{"id":20138,"date":"2014-12-31T20:56:19","date_gmt":"2014-12-31T22:56:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20138"},"modified":"2014-12-31T20:56:19","modified_gmt":"2014-12-31T22:56:19","slug":"rbs-tesoura-vai-em-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/rbs-tesoura-vai-em-frente\/","title":{"rendered":"A tesoura da RBS vai em frente"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assinaespecial\">Luiz Cl\u00e1udio Cunha |<\/span><strong> Especial para o Jornal J\u00c1<\/strong><br \/>\nA RBS \u2014 o maior grupo de m\u00eddia do sul do pa\u00eds, a 27\u00aa empresa ga\u00facha no ranking dos Top 100, com oito jornais, oito emissoras de r\u00e1dio e 18 de televis\u00e3o espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina \u2014 suspendeu a rodada de demiss\u00f5es programada para o in\u00edcio de dezembro.<br \/>\nAt\u00e9 quem acredita em Papai Noel deve saber que o adiamento n\u00e3o \u00e9 mero produto do esp\u00edrito natalino que caracteriza a \u00e9poca. A lista de execu\u00e7\u00f5es que a RBS definiu a partir do duro plano de \u2018reestrutura\u00e7\u00e3o\u2019 do consultor Cl\u00e1udio Galeazzi, conhecido no mercado como Galeazzi M\u00e3os de Tesoura, previa a execu\u00e7\u00e3o em dezembro de aproximadamente 200 postos de trabalho, na vers\u00e3o mais otimista da lista cifrada que circula pelo sexto andar do edif\u00edcio-sede da RBS, em Porto Alegre (a vers\u00e3o mais pessimista degolava at\u00e9 600 empregos em uma s\u00f3 tesourada). Mas, n\u00e3o foi apenas o tradicional saco de bondades do Bom Velhinho que travou, agora, a lista inoportuna do malvado Galeazzi.<br \/>\nO vazamento do corte iminente, revelado aqui no site do J\u00c1 ( LEIA \u2018Nova tesourada na RBS j\u00e1 tem data\u201d) duas semanas antes do previsto, em uma sexta-feira, 21 de novembro, fez a RBS sustar a sangria planejada para a primeira sexta-feira de dezembro, dia 5.<br \/>\nOutras avalia\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da inconfid\u00eancia do J\u00c1, sustaram no ar a l\u00e2mina afiada da RBS. Al\u00e9m da repercuss\u00e3o negativa da degola iminente vazada na internet, a RBS se assustou com a rea\u00e7\u00e3o inevit\u00e1vel na \u00e1rea legal.<br \/>\nNa quinta-feira 4, v\u00e9spera da demiss\u00e3o em massa, o Sindicato dos Jornalistas protocolou em Porto Alegre den\u00fancia contra a RBS na Superintend\u00eancia Regional do Trabalho e Emprego, vinculada ao Minist\u00e9rio do Trabalho.<br \/>\nO presidente do sindicato, Milton Simas, explicou no of\u00edcio a raz\u00e3o da den\u00fancia: \u201cAs situa\u00e7\u00f5es de demiss\u00f5es imotivadas e terceiriza\u00e7\u00e3o do trabalho de jornalistas, que s\u00e3o coagidos a pedir desligamento da sua fun\u00e7\u00e3o e passam a prestar servi\u00e7o como Pessoa Jur\u00eddica, prejudicando as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas\u201d.<br \/>\nSimas esclareceu no site do sindicato: \u201cO grupo tem promovido uma s\u00e9rie de demiss\u00f5es em seus quadros desde o in\u00edcio do ano. Alguns colegas foram convencidos a se tornarem Pessoa Jur\u00eddica (PJ), mas seguem cumprindo jornada como se ainda fossem empregados. O sindicato n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1rio ao trabalho como pessoa jur\u00eddica, mas \u00e9 contra o artif\u00edcio utilizado pelas empresas para burlar os direitos trabalhistas e precarizar o trabalho do jornalista\u201d.<br \/>\n<figure id=\"attachment_20194\" aria-describedby=\"caption-attachment-20194\" style=\"width: 627px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_selfie.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20194\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_selfie.jpg\" alt=\"O selfie de Zero Hora: sorrisos, alguns amarelos, e o ar preocupado de todos com a campanha \u2018V\u00e1 em Frente\u2019\" width=\"627\" height=\"224\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20194\" class=\"wp-caption-text\">O selfie de Zero Hora: sorrisos, alguns amarelos, e o ar preocupado de todos com a campanha \u2018V\u00e1 em Frente\u2019<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00a0&#8216;Fraudes trabalhistas&#8217;<\/span><br \/>\nDesde agosto passado, quando uma tesourada em massa decapitou 130 funcion\u00e1rios na RBS, o sindicato se movimenta junto ao bra\u00e7o legal que mais inquieta a fam\u00edlia Sirotsky: o ativo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<br \/>\nOs advogados da empresa sabem que tiro fatal vir\u00e1 da \u00c1rea Tem\u00e1tica 3 da legisla\u00e7\u00e3o que trata, sem rodeios, de \u2018Fraudes Trabalhistas\u2019. A lei cita ali, no grupo tem\u00e1tico 3.1, as \u2018fraudes para descaracterizar a rela\u00e7\u00e3o de emprego\u2019.