{"id":19492,"date":"2014-11-14T16:36:48","date_gmt":"2014-11-14T18:36:48","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=19492"},"modified":"2014-11-14T16:36:48","modified_gmt":"2014-11-14T18:36:48","slug":"mudancas-climaticas-a-caminho-do-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/mudancas-climaticas-a-caminho-do-colapso\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: a caminho do colapso"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 circulando na noosfera (podem chamar de Internet) um assustador documento-s\u00edntese assinado pelo cientista Antonio Nobre, o brasileiro que tem assento no <a href=\"http:\/\/www.ipcc.ch\/organization\/organization.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IPCC<\/a>, o painel da ONU sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\nDepois de ler mais de 200 trabalhos cient\u00edficos, o cara n\u00e3o deixa barato: estamos perdendo a guerra da sustentabilidade ambiental e o mundo continua caminhando irresponsavelmente para o colapso da civiliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNuma entrevista \u00e0 rep\u00f3rter Daniela Chiaratti, do Valor Econ\u00f4mico, Nobre falou especialmente do papel da Amaz\u00f4nia para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">A seguir, o JA apresenta uma s\u00edntese do que pensa e anda falando o apocal\u00edptico doutor Nobre.<\/span><br \/>\n&#8220;Nos \u00faltimos 40 anos, a \u00e1rea devastada na Amaz\u00f4nia equivale a tr\u00eas Estados de S\u00e3o Paulo, duas Alemanhas ou dois Jap\u00f5es.<br \/>\nA velocidade do desmatamento na Amaz\u00f4nia, em 40 anos, \u00e9 de um trator com uma l\u00e2mina de tr\u00eas metros se deslocando a 726 km\/hora \u2013 uma esp\u00e9cie de trator do fim do mundo.<br \/>\nForam destru\u00eddas 42 bilh\u00f5es de \u00e1rvores, cerca de 3 milh\u00f5es de \u00e1rvores por dia, 2.000 \u00e1rvores por minuto.<br \/>\nOs cientistas que estudam a Amaz\u00f4nia est\u00e3o preocupados com a percep\u00e7\u00e3o de que a floresta \u00e9 potente e realmente condiciona o clima. \u00c9 uma usina de servi\u00e7os ambientais.<br \/>\nEla est\u00e1 sendo desmatada e o clima vai mudar. No arco do desmatamento, por exemplo, o clima j\u00e1 mudou. L\u00e1 est\u00e1 aumentando a dura\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca e diminuindo a dura\u00e7\u00e3o e volume de chuva.<br \/>\nAgricultores do Mato Grosso tiveram que adiar o plantio da soja porque a chuva n\u00e3o chegou. Ano ap\u00f3s ano, na regi\u00e3o leste e sul da Amaz\u00f4nia, isso est\u00e1 ocorrendo.<br \/>\nA seca de 2005 foi a mais forte em cem anos. Cinco anos depois teve a de 2010, mais forte que a de 2005. O efeito externo sobre a Amaz\u00f4nia j\u00e1 \u00e9 realidade. O sistema est\u00e1 ficando em desarranjo.<br \/>\nA mudan\u00e7a clim\u00e1tica j\u00e1 chegou. Os c\u00e9ticos do clima conseguiram uma vit\u00f3ria acachapante, fizeram com que governos n\u00e3o acreditassem mais no aquecimento global.<br \/>\nAs emiss\u00f5es aumentaram muito e o sistema clim\u00e1tico planet\u00e1rio est\u00e1 entrando em fal\u00eancia como previsto, s\u00f3 que mais r\u00e1pido. Mais de duas d\u00fazias de projetos grandes est\u00e3o sendo feitos na Amaz\u00f4nia, com dezenas de cientistas.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/queimadas_greenpeace.