{"id":18585,"date":"2014-10-08T18:02:00","date_gmt":"2014-10-08T21:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=18585"},"modified":"2014-10-08T18:02:00","modified_gmt":"2014-10-08T21:02:00","slug":"depois-do-ciclone-vem-a-tempestade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/depois-do-ciclone-vem-a-tempestade\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Depois do ciclone vem a tempestade"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil entender o que disseram as urnas de 5\/10, pois elas emitiram mensagens contradit\u00f3rias, mas vem a\u00ed o segundo turno para dirimir (ou intensificar) eventuais d\u00favidas.<br \/>\nO que parece claro \u00e9 que, diante de sinais de que o PT ficou velho, o povo est\u00e1 a fim de algo novo, ainda que este venha com cara de menin\u00e3o mimado nascido em ber\u00e7o de ouro. Por isso precisamos tentar fazer uma releitura das coisas.<br \/>\nFora os epis\u00f3dios Luiza Fontenelle em Fortaleza em 1982 e Erundina em Sampa em 1988, faz apenas 20 anos que a mar\u00e9 petista subiu em dois pequenos redutos eleitorais com Christovam Buarque no DF e Vitor Buaiz no ES.<br \/>\nS\u00f3 depois a estrela vermelha brilhou em outros lugares. Lula s\u00f3 ascendeu em 2002 e, ap\u00f3s tr\u00eas mandatos segurando o violino com a m\u00e3o esquerda e tocando com a direita, o partido d\u00e1 sinais de fadiga. \u00c9 isso mesmo? Quem tem certeza de alguma coisa enquanto grassa um ciclone extratropical?<br \/>\nFazendo o poss\u00edvel para distribuir renda por meio do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, da cria\u00e7\u00e3o de empregos, da expans\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade e de programas de inclus\u00e3o social, o PT praticou o desenvolvimentismo \u00e0 moda brasileira, fazendo concess\u00f5es fiscais a setores estrat\u00e9gicos, financiando campe\u00f5es do capitalismo e mantendo os privil\u00e9gios das elites financeiras. Foi bom enquanto durou, \u00a0a economia est\u00e1 batendo pino, precisando de novos aditivos. Quem ter\u00e1 a receita para recolocar o carro nos trilhos?<br \/>\n\u00c9 duvidoso que a classe m\u00e9dia e a base da pir\u00e2mide social tenham uma percep\u00e7\u00e3o exata do que aconteceu, justo elas que foram beneficiadas pela gest\u00e3o dos \u00faltimos anos, mas um dos sintomas do desgaste do petismo \u00e9 que as duas prefeitas precursoras e os dois ex-governadores pioneiros foram parar em outros partidos.<br \/>\nFora espasmos e explos\u00f5es, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds essencialmente conservador cujos impulsos de mudan\u00e7a ocorrem menos atrav\u00e9s do voto em figuras revolucion\u00e1rias e mais pela vota\u00e7\u00e3o em figuras como Tiririca, \u00a0personifica\u00e7\u00e3o de um protesto an\u00e1rquico e sem futuro. Mas o que fazer se uma parte dos eleitores n\u00e3o reconhece no voto um instrumento de aperfei\u00e7oamento da democracia? S\u00f3 a educa\u00e7\u00e3o nos salvar\u00e1, o que demanda longu\u00edssimo prazo.<br \/>\nNo m\u00e1ximo, o que se pode concluir, por ora, \u00e9 que as urnas sinalizaram um desejo de mudan\u00e7a, mesmo em lugares supostamente politizados como o Rio Grande do Sul, onde Tarso Genro, um dos melhores quadros do PT, com um bom governo e aptid\u00e3o para concorrer \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, levou 4X3 de um PMDB dividido. T\u00e3o dividido que o senador Pedro Simon apoiou Marina.<br \/>\nAgora quem lidera o bloco peemedebista em apoio a Dilma no segundo turno \u00e9 o peemedebista Eliseu Padilha, que foi ministro dos Transportes do tucano FHC, padrinho da candidatura de A\u00e9cio Neves. N\u00e3o \u00e9 para entender.