{"id":20471,"date":"2015-02-04T15:41:07","date_gmt":"2015-02-04T17:41:07","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20471"},"modified":"2015-02-04T15:41:07","modified_gmt":"2015-02-04T17:41:07","slug":"uma-vulgar-impressao-sobre-imprensa-popular-da-rbs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/uma-vulgar-impressao-sobre-imprensa-popular-da-rbs\/","title":{"rendered":"Uma vulgar impress\u00e3o sobre a imprensa &quot;popular&quot; da RBS"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Luiz Cl\u00e1udio Cunha<\/span><br \/>\n<em>Especial para o Blog do Pr\u00e9vidi<\/em><br \/>\nCaro Pr\u00e9vidi,<br \/>\nMeu texto \u201cA tesoura da RBS vai em frente\u201d, publicado originalmente no Jornal J\u00c1 e gentilmente reproduzido em teu blog em 13 de janeiro passado, mereceu tr\u00eas dias depois uma elegante contesta\u00e7\u00e3o do jornalista Roberto Jardim, no trecho que citava o Di\u00e1rio Ga\u00facho, o bra\u00e7o em Porto Alegre da chamada \u2018imprensa popular\u2019 da RBS.<br \/>\nEx-editor de Pol\u00edcia tesourado na safra de cortes do Di\u00e1rio Ga\u00facho, Jardim contesta a informa\u00e7\u00e3o de que a reda\u00e7\u00e3o do DG encolheu na crise de 20 para 12 jornalistas (\u201co n\u00famero inicial em 2000 era entre 35 a 40&#8230; hoje, numa conta pelo alto, devem trabalhar l\u00e1 cerca de 25 jornalistas\u201d, diz) e repudia como \u201cpreconceituosa&#8221; a classifica\u00e7\u00e3o de &#8220;vulgar&#8221; que dei \u00e0 linha editorial do jornal.<br \/>\nPe\u00e7o licen\u00e7a, Pr\u00e9vidi, para fazer minhas observa\u00e7\u00f5es. A saber:<br \/>\n1.Dependendo do momento, das circunst\u00e2ncias e das fontes, os n\u00fameros da crise variam, mas a encrenca continua do mesmo tamanho. Minhas fontes diziam que a reda\u00e7\u00e3o de 20 foi decapitada para 12 rep\u00f3rteres, 60% do total. Jardim corrige a informa\u00e7\u00e3o, esclarecendo que a redu\u00e7\u00e3o foi de 40 para 25 jornalistas, o que representa pouco mais de 62%. Ou seja, d\u00e1 na mesma. Mudam os n\u00fameros absolutos, mas permanece a propor\u00e7\u00e3o assustadora.<br \/>\n2. Consultando rapidamente o site do jornal na internet (http:\/\/diariogaucho.clicrbs.com.br\/rs\/pagina\/quem-e-quem.html), com nomes, fun\u00e7\u00e3o e fotos, \u00e9 poss\u00edvel contar hoje \u2014 por enquanto \u2014 uma reda\u00e7\u00e3o de apenas 26 jornalistas, dos quais somente 10 na fun\u00e7\u00e3o de rep\u00f3rter.\u00a0 L\u00e1 est\u00e3o identificados, por \u00e1rea, dois editores executivos e seus subordinados por editorias: Dia-a-Dia (2 editores, 4 rep\u00f3rteres), Variedades (2 editores, 1 rep\u00f3rter), Pol\u00edcia (2 editores, 2 rep\u00f3rteres), Esportes (1 editor, um colunista, 1 rep\u00f3rter), Opini\u00e3o (1 editorialista), DG On Line (2 rep\u00f3rteres) e Diagrama\u00e7\u00e3o (2 editores, 2 diagramadores, 1 ilustrador).<br \/>\n3. Jardim diz que \u00e9 \u201cuma vis\u00e3o um tanto quanto preconceituosa\u2019 minha avalia\u00e7\u00e3o como \u2018vulgar\u2019 do Di\u00e1rio Ga\u00facho, um jornal que, conforme meu texto, baseia sua linha editorial em \u201cnotas policiais, futebol, fofocas de TV e fotos na capa de mulheres com pouca roupa e muitas curvas\u201d. Jardim lembra feitos marcantes do jornal na \u00e1rea que coordenou, a Editoria de Pol\u00edcia, destacando, entre outros, que o DG foi o primeiro jornal do RS a alertar para os riscos do crack, al\u00e9m de denunciar o \u00edndice crescente de homic\u00eddios na Regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre.<br \/>\n4. N\u00e3o desmere\u00e7o o esfor\u00e7o dos bravos profissionais que suaram, com tanta dificuldade, para realizar um bom trabalho em suas \u00e1reas. Vivo em Bras\u00edlia desde 1980, mas a dist\u00e2ncia n\u00e3o me impede de avaliar que esse n\u00e3o \u00e9 um jornal que atraia minha leitura ou aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem goste. Eu n\u00e3o gosto.