{"id":20545,"date":"2015-02-24T22:43:02","date_gmt":"2015-02-25T00:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20545"},"modified":"2015-02-24T22:43:02","modified_gmt":"2015-02-25T00:43:02","slug":"hidrovia-do-mercosul-pode-entrar-no-pac-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/hidrovia-do-mercosul-pode-entrar-no-pac-iii\/","title":{"rendered":"Hidrovia do Mercosul pode entrar no PAC III"},"content":{"rendered":"<p>O projeto est\u00e1 pronto, os investimentos detalhados, as licen\u00e7as ambientais est\u00e3o encaminhadas.<br \/>\nOs t\u00e9cnicos agora est\u00e3o\u00a0 buscando apoio pol\u00edtico para incluir no PAC III a sonhada <a href=\"http:\/\/www.dnit.gov.br\/hidrovias\/hidrovias-interiores\/hidrovia-do-mercosul\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hidrovia do Mercosul<\/a>. O PAC III \u00e9 o novo pacote de investimentos em infraestrutura que o governo federal est\u00e1 gestando.<br \/>\nA hidrovia \u00e9 um projeto de\u00a0 20 anos, faz parte de um acordo entre os governos brasileiro e uruguaio.<br \/>\nVai ligar o centro produtivo do Rio Grande do Sul aos portos de Rio Grande e Montevid\u00e9o, numa extens\u00e3o de 1.800 quil\u00f4metros de vias naveg\u00e1veis.<br \/>\nO\u00a0 porto de Estrela (foto), no rio Taquari, \u00e9 o ponto estrat\u00e9gico deste projeto. Est\u00e1 situado num entroncamento onde se ligam importantes rodovias e ferrovias que ligam as regi\u00f5es de onde sai a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do Estado.<br \/>\n<span class=\"intertit\"><span class=\"intermenos\">\u00a0<\/span>Estrela, um porto abandonado<\/span><br \/>\nInaugurado em 1977 pelo general Adalberto Pereira dos Santos, vice-presidente da Rep\u00fablica, o porto fluvial de Estrela brilhou inicialmente como o maior entroncamento rodo-hidro-ferroviario do Sul do Brasil.<br \/>\nEm opera\u00e7\u00f5es sustentadas por caminh\u00f5es e trens, ali eram carregadas barca\u00e7as de soja para o porto de Rio Grande. O recorde de movimenta\u00e7\u00e3o chegou a 1,3 milh\u00e3o de toneladas em 1987.<br \/>\nDepois daquele pico, a maior parte das ind\u00fastrias\u00a0de soja se transferiu para junto do porto de Rio Grande, esvaziando Estrela e Lajeado, a cidade do outro lado do rio Taquari.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Movimento diminui a cada ano<\/span><br \/>\nAl\u00e9m de ter perdido a maior parte de suas cargas, o porto n\u00e3o cresce porque, mesmo sendo alvo permanente de dragagens para a retirada de cascalho, seixos e p\u00e9s-de-moleque, passa a maior parte do ano com baixo calado, desanimando tanto os donos de cargas quanto os armadores de navios.<br \/>\nAl\u00e9m disso, pesa-lhe a baixa conex\u00e3o com a ferrovia ALL, que prefere concentrar seus vag\u00f5es em trechos mais lucrativos.<br \/>\nDevido ao baixo movimento naval, o pessoal do porto,\u00a0reduzido a 17 pessoas, tem tempo de manter uma bela horta nos fundos da reparti\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuando pinta opera\u00e7\u00e3o de carga ou descarga, o porto faz mutir\u00e3o com m\u00e3o-de-obra contratada na cidade.<br \/>\nQuem v\u00ea o cais quase sempre vazio n\u00e3o imagina que esse simp\u00e1tico porto fluvial tenha maquin\u00e1rio capaz de movimentar 600 toneladas por hora.<br \/>\nEm abril\u00a0 de 2013, um acidente com o navio Trevo Azul chamou aten\u00e7\u00e3o para as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o no rio Taquari, entre o Porto de Estrela e o cais de Porto Alegre.<br \/>\nO casco do navio quase se rompeu no choque com os cascalhos no leito raso do rio.<br \/>\nResultado: em 2014, apenas cinco embarca\u00e7\u00f5es \u2013 afora chatas carregadas de areia \u2013 realizaram o trajeto entre Estrela e a capital ga\u00facha.<br \/>\nA \u00faltima empresa a desistir de transportar mercadorias pela hidrovia do Taquari, a Navega\u00e7\u00e3o Alian\u00e7a desistiu de seguir \u201carriscando\u201d.<br \/>\nForam s\u00f3 tr\u00eas viagens at\u00e9 Estrela em 2014.