fablicos relat\u00f3rios e formul\u00e1rios que os agentes da \u00e9poca faziam. Publiquei o volume para divulgar documentos que explicavam os processos que o Ex\u00e9rcito usava para prender e torturar dissidentes pol\u00edticos.<br \/>\nBrasil: Sempre vendeu cerca de 20 mil exemplares, uma cifra expressiva para o mercado editorial da \u00e9poca. Mas Ortiz afirma que n\u00e3o topou a edi\u00e7\u00e3o por crit\u00e9rios comerciais:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o achava que seria um sucesso, porque a direita n\u00e3o l\u00ea. Minha inten\u00e7\u00e3o era divulgar documentos. Era uma \u00e9poca de ca\u00e7a a documentos da ditadura, foi o que moveu a publica\u00e7\u00e3o do livro. Todo o cat\u00e1logo da Tch\u00ea! era de esquerda, n\u00e3o havia como a editora ser estigmatizada como direitista.<br \/>\nA lista de v\u00edtimas dos subversivos rendeu problemas a Giordani. Em reportagem de ZH por ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento, em agosto de 1986, o militante dos direitos humanos Jair Krischke provocou o autor a apresentar o respons\u00e1vel por um dos homic\u00eddios citados. A provoca\u00e7\u00e3o repercutiu, e Giordani acabou preso por 10 dias no 3\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia do Ex\u00e9rcito por raz\u00e3o de ordem disciplinar, uma vez que se manifestou sobre assuntos sigilosos.<br \/>\nMarco Cena Lopes, presidente da C\u00e2mara Rio-Grandense do Livro, afirmou desconhecer a publica\u00e7\u00e3o, mas considera que o envolvimento de Ortiz n\u00e3o prejudica a imagem do patrono:<br \/>\n\u2013 N\u00e3o ser\u00e1 uma publica\u00e7\u00e3o que vai comprometer toda a carreira liter\u00e1ria do Ortiz, ainda mais um livro que nem \u00e9 assinado por ele, n\u00e3o sendo uma express\u00e3o de seu pr\u00f3prio pensamento.<br \/>\nA segunda edi\u00e7\u00e3o de Brasil: Sempre foi editada de modo independente e conta com novos textos de Giordani \u2013 incluindo manifesta\u00e7\u00f5es de apoio aos m\u00e9todos de tortura usados no regime militar.<br \/>\n\u2013\u00a0A pr\u00f3pria CIA reconheceu que chegou ao Bin Laden atrav\u00e9s da tortura. Voc\u00ea n\u00e3o pode dar uma aspirina contra um c\u00e2ncer, n\u00e3o vai resolver. Sem isso (a tortura), estar\u00edamos igual \u00e0 Col\u00f4mbia\u00a0\u2013 afirmou o autor.<br \/>\n&#8220;Brasil: Nunca Mais&#8221;: marco nas den\u00fancias<br \/>\nVi\u00fava de um militante preso pela ditadura militar, Suzana Lisboa luta para mudar o registro de \u00f3bito do marido, que aponta que ele teria se suicidado. Luiz Eurico Lisboa, irm\u00e3o do m\u00fasico Nei Lisboa, desapareceu em 1972, mas s\u00f3 teve seu corpo localizado em 1979. O caso \u00e9 um dos tantos documentados em Brasil: Nunca Mais, livro assinado por Dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor presbiteriano Jaime Wright. Um marco na den\u00fancia dos excessos da ditadura, o projeto apoiado pelo Conselho Mundial de Igrejas exp\u00f4s documentos do regime militar e alcan\u00e7ou grande repercuss\u00e3o na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento, em 1985. Ganhou sucessivas reedi\u00e7\u00f5es \u2013 e uma resposta editorial como Brasil: Sempre.<br \/>\n\u2013 Brasil: Nunca Mais divulgava pela primeira vez uma infinidade de autos de processos. N\u00e3o eram mais suposi\u00e7\u00f5es: eram fatos \u2013 diz Suzana.<strong> (Elmar Bones)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Airton Ortiz, anunciado a poucos dias como Patrono da Feira do Livro, editou em 1985, quando o Brasil ainda se debatia com a ditadura, um livro que defende o regime militar e seus m\u00e9todos, inclusive a tortura. 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