{"id":18223,"date":"2014-09-26T11:44:07","date_gmt":"2014-09-26T14:44:07","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=18223"},"modified":"2014-09-26T11:44:07","modified_gmt":"2014-09-26T14:44:07","slug":"independencia-do-banco-central-uma-polemica-viciada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/independencia-do-banco-central-uma-polemica-viciada\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia do Banco Central, uma pol\u00eamica viciada"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">GERALDO HASSE<\/span><br \/>\nUm dos temas fundamentais da atual campanha presidencial \u00e9 a independ\u00eancia do Banco do Central. No fundo, discute-se se os tecnocratas de plant\u00e3o na guarita do Tesouro Nacional devem ter mais autonomia do que os verdadeiros poderes centrais da Rep\u00fablica \u2013 a Presid\u00eancia, o Congresso e o Judici\u00e1rio.<br \/>\nConvenhamos, \u00e9 uma pol\u00eamica viciada. A estabilidade da moeda \u00e9 decisiva para a sustenta\u00e7\u00e3o da economia e a sobreviv\u00eancia da democracia, mas no Brasil a suposta independ\u00eancia do Banco Central tem sido mais um disfarce para atuar em defesa do Mercado, marca-fantasia do Capital. O mesmo acontece nos pa\u00edses ricos.<br \/>\nQuando se diz Mercado, deve-se entender a atua\u00e7\u00e3o em bloco de Bancos, Ind\u00fastrias, Grandes Redes de Com\u00e9rcio e Log\u00edstica, Fundos de Investimentos e Multinacionais, entre elas empresas estatais de atua\u00e7\u00e3o global, como a Telef\u00f3nica espanhola, bastante ativa entre n\u00f3s.<br \/>\nDesconsideremos aqui o lado passivo do Mercado, representado pelos consumidores e pelas pequenas e micro empresas, cuja voz \u00e9 praticamente inaud\u00edvel em meio ao megatilintar monet\u00e1rio. Os mais antigos devem ter lembran\u00e7a do poder do Over Night, que assombrou diversos ministros da Fazenda nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. A verdadeira identidade do Sr. Over Night estava dilu\u00edda entre milhares de capitalistas denominados investidores, especuladores e insiders. Eles apostavam de dia para ganhar na manh\u00e3 seguinte. A maioria se locupletou enquanto os trabalhadores n\u00e3o tinham defesa contra a corros\u00e3o salarial. S\u00e3o uma minoria num\u00e9rica que continua ativa.<br \/>\n\u201cHoje em dia, o BC est\u00e1 capturado pelo mercado. N\u00e3o h\u00e1 a menor preocupa\u00e7\u00e3o com impactos fiscais e cambiais da pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d, escreveu o jornalista Luis Nassif, que tem forma\u00e7\u00e3o de economista e encara o Dinheiro como um ser vivo, assim mesmo, com D mai\u00fasculo. Quando se assusta, o Dinheiro atua como manada. Nos pa\u00edses capitalistas modernos, com juros baixos, infla\u00e7\u00e3o controlada e moedas convers\u00edveis, os bancos centrais desfrutam de prerrogativas especiais:<br \/>\n<strong>1<\/strong>) Poder de definir metas e objetivos monet\u00e1rios<br \/>\n<strong>2<\/strong>) Liberdade operacional para definir como atuar em fun\u00e7\u00e3o do item 1<br \/>\n<strong>3<\/strong>) Irreversibilidade das decis\u00f5es (nos EUA, nem o presidente nem a Suprema Corte podem anular decis\u00f5es do BC).<br \/>\n<strong>4<\/strong>) Garantia de indemissibilidade dos diretores pelo chefe da na\u00e7\u00e3o<br \/>\nEm resumo, nas condi\u00e7\u00f5es atuais, concordemos ou n\u00e3o, a independ\u00eancia do Banco Central significa que o verdadeiro poder est\u00e1 com o Mercado ou que outro nome tenha o \u00a0Capital.<br \/>\n<strong>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/strong><br \/>\n\u201cH\u00e1 momentos em que a pol\u00edtica do Banco Central precisa enfrentar e at\u00e9 confrontar o mercado&#8221;. (Alan Blinder, economista norte-americano)<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GERALDO HASSE Um dos temas fundamentais da atual campanha presidencial \u00e9 a independ\u00eancia do Banco do Central. No fundo, discute-se se os tecnocratas de plant\u00e3o na guarita do Tesouro Nacional devem ter mais autonomia do que os verdadeiros poderes centrais da Rep\u00fablica \u2013 a Presid\u00eancia, o Congresso e o Judici\u00e1rio. Convenhamos, \u00e9 uma pol\u00eamica viciada. 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