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-19508\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/queimadas_greenpeace.jpg\" alt=\"queimadas_greenpeace\" width=\"700\" height=\"524\" \/><\/a><br \/>\n<span class=\"intertit\">Agroneg\u00f3cio<\/span><br \/>\nA discuss\u00e3o sobre a Amaz\u00f4nia \u00e9 fragmentada. \u201cTemos que desenvolver o agroneg\u00f3cio. Mas e a floresta? Ah, floresta n\u00e3o \u00e9 assunto meu\u201d.<br \/>\nCada um est\u00e1 envolvido naquilo que faz e a fragmenta\u00e7\u00e3o tem sido mortal para os interesses da humanidade. Quando fiz a s\u00edntese destes estudos, eu me assombrei com a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPegue o notici\u00e1rio: o que est\u00e1 acontecendo na Calif\u00f3rnia, na Am\u00e9rica Central, em partes da Col\u00f4mbia? \u00c9 mundial.<br \/>\nAlgu\u00e9m pode dizer \u2013 \u00e9 mundial, ent\u00e3o n\u00e3o tem nada a ver com a Amaz\u00f4nia.<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que est\u00e1 a incompreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica: tem tudo a ver com o que temos feito no planeta, principalmente a destrui\u00e7\u00e3o de florestas.<br \/>\nA consequ\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o ao CO2 que sai, mas a destrui\u00e7\u00e3o de floresta destr\u00f3i o sistema de condicionamento clim\u00e1tico local. E isso, com as flutua\u00e7\u00f5es planet\u00e1rias da mudan\u00e7a do clima, faz com que n\u00e3o tenhamos nenhuma almofada.<br \/>\nA floresta \u00e9 um seguro, um sistema de prote\u00e7\u00e3o, uma poupan\u00e7a. Se aparece uma coisa imprevista e voc\u00ea tem algum dinheiro guardado, voc\u00ea se vira.<br \/>\n\u00c9 o que est\u00e1 acontecendo agora, n\u00e3o sentimos antes os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o de 500 anos da Mata Atl\u00e2ntica, porque t\u00ednhamos a \u201ccosta quente\u201d da Amaz\u00f4nia.<br \/>\nA sombra \u00famida da floresta amaz\u00f4nica n\u00e3o permitia que sent\u00edssemos os efeitos da destrui\u00e7\u00e3o das florestas locais.<br \/>\nEu queria mostrar o que significa aquela floresta. At\u00e9 eucalipto tem mais valor que floresta nativa. Se olharmos no microsc\u00f3pio, a floresta \u00e9 a hiper abund\u00e2ncia de seres vivos e qualquer ser vivo supera toda a tecnologia humana somada.<br \/>\nO tapete tecnol\u00f3gico da Amaz\u00f4nia \u00e9 essa assembleia fant\u00e1stica de seres vivos que operam no n\u00edvel de \u00e1tomos e mol\u00e9culas, regulando o fluxo de subst\u00e2ncias e de energia e controlando o clima.<br \/>\n<span class=\"intertit\">5 segredos<\/span><br \/>\nA Amaz\u00f4nia tem cinco segredos.<br \/>\n<strong>O\u00a0primeiro<\/strong> \u00e9 o transporte de umidade continente adentro. O oceano \u00e9 a fonte primordial de toda a \u00e1gua. Evapora, o sal fica no oceano, o vento empurra o vapor que sobe e entra nos continentes. Na Am\u00e9rica do Sul, entra 3.000 km na dire\u00e7\u00e3o dos Andes com umidade total. S\u00e3o os g\u00eaiseres da floresta.<br \/>\n\u00c9 uma met\u00e1fora. Uma \u00e1rvore grande da Amaz\u00f4nia, com dez metros de raio de copa, coloca no ar mais de mil litros de \u00e1gua em um dia, pela transpira\u00e7\u00e3o. Fizemos a conta para a bacia Amaz\u00f4nica toda, que tem 5,5 milh\u00f5es de km2: saem desses g\u00eaiseres de madeira 20 bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua di\u00e1rias.