{"id":18873,"date":"2014-10-21T17:56:23","date_gmt":"2014-10-21T20:56:23","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=18873"},"modified":"2014-10-21T17:56:23","modified_gmt":"2014-10-21T20:56:23","slug":"avanco-de-grupo-cearense-inquieta-moinhos-gauchos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/avanco-de-grupo-cearense-inquieta-moinhos-gauchos\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o de grupo cearense inquieta moinhos ga\u00fachos"},"content":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria moageira ga\u00facha est\u00e1 inquieta com o avan\u00e7o do grupo nordestino M. Dias Branco, l\u00edder nacional do setor de massas e biscoitos, com uma receita de R$ 4,3 bilh\u00f5es em 2013.<br \/>\nApoiado por incentivos fiscais do Estado, o grupo octogen\u00e1rio sediado no Cear\u00e1 comprometeu-se no in\u00edcio de 2014 a investir R$ 173 milh\u00f5es na amplia\u00e7\u00e3o de sua f\u00e1brica de Bento Gon\u00e7alves, comprada em 2003 do grupo Adria, de S\u00e3o Paulo.<br \/>\nCom o investimento, a unidade da Serra Ga\u00facha \u2013 cuja marca Isabela \u00e9 \u201ca mais lembrada\u201d pelos consumidores ga\u00fachos \u2013 passar\u00e1 a ter capacidade instalada de 65 mil toneladas\/ano de biscoitos e 60 mil toneladas\/ano de massas, acrescentando mais duas centenas de empregados ao seu quadro de pessoal, integrado por 900 funcion\u00e1rios.<br \/>\nJunto com a amplia\u00e7\u00e3o da linha de massas e biscoitos, o grupo promete montar um moinho com tecnologia de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o capaz de produzir 1.300 toneladas de farinha de trigo por dia.<br \/>\nSe operar a pleno durante 300 dias por ano, processar\u00e1 o equivalente a 15% da produ\u00e7\u00e3o ga\u00facha do cereal.<br \/>\nPor a\u00ed se entende a inquieta\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria riograndense, composta por cerca de 90 moinhos, alguns parados, outros operando intermitentemente e a maioria produzindo sem usar toda sua capacidade instalada.<br \/>\nFiel a um modelo de governan\u00e7a corporativa de fei\u00e7\u00f5es globais, muito comum em empresas multinacionais, o grupo M.(M de Manuel) Dias Branco mant\u00e9m em S\u00e3o Paulo uma \u201cassessoria de imagem\u201d (Press \u00e0 Porter) que alega n\u00e3o ter autoriza\u00e7\u00e3o para divulgar informa\u00e7\u00f5es sobre marcas e unidades empresariais isoladas.<br \/>\nPor isso \u00e9 imposs\u00edvel, no momento, saber precisamente a quantas anda o projeto de Bento e qual seu prazo de conclus\u00e3o ou a \u00e9poca do in\u00edcio das atividades do novo moinho.<br \/>\nNa Prefeitura de Bento Gon\u00e7alves, o secret\u00e1rio Neri Mazzochin, do Desenvolvimento Econ\u00f4mico, confirma que o novo moinho, &#8220;um dos mais modernos da Am\u00e9rica Latina&#8221;, come\u00e7ar\u00e1 a ser implantado no pr\u00f3ximo ano e iniciar\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o ainda em 2015, ocupando \u00e1rea de 10 mil metros quadrados no bairro Botafogo, onde j\u00e1 opera a f\u00e1brica de massas e biscoitos Isabela.<br \/>\nNa realidade, como outros grupos industriais, o Dias Branco assegurou-se o direito de usar os incentivos oferecidos pelo Fundopem, mas \u00e9 livre para faz\u00ea-lo quando melhor lhe convier.<br \/>\nQuando reclamaram da concess\u00e3o dos benef\u00edcios ao poderoso grupo sediado no Cear\u00e1, os empres\u00e1rios ga\u00fachos foram informados de que a ind\u00fastria moageira do Rio Grande do Sul pode usufruir das mesmas vantagens, basta realizar o procedimento burocr\u00e1tico junto \u00e0 Secretaria de Desenvolvimento e Promo\u00e7\u00e3o do Investimento, que tem como um dos seus objetivos \u201cmelhorar a competitividade\u201d de setores tradicionais da economia estadual.<br \/>\nNo caso, pode ser que os moinhos menos modernos tenham acelerado seu colapso.<br \/>\nO J\u00c1 cansou de tentar ouvir o presidente do Sinditrigo-RS, Jos\u00e9 Celestino Antoniazzi, cuja base operacional fica em Santa Maria.