<br \/>\nNo subtema 3.1.6, sob o t\u00edtulo \u2018Desvirtuamento de Pessoa Jur\u00eddica\u2019, a legisla\u00e7\u00e3o praticamente repete as palavras do presidente do sindicato, ao definir em Nota Explicativa um dos problemas centrais da RBS pela \u00f3tica legal: &#8220;O desvirtuamento de Pessoa Jur\u00eddica \u00e9 a conduta baseada na exig\u00eancia de que os trabalhadores constituam uma pessoa jur\u00eddica (empresa) como condi\u00e7\u00e3o para serem contratados&#8221;.<br \/>\nO presidente-executivo da RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, 42 anos, mais conhecido como Duda, decidiu estancar o clima de p\u00e2nico que amea\u00e7ava corroer a empresa, desta vez escolado pela desastrada a\u00e7\u00e3o de agosto passado, quando falou aos funcion\u00e1rios em videoconfer\u00eancia que misturava as esta\u00e7\u00f5es e confundia mais do que explicava. Agora, para acalmar seu p\u00fablico interno, Duda voltou ao ar na ter\u00e7a-feira, 2 de dezembro, apenas tr\u00eas dias antes do temido massacre de sexta 5.<br \/>\nDurante quase uma hora, um Duda mais austero, menos brincalh\u00e3o, mais formal, falou em uma videoconfer\u00eancia que teve um elevado Ibope nos monitores espalhados pelas 53 unidades que comp\u00f5em a RBS \u2014 nas 34 da m\u00eddia tradicional, englobando jornais, r\u00e1dios e TVs, nas 10 do bra\u00e7o digital plugado na e.Bricks e nas 9 do setor definido como &#8216;Outros Neg\u00f3cios&#8217;, onde se vende de tudo, desde classificados de empregos, carros e im\u00f3veis at\u00e9 a entrega de mercadorias, passando por gr\u00e1fica de impressos e folhetos, cursos de educa\u00e7\u00e3o executiva e promo\u00e7\u00e3o de eventos.<br \/>\nDuda come\u00e7ou pelo essencial, para pacificar os esp\u00edritos assombrados pela not\u00edcia do J\u00c1: &#8220;N\u00e3o haver\u00e1 demiss\u00e3o coletiva. A RBS far\u00e1 contrata\u00e7\u00f5es e alguns ajustes pontuais&#8221;. E, pela primeira vez, falou no nome do dem\u00f4nio: &#8220;Tivemos um ano muito dif\u00edcil e, por isso, chamamos o consultor Cl\u00e1udio Galeazzi&#8221;.<br \/>\nProcurou justificar as dificuldades do grupo pela crise do setor: &#8220;Tivemos o mau desempenho que tiveram todas as empresas de comunica\u00e7\u00e3o. Fomos bem na Copa do Mundo e nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, mas n\u00e3o t\u00e3o bem no caixa&#8221;. E, com o cuidado de n\u00e3o falar em vinho ou cerveja, tentou vender otimismo: &#8220;Precisamos nos adequar. Estamos muito animados&#8221;.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A supera\u00e7\u00e3o de 1%<\/span><br \/>\nQuem n\u00e3o est\u00e1 muito animado s\u00e3o os funcion\u00e1rios da RBS. As boas ideias de est\u00edmulo e recompensa profissional criadas pela empresa, e que funcionavam nos bons tempos, n\u00e3o s\u00e3o nada estimulantes em tempos dif\u00edceis, como os confessados por Duda.<br \/>\nO esperado PPR, Plano de Participa\u00e7\u00e3o nos Resultados, chegava a agregar at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios no final do ano \u2014 um pelo Grupo, outro pela Unidade e um terceiro pela Equipe.<br \/>\nExistem vers\u00f5es conflitantes sobre o que vai acontecer com o plano de participa\u00e7\u00e3o. Os c\u00e1lculos financeiros mais otimistas, segundo alguns, previam um \u00fanico PPR, este referente ao Grupo, e ainda assim sem completar um sal\u00e1rio fechado.<br \/>\nO \u00edndice estimado era de 43% de um sal\u00e1rio apenas, para ser fechado em dezembro e pago em janeiro de 2015. Outros informam que os tr\u00eas sal\u00e1rios de PPR usualmente pagos por Zero Hora e Di\u00e1rio Ga\u00facho v\u00e3o cair pela metade, cerca de 1,5 sal\u00e1rio. Dizem uns que o pagamento ser\u00e1 em fevereiro, outros garantem que mudou para mar\u00e7o. Na crise, nada \u00e9 certo.<br \/>\nA RBS adotou, a partir de abril de 2012, um processo de avalia\u00e7\u00e3o individual de desempenho, o SuperA\u00e7\u00e3o 2.0, que segundo a empresa busca &#8220;um m\u00e9todo claro e justo de avalia\u00e7\u00e3o para consolidar a cultura de alto desempenho e meritocracia&#8221;. No seu primeiro ano, 50,7% dos funcion\u00e1rios do grupo foram avaliados trimestralmente pelo m\u00e9todo.<br \/>\nAs notas de supera\u00e7\u00e3o v\u00e3o de zero a cinco, mas os resultados atuais n\u00e3o deixam os funcion\u00e1rios entusiasmados. Em uma empresa onde mais da metade dos 6,5 mil empregados ganha menos de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos, hoje valendo R$ 2.172, uma boa nota do SuperA\u00e7\u00e3o 2.0 pode representar um aumento de 1,1% no rendimento mensal \u2014 uma magra bolada de R$ 23,89.