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Nocaute em Suplicy<\/span><br \/>\nOutros sinais da queda da estrela petista foram o nocaute sofrido pelo senador Suplicy diante do tucano Jos\u00e9 Serra em S\u00e3o Paulo, o afundamento das candidaturas bancadas por Lula em Sampa e no Rio e as derrotas de Dilma em cidades dirigidas pelo PT.<br \/>\nA elei\u00e7\u00e3o do petista Fernando Pimentel pelos mineiros talvez seja a exce\u00e7\u00e3o que confirma o decl\u00ednio da estrela, mas s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea sinais de desagrega\u00e7\u00e3o no PT quem estiver com a vista turva ou a cabe\u00e7a inchada. Na gangorra PT-PSDB, condenada por Marina Silva, o polo tucano subiu e o petista caiu. O desgaste \u00e9 natural, pois j\u00e1 se passaram v\u00e1rios anos de presen\u00e7a no poder, mas falta avaliar o quanto pesou a contribui\u00e7\u00e3o de petistas imbu\u00eddos de uma arrog\u00e2ncia capaz de esfolar a \u00e9tica, um dos valores originais do partido.<br \/>\n\u201cO PT tem uns problemas a resolver\u201d, disse o ex-governador ga\u00facho Ol\u00edvio Dutra, ap\u00f3s reconhecer a pr\u00f3pria derrota por apenas dois pontos percentuais para o jornalista de r\u00e1dio e TV Lasier Martins, estreante que conquistou a vaga ao Senado. Ol\u00edvio n\u00e3o disse, mas todo mundo sabe que se referia \u00e0 necessidade de lavar a roupa suja e promover uma depura\u00e7\u00e3o no partido. N\u00e3o \u00e9 o que desejam os dirigentes mergulhados no corporativismo e\/ou no fisiologismo.<br \/>\nAmbos septuagen\u00e1rios, Ol\u00edvio e Lasier pregaram reformas, mas nenhum deles representava mudan\u00e7a. O eleitorado deu um passo atr\u00e1s e escolheu o mais novo representante do conservadorismo. Eleito pelo PDT, que recebeu apenas 4% dos votos para governador, Lasier nunca teve v\u00ednculos partid\u00e1rios enquanto atuou como apresentador de r\u00e1dio e TV.<br \/>\nFora a lembran\u00e7a do pai como eleitor de Get\u00falio Vargas, seu \u00fanico liame com o trabalhismo \u00e9 seu suplente Christopher Goulart,\u00a0 neto do ex-presidente Jango, que nasceu no ex\u00edlio em 1976, em plena ditadura militar. J\u00e1 Juliana Brizola, neta do velho Briza, n\u00e3o conseguiu se reeleger deputada estadual. N\u00e3o \u00e9 para entender.<br \/>\nEsses lances do jogo eleitoral confirmam que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds complexo que prima pela contradi\u00e7\u00e3o. As elei\u00e7\u00f5es deviam servir para acomodar as diferen\u00e7as e levar o pa\u00eds para a frente, mas as urnas do primeiro turno parecem indicar uma volta ao passado recente. Estar\u00e3o os brasileiros com saudade do neoliberalismo, das privatiza\u00e7\u00f5es e de uma governan\u00e7a financeira mais fortemente calcada na taxa de juros da d\u00edvida federal?<br \/>\nResposta no final do m\u00eas, quando das urnas sair\u00e1 a colcha de retalhos com que vamos ter de nos cobrir nos pr\u00f3ximos anos, fa\u00e7a seca ou temporal.<br \/>\nLEMBRETE DE OCASI\u00c3O<br \/>\n\u201cO principal problema \u00e9tico-pol\u00edtico do pa\u00eds \u00e9 que a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 incapaz de reconhecer a honestidade dos governantes e estes s\u00e3o incapazes de demonstr\u00e1-la\u201d.<br \/>\n(Mill\u00f4r Fernandes)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 dif\u00edcil entender o que disseram as urnas de 5\/10, pois elas emitiram mensagens contradit\u00f3rias, mas vem a\u00ed o segundo turno para dirimir (ou intensificar) eventuais d\u00favidas. 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