{"id":20693,"date":"2015-03-04T14:08:43","date_gmt":"2015-03-04T16:08:43","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=20693"},"modified":"2015-03-04T14:08:43","modified_gmt":"2015-03-04T16:08:43","slug":"quem-tem-medo-do-swissleaks","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/quem-tem-medo-do-swissleaks\/","title":{"rendered":"Quem tem medo do SwissLeaks?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">RANDOLFE RODRIGUES*<\/span><br \/>\nApesar do evidente interesse p\u00fablico de um assunto t\u00e3o pol\u00eamico e bilion\u00e1rio, a pauta do &#8216;SwissLeaks&#8217; vaza na imprensa brasileira pelo esfor\u00e7o quase solit\u00e1rio de blogs e blogueiros desvinculados da grande m\u00eddia.<br \/>\nO HSBC \u00e9 um gigante do mercando financeiro mundial, com 254 mil funcion\u00e1rios em 6.200 escrit\u00f3rios e ag\u00eancias em 129 pa\u00edses, somando mais de 52 milh\u00f5es de clientes no mundo inteiro.<br \/>\nNo ranking de 2014 da revista inglesa The Banker, o HSBC, com sede em Londres, aparece como a segunda marca banc\u00e1ria mais valiosa do mundo, no valor de quase 27 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nUm poderio que se manifesta tamb\u00e9m no Brasil, onde o banco assumiu as opera\u00e7\u00f5es do antigo Bamerindus. Com sede em Curitiba, o HSBC opera em 565 munic\u00edpios brasileiros com 933 ag\u00eancias, al\u00e9m de quase 500 postos de atendimento banc\u00e1rios e mais de 5 mil caixas autom\u00e1ticos, com uma carteira de 3 milh\u00f5es de clientes individuais e outros 320 mil como empresas.<br \/>\nNuma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande, um passo em falso se transforma em desastre.<br \/>\nO desastre virou um esc\u00e2ndalo planet\u00e1rio no in\u00edcio de fevereiro passado, quando o HSBC virou protagonista, na defini\u00e7\u00e3o do jornal londrino The Sunday Times, da \u201cmaior evas\u00e3o de impostos da Hist\u00f3ria\u201d. A not\u00edcia tem como fonte original um especialista em inform\u00e1tica do HSBC, o franco-italiano Herv\u00e9 Falciani, hoje com 43 anos, que o banco havia transferido de M\u00f4naco para sua filial su\u00ed\u00e7a em Genebra. L\u00e1, ele descobriu o m\u00e9todo criminoso que ele definiu assim para a revista alem\u00e3 Der Spiegel: \u201cBancos como o HSBC criaram um sistema para enriquecer \u00e0s expensas da sociedade, atrav\u00e9s da assist\u00eancia para evas\u00e3o de impostos e lavagem de dinheiro\u201d.<br \/>\nProcurado pela pol\u00edcia su\u00ed\u00e7a como \u201cladr\u00e3o de dados banc\u00e1rios\u201d, Falciani fugiu para a Fran\u00e7a em 2008 carregando uma bagagem explosiva: 600 arquivos com mais de 100 GB (gigabytes) de 60 mil documentos de 2006 e 2007 contendo os dados banc\u00e1rios de 106 mil clientes abonados de 203 pa\u00edses, operando uma fortuna de 204 bilh\u00f5es de d\u00f3lares atrav\u00e9s de 20 mil empresas off-shore ancoradas em para\u00edsos fiscais e numa discreta rede de conex\u00f5es financeiras internacionais.