<br \/>\n5. Fundado em abril de 2000, o Di\u00e1rio Ga\u00facho representa a rendi\u00e7\u00e3o da RBS ao segmento lucrativo dos jornais populares que tentam capturar clientes, n\u00e3o necessariamente leitores, nas camadas menos exigentes da popula\u00e7\u00e3o de classe C, D e E, geralmente mais interessadas nos brindes de panelas, pratos, copos e kits de cozinha do que na qualidade da informa\u00e7\u00e3o.\u00a0 O fast-food do DG \u00e9 baseado em quatro editorias que resumem seu intrag\u00e1vel card\u00e1pio cal\u00f3rico: Pol\u00edcia, Esportes, Variedades e Esportes. H\u00e1 quem goste. Eu n\u00e3o gosto.<br \/>\n6. Essa f\u00f3rmula vencedora, embrulhada em selos di\u00e1rios que d\u00e3o direito aos brindes, n\u00e3o \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o da RBS. Ela prolifera nos grandes centros do pa\u00eds, como recurso de caixa das grandes empresas para driblar a queda de vendas de seus jornais tradicionais. S\u00e3o di\u00e1rios ditos \u2018populares\u2019, que seduzem seu p\u00fablico mais pelo brilho das bugigangas de cozinha do que pelo conte\u00fado de jornalismo de entretenimento que oferecem.\u00a0 Eles miram consumidores, n\u00e3o leitores.\u00a0\u00a0 N\u00e3o traduzem uma esperta manobra para ampliar o p\u00fablico que consome informa\u00e7\u00e3o, mas refletem uma rendi\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas mais rasteiras de quem busca utilit\u00e1rios dom\u00e9sticos casualmente embrulhados em p\u00e1ginas de rasteiro jornalismo. Todos nivelados pela grife que os identifica na triste mesmice: uma primeira p\u00e1gina feia, visualmente pobre, cheia de fotos ruins e letras garrafais, manchada com cores berrantes e\u00a0 manchetes aberrantes.<br \/>\n7. No in\u00edcio do mil\u00eanio, o campe\u00e3o de tiragem do pa\u00eds, a Folha de S.Paulo, se orgulhava de ser \u2018o terceiro maior jornal do Ocidente\u2019, vendendo um milh\u00e3o de exemplares aos domingos. Hoje n\u00e3o chega a 300 mil exemplares. O maior jornal do Brasil, com 302 mil exemplares, agora \u00e9 o primo mineiro do DG ga\u00facho, o SuperNot\u00edcia, \u00a0de Belo Horizonte, com a mesma f\u00f3rmula vencedora e vendedora de jornalismo vulgar, embalado pelo pre\u00e7o baixo (75 centavos) e muita pol\u00edcia, futebol, fofoca de astros globais e fotos de mo\u00e7as hiper desinibidas em biqu\u00ednis super acanhados. O Agora S\u00e3o Paulo, jornal popular do Grupo Frias, vende 110 mil exemplares, um ter\u00e7o de seu primo rico, a Folha de S.Paulo.\u00a0 O quinto maior di\u00e1rio do Brasil, o Extra, com tiragem de 225 mil exemplares, \u00e9 o lado popular do Grupo Globo, oferecendo o mesmo cesto hipn\u00f3tico de futebol, pol\u00edcia, TV e selos para troca de brindes.<br \/>\n8. Mais do que uma discuss\u00e3o acad\u00eamica sobre o perfil dessa imprensa \u2018popular\u2019, falam mais alto os resultados sonantes da estrat\u00e9gia marqueteira. Tanto que o Di\u00e1rio Ga\u00facho cresce s\u00f3 com a venda em bancas, superando o primo rico da casa, a Zero Hora, que se segura principalmente nas assinaturas. O DG, acusa o IVC (Instituto Verificador de Circula\u00e7\u00e3o) de setembro passado, agora \u00e9 o maior jornal do Rio Grande do Sul: vendeu naquele m\u00eas 185 mil exemplares di\u00e1rios, contra 170 mil da ZH.\u00a0 Como se v\u00ea, h\u00e1 muitos que gostam. Eu n\u00e3o gosto.<br \/>\n9. A pol\u00edtica de resultados poderia justificar este duvidoso exemplo de jornalismo, que n\u00e3o satisfaz um paladar mais apurado. Os n\u00fameros provam que, cada vez mais, h\u00e1 quem goste. Eu n\u00e3o gosto. O sucesso de vendas n\u00e3o exime o DG e seus cong\u00eaneres \u2018populares\u2019 de serem exemplos de um jornalismo vulgar, que traduz exatamente o que penso sobre este tipo de imprensa que mira os sentimentos mais primitivos de um leitor que se move n\u00e3o pela reflex\u00e3o, mas pela rea\u00e7\u00e3o instintiva ao que \u00e9 grotesco, bizarro, espalhafatoso \u2014 ou simplesmente \u2018mundo-c\u00e3o\u2019.