<br \/>\nEm 12 de dezembro passado, uma sexta-feira, Duda Sirotsky produziu um artigo para a Folha de S.Paulo, intitulado &#8220;O futuro a n\u00f3s pertence&#8221; e encharcado de otimismo:<br \/>\n&#8220;Na era do &#8216;eu, m\u00eddia&#8217;, n\u00e3o h\u00e1 mais zona de conforto para a m\u00eddia&#8221;, escreveu o comandante da RBS, compartilhando a inquietude global onde jornal, revista, r\u00e1dio e TV vivem, segundo ele, &#8220;transforma\u00e7\u00f5es radicais, abruptas, disruptivas, desafiadoras&#8221;.<br \/>\nRevela\u00e7\u00e3o de Duda Sirotsky:<br \/>\n[textblock style=&#8221;3&#8243;]<br \/>\n&#8220;Na RBS, tamb\u00e9m estamos inquietos e explorando as novas oportunidades. Depois de investiga\u00e7\u00e3o global, que levou um ano para ser conclu\u00edda e na qual foram entrevistadas mais de 150 personalidades, como Shane Smith, do site Vice News, Vint Cerf, um dos &#8216;pais&#8217; da internet, e Ethan Zuckerman, do Centro de M\u00eddia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos EUA), constru\u00edmos premissas para nos guiar rumo \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o total.<br \/>\nElas s\u00e3o baseadas em princ\u00edpios e demandas do nosso tempo, como autenticidade, credibilidade, transpar\u00eancia, legitimidade, curadoria, relev\u00e2ncia, intera\u00e7\u00e3o, abertura, disponibilidade, compromisso, prop\u00f3sito, intui\u00e7\u00e3o e conveni\u00eancia&#8221;.<br \/>\nContrariando o sentido da fala infeliz de agosto passado, quando manteve um eloquente sil\u00eancio em rela\u00e7\u00e3o a termos como &#8216;jornalismo&#8217; e &#8216;jornalistas&#8217;, Duda agora caprichou na forma e na \u00eanfase de sua convers\u00e3o no artigo para a Folha: &#8220;Na nossa vis\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 futuro sem jornalismo e n\u00e3o h\u00e1 jornalismo sem jornalistas, fundamentais na era da informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\n[\/textblock]<br \/>\n<span class=\"intertit\">O amarel\u00e3o da RBS<\/span><br \/>\nOs n\u00fameros do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul mostram que, no futuro imediato da RBS, o jornalismo da casa tem menos jornalistas, apesar de &#8220;fundamentais na era da informa\u00e7\u00e3o&#8221;.<br \/>\nA impress\u00e3o dominante de que a RBS trocou as demiss\u00f5es em massa por demiss\u00f5es a conta-gotas \u00e9 confirmada pelo quadro consolidado das rescis\u00f5es de contrato firmadas, por obriga\u00e7\u00e3o legal, junto \u00e0 representa\u00e7\u00e3o sindical da categoria.<br \/>\nUma planilha Excel cedida pelo Sindicato ao J\u00c1 mostra que, entre janeiro e novembro de 2014, foram consumadas 233 rescis\u00f5es de jornalistas em Porto Alegre \u2014 91 delas executadas apenas no \u00e2mbito da RBS.<br \/>\nApesar da cren\u00e7a de Duda Sirotsky de que n\u00e3o h\u00e1 futuro sem jornalismo e n\u00e3o h\u00e1 jornalismo sem jornalistas, o grupo que ele dirige \u00e9 respons\u00e1vel por 39% das demiss\u00f5es, quatro em cada 10 profissionais no Rio Grande do Sul s\u00f3 em 2014.<br \/>\nA tesourada mais forte atingiu a Zero Hora, onde 53 pessoas perderam o emprego, quase 60% das 91 demiss\u00f5es do grupo. A segunda maior v\u00edtima foi a \u00e1rea de TV, onde 34 funcion\u00e1rios (mais de 37%) foram decapitados. A primeira execu\u00e7\u00e3o do ano na RBS veio de l\u00e1, da TV Ga\u00facha POA, em 2 de janeiro, quando Hector Guevara Werlang saiu, tendo como causa de afastamento um &#8216;pedido de demiss\u00e3o&#8217;. Ainda segundo a tabela j\u00e1 defasada do sindicato, a \u00faltima execu\u00e7\u00e3o data de 14 de novembro e atingiu o festejado diretor de arte da Zero Hora, Luiz Adolfo Lino de Souza, identificado como &#8216;despedido sem justa causa&#8217;.<br \/>\nA grande maioria dos nomes afastados n\u00e3o tem justa causa, mas mesmo os pedidos de demiss\u00e3o, segundo o Sindicato, n\u00e3o indicam uma op\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, mas uma imposi\u00e7\u00e3o negociada para transformar antigos funcion\u00e1rios, de sal\u00e1rios mais altos, em pessoas jur\u00eddicas, os PJs \u2014 que sugere &#8220;o artif\u00edcio utilizado para burlar os direitos trabalhistas e precarizar o trabalho do jornalista\u201d, conforme a den\u00fancia feita ao Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<br \/>\nA hegemonia da RBS no quadro de demiss\u00f5es de jornalistas no Rio Grande do Sul pode ser percebida visualmente pela marca\u00e7\u00e3o, em amarelo, dos nomes tesourados na empresa em 2014, segundo a planilha do sindicato fornecida ao J\u00c1.