{"id":2009,"date":"2008-12-23T10:57:29","date_gmt":"2008-12-23T13:57:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=2009"},"modified":"2008-12-23T10:57:29","modified_gmt":"2008-12-23T13:57:29","slug":"estudo-relata-impactos-da-monocultura-do-eucalipto-sobre-mulheres-do-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/estudo-relata-impactos-da-monocultura-do-eucalipto-sobre-mulheres-do-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"Estudo relata impactos da monocultura do eucalipto sobre mulheres do Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Carlos Matsubara, Ambiente J\u00c1<\/strong><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/monocultura_autor_santiago.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"thumbesq\" style=\"border: 1px solid black\" title=\"monocultura_autor_santiago\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2008\/12\/monocultura_autor_santiago-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"217\" height=\"109\" \/><\/a>A ONG Amigos da Terra Brasil (NAT) apresentou no dia 19 na Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande do Sul um estudo que apontou poss\u00edveis impactos da monocultura de eucalipto sobre as mulheres.<br \/>\nEntre outros impactos, o estudo de autoria da bi\u00f3loga e mestre em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, C\u00edntia Barenho, relata situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia e ass\u00e9dio sexual. Foi relatado que a chegada de trabalhadores incitou formas de ass\u00e9dio sexual, atitudes machistas e sexitas.<br \/>\n&#8220;A Aracruz geralmente n\u00e3o contrata funcion\u00e1rio do munic\u00edpio, ent\u00e3o, os que v\u00eam de fora mexem com as mulheres, n\u00e3o se tem caso de abuso, mas de ass\u00e9dio sexual sim, ficam chamando as mulheres de &#8216;gostosas&#8217;, inclusive no interior, quando as mulheres v\u00e3o fazer caminhadas, isso acontece cotidianamente,&#8221; disse uma agricultora n\u00e3o identificada pelo estudo.<br \/>\nPara C\u00edntia, esta forma de migra\u00e7\u00e3o pendular que ocorre, cria uma situa\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel (comunidade &#8220;desconhecida&#8221;, fam\u00edlia n\u00e3o est\u00e1 presente) a tais fatos. As mulheres relataram a bi\u00f3loga que a presen\u00e7a destes trabalhadores desconhecidos promove medo e inseguran\u00e7a por parte das mulheres e suas fam\u00edlias. &#8220;Anteriormente, se ocorresse qualquer eventualidade era poss\u00edvel contatar algum empregado da est\u00e2ncia ou propriedade, por\u00e9m agora devido aos maci\u00e7os de eucaliptos, dificilmente encontra-se algu\u00e9m que possa ajudar&#8221;, diz, ao fazer a ressalva que n\u00e3o h\u00e1 casos conhecidos de prostitui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO estudo que foi feito em parceria com a Friends of the Earth e Movimiento Mundial por los Bosques Tropicales (WRM), traz ainda relatos como assaltos a propriedades rurais. Conta uma agricultura, que uma prima sua teve a casa assaltada, coincidentemente depois de ter negado vender suas terras para uma empresa de celulose e papel. &#8220;Ap\u00f3s o assalto ela se sentiu coagida, com medo e resolveu pela venda&#8221;, diz C\u00edntia.<br \/>\nTamb\u00e9m em Encruzilhada do Sul, uma resid\u00eancia cercada pelos eucaliptos teria sido assaltada. A fam\u00edlia ficou com receio de permanecer por l\u00e1 e mudou-se para a casa os pais da esposa. Para uma das mulheres entrevistadas, al\u00e9m da presen\u00e7a de homens desconhecidos, tamb\u00e9m as estradas t\u00eam facilitado os roubos (devido a melhoramentos realizados).<br \/>\n<strong>Contamina\u00e7\u00e3o da terra<\/strong><br \/>\nAinda entre os impactos relacionados pelas mulheres, o estudo de caso mostra dificuldades com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sociais e de sobreviv\u00eancia di\u00e1ria, como a contamina\u00e7\u00e3o do ambiente e de animais devido a utiliza\u00e7\u00e3o de grande quantidade de agroqu\u00edmicos nas lavouras de eucalipto; a prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o das estradas rurais devido ao tr\u00e1fego de ve\u00edculos pesados; escassez de \u00e1gua; degrada\u00e7\u00e3o da terra e condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o prec\u00e1rias. &#8220;Como conseq\u00fc\u00eancia a reforma agr\u00e1ria est\u00e1 neutralizada e o abandono do campo tem se intensificado&#8221;, destaca a bi\u00f3loga.<br \/>\nO estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de vinte mulheres de movimentos sociais do campo e da cidade que relataram diferentes impactos da silvicultura em suas vidas. As participantes moram em Rio Grande, Hulha Negra, Piratini, Encruzilhada do Sul, Barra do Ribeiro, S\u00e3o Jos\u00e9 do Norte, Santana do Livramento, Herval e Porto Alegre.<br \/>\n<strong>O &#8220;desempoderamento&#8221; das mulheres<\/strong><br \/>\nO trabalho de C\u00edntia faz parte de um projeto desenvolvido pelas ONGs intitulado &#8220;A fun\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia no desempoderamento das mulheres no Sul atrav\u00e9s da convers\u00e3o dos ecossistemas locais em planta\u00e7\u00f5es de \u00e1rvores&#8221;.<br \/>\n&#8220;\u00c9 uma importante ferramenta n\u00e3o s\u00f3 para a luta contra a expans\u00e3o dos megaprojetos de celulose e papel dos movimentos sociais e ambientalistas, mas tamb\u00e9m para todos os setores da sociedade porque mostra a realidade de mulheres que pouco ou quase nada t\u00eam sido divulgado pela m\u00eddia,&#8221; afirma a bi\u00f3loga. Conforme ela, a situa\u00e7\u00e3o destas mulheres ainda \u00e9 de invisibilidade social, apesar de elas j\u00e1 estarem protagonizando lutas de resist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carlos Matsubara, Ambiente J\u00c1 A ONG Amigos da Terra Brasil (NAT) apresentou no dia 19 na Assembl\u00e9ia Legislativa do Rio Grande do Sul um estudo que apontou poss\u00edveis impactos da monocultura de eucalipto sobre as mulheres. 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