<br \/>\n10. \u00c9 uma express\u00e3o inventada na TV pelo apresentador Jacinto Figueira J\u00fanior (1927-2005), criador na TV Globo em 1966 do programa \u2018O Homem do Sapato Branco\u2019, que trazia para o est\u00fadio, ao vivo, brigas constrangedoras de casais e casos repulsivos de pol\u00edcia.\u00a0 Jacinto morreu, mas o estilo sobreviveu e prospera hoje nas grandes redes de TV, gra\u00e7as ao ibope persistente de apresentadores furiosos e mesmerizados como Ratinho (SBT), Jos\u00e9 Luiz Datena e Luiz Bacci (BAND), Marcelo Rezende (Record) e outros menos not\u00f3rios, mas que proliferam aos gritos em todas as manh\u00e3s e tardes nas telinhas truculentas do Pa\u00eds. Traduzem, ecoam, berram sempre uma vis\u00e3o policial e teratol\u00f3gica da realidade, n\u00e3o a preocupa\u00e7\u00e3o social de uma seguran\u00e7a p\u00fablica falida e desarvorada pelas balas perdidas da incompet\u00eancia e da viol\u00eancia. H\u00e1 quem goste. Eu n\u00e3o gosto.<br \/>\n11. Este \u2018mundo-c\u00e3o\u2019, que ajuda a manter a audi\u00eancia na TV, foi adotado pela m\u00eddia impressa na chamada \u2018imprensa popular\u2019 que procura leitores\/consumidores a qualquer (baixo) custo e apelando para qualquer (ordin\u00e1rio) recurso. Ningu\u00e9m deve se sentir ofendido pelos adjetivos que identificam esse jornalismo \u2018mundo-c\u00e3o\u2019 pelo que ele \u00e9 de fato: vulgar, banal, pueril, p\u00edfio, grosseiro, vil, sensacionalista. Essa imprensa n\u00e3o define o car\u00e1ter dos nobres profissionais que ali exercem seu of\u00edcio com dignidade, mas revela a ess\u00eancia da \u00f3tica empresarial que se preocupa mais com a receita e o lucro, e menos com a excel\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o e a qualidade do produto jornal\u00edstico.<br \/>\n12. Roberto Jardim, o ex-editor do Di\u00e1rio Ga\u00facho, defende o miolo do jornal e do projeto, atribuindo sua m\u00e1 imagem apenas \u00e0 primeira p\u00e1gina: \u201cS\u00f3 a capa, que \u00e9 feita para vender, n\u00e3o traduz o bom jornalismo que os profissionais que passaram e ainda est\u00e3o por l\u00e1 fizeram e fazem\u201d. Pois eu n\u00e3o gosto do produto final, j\u00e1 a partir da capa, que traduz o tipo de jornalismo tacanho dessa dita imprensa \u2018popular\u2019. O DG de Porto Alegre tem um irm\u00e3o siam\u00eas em Florian\u00f3polis, o Hora de Santa Catarina, nascido em 2006. Seus 30 mil exemplares, com pre\u00e7o de capa de 1 real, s\u00e3o vendidos nas bancas dos 15 munic\u00edpios da regi\u00e3o metropolitana da capital. Al\u00e9m do pre\u00e7o baixo e dos inevit\u00e1veis brindes de cozinha, o Hora centra fogo no card\u00e1pio que supostamente atende \u00e0 dieta restrita de seu p\u00fablico de renda magra: not\u00edcias de crimes, aventuras amorosas de artistas e famosos, os lances do futebol regional e as fotos de praxe de mulheres com muita sa\u00fade e pouca roupa. \u00c9 mais do mesmo, com a mesma fragilidade, a mesma banalidade, a mesma mediocridade. E h\u00e1, como eu, quem n\u00e3o goste.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong>13. Fabiano Golgo, editor-executivo do Hora de Santa Catarina entre 2012 e 2013, tamb\u00e9m n\u00e3o gosta. Ele leu aqui no Blog do Pr\u00e9vidi a contesta\u00e7\u00e3o de seu ex-colega do DG ao meu texto sobre as vulgaridades do jornal ga\u00facho. E decidiu rebater as observa\u00e7\u00f5es de Jardim, confirmando minha opini\u00e3o e agregando seu importante testemunho sobre o que viu e viveu em Florian\u00f3polis, num texto publicado neste blog em 20 de janeiro passado. Produtor dos programas dos consagrados Fl\u00e1vio Alcaraz Gomes e Mendes Ribeiro na r\u00e1dio e TV Gua\u00edba na d\u00e9cada de 1980, Golgo viajou em 1991 para os Estados Unidos, onde fez est\u00e1gios na CNN, MTV e The New York Times. Mudou-se para a Europa, atuou como correspondente do Jornal do Brasil no Leste Europeu e, a partir de 2000, foi editor, apresentador e comentarista de revistas, r\u00e1dios e emissoras de TV na Rep\u00fablica Tcheca. Dirigiu dois seman\u00e1rios de atualidades em Praga, o Redhot e o Mlada Fronta Plus, antes de assumir em 2005 o Metro, vers\u00e3o local do jornal sueco gratuito que se tornou o di\u00e1rio mais lido da capital tcheca. Voltou ao Brasil em 2012 para assumir o posto de editor-executivo do Hora de Santa Catarina.