<br \/>\nOs nomes sem cor representam empresas menores e casos mais isolados, como Caldas J\u00fanior, r\u00e1dio e TV Gua\u00edba, Grupo Pampa, Jornal do Com\u00e9rcio, Grupo Sinos, Funda\u00e7\u00e3o Cultural Piratini (TVE), sindicatos ou pequenas empresas de m\u00eddia empresarial. O amarel\u00e3o da RBS se v\u00ea abaixo:<br \/>\n<figure id=\"attachment_20189\" aria-describedby=\"caption-attachment-20189\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_amarelo.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20189\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_amarelo.jpg\" alt=\"O amarel\u00e3o da tesoura em 2014 e o futuro sem jornalistas: 4 em cada 10 demitidos no Rio Grande eram da RBS | Fonte\/ Sindicato dos Jornalistas RGS\" width=\"700\" height=\"217\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20189\" class=\"wp-caption-text\">O amarel\u00e3o da tesoura em 2014 e o futuro sem jornalistas: 4 em cada 10 demitidos no Rio Grande eram da RBS | Fonte\/ Sindicato dos Jornalistas RGS<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">\u00c0 beira de um ataque<\/span><br \/>\nOs problemas que azucrinam a vida da RBS no Rio Grande do Sul cruzaram o rio Pelotas e contaminam tamb\u00e9m a RBS de Santa Catarina, onde a empresa possui 15 empresas de m\u00eddia tradicional. S\u00e3o cinco jornais (Di\u00e1rio Catarinense, Hora de Santa Catarina, A Not\u00edcia, Jornal de Santa Catarina e O Sol Di\u00e1rio), oito r\u00e1dios (CBN, Itapema FM em Florian\u00f3polis e Joinville, Atl\u00e2ntida FM em Crici\u00fama, Chapec\u00f3, Blumenau, Joinville e Florian\u00f3polis) e duas TVs (RBS e TVCOM).<br \/>\nS\u00f3 em Florian\u00f3polis, entre a tesourada de agosto e o final de novembro, o Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina contabiliza 18 demiss\u00f5es na RBS. No per\u00edodo, outras nove demiss\u00f5es ocorreram no interior, entre Joinville, Blumenau e Lages. No in\u00edcio de dezembro, o time inteiro da sucursal de Lages do Di\u00e1rio Catarinense ganhou cart\u00e3o vermelho: 11 funcion\u00e1rios, incluindo a faxineira, o motorista, a telefonista e quatro jornalistas. Um diretor sindical lembrou ao J\u00c1: &#8220;Ontem [quarta-feira, 3 de dezembro], homologamos a demiss\u00e3o traum\u00e1tica de uma funcion\u00e1ria da RBS com oito anos e meio de casa. Ela chegou ao sindicato \u00e0 beira de um ataque de nervos. O marido, tamb\u00e9m funcion\u00e1rio da RBS, fora demitido semanas antes. A fam\u00edlia est\u00e1 desamparada&#8230;&#8221;<br \/>\nO departamento jur\u00eddico do sindicato catarinense, como faz sua contraparte ga\u00facha, est\u00e1 entrando com reclamat\u00f3rias trabalhistas na Delegacia Regional do Trabalho e junto ao Minist\u00e9rio do Trabalho, exigindo que a RBS pague aos demitidos a participa\u00e7\u00e3o nos lucros proporcional aos meses em que trabalharam l\u00e1 ajudando a empresa a lucrar. O relato do Sindicato de SC ao J\u00c1 \u00e9 assustador:<br \/>\n[textblock style=&#8221;3&#8243;]<br \/>\n&#8220;V\u00e1rios casos de homologa\u00e7\u00e3o rescis\u00f3ria beiram o estelionato e estamos recomendando aos nossos sindicalizados o caminho da justi\u00e7a. A RBS usa crit\u00e9rios diferentes para situa\u00e7\u00f5es iguais, premiando seus escolhidos com vantagens que negam a outros. Alguns jornalistas demitidos podem ficar sem o seguro m\u00e9dico, enquanto outros o recebem. A empresa submete os jornalistas demitidos a negocia\u00e7\u00f5es individuais, pagando uns de um jeito e outros de outro. Parece coisa sem import\u00e2ncia, mas \u00e9 bem pensada: divide os coleguinhas entre os que nada t\u00eam a reclamar e os que ficam falando sozinhos, carimbados como loucos, reclam\u00f5es, os que pra quem nada serve.<br \/>\nO truque mais velho da RBS \u00e9 o de n\u00e3o pagar o INPC na data-base de 1\u00ba de maio, assim ganhando dinheiro simplesmente com o atraso dos pagamentos devidos. A jogada \u00e9 simples: a RBS leva 10 meses para pagar, alegando que \u00e9 o sindicato que complica as negocia\u00e7\u00f5es. Dizem ser &#8216;extorsiva&#8217; a cl\u00e1usula em que pedimos, por exemplo, o aumento do vale-refei\u00e7\u00e3o de R$ 10 para R$ 12.<br \/>\nCom base nisso, ficam meses sem voltar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o, querendo for\u00e7ar o sindicato a implorar de joelhos a retomada desse estranho &#8216;di\u00e1logo&#8217;. Se voltamos \u00e0 mesa, temos que nos sujeitar apenas \u00e0 oferta de R$ 2 de aumento &#8216;extorsivo&#8217;. Se n\u00e3o voltamos, ficamos mal vistos pela categoria.