<br \/>\nO diretor operacional da empresa, \u00c1tico Scherer, <a href=\"http:\/\/www.jornalahora.inf.br\/?oxi=lerNoticia&amp;noticiaId=2758&amp;jid=682\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">declarou \u00e0 imprensa<\/a>: \u201cN\u00e3o estamos mais fechando contratos para buscar carga no Porto de Estrela. \u00c9 muito arriscado\u201d.<br \/>\nSegundo Scherer, o \u00faltimo frete realizado levou cerca de 2,4 mil toneladas de fertilizantes, menos da metade da capacidade do navio, por causa dos bancos de areia. \u201cCom pouca carga, o transporte naval fica caro\u201d.<br \/>\nA empresa opera na hidrovia desde 1980. Em \u00e9pocas de intensa atividade, costumava fazer entre seis e sete viagens por semana.<br \/>\nA m\u00e9dia era de 40 mil toneladas transportadas a cada 30 dias. Em 2014 n\u00e3o atingiu 25% desse montante. \u201cEstrela conta com um dos melhores portos do Brasil, e ele est\u00e1 cada vez mais abandonado. \u00c9 desanimador.\u201d<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cSem pai e nem m\u00e3e\u201d<\/span><br \/>\nQuando assumiu no in\u00edcio de 2014, o superintendente da Administra\u00e7\u00e3o das Hidrovias do Sul (AHSul\/Dnit), El\u00f3i Spohr, disse que o Porto de Estrela estava \u201csem pai e nem m\u00e3e\u201d, apesar da qualidade da estrutura. Ligado\u00a0 \u00e0 Secretaria dos Portos (SEP), era administrado pela Docas do Maranh\u00e3o, uma empresa privada .<br \/>\nSpohr advertia\u00a0 no entanto que, sem um real envolvimento da iniciativa privada e de gestores municipais, nada aconteceria. Nada aconteceu.<br \/>\nNo in\u00edcio do ano passado o governo do <a href=\"http:\/\/www.rs.gov.br\/conteudo\/201739\/estado-passa-a-administrar-o-porto-de-estrela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Estado chegou assumir o porto<\/a>, disposto a revitaliz\u00e1-lo. Penso em criar uma empresa p\u00fablica para administr\u00e1-lo, mas n\u00e3o teve tempo de fazer nada. Agora o governo <a href=\"http:\/\/www.jornalahora.inf.br\/?oxi=lerNoticia&amp;noticiaId=3406&amp;jid=852\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sartori faz gest\u00f5es para devolver o porto<\/a> de Estrela \u00e0 Uni\u00e3o.<br \/>\nNo ano passado, executivos da Terminal Multiusos do Beato, grupo portugu\u00eas, acenaram com a inten\u00e7\u00e3o de investir R$ 300 milh\u00f5es na reestrutura\u00e7\u00e3o do local. As negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7aram.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Projeto est\u00e1 or\u00e7ado em R$ 270\u00a0 milh\u00f5es<\/span><br \/>\nUm \u201ccorredor multimodal\u201d, interligando o Porto de Estrela aos portos de Montevid\u00e9u e Rio Grande, \u00e9 um projeto de mais de 20 anos, que j\u00e1 perdeu o cr\u00e9dito junto aos empres\u00e1ros do setor naval.<br \/>\nAgora, mesmo com o entusiasmo aque suscita, n\u00e3o sair\u00e1 do papel antes do segundo semestre de 2015. Se sair.<br \/>\nAnunciado no in\u00edcio do ano passado, o Estudo de Viabilidade T\u00e9cnica, Econ\u00f4mica e Ambiental (EVTA) foi entregue em novembro de 2014.<br \/>\nCustou cerca de R$ 5 milh\u00f5es, e apontou as principais necessidades de investimentos. Os projetos executivos est\u00e3o prontos. Faltam os licenciamentos ambientais do Ibama e da Fepam para iniciar as licita\u00e7\u00f5es.<br \/>\nO estudo aponta falta de dragagem cont\u00ednua, sinaliza\u00e7\u00e3o e necessidade de balizamento como as principais car\u00eancias do trecho.<br \/>\nAltera\u00e7\u00f5es nos limites da eclusa de Bom Retiro do Sul tamb\u00e9m devem ocorrer a partir do pr\u00f3ximo ano. Permitir\u00e3o elevar em 50 cent\u00edmetros o calado, que hoje \u00e9 de 2,50 metros.<br \/>\nH\u00e1 discrep\u00e2ncias entre os valores anunciados para implementar o novo corredor. Em 2009, a ent\u00e3o ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciava cerca de R$ 240 milh\u00f5es em investimentos provenientes do PAC II. Em 2012, o an\u00fancio era de R$ 270 milh\u00f5es. No in\u00edcio do ano passado, o valor baixou para R$ 217 milh\u00f5es.