<br \/>\n14. \u00a0Pelo que contou aqui no Blog do Pr\u00e9vidi, Golgo teve um amargo regresso. \u201cSempre fui hostilizado por n\u00e3o querer entender que o jornal \u00e9 vendido em virtude dos cupons para retirada de panelas e outros produtos de p\u00e9ssima qualidade, trazidos da China por uma empresa terceirizada, e n\u00e3o pelo conte\u00fado, se n\u00e3o levarmos em considera\u00e7\u00e3o o hor\u00f3scopo e o futebol\u201d, escreveu. \u201cEu tentei mostrar que nossos editores &#8211; todos formados em Jornalismo &#8211; poderiam facilmente escrever seus pr\u00f3prios textos sobre os fatos do mundo, nas minguadas p\u00e1ginas do jornal que n\u00e3o eram ocupadas por conselhos sexuais, fotos de beb\u00eas, avisos entre namorados e fotos de buracos que a prefeitura de Florian\u00f3polis deveria consertar. Mas a engessada RBS n\u00e3o gosta de ondas, a n\u00e3o ser que sejam promovidas pelo s\u00e9timo andar da [avenida] \u00c9rico Ver\u00edssimo [sede da RBS em Porto Alegre], por um clubinho fechado de pessoas sem contato com a realidade de seus leitores\u201d.<br \/>\n5. Golgo respondeu diretamente a Jardim: \u201cQuanto \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o do colega que foi demitido pelo Di\u00e1rio Ga\u00facho, eu fui orientado de forma diferente, recebendo a ordem de basear o jornal no esporte, nas amenidades, e n\u00e3o na relev\u00e2ncia de seu conte\u00fado\u201d.\u00a0 Golgo entra de sola na copa e cozinha do jornal: \u201cA verdade era que o t\u00edtulo s\u00f3 vendia mesmo por causa das panelas. Quando cheguei \u00e0 firma, descobri que os chefinhos da parte catarinense vinham escondendo dos chefetes &#8212; tipo Marcelo Rech [diretor executivo de Jornalismo da RBS], da central mantenedora e decis\u00f3ria, ga\u00facha &#8212; o problema das tais panelas. A empresa distribuidora, que encomendava o produto da China, n\u00e3o entregou n\u00famero suficiente de produtos e os leitores portadores de cartelas preenchidas com os colecionados cupons, que saem na capa do jornal, simplesmente n\u00e3o estavam podendo retirar seus sonhados utens\u00edlios de cozinha. E o atraso j\u00e1 se referia a tr\u00eas produtos. H\u00e1 meses, as quatro mo\u00e7as do atendimento ao cliente n\u00e3o davam conta do n\u00famero de liga\u00e7\u00f5es com reclama\u00e7\u00f5es di\u00e1rias. Descobri que toda a reda\u00e7\u00e3o vinha sendo obrigada, a contragosto, a tamb\u00e9m atender esses raivosos leitores, j\u00e1 que as telefonistas n\u00e3o conseguiam atender a todos. Chegavam a ser 180 liga\u00e7\u00f5es por dia\u201d, revelou.<br \/>\n16. Golgo, assim como Jardim, faz pesadas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 primeira p\u00e1gina e sua arma de sedu\u00e7\u00e3o em massa \u2014 as fotos de garotas pretensamente sensuais. &#8220;As mo\u00e7oilas que s\u00e3o obrigat\u00f3rias na capa e na p\u00e1gina central, inevitavelmente de biqu\u00edni e com silicone, me davam muito trabalho, pois, apesar de ter sido Editor-Chefe da Playboy tcheca, em 2002, era muito dif\u00edcil cumprir a ordem do meu superior de escrever nos bal\u00f5es textos &#8216;safadinhos e picantes&#8217; sobre as senhoritas, e de criar mais dois, com o mesmo tom, para a parte interna. Portanto, a vulgaridade \u00e9, sim, elemento de venda do jornal. Eu mesmo, sabendo disso, implantei a chamada quase di\u00e1ria na capa da coluna de sexo, com frases apelativas, tipo &#8216;Por tr\u00e1s sempre d\u00f3i? Esposa conta como aprendeu sexo anal com o amigo do marido&#8217;&#8230;&#8221;, confessa o ex-editor do Hora de Santa Catarina.