{"id":20147,"date":"2015-01-02T12:30:29","date_gmt":"2015-01-02T14:30:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20147"},"modified":"2015-01-02T12:30:29","modified_gmt":"2015-01-02T14:30:29","slug":"arrocho-na-economia-comecou-antes-da-posse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/arrocho-na-economia-comecou-antes-da-posse\/","title":{"rendered":"Arrocho na economia come\u00e7ou antes da posse"},"content":{"rendered":"<p>O segundo governo Dilma come\u00e7ou dias antes da posse, quando o ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante, saiu do remanso p\u00f3s-eleitoral para anunciar o fim da farra do seguro-desemprego. Foi o primeiro apito do trem pilotado por Joaquim Levy, o novo ministro da Fazenda.<br \/>\nAo acabar com a liberaliza\u00e7\u00e3o do mecanismo social que permitia aos trabalhadores malandros for\u00e7ar a demiss\u00e3o ap\u00f3s tr\u00eas meses de trabalho e assim ganhar dobrado nos tr\u00eas meses seguintes com a acumula\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio-desemprego + um servi\u00e7o sem carteira assinada, os novos maquinistas do trem Brasil j\u00e1 sinalizaram como ser\u00e1 a viagem nos pr\u00f3ximos tempos.<br \/>\nSe est\u00e1vamos crescendo menos de 1% ao ano, agora provavelmente vamos para uma estagna\u00e7\u00e3o ou, quem sabe, uma recess\u00e3o que pode durar um ano e meio, pelo menos. Boa viagem a todos.<br \/>\n\u00c9 significativo o que aconteceu com o novo sal\u00e1rio m\u00ednimo. At\u00e9 alguns meses, admitia-se que ele seria arredondado para R$ 800. Semanas depois, o arredondamento caiu para R$ 790. Por fim, na hora H, ficou valendo R$ 788.<br \/>\nSegundo o Correio do Povo, apenas com esse enxugamento de 2 mirr\u00e9is, o governo vai fazer uma economia anual de R$ R$ 800 milh\u00f5es. O recado n\u00e3o podia ser mais claro: trabalhadores, aposentados, protejam suas bolsas.<br \/>\nResta saber se um ano e meio \u00e9 prazo suficiente para arrumar a casa nos seguintes aspectos principais: controle da infla\u00e7\u00e3o abaixo de 4,5% ao ano; ajustes nos gastos or\u00e7ament\u00e1rios; e aumento dos investimentos privados em capacidade produtiva e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o que sinaliza reciclagem de pessoal e prov\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios na base da economia.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Luz amarela no cruzamento<\/span><br \/>\nOnde quer que v\u00e1 trabalhar ou descansar ao deixar o governo, o\u00a0 ex-ministro Guido Mantega carrega consigo a mem\u00f3ria da mais longa e criativa gest\u00e3o da economia brasileira.<br \/>\nDe economista para economista, deve ter sido dif\u00edcil para ele explicar ao novo maquinista, o ortodoxo Levy, como e por que fez tal ou qual manobra enquanto o trem precisava atravessar um trecho de neblina sem direito a apitar ou puxar o freio. Seus 100 meses de viagem podem render um comboio de livros. Dificil adivinhar se v\u00e3o compor um relato coerente.<br \/>\nAinda que o ministro da Fazenda n\u00e3o seja o senhor absoluto da economia, \u00e9 ele que det\u00e9m uma das chaves do Tesouro. O problema do ministro das Finan\u00e7as \u00e9 que ele tem interlocutores muito poderosos.<br \/>\nO primeiro e mais imediato \u00e9 um senhor chamado Or\u00e7amento. Pode-se enrol\u00e1-lo aqui e ali, mas \u00e9 melhor n\u00e3o brigar com ele. O segundo \u00e9 a Moeda, que tem vida pr\u00f3pria e gosta de circular no mundo das finan\u00e7as internacionais, embora n\u00e3o tenha cacife para ir \u00e0 mesma boate frequentada pelo D\u00f3lar, o Euro, a Libra.<br \/>\nComo controlar os ricos brasileiros e at\u00e9 as classes m\u00e9dias que adoram Miami e outros centros de compras, lazer e neg\u00f3cios?<br \/>\nPor fim, convenhamos, o principal interlocutor do ministro-todo-poderoso \u00e9 a Presidente, que n\u00e3o \u00e9 de fritar bolinho em pouca banha. Nesse primeiro momento de governo, \u00e9 ponto pac\u00edfico que Levy e Dilma precisam botar ordem na casa, promover os ajustes e melhorar os indicadores.