{"id":18233,"date":"2014-09-28T09:00:17","date_gmt":"2014-09-28T12:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=18233"},"modified":"2014-09-28T09:00:17","modified_gmt":"2014-09-28T12:00:17","slug":"um-pais-chamado-favela-revela-o-novo-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/um-pais-chamado-favela-revela-o-novo-brasil\/","title":{"rendered":"Um novo Brasil no &quot;Pa\u00eds Chamado Favela&quot;"},"content":{"rendered":"<p>No turbilh\u00e3o das campanhas eleitorais no pa\u00eds, um novo Brasil foi apresentado aos brasileiros na semana que passou, com o lan\u00e7amento do livro <em>Um Pa\u00eds Chamado<\/em> <em>Favela<\/em>, de autoria do publicit\u00e1rio Renato Meirelles e do empreendedor social Celso Athayde (Ed. Gente).<br \/>\nAthayde, carioca, \u00e9 fundador da Central \u00danica das Favelas &#8211; CUFA, institui\u00e7\u00e3o reconhecida pelo trabalho com jovens de periferias de mais de 300 cidades e 17 pa\u00edses; autor de tr\u00eas livros com grandes tiragens &#8211; \u201cFalc\u00e3o \u2013 Menino do Tr\u00e1fico\u201d, \u201cMulheres e o Tr\u00e1fico\u201d e \u201cCabe\u00e7a de Porco\u201d e, hoje, diretor executivo da Favela Holding Participa\u00e7\u00f5es, um grupo de empresas que investe em neg\u00f3cios para desenvolver as comunidades carentes.<br \/>\nConsiderado um dos maiores empreendedores sociais do pa\u00eds, Celso lan\u00e7ou recentemente o conceito do \u201cSetor F\u201d, que reflete sobre a economia da favela como uma revolu\u00e7\u00e3o social. \u201cO modelo social adequado n\u00e3o \u00e9 aquele que todos s\u00e3o ricos, mas que todos t\u00eam oportunidades\u201d, analisa.<br \/>\nMeirelles, diretor do Instituto Data Favela, institui\u00e7\u00e3o refer\u00eancia em pesquisas das classes C, D e E. Considerado um dos maiores especialistas em mercados emergentes do Brasil, foi colaborador do livro \u201cVarejo para Baixa Renda\u201d, publicado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, e conduziu mais de 300 estudos sobre o comportamento do consumidor tendo atendido empresas como P&amp;G, Febraban, TAM, C&amp;A, Vivo, Caixa, SEBRAE e Ambev.<br \/>\nEm setembro do ano passado, o publicit\u00e1rio coordenou a maior pesquisa j\u00e1 feita sobre as favelas brasileiras, que incluem tamb\u00e9m bairros de periferia. Sua equipe percorreu 63 favelas e entrevistou dois mil moradores para mapear a vis\u00e3o de mundo e os padr\u00f5es de consumo destes milh\u00f5es de brasileiros que, agrupados, formariam o quinto maior estado brasileiro, maior que a popula\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul. O resultado revela outros n\u00fameros impressionantes, e desconhecidos sobre \u201cuma nova classe m\u00e9dia brasileira\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_18341\" aria-describedby=\"caption-attachment-18341\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-18341 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Livro-Um-Pa\u00eds-Chamado-Favela.jpg\" alt=\"O livro\/Edissa Waldow\/FamecosPUCRS\" width=\"600\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18341\" class=\"wp-caption-text\">Livro traz dados da pesquisa\/Edissa Waldow\/FamecosPUCRS<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOs dados foram apresentados de forma resumida no dia 22 de setembro na PUC de Porto Alegre, durante a realiza\u00e7\u00e3o do SET Universit\u00e1rio que a Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social (Famecos) realiza todos os anos. J\u00e1 est\u00e1 na 27\u00aa edi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs autores foram os palestrantes da abertura do SET com o tema <em>Que Brasil \u00e9 esse que constru\u00edmos?<\/em> Tiveram a companhia de Eduardo Lyra, 26 anos, cujo depoimento ilustrou a revolu\u00e7\u00e3o social que ocorre nas favelas. Filho de um ex-drogado e ex-criminoso, Lyra n\u00e3o se deixou levar pelo ambiente ruim que o cercava desde o nascimento, tomou como exemplo de vida as li\u00e7\u00f5es de sua m\u00e3e, tornou-se jornalista e escritor, autor de Jovens Falc\u00f5es. Fundou o Instituto Gerando Falc\u00f5es e por meio do hip hop, dan\u00e7a de rua, teatro e literatura, j\u00e1 tocou a vida de mais de 200 mil jovens de comunidades. Se n\u00e3o bastasse, foi eleito pelo F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, um dos 15 jovens brasileiros que pode melhorar o mundo e saiu na lista da revista Forbes Brasil como um dos 30 jovens mais influentes do Pa\u00eds, sendo o \u00fanico de periferia.