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n17. Em agosto passado, quando o fio agu\u00e7ado do consultor Cl\u00e1udio M\u00e3os de Tesoura Galeazzi escancarou a dura pol\u00edtica de &#8216;reestrutura\u00e7\u00e3o&#8217; financeira da RBS em crise, ceifando 130 empregos de uma s\u00f3 vez, a empresa tomou uma discreta decis\u00e3o para economizar ainda mais \u00e0 custa dos eleitores menos atentos. Um n\u00facleo de cinco pessoas foi criado na sede da empresa, em Porto Alegre, para fazer o que muitos fazem, no recesso do lar ou na rotina do trabalho: apelar para as teclas do Ctrl+C e Ctrl+V, o prosaico Copiar e Colar. P\u00e1ginas inteiras, das editorias de Mundo ou de TV, eram simplesmente copiadas do jornal principal para o jornal secund\u00e1rio. Isso acontecia da Zero Hora para o Di\u00e1rio Ga\u00facho e do Di\u00e1rio Catarinense para o Hora de Santa Catarina, economizando gente e recursos \u00e0s custas da boa f\u00e9 do leitor, que inocentemente imaginava estar consumindo material exclusivo. Sempre criativa, a RBS deu um nome em c\u00f3digo para esta equipe que copia e cola p\u00e1ginas de um jornal para o outro: &#8216;Projeto LEGO&#8217;, o celebrado jogo de encaixe de pe\u00e7as que permite in\u00fameras combina\u00e7\u00f5es e imagens. A l\u00fadica solu\u00e7\u00e3o da RBS com o &#8216;Projeto LEGO&#8217; define bem o momento empresarial que vive, encaixando p\u00e1ginas mais baratas em jornais ajustados \u00e0s combina\u00e7\u00f5es mais rent\u00e1veis, certos de que os leitores de jornais distintos em Porto Alegre e em Florian\u00f3polis n\u00e3o v\u00e3o perceber o truque. Mas, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que percebe. E que acaba avisando o atento Blog do Pr\u00e9vidi.<br \/>\n18. O ex-editor-executivo do Hora de Santa Catarina, Fabiano Golgo, escancarou a pr\u00e1tica no texto que enviou para este blog, contando: &#8220;Logo de in\u00edcio, contestei o modelo pregui\u00e7oso e inadequado ao p\u00fablico-alvo do jornal, onde praticamente todos os textos do Hora eram vers\u00f5es encurtadas de textos originais do Di\u00e1rio Catarinense ou do Di\u00e1rio Ga\u00facho. Meu mais not\u00f3rio confronto foi em rela\u00e7\u00e3o ao desrespeito ao leitor catarinense pela pr\u00e1tica de se imprimir uma c\u00f3pia da p\u00e1gina central, de fofocas, do Di\u00e1rio Ga\u00facho, um dia mais tarde, no Hora de Santa Catarina. Isso em plena era virtual, onde &#8212; ao inv\u00e9s de ver a chefe da se\u00e7\u00e3o de \u2018Entretenimento\u2019 lendo em papel, no pr\u00f3prio DG, feito no dia anterior, aquilo que ela colocaria na p\u00e1gina mais concorrida do seu di\u00e1rio, no dia seguinte &#8211;, poderia menos pregui\u00e7osamente receber os textos via sistema interno de comunica\u00e7\u00e3o, e oferecer ao leitor um produto mais fresco. Praticamente dois dias de velhice das notinhas sobre idiotices \u2014 tipo o que a Bruna Marquezine disse sobre o Neymar\u00a0 \u2014 era algo que nunca pude aceitar e n\u00e3o me contive em ser insistente, em quase todas as reuni\u00f5es de pauta&#8221;.<br \/>\n19. Golgo foi impiedoso na descri\u00e7\u00e3o que faz das performances do diretor-presidente da RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, o popular Duda, nas reuni\u00f5es internas do grupo: \u201cQuando eu vi o Duda em um palco, dando uma de apresentador, durante um anivers\u00e1rio da empresa, com milhares de funcion\u00e1rios na plateia do Gin\u00e1sio Tesourinha [em Porto Alegre] \u2014 todos com camisetas id\u00eanticas da RBS, e a Reda\u00e7\u00e3o catarinense toda sendo obrigada a colocar os fones de ouvido e assistir a transmiss\u00e3o do evento em seus computadores e pelos televisores espalhados pelas paredes \u2014, me pareceu uma cena com aqueles l\u00edderes comunistas, tipo o romeno Nicolae Ceausescu ou o general polon\u00eas Wojciech Jaruzelski, em frente aos seus Politburos, todos com o mesmo uniforme. Ou aquela propaganda do \u2018Bonita camisa, Fernandinho!