<br \/>\nA\u00ed, mansamente, no final do ano, antes que a briga pelo aumento v\u00e1 aos tribunais, a RBS abre o cofre e paga o devido. Nesse longo tempo de impasse, a empresa fica com o dinheiro rendendo. \u00c9 poss\u00edvel estimar o que eles ganharam, em 2014, a partir dos 200 empregados que possuem em Santa Catarina.<br \/>\nPelo INPC e aumento real, cada funcion\u00e1rio teria direito a R$ 150 por m\u00eas de aumento cada um, multiplicado por 10 meses, que \u00e9 o tempo b\u00e1sico de espera. Multiplicado pelo n\u00famero de empresas e empregados que a RBS tem aqui, isso passa de R$ 1 milh\u00e3o. Depois de esperarmos desde maio, a RBS anunciou em novembro que pagaria o aumento devido na folha de dezembro&#8221;.<br \/>\n[\/textblock]<br \/>\nOutra esperteza identificada pelo sindicato catarinense \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o de um cargo nas reda\u00e7\u00f5es da RBS chamado de &#8216;assistente de conte\u00fado&#8217;.<br \/>\n\u00c9 uma esp\u00e9cie de limbo, desconhecido na lei trabalhista, que flutua entre o inferno do &#8216;estagi\u00e1rio&#8217; e o purgat\u00f3rio da &#8216;Pessoa Jur\u00eddica&#8217;. O sindicato est\u00e1 ouvindo sigilosamente o depoimento de alguns deles, que carregam todas as obriga\u00e7\u00f5es e nenhum direito de um funcion\u00e1rio legalizado. S\u00e3o estudantes de jornalismo, ainda n\u00e3o formados, que adentram o para\u00edso da reda\u00e7\u00e3o assumindo de forma consciente os riscos da clandestinidade legal:<br \/>\n[textblock style=&#8221;3&#8243;]<br \/>\n&#8220;A gente trabalha oito horas ou mais na reda\u00e7\u00e3o, faz todo o servi\u00e7o de um rep\u00f3rter, apura e escreve, sem o direito de assinar a mat\u00e9ria. Fazemos tudo o que nos exigem, sem poder exigir nada em troca. Basta o &#8216;privil\u00e9gio&#8217; de estar l\u00e1 dentro da reda\u00e7\u00e3o, na condi\u00e7\u00e3o de um subempregado, ganhando menos de R$ 1 mil. Mas, quem vai reclamar? Todo mundo espera uma chance melhor no futuro, mesmo sendo na RBS&#8230;&#8221;, contou ao J\u00c1 um dos assustados &#8216;assistentes de conte\u00fado&#8217; de Santa Catarina.<br \/>\n[\/textblock]<br \/>\n<span class=\"intertit\">ombudsman sob vigil\u00e2ncia<\/span><br \/>\nPor incr\u00edvel que pare\u00e7a, existe uma maneira de frequentar de forma bem-humorada o circo de horrores da RBS. Basta acessar, como fazem reservadamente todo dia os funcion\u00e1rios da casa, o <a href=\"previdi.blogspot.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog do Pr\u00e9vidi<\/a>, que o jornalista Jos\u00e9 Luiz Pr\u00e9vidi, 60 anos, sustenta h\u00e1 12 anos sob um lema inspirador: &#8220;jornalismo de opini\u00e3o com bom humor&#8221;. Carioca de Copacabana, trocou em 1966 a praia do Rio em definitivo pela rua da Praia de Porto Alegre, passando pelas principais reda\u00e7\u00f5es da capital: Di\u00e1rio de Not\u00edcias, Correio do Povo e Zero Hora, onde atuou por tr\u00eas anos na editoria de Pol\u00edtica. Sempre bem humorado e ferino (&#8220;Sou torcedor do Botafogo, no Rio, e do Internacional, aqui. Mas sem fanatismos&#8221;), Pr\u00e9vidi tornou-se uma esp\u00e9cie de ombudsman virtual da RBS, registrando com um prazer incontido as derrapadas e mazelas deste annus horribilis do grupo dos Sirotsky, recortado pela figura de Galeazzi M\u00e3os de Tesoura.<br \/>\nQue ningu\u00e9m despreze o poder corrosivo de Pr\u00e9vidi e suas notas \u00e1cidas. No ano passado, o seu blog registrou uma m\u00e9dia de 800 mil acessos mensais, totalizando quase 9 milh\u00f5es de visitas, a partir de 38 pa\u00edses. Um n\u00famero que deve ser creditado, em boa parte, ao alvo central de suas notas, a pr\u00f3pria RBS, que ele mesmo ironizou em um registro de 2 de dezembro passado:<br \/>\n[textblock style=&#8221;3&#8243;]<br \/>\n&#8220;Os comedores de sucrilhos org\u00e2nico com nescauzinho, os tais &#8216;executivos&#8217; do Grupo RBS, tomaram uma decis\u00e3o do mais alto n\u00edvel!<br \/>\nBrilhantes como sempre, mandaram monitorar pela TI (Tecnologia de Informa\u00e7\u00e3o) todos os funcion\u00e1rios que acessam o Blog do Pr\u00e9vidi. Como diz a minha &#8216;informante&#8217;, a medida \u00e9 para ficarem com medo e n\u00e3o acessarem. Genial! Ter\u00e3o que proibir que os funcion\u00e1rios trabalhem com celular.