<br \/>\nO rio Amazonas, o maior rio da Terra, que joga 20% de toda a \u00e1gua doce nos oceanos, despeja 17 bilh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua por dia. Esse fluxo de vapor que sai das \u00e1rvores da floresta \u00e9 maior que o Amazonas. Esse ar que vai progredindo para dentro do continente vai recebendo o fluxo de vapor da transpira\u00e7\u00e3o das \u00e1rvores e se mant\u00e9m \u00famido, e, portanto, com capacidade de fazer chover. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica das florestas<br \/>\n<strong>O segundo<\/strong> <strong>segredo<\/strong>: chove muito na Amaz\u00f4nia e o ar \u00e9 muito limpo, como nos oceanos, onde chove pouco. Como, se as atmosferas s\u00e3o muito semelhantes? A resposta veio do estudo de aromas e odores das \u00e1rvores. Esses odores v\u00e3o para a atmosfera e quando t\u00eam radia\u00e7\u00e3o solar e vapor de \u00e1gua, reagem com o oxig\u00eanio e precipitam uma poeira fin\u00edssima, que atrai o vapor de \u00e1gua. \u00c9 um nucleador de nuvens. Quando chove, lava a poeira, mas tem mais g\u00e1s e o sistema se mant\u00e9m.<br \/>\n<strong>O terceiro<\/strong> <strong>segredo<\/strong>: a\u00a0floresta \u00e9 um ar-condicionado e produz um rio amaz\u00f4nico de vapor. Essa forma\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de nuvens abaixa a press\u00e3o da regi\u00e3o e puxa o ar que est\u00e1 sobre os oceanos para dentro da floresta. \u00c9 um cabo de guerra, uma bomba bi\u00f3tica de umidade, uma correia transportadora. E na Amaz\u00f4nia, as \u00e1rvores s\u00e3o antigas e t\u00eam ra\u00edzes que buscam \u00e1gua a mais de 20 metros de profundidade, no len\u00e7ol fre\u00e1tico. A floresta est\u00e1 ligada a um oceano de \u00e1gua doce embaixo dela. Quando cai a chuva, a \u00e1gua se infiltra e alimenta esses aqu\u00edferos.<br \/>\n<strong>O quarto segredo<\/strong>: estamos em um quadril\u00e1tero da sorte \u2013 uma regi\u00e3o que vai de Cuiab\u00e1 a Buenos Aires no Sul, S\u00e3o Paulo aos Andes e produz 70% do PIB da Am\u00e9rica do Sul. Se olharmos o mapa m\u00fandi, na mesma latitude est\u00e3o o deserto do Atacama, o Kalahari, o deserto da Nam\u00edbia e o da Austr\u00e1lia. Mas aqui, n\u00e3o, essa regi\u00e3o era para ser um deserto. E no entanto n\u00e3o \u00e9, \u00e9 irrigada, tem umidade. De onde vem a chuva? A Amaz\u00f4nia exporta umidade. Durante v\u00e1rios meses do ano chega por aqui, atrav\u00e9s de \u201crios a\u00e9reos\u201d, o vapor que \u00e9 a fonte da chuva desse quadril\u00e1tero.<br \/>\n<strong>O quinto segredo<\/strong>: onde tem floresta n\u00e3o tem furac\u00e3o nem tornado. A floresta tem um papel de regulariza\u00e7\u00e3o do clima, atenua os excessos, n\u00e3o deixa que se organizem esses eventos destrutivos. \u00c9 um seguro.<br \/>\nO desmatamento leva ao clima in\u00f3spito, arrebenta com o sistema de condicionamento clim\u00e1tico da floresta. \u00c9 o mesmo que ter uma bomba que manda \u00e1gua para um pr\u00e9dio, mas eu a destruo, a\u00ed n\u00e3o tem mais \u00e1gua na minha torneira. \u00c9 o que estamos fazendo.