\u2019&#8230; A vers\u00e3o S\u00edlvio Santos do Duda foi com\u00e9dia trash. Com carisma zero e problemas t\u00e9cnicos constantes, s\u00f3 n\u00e3o foi pior que suas reuni\u00f5es, direto da Reda\u00e7\u00e3o da Zero Hora, com todo o grupo, para responder \u00e0s perguntas dos funcion\u00e1rios. Nunca vi uma pergunta sequer que n\u00e3o fosse sobre sal\u00e1rios ou benef\u00edcios. O interesse pelo Jornalismo com J mai\u00fasculo ou ideias sobre adapta\u00e7\u00e3o ao novo panorama midi\u00e1tico n\u00e3o faz parte do DNA da \u00a0firma. A RBS leva os funcion\u00e1rios a fazer apenas o que s\u00e3o obrigados, recolhendo seus minguados sal\u00e1rios no final do m\u00eas e rezando \u00a0para sobreviver aos potenciais cortes anuais\u201d, condena Golgo.<br \/>\n20. Os cortes, agora, s\u00e3o mais frequentes. S\u00e3o mensais, para diluir o impacto do ajuste implac\u00e1vel que tesoura empregos e sal\u00e1rios. O Sindicato dos Jornalistas tem informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o confirmadas ainda, de um acordo entre a RBS e a Delegacia Regional do Trabalho para que as traum\u00e1ticas demiss\u00f5es em massa sejam parceladas em doses homeop\u00e1ticas, reduzidas, semanais. Na primeira planilha de 2015, a de janeiro, o Sindicato ga\u00facho registra cinco demiss\u00f5es da RBS entre as 17 anotadas no m\u00eas. E avisa que outras quatro demiss\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o agendadas pela RBS para fevereiro, na previs\u00e3o feita em 30 de janeiro \u2013 e que sempre pode piorar.<br \/>\n21. A RBS tenta enganar a crise do jornalismo com a solu\u00e7\u00e3o mais rasteira e med\u00edocre: demitindo jornalistas.\u00a0 De forma massiva ou em doses pequenas para disfar\u00e7ar o estrago, a dura tesourada nos custos imposta \u00e0 RBS pelo M\u00e9todo Galeazzi acaba turvando a vis\u00e3o de profissionais experientes, cada vez mais confusos e sacrificados pela crise de qualidade que compromete, a cada dia, o jornalismo praticado pela empresa dos Sirotsky em suas diferentes plataformas. Para quem duvida, basta acompanhar a cr\u00f4nica de horrores que o Blog do Pr\u00e9vidi registra todo santo dia, anotando erros, descuidos, deslizes, derrapadas nas informa\u00e7\u00f5es e trombadas no vern\u00e1culo dos sites, blog, colunas, editorias e manchetes produzidas pela RBS nos jornais, r\u00e1dios e TVs do grupo. \u00c9 uma safra inacredit\u00e1vel de mancadas, muitas delas c\u00f4micas, que refletem amadorismo, pressa e inexperi\u00eancia. S\u00e3o filhos diretos da pol\u00edtica de cortes e ajustes que sacrificam os empregos, a experi\u00eancia e a qualidade de reda\u00e7\u00f5es e equipes adolescentes subjugadas pela rigidez cont\u00e1bil e tacanha de executivos de resultados, sem quaisquer compromisso com o jornalismo.<br \/>\n22. Os diretores e funcion\u00e1rios mais graduados do cl\u00e3 Sirotsky ainda tentam justificar tais equ\u00edvocos, defendendo o acerto de projetos indigentes como os dos jornais ditos \u2018populares\u2019, que se explicam justamente pela pobreza \u2013 editorial, material, visual e \u00e9tica. Um dos executivos da RBS chegou a comparar, para mim, os dois jornais da casa em Porto Alegre: \u201cO Di\u00e1rio Ga\u00facho \u00e9 e sempre foi um jornal melhor resolvido com o seu leitor do que a Zero Hora em rela\u00e7\u00e3o ao dela. \u00c9 um outro mundo, que a gente n\u00e3o entende e n\u00e3o vive. Por isso temos que ter cuidado com as an\u00e1lises sobre sua suposta vulgaridade&#8230;\u201d Esta frase coloca uma quest\u00e3o