{"id":1806,"date":"2008-11-09T16:13:25","date_gmt":"2008-11-09T19:13:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=1806"},"modified":"2008-11-09T16:13:25","modified_gmt":"2008-11-09T19:13:25","slug":"cobras-mortas-sonham-com-o-dinheiro-dos-precatorios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cobras-mortas-sonham-com-o-dinheiro-dos-precatorios\/","title":{"rendered":"\u201cCobras mortas\u201d sonham com o dinheiro dos precat\u00f3rios"},"content":{"rendered":"<p> Eles se re\u00fanem toda ter\u00e7a-feira \u00e0 tarde numa sala do t\u00e9rreo do pr\u00e9dio do porto na avenida Mau\u00e1. Nenhum deles tem menos de 70 anos. Intitulam-se os \u201ccobras-mortas\u201d da navega\u00e7\u00e3o ga\u00facha. A refer\u00eancia jocosa n\u00e3o \u00e9 fluvial nem lacustre, tampouco hidrovi\u00e1ria ou portu\u00e1ria. Quem os v\u00ea trocando farpas sobre aptid\u00f5es, experi\u00eancias, fa\u00e7anhas e prefer\u00eancias de fundo sexual, logo compreende o t\u00edtulo que se d\u00e3o.<br \/>\nTodos s\u00e3o portu\u00e1rios aposentados e nos \u00faltimas semanas andam animados com as not\u00edcias de que o governo do Estado vai come\u00e7ar a quitar a gigantesca d\u00edvida dos precat\u00f3rios que, no total, j\u00e1 chega a R$ 4 bilh\u00f5es.<br \/>\nComo \u201csecret\u00e1rio\u201d dos cobras-mortas, Ary Silveira da Rosa, que se aposentou em outubro de 1983, ocupa a \u00fanica escrivaninha da sala, onde n\u00e3o h\u00e1 telefone, apenas um banco comprido e um cofre sem uso.<br \/>\nA primeira a\u00e7\u00e3o foi aberta em 1978, inspirando 64 processos diferentes, com um total de 1005 benefici\u00e1rios. \u201cMais da metade dos titulares dos processos j\u00e1 morreram\u201d, informa Rosa. Tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o vive Ademar Caldas, advogado-cabe\u00e7a do primeiro processo, que defendia 196 pessoas com diferentes reivindica\u00e7\u00f5es trabalhistas.<br \/>\nNa trilha aberta pelos primeiros reclamantes, centenas de ex-trabalhadores abriram outros processos. A soma dos precat\u00f3rios devidos pelo governo aos portu\u00e1rios inativos chega a R$ 160 milh\u00f5es. Tudo devia estar pago porque j\u00e1 transitou em julgado. Poucos reclamantes receberam seus direitos, correspondentes a pequenos valores. O valor da maioria dos processos oscila de R$ 10 mil a R$ 30 mil. Alguns processos chegam a R$ 100 mil.<br \/>\n\u201cAs tricoteiras do Pal\u00e1cio Piratini s\u00e3o nossas parceiras\u201d, diz Rosa, referindo-se \u00e0s senhoras que ficaram famosas fazendo plant\u00e3o na frente do pr\u00e9dio do governo ga\u00facho.<br \/>\nComo representante da Uni\u00e3o dos Portu\u00e1rios do Rio Grande do Sul, ele engrossou a comitiva que em janeiro de 2008 foi reclamar provid\u00eancias \u00e0 governadora Yeda Crusius e, em julho do mesmo ano, sentou na mesa de negocia\u00e7\u00f5es com a ent\u00e3o secret\u00e1ria geral do governo, Mercedes Rodrigues.<br \/>\nVem da\u00ed a inquestion\u00e1vel autoridade de Rosa na \u201csala de audi\u00eancias\u201d do pr\u00e9dio do porto. Aos ex-colegas do DEPRC, ele oferece invariavelmente uma mensagem de esperan\u00e7a e otimismo: \u201cVamos confiar nas mui\u00e9, uma hora o neg\u00f3cio sai&#8230;\u201d<br \/>\nOs cobras-mortas parecem n\u00e3o estar prestando aten\u00e7\u00e3o, mas recome\u00e7am as brincadeiras ao ouvir a palavra \u201cneg\u00f3cio\u201d. Entre piadas, resmungos e gargalhadas, vai-se mais uma tarde de ter\u00e7a-feira \u00e0s margens do Gua\u00edba. (Geraldo Hasse)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles se re\u00fanem toda ter\u00e7a-feira \u00e0 tarde numa sala do t\u00e9rreo do pr\u00e9dio do porto na avenida Mau\u00e1. Nenhum deles tem menos de 70 anos. Intitulam-se os \u201ccobras-mortas\u201d da navega\u00e7\u00e3o ga\u00facha. A refer\u00eancia jocosa n\u00e3o \u00e9 fluvial nem lacustre, tampouco hidrovi\u00e1ria ou portu\u00e1ria. 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