<br \/>\nEspecialistas da Dire\u00e7\u00e3o Nacional de Investiga\u00e7\u00f5es Tribut\u00e1rias da Fran\u00e7a come\u00e7aram a decifrar os dados codificados fornecidos por Falciani, depois compartilhados com autoridades do Reino Unido, It\u00e1lia, Espanha, B\u00e9lgica e Gr\u00e9cia. Em 2012, Falciani dep\u00f4s ante um subcomit\u00ea de investiga\u00e7\u00e3o do Senado dos Estados Unidos, mais preocupado com a eventual ramifica\u00e7\u00e3o da lavagem de dinheiro com o terrorismo. A investiga\u00e7\u00e3o do Congresso s\u00f3 n\u00e3o evoluiu porque, em julho de 2013, o HSBC aceitou pagar uma multa de 1,9 bilh\u00e3o de d\u00f3lares para n\u00e3o ser levado a ju\u00edzo nos Estados Unidos pela acusa\u00e7\u00e3o de lavar dinheiro para os cart\u00e9is latino-americanos das drogas.<br \/>\nAt\u00e9 que os arquivos explosivos de Falciani chegaram \u00e0s m\u00e3os do mais importante jornal da Fran\u00e7a, o Le Monde.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O BRASIL NO TOPO<\/span><br \/>\nA dimens\u00e3o planet\u00e1ria da den\u00fancia sobre o HSBC era t\u00e3o massiva que levou o jornal Le Monde a abrir m\u00e3o da exclusividade do material de Falciani e pedir ajuda na investiga\u00e7\u00e3o ao Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos \u2013 ICIJ, na sigla em ingl\u00eas \u2013, uma rede global de 185 profissionais de investiga\u00e7\u00e3o espalhados por 65 pa\u00edses. Conclu\u00eddo o trabalho, o material foi repassado pelo ICIJ a grandes jornalistas de jornais importantes do mundo inteiro.<br \/>\nE o que isso tudo tem a ver com o Brasil? Tem tudo a ver.<br \/>\nA den\u00fancia contra o HSBC mostrou o Brasil no topo da cadeia criminosa. Na lista revelada por Falciani, est\u00e3o 8.667 brasileiros que respondem por 6.606 contas que movimentaram ou depositaram ali, entre 2006 e 2007, cerca de 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<br \/>\nEm n\u00famero de clientes endinheirados do HSBC, o Brasil ocupa um destacado quarto lugar, superado apenas pela Su\u00ed\u00e7a (11.235 nomes), Fran\u00e7a (9.187) e quase empatado com o Reino Unido (8,844). Em volume de dinheiro depositado, o Brasil conseguiu sua vaga no Top Ten do ranking: \u00e9 o nono colocado, acima de pot\u00eancias de milion\u00e1rios como Ar\u00e1bia Saudita (11\u00ba lugar) e de not\u00f3rios para\u00edsos fiscais como Ilhas Cayman (15\u00ba), Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas (17\u00ba), Luxemburgo (24\u00ba), Liechtenstein (27\u00ba) e Jersey (34\u00ba).<br \/>\nEm reais, isso representa uma quantia equivalente a 20 bilh\u00f5es de reais, exatamente o que o governo Dilma Rousseff pretende arrecadar com o pacote de maldades que resume o ajuste fiscal desenhado pelo ortodoxo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.<br \/>\nO conte\u00fado dos documentos do HSBC ganhou as manchetes e os espa\u00e7os da grande imprensa no mundo, sob a grife de \u201cSwissLeaks\u201d.<br \/>\nO Le Monde, durante dois dias seguidos, dedicou vinte p\u00e1ginas para o assunto. O esc\u00e2ndalo ganhou a primeira p\u00e1gina de jornais importantes como o Financial Times, na Inglaterra, e o The New York Times, nos Estados Unidos. Herv\u00e9 Falciani, o piv\u00f4 da den\u00fancia, ganhou a capa da revista L\u2019Express, o mais importante seman\u00e1rio franc\u00eas, como \u201cO homem que faz tremer o planeta\u201d.<br \/>\nNo Brasil, estranhamente, o \u201cSwissLeaks\u201d do HSBC mereceu um estridente sil\u00eancio da grande imprensa. Apesar do volume de dinheiro envolvendo brasileiros, que rivaliza com as falcatruas descobertas pela Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, o assunto ficou pendurado em notas modestas, quase envergonhadas, penduradas em lugares discretos da primeira p\u00e1gina ou escondidas nas p\u00e1ginas internas.