<br \/>\nApontada como prioridade dentro do Plano Nacional de Log\u00edsticas e Transportes entre os anos de 2008 e 2011, a hidrovia deve abranger a Bacia da Lagoa Mirim, da Lagoa dos Patos, do Lago Gua\u00edba, os rios Jacu\u00ed, Taquari, Sinos, Gravata\u00ed, Camaqu\u00e3, Jaguar\u00e3o, Uruguai e Ibicu\u00ed. No lado uruguaio, o projeto inclui ainda os rios Cebollat\u00ed e Tacuary.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Detalhes do Porto<\/span><br \/>\nA estrutura est\u00e1 constru\u00edda em uma \u00e1rea de 49 hectares, com capacidade para movimentar at\u00e9 tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas por ano.<br \/>\nTem acesso pelo Rio Taquari, e os terminais t\u00eam conex\u00f5es pelos modais rodovi\u00e1rio e ferrovi\u00e1rio. O cais de acostagem tem 585 metros de extens\u00e3o e disp\u00f5e de seis ber\u00e7os, sendo tr\u00eas para opera\u00e7\u00f5es de embarque e tr\u00eas para desembarque.<br \/>\nConta ainda com dois armaz\u00e9ns graneleiros. Um para 13 mil toneladas e outro para 37 mil toneladas de capacidade est\u00e1tica, e um silo vertical de 40 mil toneladas. Para carga geral, o armaz\u00e9m dispon\u00edvel tem 2,26 mil metros quadrados. A estrutura foi constru\u00edda entre 1975 e 1977, quando houve a inaugura\u00e7\u00e3o oficial.<br \/>\n<span class=\"intertit\">\u201cSEM COMPROMETIMENTO DE TODAS AS PARTES, HIDROVIA N\u00c3O FUNCIONA\u201d<\/span><br \/>\n<em>(da revista J\u00c1, maio de 2014)<\/em> &#8211; \u201cEu vivo dizendo que as cargas existem e as hidrovias est\u00e3o a\u00ed, mas s\u00f3 poderemos\u00a0\u00a0junt\u00e1-las se houver um real comprometimento das partes envolvidas: os donos das cargas, os donos dos barcos, os operadores dos portos e a ferrovia\u201d. A frase, entre otimista e desanimada, \u00e9 de Jos\u00e9 Luiz Azambuja, diretor da Administra\u00e7\u00e3o das Hidrovias do Sul (AHSul), respons\u00e1vel\u00a0\u00a0pela Hidrovia do Mercosul, que liga (mais na teoria do que na pr\u00e1tica) o porto de Estrela \u00e0 por\u00e7\u00e3o uruguaia da Lagoa Mirim.<br \/>\nRemanescente da Portobr\u00e1s, extinta em 1990, a AHSul permanece vinculada ao Minist\u00e9rio dos Transportes, embora devesse fazer parte da Secretaria Especial dos Portos. Essa situa\u00e7\u00e3o administrativa an\u00f4mala se agrava quando se recorda que a AHSul cuida da p\u00f3los menos operativos do sistema hidrovi\u00e1rio ga\u00facho. Com tr\u00eas eclusas, o rio Jacu\u00ed \u00e9 movimentado apenas por barcos de areia, lazer e pesca, todos de pequeno porte. Com uma eclusa e o calado de 2,50 metros (o mesmo do Jacu\u00ed), o rio Taquari raramente recebe navios, mesmo oferecendo um porto bem equipado em Estrela, munic\u00edpio bem servido por rodovia federal (BR-277) e ferrovia operada pela Am\u00e9rica Latina Log\u00edstica. Na Lagoa Mirim, navegam apenas pequenas embarca\u00e7\u00f5es de lazer ou pesca.<br \/>\nMais movimentado, com calado de 5,20 m e os cais mais extensos do pa\u00eds, o porto de Porto Alegre \u00e9 administrado pela Superintend\u00eancia de Portos e Hidrovias, estatal ga\u00facha que tem tamb\u00e9m a concess\u00e3o do porto de Pelotas, praticamente inviabilizado pela proximidade (60 km) do porto de Rio Grande, cujo calado se mant\u00e9m acima de 16 metros, atraindo grandes navios transoce\u00e2nicos.<br \/>\nO rico porto de Rio Grande, que caminha para se tornar o maior do Mercosul, tem administra\u00e7\u00e3o exclusiva, mais voltada para a navega\u00e7\u00e3o internacional do que para a\u00a0\u00a0interior. No total, os portos e as hidrovias ga\u00fachos s\u00e3o explorados por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que se olham atravessado, pois s\u00e3o absolutamente desiguais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O projeto est\u00e1 pronto, os investimentos detalhados, as licen\u00e7as ambientais est\u00e3o encaminhadas. Os t\u00e9cnicos agora est\u00e3o\u00a0 buscando apoio pol\u00edtico para incluir no PAC III a sonhada Hidrovia do Mercosul. O PAC III \u00e9 o novo pacote de investimentos em infraestrutura que o governo federal est\u00e1 gestando. 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