<br \/>\n<span class=\"intertit\">MUITA BALA NA AGULHA<\/span><br \/>\nPara saber sobre as diversas empresas do grupo M Dias Branco, a sa\u00edda \u00e9 navegar nas \u00e1guas de seu site, cujas demonstra\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o extremamente transparentes.<br \/>\nPor ali se fica sabendo que no \u00faltimo exerc\u00edcio fiscal, encerrado em dezembro de 2013 com receitas de R$ 4,3 bilh\u00f5es,<\/p>\n<ul style=\"list-style-type: square\">\n<li>o grupo \u00a0tinha um patrim\u00f4nio l\u00edquido de R$ 2,8 bilh\u00f5es<\/li>\n<li>obteve um lucro l\u00edquido de R$ 524 milh\u00f5es<\/li>\n<li>detinha 30% do mercado nacional de biscoitos e massas<\/li>\n<li>gastou R$ 486 milh\u00f5es com sal\u00e1rios, previd\u00eancia social e FGTS do pessoal<\/li>\n<li>pagou R$ 386 milh\u00f5es de impostos<\/li>\n<li>teve despesas de R$ 2,86 bilh\u00f5es, sendo R$ 1,1 bilh\u00f5es com a compra de farinha de trigo<\/li>\n<li>possu\u00eda uma d\u00edvida l\u00edquida de R$ 261 milh\u00f5es<\/li>\n<li>estava investindo R$ 288 milh\u00f5es<\/li>\n<li>dispunha de uma reserva para investimentos de R$ 780 milh\u00f5es<\/li>\n<li>contava com incentivos fiscais no total de R$ 233 milh\u00f5es, sendo R$ 183 milh\u00f5es referentes a cr\u00e9ditos estaduais de ICMS e os R$ 50 milh\u00f5es restantes, federais<\/li>\n<\/ul>\n<p>Controlado pelo seu pr\u00f3prio presidente Francisco Ivens de S\u00e1 Dias Branco, que possui 63% dos a\u00e7\u00f5es (outros 25% est\u00e3o na Bovespa), o grupo tem excelente sa\u00fade econ\u00f4mico-financeira e vem ancorando todos os seus principais investimentos em locais que oferecem incentivos fiscais.<br \/>\nNo cinco estados onde fez ou est\u00e1 fazendo investimentos, apenas no Rio Grande do Norte os benef\u00edcios fiscais terminam em 2014. No Cear\u00e1 e em Pernambuco, as vantagens fiscais v\u00e3o at\u00e9 2024. Na Bahia, at\u00e9 2025. Na Para\u00edba, at\u00e9 2032.<br \/>\nAl\u00e9m de incentivado, o Dias Branco disp\u00f5e de muni\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria suficiente para alterar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no mercado ga\u00facho de moagem de trigo, do qual se ausentaram, h\u00e1 v\u00e1rios anos, grandes grupos moageiros como o norte-americano Bunge, aqui chamado Sociedade An\u00f4nima Moinhos RioGrandenses (SAMRIG), que come\u00e7ou com um moinho de trigo em 1929 e, em 1958, implantou em Esteio a maior f\u00e1brica de soja do Estado.<br \/>\nEmbora n\u00e3o d\u00ea informa\u00e7\u00f5es isoladas sobre unidades e marcas, o grupo M. Dias Branco tem consci\u00eancia de que sua penetra\u00e7\u00e3o no mercado moageiro ga\u00facho reacende a chama da agroind\u00fastria trit\u00edcola no Estado e, por isso, precisa pisar com cuidado no ber\u00e7o da lavoura nacional de trigo.<br \/>\nNesse sentido, amaciaria o terreno se tivesse a gentileza de responder, entre outras, \u00e0s seguintes d\u00favidas:<\/p>\n<ol>\n<li>O novo moinho de Bento vai se dedicar apenas ao autoabastecimento (da f\u00e1brica de massas Isabela) ou atender\u00e1 tamb\u00e9m o mercado regional de farinha ou, seja, vai disputar clientes com a ind\u00fastria moageira j\u00e1 instalada no Estado?<\/li>\n<li>Vai moer apenas o trigo ga\u00facho\/sulino ou est\u00e1 buscando posi\u00e7\u00e3o geoestrat\u00e9gica para beneficiar trigo importado, explorando a proximidade com a Argentina e o Uruguai, pa\u00edses em que j\u00e1 possui escrit\u00f3rios comerciais?<\/li>\n<li>Al\u00e9m dos incentivos fiscais obtidos do governo do RS, o projeto do grupo no Estado visa usufruir de alguma vantagem decorrente da proximidade com o Mercosul?<\/li>\n<\/ol>\n<p>ghasse@th.com.br<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ind\u00fastria moageira ga\u00facha est\u00e1 inquieta com o avan\u00e7o do grupo nordestino M. 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