intrigante. Se o jornalismo dito \u2018popular\u2019 da RBS \u201c\u00e9 um outro mundo, que a gente n\u00e3o entende\u201d, como se ousa fazer um jornal para um mundo que estes jornalistas n\u00e3o entendem e n\u00e3o vivem? Quem concedeu a empres\u00e1rios \u201cdeste mundo\u201d a franquia para esta irrespons\u00e1vel aventura interplanet\u00e1ria que invade mundos estranhos com jornais de baixa qualidade produzidos por alien\u00edgenas que n\u00e3o entendem e n\u00e3o vivem o mundo de seus ignotos leitores? Essa \u00e9 a grande, a obscena vulgaridade dessa impiedosa jogada empresarial que cava e escava leitores nos grot\u00f5es da periferia, \u00e0 custa de panelas chinesas de segunda e do mundo-c\u00e3o de terceira categoria.<br \/>\n23. A RBS conseguiu, afinal, cair no fundo do po\u00e7o da vulgaridade, virando r\u00e9 de um in\u00e9dito inqu\u00e9rito civil instaurado contra ela, no dia 27 de janeiro passado, pela Procuradoria Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, que abrange o Rio Grande do Sul. O processo de n\u00famero quilom\u00e9trico, 0000177-85.2011.5.04.0019, oriundo da 19\u00aa Vara do Trabalho de Porto Alegre, com oito volumes e exatas 1.511 folhas,\u00a0 evidentemente n\u00e3o foi revelado ao povo ga\u00facho pelo mais importante jornal do Estado, a Zero Hora. \u00a0A not\u00edcia foi um \u2018furo\u2019 deste bravo Blog do Pr\u00e9vidi, que noticiou este fato espantoso no dia seguinte \u00e0 decis\u00e3o da Procuradoria do Trabalho, j\u00e1 na quarta-feira, 28 de janeiro. Ali est\u00e1 escrito que a RBS responde, nos termos da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, pelo item 03.01.06 do c\u00f3digo, que trata expressamente do \u2018Desvirtuamento de Pessoa Jur\u00eddica\u2019, truque que os sindicatos costumam denunciar como \u2018precariza\u00e7\u00e3o do trabalho\u2019. Na den\u00fancia da Procuradoria do Trabalho, est\u00e1 escrito que a RBS virou r\u00e9 por \u201cdesvirtuamento da rela\u00e7\u00e3o de emprego pela determina\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o de pessoa jur\u00eddica por trabalhadora cujas atividades eram prestadas de forma habitual e com subordina\u00e7\u00e3o, estando vinculadas \u00e0s necessidades essenciais da tomadora do servi\u00e7o\u201d.<br \/>\n24.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O maior constrangimento p\u00fablico e legal vivido pela RBS em sua hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 produto de uma desaven\u00e7a com nenhum jornalista importante ou conhecido. O piv\u00f4 do processo \u00e9 uma discreta senhora de 52 anos, com apenas 221 amigos na sua p\u00e1gina do Facebook, natural de Porto Alegre, que nem passou por uma reda\u00e7\u00e3o nem pelo of\u00edcio de jornalista. Sonyara Thiele, identificada no processo como a \u2018reclamante principal\u2019, \u00e9 formada em qu\u00edmica pela PUC de Porto Alegre, onde ingressou em 1988.\u00a0 Trabalhando no Banrisul, especializou-se em inform\u00e1tica e em programa\u00e7\u00e3o de computador.<br \/>\n25.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 1998, conta Sonyara, ela foi chamada pela RBS para trabalhar no sistema de computa\u00e7\u00e3o que administrava a entrega e a distribui\u00e7\u00e3o pelo Estado das edi\u00e7\u00f5es de Zero Hora. \u201cEu nem era contratada, nem tinha carteira, nem sal\u00e1rio. Eu ganhava por hora trabalhada. Mas tinha chefe, tinha hor\u00e1rio de trabalho e viajava muito. Cheguei a ser mandada para Santa Catarina, para implantar o mesmo sistema no Di\u00e1rio Catarinense e no A Not\u00edcia, o jornal da RBS em Joinville. At\u00e9 que um dia, em 1999, me pediram que eu abrisse uma empresa. Criei ent\u00e3o a Thiele Inform\u00e1tica. Apesar disso, me contrataram como pessoa f\u00edsica, reduzindo pela metade o que eu ganhava. Algu\u00e9m do departamento jur\u00eddico me disse que eu representava um passivo trabalhista muito grande\u201d, lembrou Sonyara ao telefone, nesta ter\u00e7a-feira.