<br \/>\n[\/textblock]<br \/>\nFoi no blog do Pr\u00e9vidi que se soube, na quinta, 4 de dezembro, que seriam extintos todos os planos de sa\u00fade, incluindo Golden Cross e Unimed, que a RBS concedia como benef\u00edcio aos seus funcion\u00e1rios. &#8220;Todos ser\u00e3o atendidos agora pelo CAF, que \u00e9 um SUS melhorado.<br \/>\nE os &#8216;colaboradores&#8217; ainda v\u00e3o colaborar com descontos em folha de uma parte do valor da consulta&#8221;, complementou Pr\u00e9vidi, nomeando o diretor que deu a not\u00edcia: Deli Matsuo, o vice-presidente de Gest\u00e3o e Pessoas do Grupo RBS, apesar de sua forma\u00e7\u00e3o em engenharia el\u00e9trica e tecnologia de informa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa ter\u00e7a, 9 de dezembro, Pr\u00e9vidi deu outra triste not\u00edcia sobre a Zero Hora, que os leitores da Zero Hora nunca podem ler no jornal: a demiss\u00e3o de Bete Duarte, funcion\u00e1ria da RBS nos \u00faltimos 35 anos e editora h\u00e1 15 anos do caderno de Gastronomia de ZH.<br \/>\n<figure id=\"attachment_20190\" aria-describedby=\"caption-attachment-20190\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_blog_previdi.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20190\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_blog_previdi.jpg\" alt=\"O ombudsman da RBS: \u00e9 preciso ler o Pr\u00e9vidi para saber que Zero Hora demitiu sua editora Bete Duarte | Foto\/ Blog do Ucha \/ Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"700\" height=\"190\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20190\" class=\"wp-caption-text\">O ombudsman da RBS: \u00e9 preciso ler o Pr\u00e9vidi para saber que Zero Hora demitiu sua editora Bete Duarte | Fotos: Blog do Ucha \/ Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">ironia sem gra\u00e7a\u00a0<\/span><br \/>\nA fase da RBS, de fato, n\u00e3o \u00e9 boa. No in\u00edcio do m\u00eas, 48 horas antes do massacre previsto para o dia 5, o grupo lan\u00e7ou uma massiva campanha de incentivo, com filmes nas suas emissoras de TV, spots nas r\u00e1dios e p\u00e1ginas nos jornais.<br \/>\nOs filmetes, produzidos pela ag\u00eancia Dez Propaganda, mostram momentos decisivos na vida dos personagens, quando est\u00e3o prestes a fazer escolhas importantes, como comprar um im\u00f3vel, pedir a namorada em casamento ou saltar de paraquedas.<br \/>\nTudo isso ao som de &#8216;Vida&#8217;, a m\u00fasica composta em 1985 por Ricardo Garay e Carlos Ludwig atendendo a um pedido de Maur\u00edcio Sirotsky Sobrinho, o fundador do grupo, e que se tornou o hino oficial das festas de fim de ano da RBS.<br \/>\nA diretora de Marketing e Comunica\u00e7\u00e3o do grupo, Anik Suzuki, definiu a ideia que estava por tr\u00e1s da campanha: &#8220;Quer\u00edamos uma mensagem de recome\u00e7o, de nova chance, algo que fizesse bem \u00e0s pessoas. Que provocasse nelas entusiasmo, otimismo, senso de urg\u00eancia e coragem para realizar seus projetos, planos e sonhos&#8221;.<br \/>\nS\u00e3o belas inten\u00e7\u00f5es, mas mortamente comprometidas pelo t\u00edtulo infeliz escolhido para definir a campanha: &#8220;V\u00e1 em Frente&#8221;. Com direito ao hashtag #2015V\u00e1EmFrente.<br \/>\nPara uma empresa traumatizada pelo fantasma da crise, o conceito do &#8220;V\u00e1 em Frente&#8221; soa como uma cruel ironia fora de hora ou uma piada sem gra\u00e7a. Nada provoca mais entusiasmo, otimismo, senso de urg\u00eancia e coragem para realizar projetos e sonhos do que preservar empregos e sal\u00e1rios \u2014 valores em crise profunda para os minguantes 6.500 funcion\u00e1rios da RBS.<br \/>\nUma das pe\u00e7as da campanha mostra uma crian\u00e7a saltando nas \u00e1guas serenas de 2015. Outra pe\u00e7a conclama: &#8220;N\u00e3o importa qual o seu objetivo, seu sonho, seus planos: v\u00e1 em frente. Fa\u00e7a acontecer. Voc\u00ea quer estimular algu\u00e9m a tomar uma decis\u00e3o importante? Quer dar aquele empurr\u00e3ozinho que falta?&#8221;.<br \/>\nPara real\u00e7ar a ideia, sob a trilha sonora de &#8216;Vida&#8217;, aparece algu\u00e9m saltando de um avi\u00e3o, ainda sem o paraquedas aberto. Nada define melhor, hoje, o sentimento dos aflitos empregados da RBS, que temem o &#8216;empurr\u00e3ozinho que falta&#8217; e o mergulho sem paraquedas no espa\u00e7o vazio do desemprego, em um territ\u00f3rio in\u00f3spito como o desanimador mercado de trabalho para jornalistas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.<br \/>\n<figure id=\"attachment_20191\" aria-describedby=\"caption-attachment-20191\" style=\"width: 681px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_ironia.