{"id":20460,"date":"2015-01-30T09:35:35","date_gmt":"2015-01-30T11:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20460"},"modified":"2015-01-30T09:35:35","modified_gmt":"2015-01-30T11:35:35","slug":"maior-crise-da-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/maior-crise-da-informacao\/","title":{"rendered":"Maior crise, a da informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 2001, um c\u00e1lculo do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o estimou em 45 bilh\u00f5es o preju\u00edzo pelo &#8220;apag\u00e3o de FHC&#8221;.<br \/>\nO ex-ministro Delfim Netto chegou a detalhar a conta e constatou que cada brasileiro, al\u00e9m dos transtornos que teve, \u00a0pagou 320 reais .pela imprevid\u00eancia do governo.<br \/>\nO susto levou \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de grandes hidrel\u00e9tricas e a um grande programa de investimentos em usinas t\u00e9rmicas a g\u00e1s, biomassa, carv\u00e3o, \u00f3leo, e\u00f3licas.<br \/>\nEssas provid\u00eancias deram dez anos de situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel em termos de energia no pa\u00eds. Tanto que se apregoou: apag\u00e3o nunca mais.<br \/>\nDez anos depois, o governo foi surpreendido por uma estiagem que esvaziou os reservat\u00f3rios e levou os primeiros sinais da crise \u00e0s popula\u00e7\u00f5es do Sul\/Sudeste.<br \/>\nDesde 2012 a situa\u00e7\u00e3o no ver\u00e3o \u00e9 cr\u00edtica. O abastecimento tem sido garantido pelo funcionamento das t\u00e9rmicas, operando no limite, com altissimo custo.<br \/>\nPrincipalmente no Rio Grande do Sul, ponta do sistema nacional, que depende das hidrel\u00e9tricas da Bacia do Igua\u00e7u, no Paran\u00e1.<br \/>\nEm seu balan\u00e7o de 2012, a usina \u00a0de Barra Grande (da Baesa) registrou vaz\u00f5es abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica do Rio Pelotas de fevereiro at\u00e9 dezembro. Registraram-se os n\u00edveis mais baixos em 82 anos nos meses de abril e maio.<br \/>\nEm fevereiro de 2013, o sistema el\u00e9trico brasileiro entrou em p\u00e2nico com o baixo n\u00edvel dos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas, e o \u00a0minist\u00e9rio da Energia colocou todas as t\u00e9rmicas em prontid\u00e3o.<br \/>\nAt\u00e9 a usina t\u00e9rmica de Uruguaiana, que \u00e9 privada, desativada h\u00e1 cinco anos por falta de combust\u00edvel, foi reativada \u00e0s pressas.<br \/>\nUm acordo binacional teve que ser firmado para que o g\u00e1s comprado pela Petrobr\u00e1s em Trinidad Tobago e transportado em navio em estado l\u00edquido pudesse ser regaseificado em territ\u00f3rio argentino, no terminal de Bahia Blanca e bombeado pelo gasoduto argentino at\u00e9 Uruguaiana.<br \/>\nO custo dessa energia de emerg\u00eancia \u00e9 alto. Dez vezes mais do que a energia mais barata, de origem hidr\u00e1ulica.<br \/>\nTamb\u00e9m entraram em a\u00e7\u00e3o, a alt\u00edssimo custo financeiro e ambiental, \u00a0velhas t\u00e9rmicas a carv\u00e3o, que j\u00e1 deviam estar desativadas. Uma delas tem 60 anos.<br \/>\nE assim tem sido nos tr\u00eas ultimos ver\u00f5es. Mas os brasileiros que se informam pelas corpora\u00e7\u00f5es de m\u00eddia acham que a crise da energia come\u00e7ou agora.<br \/>\nAssim como a crise da \u00e1gua em S\u00e3o Paulo, Rio e Minas.<br \/>\nSim, foram publicadas not\u00edcias e artigos, pontuais, que sumiram na poeira do instantane\u00edsmo que assola as reda\u00e7\u00f5es. Nada perto da import\u00e2ncia que deveriam merecer.<br \/>\nQuero dizer: a imprevid\u00eancia dos governos, qualquer deles, tem muito a ver com o jornalismo que se pratica nas grandes corpora\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas, sedentas por manchetes e sensacionalismo, para mover sua m\u00e1quina de vendas.<br \/>\nEquipes reduzidas, carga de trabalho alta, instantaneidade, superficialidade.<br \/>\nNesse ambiente, o mandamento cl\u00e1ssico do jornalismo &#8211; &#8220;informar o que acontece&#8221; &#8211; vai sendo cada vez mais substitu\u00eddo pelo bord\u00e3o do Chacrinha: &#8220;Vim para confundir, n\u00e3o para explicar&#8221;.<br \/>\nCom a popula\u00e7\u00e3o mal informada, puderam os pol\u00edticos e os governos ir evitando provid\u00eancias que gerariam desgaste (racionamento, por exemplo) mas que seriam importantes, para que n\u00e3o se chegasse ao ponto em que chegamos, de calamidade nacional.<br \/>\nAgora, s\u00f3 resta aguardar que o professor Delfim Netto fa\u00e7a o c\u00e1lculo para saber quanto vai nos custar o &#8220;apag\u00e3o de 2015&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2001, um c\u00e1lculo do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o estimou em 45 bilh\u00f5es o preju\u00edzo pelo &#8220;apag\u00e3o de FHC&#8221;. 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