<br \/>\nPodemos acreditar que Levy tem carta branca para promover o chamado choque de gest\u00e3o (prometido pelo candidato que perdeu o trem na \u00faltima esta\u00e7\u00e3o \u2013 em Minas). Pode ser que l\u00e1 por julho de 2016 as coisas j\u00e1 estejam melhores, mas n\u00e3o \u00e9 certo que tudo aconte\u00e7a conforme a previs\u00e3o dos maquinistas \u2013 por bons malabaristas que pare\u00e7am, n\u00e3o s\u00e3o magos.<br \/>\nNem quando o poderoso da Fazenda era Delfim Netto (e todos eram obrigados a lhe dizer am\u00e9m, pois a ditadura era militar) a economia se comportou de acordo com o planejado. O que \u00e9 mais ou menos certo \u00e9 que a coisa tende a ficar mais dif\u00edcil para quem vive de sal\u00e1rio na base da pir\u00e2mide das rendas.<br \/>\n\u00c9 consenso que, se a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 ruim, pior \u00e9 a queda do crescimento econ\u00f4mico abaixo de zero. Preparemo-nos, pois, para os solavancos. Que se percam os colares, mas se salvem os pesco\u00e7os.<br \/>\nPela necessidade do ajuste econ\u00f4mico-financeiro, o pr\u00f3prio governo est\u00e1 obrigado a reduzir seus investimentos em obras p\u00fablicas.<br \/>\nO que devia fazer em dois anos, talvez demore cinco. Teremos uma boa medida da redu\u00e7\u00e3o do novo ritmo governamental em obras como a transposi\u00e7\u00e3o das \u00e1guas do rio S\u00e3o Francisco, que j\u00e1 anda devagar, mesmo constando como prioridade no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento, o famoso PAC; ou a conclus\u00e3o da ponte de Laguna (SC) na BR-101 Sul, cujo prazo de 36 meses acaba em maio de 2015.<br \/>\nOutro indicador do andamento da economia deve ser dado pela Petrobras, que vai reduzir seus investimentos, n\u00e3o apenas por causa da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo de US$ 100 para US$ 70 o barril de 159 litros, mas em consequ\u00eancia do abalo produzido em projetos alcan\u00e7ados pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que descobriu o mar de lama das empreiteiras respons\u00e1veis pelas principais obras p\u00fablicas do pa\u00eds (sem esquecer que nove entre dez estrelas da constru\u00e7\u00e3o pesada brasileira operam em outros pa\u00edses).<br \/>\nAl\u00e9m disso, pela for\u00e7a do mesmo jato, \u00e9 prov\u00e1vel que venha a cair temporariamente o volume de financiamentos do BNDES, que vem girando cerca de R$ 150 bilh\u00f5es por ano. E tamb\u00e9m parece inevit\u00e1vel que se reduza o volume de opera\u00e7\u00f5es da Caixa Econ\u00f4mica Federal no \u00e2mbito do programa Minha Casa, Minha Vida.<br \/>\nPor enquanto, apenas o Banco do Brasil n\u00e3o parece ter sido afetado pelas investiga\u00e7\u00f5es em curso. Ou, seja, pelo menos o Agro e as Exporta\u00e7\u00f5es est\u00e3o a salvo da tempestade.<br \/>\nAbrindo o leque das d\u00favidas e indaga\u00e7\u00f5es, pode-se perguntar como ficar\u00e3o os investimentos da Eletrobr\u00e1s, da Infraero, das For\u00e7as Armadas e de minist\u00e9rios tradicionalmente detentores de grandes or\u00e7amentos, como os de Cidades, Integra\u00e7\u00e3o Nacional e Transportes.<br \/>\nNo m\u00ednimo, todos ser\u00e3o colocados sob r\u00e9dea curta, pelo menos at\u00e9 que a Pol\u00edcia Federal e o Minist\u00e9rio P\u00fablico terminem de encaminhar ao Judici\u00e1rio suas den\u00fancias e descobertas, nos primeiros meses de 2015.<br \/>\nSer\u00e1 o momento de come\u00e7ar a saber quem lavou mais branco, quem levou mais propina e quem delatou mais e melhor. Por mais jato que se ponha na m\u00e1quina judicial, um ano e meio ser\u00e1 pouco tempo para lavar tanto roupa suja.<br \/>\nH\u00e1 quem diga que \u201co pa\u00eds vai parar\u201d com a pris\u00e3o e condena\u00e7\u00e3o dos empreiteiros e seus c\u00famplices na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Quem diz isso duvida que o Brasil possa ser outra coisa al\u00e9m do pa\u00eds do futuro, cujo potencial se esvai pelo ralo da descren\u00e7a e da desesperan\u00e7a a cada novo mandato presidencial.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O segundo governo Dilma come\u00e7ou dias antes da posse, quando o ministro da Casa Civil, Aloisio Mercadante, saiu do remanso p\u00f3s-eleitoral para anunciar o fim da farra do seguro-desemprego. Foi o primeiro apito do trem pilotado por Joaquim Levy, o novo ministro da Fazenda. 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