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20191\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_ironia.jpg\" alt=\"O empurr\u00e3ozinho que falta e o salto no escuro: o lema  infeliz da campanha da RBS  que sangra com a tesoura\" width=\"681\" height=\"193\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20191\" class=\"wp-caption-text\">O empurr\u00e3ozinho que falta e o salto no escuro: o lema infeliz da campanha da RBS que sangra com a tesoura<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">Vendendo jornal velho<\/span><br \/>\nA crise existencial da RBS n\u00e3o \u00e9 percebida pelo autismo do grupo, que vende de forma obsessiva sua falsa modernidade, mas pode ser entendida pela reflex\u00e3o de quem avalia o cen\u00e1rio com precis\u00e3o longe das p\u00e1ginas de Zero Hora. O jornalista Tiago Lobo, formado pela PUC ga\u00facha, \u00e9 editor da revista digital Pensamento, acaba de publicar um artigo no Observat\u00f3rio da Imprensa\u00a0\u2014 <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/news\/view\/_ed830_o_jornal_e_a_utopia_metropolitana\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O jornal e a utopia metropolitana<\/a>\u00a0\u2014 sobre o jornal dos Sirotsky, onde diz:<br \/>\n[textblock style=&#8221;3&#8243;]<br \/>\n&#8220;Zero Hora\u00a0d\u00e1 aula de como cavar a pr\u00f3pria vala. Suja, rasa, sem l\u00e1pide, para ser enterrada como indigente. E s\u00f3 eles, enquanto negociam vinhos, pirulitos e \u201cneg\u00f3cios digitais\u201d, n\u00e3o se d\u00e3o conta do que perdem. Independente dos motivos, grandes nomes que faziam valer a leitura daquelas p\u00e1ginas mal acabadas foram seguindo seu rumo. Altair Nobre, Alexandre Bach, Chico Amorim, Carlos Wagner, Luiz Adolfo e tantos outros jornalistas competentes que foram saindo ou sofreram a degola das tesouras da RBS, para falar s\u00f3 dos jornais impressos do grupo.<br \/>\nAgora resolveu que o jovem vai salvar o seu neg\u00f3cio. No entanto, sua reforma (apressada, atrapalhada e que causou confus\u00f5es dentro do departamento de diagrama\u00e7\u00e3o) \u00e9 um tiro no p\u00e9 feito dentro de uma sala escura, j\u00e1 que muda a forma de o jornal se relacionar com o seu leitor de uma hora para a outra, indo do cl\u00e1ssico ao desarranjo contempor\u00e2neo e ca\u00f3tico sem avisar. [&#8230;]<br \/>\nJornais de verdade levam, em m\u00e9dia, 10 anos para implantar uma mudan\u00e7a gr\u00e1fica e de linha editorial radical. Isso \u00e9 feito de conta-gotas. O motivo? Simples: respeitar a experi\u00eancia de leitura do p\u00fablico e ir aperfei\u00e7oando detalhes despercebidos durante o processo. Mas\u00a0Zero Hora\u00a0trabalha com o conceito mais est\u00fapido do mundo, em se tratando de papel: tudo \u00e9 beta e para ontem. Tudo pode mudar, at\u00e9 amanh\u00e3. Se n\u00e3o der certo, n\u00e3o tem problema: era beta, mesmo. E deixam isso claro com seu slogan \u201cpapel, digital, o que vier\u201d. Mas se esquecem de que sequer estar\u00e3o de p\u00e9 para encarar \u201co que vier\u201d se continuarem a desconstruir o jornalismo que alegam fazer&#8221;.<br \/>\n[\/textblock]<br \/>\nO implac\u00e1vel Blog do Pr\u00e9vidi garimpou outra preciosidade, que demonstra o surto de ideias infelizes que atropela o bom senso na RBS. Um pequeno an\u00fancio, que serve como calhau, anuncia aos leitores de Zero Hora que &#8220;voc\u00ea pode resgatar o que j\u00e1 foi not\u00edcia&#8221;. E avisa que jornais antigos est\u00e3o \u00e0 venda no arquivo de ZH, de segunda a sexta-feira, no bairro S\u00e3o Jo\u00e3o. \u00c9 bizarro que, diante da crise global para vender jornais do dia, a RBS fa\u00e7a um esfor\u00e7o para vender jornal velho, imprest\u00e1vel at\u00e9 para embrulhar peixe. Em um mundo conectado pela urg\u00eancia da m\u00eddia digital, que tudo informa em bytes e pixels medidos em segundos, \u00e9 v\u00e1lido perguntar quem poderia se interessar por jornais velhos, antigos, de edi\u00e7\u00f5es remotas, amareladas pelo tempo, desbotadas na mem\u00f3ria.<br \/>\n<figure id=\"attachment_20192\" aria-describedby=\"caption-attachment-20192\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_zh.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20192\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_zh.jpg\" alt=\"A Zero Hora, com papel ou digital:  vendendo jornal velho e ainda agasalhando novas m\u00eddias. O que vier...