<br \/>\nAo desmatar, destru\u00edmos os mecanismos que produzem esses benef\u00edcios e ficamos expostos \u00e0 viol\u00eancia geof\u00edsica. O clima in\u00f3spito \u00e9 uma realidade, n\u00e3o \u00e9 mais previs\u00e3o. Tinha que ter parado com o desmatamento h\u00e1 dez anos. E parar de desmatar \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o resolve mais. Temos que conter os danos ao m\u00e1ximo. Parar de desmatar \u00e9 para ontem.<br \/>\nA \u00fanica rea\u00e7\u00e3o adequada neste momento \u00e9 fazer um esfor\u00e7o de guerra. A evid\u00eancia cient\u00edfica diz que a \u00fanica chance de recuperarmos o estrago que fizemos \u00e9 zerar o desmatamento. Mas isso ser\u00e1 insuficiente, temos que replantar florestas, refazer ecossistemas. \u00c9 a nossa grande oportunidade. \u00c9 muito s\u00e9rio, muito grave. Estamos indo direto para o matadouro.<br \/>\nAgora temos que nos confrontar com o desmatamento acumulado. N\u00e3o adianta mais dizer \u201cvamos reduzir a taxa de desmatamento anual.\u201d Temos que fazer frente ao passivo, \u00e9 ele que determina o clima.<br \/>\nO clima n\u00e3o d\u00e1 a m\u00ednima para a soja, para o clima importa a \u00e1rvore. Soja tem raiz de pouca profundidade, n\u00e3o tem dossel, tem raiz curta, n\u00e3o \u00e9 capaz de bombear \u00e1gua. Os sistemas agr\u00edcolas s\u00e3o extremamente dependentes da floresta. Se n\u00e3o chegar chuva ali, a planta\u00e7\u00e3o morre.<br \/>\nOs servi\u00e7os ambientais prestados pela floresta est\u00e3o sendo dilapidados. \u00c9 a mesma coisa que arrebentar turbinas na usina de Itaipu \u2013 a\u00ed n\u00e3o tem mais eletricidade. \u00c9 de clima que estamos falando, da umidade que vem da Amaz\u00f4nia. Estamos perdendo um servi\u00e7o que era gratuito, trazia conforto, fornecia \u00e1gua doce e estabilidade clim\u00e1tica.<br \/>\nEstamos fazendo a transposi\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco para resolver o problema de uma \u00e1rea onde n\u00e3o chove h\u00e1 tr\u00eas anos. Mas e se n\u00e3o tiver \u00e1gua em outros lugares? E se ocorrer de a gente destruir e desmatar de tal forma que a regi\u00e3o que produz 70% do PIB cumpra o seu destino geogr\u00e1fico e vire deserto? Vamos buscar \u00e1gua no aqu\u00edfero?<br \/>\nNo norte de Pequim, os po\u00e7os est\u00e3o j\u00e1 a dois quil\u00f4metros de profundidade. N\u00e3o tem uso indefinido de uma \u00e1gua f\u00f3ssil, ela tem que ter algum tipo de recarga. \u00c9 um estoque, como petr\u00f3leo. Usa e acaba. S\u00f3 tem um lugar que n\u00e3o acaba, o oceano, mas \u00e9 salgado.<br \/>\nTemos nas florestas nosso maior aliado. S\u00e3o uma tecnologia natural que est\u00e1 ao nosso alcance. N\u00e3o proponho tirar as planta\u00e7\u00f5es de soja ou a cria\u00e7\u00e3o de gado para plantar floresta, mas fazer o uso inteligente da paisagem, recompor as \u00c1reas de Prote\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) e replantar florestas em grande escala. N\u00e3o s\u00f3 na Amaz\u00f4nia.<br \/>\nS\u00e3o Paulo tem que erradicar totalmente a toler\u00e2ncia com rela\u00e7\u00e3o a desmatamento. Um esfor\u00e7o de guerra no replantio de florestas n\u00e3o \u00e9\u00a0\u00a0replantar eucalipto. Monocultura de eucalipto n\u00e3o tem este papel em rela\u00e7\u00e3o a ciclo hidrol\u00f3gico, tem que se replantar floresta e acabar com o fogo.