<br \/>\n26. A situa\u00e7\u00e3o de Sonyara virou um inferno em meados de dezembro de 2010, quando ela testemunhou na Justi\u00e7a do Trabalho em favor de uma colega de servi\u00e7o. Seu emprego sobreviveu apenas algumas horas. \u201cFui demitida dois dias depois. \u2018Voc\u00ea n\u00e3o ficaria aqui nem que fosse a melhor funcion\u00e1ria de todas. Voc\u00ea n\u00e3o vestiu a camiseta da RBS, ao testemunhar contra a empresa\u2019, reclamaram. Eu fiquei muito abalada, foi a primeira e \u00fanica demiss\u00e3o da minha vida\u201d. Em fevereiro de 2011, Sonyara entrou na Justi\u00e7a contra a RBS, reclamando seus direitos trabalhistas, v\u00ednculo empregat\u00edcio, sal\u00e1rios perdidos, f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio, al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais pela retalia\u00e7\u00e3o ao seu testemunho na Justi\u00e7a.<br \/>\n27. Sonyara, hoje \u00e0 frente de uma loja de artesanato em tecidos na avenida Juca Batista\u00a0\u00a0 \u2014 a \u2018Maria Ant\u00f4nia Patchwork e Bonecos\u2019 \u2014, ministra ali cursos de bordados, cartonagem, bonecos, tric\u00f4 e croch\u00ea. Entretida no mundo sereno e entretecido dos artes\u00e3os, Sonyara ficou surpresa com o desfecho retumbante de um processo trabalhista que capengava h\u00e1 anos na Justi\u00e7a. Ela foi alertada pelo marido sobre o nome e sobrenome da procuradora do Trabalho que ele nunca viu: uma certa Paula Rousseff Ara\u00fajo, filha de um ex-guerrilheiro e advogado, Carlos Ara\u00fajo, e de uma ex-guerrilheira e atual presidente da Rep\u00fablica, Dilma Rousseff. Mentes mais criativas da c\u00fapula dos Sirotsky viram na a\u00e7\u00e3o inesperada da procuradora Paula uma atravessada retalia\u00e7\u00e3o contra a RBS pela suposta linha de oposi\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica de Zero Hora ao governo de sua m\u00e3e. Um Sirotsky mais esperto poderia imaginar, tamb\u00e9m, que \u00e9 apenas a a\u00e7\u00e3o natural de uma diligente procuradora do Trabalho, chamada Rousseff, que cumpre sua obriga\u00e7\u00e3o funcional independente de ser ou n\u00e3o filha da presidente da Rep\u00fablica.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n28. O processo em que a RBS \u00e9 r\u00e9 em inqu\u00e9rito civil aberto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho revela que h\u00e1 na empresa dos Sirotsty quem\u00a0 goste do \u201cdesvirtuamento da rela\u00e7\u00e3o de emprego\u201d. A procuradora Paula Rousseff n\u00e3o gosta.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\ncunha.luizclaudio@gmail.com<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiz Cl\u00e1udio Cunha Especial para o Blog do Pr\u00e9vidi Caro Pr\u00e9vidi, Meu texto \u201cA tesoura da RBS vai em frente\u201d, publicado originalmente no Jornal J\u00c1 e gentilmente reproduzido em teu blog em 13 de janeiro passado, mereceu tr\u00eas dias depois uma elegante contesta\u00e7\u00e3o do jornalista Roberto Jardim, no trecho que citava o Di\u00e1rio Ga\u00facho, o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-20471","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 4.9.10 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"robots\" content=\"max-image-preview:large\" \/>\n\t<meta name=\"author\" content=\"da Reda\u00e7\u00e3o\"\/>\n\t<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/uma-vulgar-impressao-sobre-imprensa-popular-da-rbs\/\" \/>\n\t<meta name=\"generator\" content=\"All in One SEO (AIOSEO) 4.9.10\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:site_name\" content=\"Arquivo | Jornal J\u00c1 | Porto Alegre\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n\t\t<meta property=\"og:title\" content=\"Uma vulgar impress\u00e3o sobre a imprensa &quot;popular&quot; 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