\" width=\"690\" height=\"257\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20192\" class=\"wp-caption-text\">A Zero Hora, com papel ou digital: vendendo jornal velho e ainda agasalhando novas m\u00eddias. O que vier&#8230;<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit\">L\u00edder perde a lideran\u00e7a em casa<\/span><br \/>\nMais do que vender jornal velho, Zero Hora deveria se preocupar em vender jornal novo, a cada dia. N\u00e3o \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo. O IVC (Instituto Verificador de Circula\u00e7\u00e3o) mostra que, entre janeiro e setembro, a ZH perdeu 6,34% de sua circula\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, caindo de 181.772 para 170.243 exemplares. A queda s\u00f3 n\u00e3o foi maior do que a de seu concorrente, Correio do Povo, que despencou 12,67% no per\u00edodo, caindo de 134.998 para 117.891 exemplares di\u00e1rios.<br \/>\nO vexame maior \u00e9 que ZH perdeu o t\u00edtulo de maior jornal do Estado para um imprevisto concorrente da pr\u00f3pria casa, cedendo a lideran\u00e7a para seu primo pobre, o Di\u00e1rio Ga\u00facho, que cresceu 23,19% nos nove primeiros meses de 2014. Vendia 150.214 exemplares di\u00e1rios em janeiro e, em setembro, subiu para 185.055 exemplares. \u00c9 o jornal popular da RBS, dedicado \u00e0s classes C, D e E, com uma linha editorial vulgar que privilegia notas policiais, futebol, fofocas da TV e fotos na capa de mulheres com pouca roupa e muitas curvas. O jornal, al\u00e9m dos vales que publica para serem trocados por panelas, copos, talheres, assadeira de bolo, livros de culin\u00e1ria e outras bugigangas dom\u00e9sticas, tem como atra\u00e7\u00e3o o pre\u00e7o baixo de capa: 75 centavos, tr\u00eas vezes menos do que os R$ 2,50 de Zero Hora.<br \/>\n<figure id=\"attachment_20193\" aria-describedby=\"caption-attachment-20193\" style=\"width: 548px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_diario_gaucho.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20193\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/rbs_tesoura_vai_em_frente_diario_gaucho.jpg\" alt=\"Zero Hora e Di\u00e1rio Ga\u00facho: o maior jornal do RS perde a lideran\u00e7a para o primo pobre\" width=\"548\" height=\"295\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-20193\" class=\"wp-caption-text\">Zero Hora e Di\u00e1rio Ga\u00facho: o maior jornal do RS perde a lideran\u00e7a para o primo pobre<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA vertiginosa ascens\u00e3o do Di\u00e1rio Ga\u00facho, apesar da tesourada que reduziu sua reda\u00e7\u00e3o de 20 para 12 jornalistas, lan\u00e7a d\u00favidas tenebrosas sobre a sa\u00fade dos empregos em Zero Hora. Afinal, a dura pol\u00edtica de cortes de Galeazzi no jornal popular da empresa fez subir sua rentabilidade, com maior tiragem e menores custos, ao contr\u00e1rio do que acontece no jornal-l\u00edder do grupo, menos rent\u00e1vel, com menor circula\u00e7\u00e3o e custos elevados.<br \/>\nAs demiss\u00f5es em massa foram transformadas em degolas pontuais, que persistem e n\u00e3o cessam, embora chamem menos aten\u00e7\u00e3o. Com a perspectiva do tempo, como se v\u00ea no amarel\u00e3o da planilha do sindicato, \u00e9 poss\u00edvel constatar que a estrat\u00e9gia de cortes de Galeazzi continua firme e forte. A navalhada massiva de dezembro foi substitu\u00edda pela tesourada gradual, que deve se prolongar pelo primeiro semestre de 2015, conforme confid\u00eancias vazadas por executivos da RBS.<br \/>\nA lista de meta de demiss\u00f5es na gaveta da diretoria continua oscilando entre 200 e 600 funcion\u00e1rios, nos termos do r\u00edgido plano de &#8216;reestrutura\u00e7\u00e3o&#8217; estabelecido pelo M\u00e3os de Tesoura e n\u00e3o revogado por Duda Sirotsky.<br \/>\n\u00c9 bom lembrar que, em julho de 2015, vence o prazo de dois anos que Cl\u00e1udio Galeazzi se imp\u00f4s para trabalhar no recorte de gastos da RBS. Ele sai, em meados do ano, mas fica na empresa sua doutrina de implac\u00e1vel austeridade. A sensa\u00e7\u00e3o permanente de perigo est\u00e1 eternizada no selfie da crise, o auto-retrato da reda\u00e7\u00e3o de Zero Hora, onde muitos sorriem, outros tantos n\u00e3o, todos apreensivos com o que veio no Ano Velho e com o que vir\u00e1 no Novo Ano.<br \/>\nAfinal, Cl\u00e1udio Galeazzi sai da RBS e vai em frente. E a tesoura que fica, tamb\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Cl\u00e1udio Cunha | Especial para o Jornal J\u00c1 A RBS \u2014 o maior grupo de m\u00eddia do sul do pa\u00eds, a 27\u00aa empresa ga\u00facha no ranking dos Top 100, com oito jornais, oito emissoras de r\u00e1dio e 18 de televis\u00e3o espalhados pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina \u2014 suspendeu a rodada de 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