<br \/>\n<figure id=\"attachment_18339\" aria-describedby=\"caption-attachment-18339\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-18339 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Set_Foto_-Edissa_Waldow_Famecos_PUCRS.jpg\" alt=\"Palestrantes \/Edissa Waldow\/FamecosPUCRS\" width=\"600\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18339\" class=\"wp-caption-text\">Palestrantes na abertura do SET\/Edissa Waldow\/FamecosPUCRS<\/figcaption><\/figure><br \/>\nMeirelles apresentou a nova classe m\u00e9dia brasileira, mais rica que 54% da popula\u00e7\u00e3o mundial. Disse que o Brasil mudou muito nos \u00faltimos dez anos, sendo que a renda dos 25% mais ricos cresceu 12,8%, enquanto a renda dos 25% mais pobres cresceu 44%. A estrutura do pa\u00eds passou da pir\u00e2mide social para um losango social, com mais gente nas classes C, D e E, a nova classe m\u00e9dia. Isso significou uma enorme transforma\u00e7\u00e3o no perfil do consumidor e no mercado de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cO controle da infla\u00e7\u00e3o e o crescimento dos empregos formais no pa\u00eds deram origem \u00e0 nova classe m\u00e9dia, ou classe C, que tem renda de R$ 320 a R$ 1.120 por pessoa da fam\u00edlia\u201d, afirmou.<br \/>\nOutra quest\u00e3o interessante levantada pelo publicit\u00e1rio \u00e9 que as classes ricas A e B, que representam 5% da popula\u00e7\u00e3o com renda de R$ 10 mil, n\u00e3o se reconhecem como ricas. Se veem como classe m\u00e9dia e, por isso, se sentem incomodadas quando percebem a ascens\u00e3o das classes C, D e E.<br \/>\nEle ressalta que a mobilidade de classes econ\u00f4micas no Brasil aconteceu de baixo para cima. \u201cHoje, 44% das classes A e B representam a primeira gera\u00e7\u00e3o com dinheiro da fam\u00edlia. Os av\u00f3s e os pais n\u00e3o tinham uma boa renda, mas ele tem. S\u00e3o milh\u00f5es de brasileiros que t\u00eam o modo de pensar da classe C e o bolso da classe A\u201d, disse.<br \/>\n<figure id=\"attachment_18285\" aria-describedby=\"caption-attachment-18285\" style=\"width: 580px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-18285 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Autores-Celso-Athayde-Renato-Meirelles-objetivo-eliminar-uma-s\u00e9rie-de-informa\u00e7\u00f5es-erradas-que-as-pessoas-sempre-tiveram-a-respeito-deste-universo_Divulga\u00e7\u00e3o.jpg\" alt=\"Athayde e Meirelles, atualizam as informa\u00e7\u00f5es a respeito deste universo gigantesco \/ Foto Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"580\" height=\"386\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-18285\" class=\"wp-caption-text\">Athayde e Meirelles, os autores \/ Foto Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<strong>&#8220;Renda dos moradores das favelas brasileiras \u00e9 de R$ 64,5 bilh\u00f5es, quase o consumo do Paraguai e Bol\u00edvia, juntos&#8221;<\/strong><br \/>\nNesse contexto, segundo Meirelles, os territ\u00f3rios que eram completamente invis\u00edveis ganharam for\u00e7a. \u201cAs favelas, locais de exclus\u00e3o, de ocupa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o os consumidores antes invis\u00edveis que agora tem poder de compra. Nas favelas, 53% das pessoas j\u00e1 passaram fome. Mas o quadro est\u00e1 mudando. O Brasil tem 14 milh\u00f5es de pessoas morando em favelas. Se existisse um estado da federa\u00e7\u00e3o chamado Favela, seria o 5\u00ba maior do pa\u00eds. H\u00e1 mais favelado do que pessoas morando aqui no Rio Grande do Sul. A renda anual desses moradores de favelas \u00e9 de R$ 64,5 bilh\u00f5es. Essa renda \u00e9 quase o consumo total do Paraguai e Bol\u00edvia. E, acreditem, ainda \u00e9 invis\u00edvel para muitas empresas, inclusive ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. As empresas n\u00e3o sabem se aproximar desse novo consumidor\u201d, revelou.<br \/>\nA expectativa \u00e9 de que a favela continue melhorando porque a vontade de empreender l\u00e1 dentro \u00e9 muito grande, segundo o publicit\u00e1rio. \u201cNas favelas, 28% dos moradores t\u00eam inten\u00e7\u00e3o de um dia abrir seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio, 81% gostam de viver na favela\u00a0onde est\u00e3o,\u00a062% declaram ter orgulho de pertencer \u00e0 comunidade onde moram e\u00a02\/3 n\u00e3o gostariam de mudar para outro bairro, sendo que apenas 16% acham que a favela onde moram vai ficar mais violenta\u00a0e\u00a076% acreditam ela v\u00e1 melhorar\u201d, completa.<br \/>\n<strong>Cleber Dioni Tentardini<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No turbilh\u00e3o das campanhas eleitorais no pa\u00eds, um novo Brasil foi apresentado aos brasileiros na semana que passou, com o lan\u00e7amento do livro Um Pa\u00eds Chamado Favela, de autoria do publicit\u00e1rio Renato Meirelles e do empreendedor social Celso Athayde (Ed. 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