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Reconstruindo as florestas<\/span><br \/>\nPara n\u00e3o competir com a agricultura, se poderia come\u00e7ar reconstruindo ecossistemas em \u00e1reas degradadas. Nos morros pelados onde tem capim, nos vales, em \u00e1reas \u00edngremes. Em vales onde s\u00f3 tem capim, tem que plantar \u00e1rvores da Mata Atl\u00e2ntica.<br \/>\nO esfor\u00e7o de guerra para replantar tem que juntar toda a sociedade. Precisamos reconstruir as florestas, da melhor e mais r\u00e1pida forma poss\u00edvel.<br \/>\nO desmatamento legal n\u00e3o pode nem entrar em cogita\u00e7\u00e3o. Uma lei que n\u00e3o levou em considera\u00e7\u00e3o a ci\u00eancia e prejudica a sociedade, que tira \u00e1gua das torneiras, precisa ser mudada.<br \/>\nA realidade \u00e9 que estamos indo para o caos. J\u00e1 temos carros-pipa na zona metropolitana de S\u00e3o Paulo. Estamos perdendo bilh\u00f5es de d\u00f3lares em valores que foram destru\u00eddos. Quem \u00e9 o respons\u00e1vel por isso?<br \/>\nUm dia, quando a sociedade se der conta, a Justi\u00e7a vai receber acusa\u00e7\u00f5es. Imagine se as grandes \u00e1reas urbanas, que ficarem em pen\u00faria h\u00eddrica, responsabilizarem os grandes lordes do agroneg\u00f3cio pelo desmatamento da Amaz\u00f4nia. Espero que n\u00e3o se chegue a essa situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nTemos uma floresta de mais de 50 milh\u00f5es de anos. Nesse per\u00edodo \u00e9 improv\u00e1vel que n\u00e3o tenham acontecido cataclismas, glacia\u00e7\u00e3o e aquecimento, e no entanto a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica ficaram a\u00ed. Quando a floresta est\u00e1 intacta, tem capacidade de suportar. \u00c9 a mesma capacidade do f\u00edgado do alco\u00f3latra que, mesmo tomando v\u00e1rios porres, n\u00e3o acontece nada se est\u00e1 intacto. Mas o desmatamento faz com que a capacidade de resili\u00eancia que t\u00ednhamos, com a floresta, fique perdida.<br \/>\nA\u00ed vem uma flutua\u00e7\u00e3o forte ligada \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica global e n\u00f3s ficamos muito expostos, como \u00e9 o caso do \u201cpaquiderme atmosf\u00e9rico\u201d que sentou no Sudeste. Se tivesse floresta aqui, n\u00e3o aconteceria, porque a floresta resfria a superf\u00edcie e evapora quantidade de \u00e1gua que ajuda a formar chuva.<br \/>\nO replantio florestal n\u00e3o garante o reequilibrio, porque existem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais, mas reconstruir ecossistemas \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o que temos.<br \/>\nQuem sabe a gente desenvolva outra agricultura, mais harm\u00f4nica, de servi\u00e7os agroecossist\u00eamicos. N\u00e3o tem nenhuma raz\u00e3o para o antagonismo entre agricultura e conserva\u00e7\u00e3o ambiental. Ao contr\u00e1rio.<br \/>\nA agricultura consciente, que soubesse o que a comunidade cient\u00edfica sabe, estaria na rua, com cartazes, exigindo do governo prote\u00e7\u00e3o das florestas. E, por iniciativa pr\u00f3pria, replantaria a floresta nas suas propriedades&#8221;.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 circulando na noosfera (podem chamar de Internet) um assustador documento-s\u00edntese assinado pelo cientista Antonio Nobre, o brasileiro que tem assento no IPCC, o painel da ONU sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. 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