<br \/>\n<span class=\"intertit\">NOTA SECA<\/span><br \/>\nApesar do evidente interesse p\u00fablico de um assunto t\u00e3o pol\u00eamico e bilion\u00e1rio, a pauta do \u201cSwissLeaks\u201d vaza na imprensa brasileira pelo esfor\u00e7o quase solit\u00e1rio de blogs e blogueiros desvinculados da grande m\u00eddia. Blogs como Megacidadania e O Cafezinho, sites como Brasil247 e Di\u00e1rio do Centro do Mundo ou blogueiros como Miguel do Ros\u00e1rio e Lu\u00eds Nassif vasculham e revelam dados que n\u00e3o se v\u00ea, nem se l\u00ea nos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNa ter\u00e7a-feira (17\/2), o site Jornal GGN, de Nassif, repassou uma informa\u00e7\u00e3o de um jornalista de Hong Kong, na China, que conseguiu descobrir os nomes e endere\u00e7os de 93 contas da lista do HSBC relacionadas a brasileiros. Uma ninharia perto dos quase 9 mil brasileiros que fazem parte desta listagem ainda in\u00e9dita.<br \/>\nPara milh\u00f5es de brasileiros, o Jornal Nacional, da Rede Globo, ainda \u00e9 a \u00fanica, talvez a mais importante fonte de acesso \u00e0s not\u00edcias do pa\u00eds e do mundo. No s\u00e1bado (21), o procurador-geral da Rep\u00fablica, Rodrigo Janot, anunciou que o HSBC entrou em sua al\u00e7a de mira. Esta decis\u00e3o mereceu do JN daquela noite uma nota seca, de apenas tr\u00eas frases e 59 palavras, lidas em 25 segundos pela apresentadora do telejornal, sem qualquer imagem:<br \/>\n\u201cA Procuradoria Geral da Rep\u00fablica abriu investiga\u00e7\u00e3o para apurar se brasileiros mandaram dinheiro ilegalmente para a Su\u00ed\u00e7a, no caso que ficou conhecido como SwissLeaks. De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Jornalistas (sic), o banco HSBC teria ajudado clientes a esconder bilh\u00f5es de d\u00f3lares entre 2006 e 2007. Entre os investigados est\u00e3o acusados da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d.<br \/>\nE mais n\u00e3o disse, nem mostrou o Jornal Nacional.<br \/>\nNesse imenso cone de sil\u00eancio sobre quest\u00e3o t\u00e3o grave, \u00e9 ainda mais surpreendente que uma lista t\u00e3o importante seja de conhecimento de um \u00fanico jornalista brasileiro, Fernando Rodrigues, do portal UOL. Membro no Brasil do ICIJ, que espalhou a lista pelo mundo, Rodrigues \u00e9 um renomado profissional, vencedor por quatro vezes do mais importante trof\u00e9u da imprensa nacional, o Pr\u00eamio Esso \u2013 um sobre a compra\u00a0de votos para a emenda da reelei\u00e7\u00e3o inaugurada por Fernando Henrique Cardoso, outro sobre a cria\u00e7\u00e3o do banco de dados \u201cControle P\u00fablico\u201d, com a declara\u00e7\u00e3o de bens de seis mil pol\u00edticos brasileiros. O UOL \u00e9 o portal de maior conte\u00fado da l\u00edngua portuguesa no mundo, com mais de 1.000 canais de not\u00edcias e sete milh\u00f5es de p\u00e1ginas com quase sete bilh\u00f5es de acessos a cada m\u00eas.<br \/>\nApesar dessas honrosas credenciais, o jornalista e o portal n\u00e3o revelam a \u00edntegra da lista com os nomes de brasileiros. Apenas 11 nomes do HSBC, todos ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras investigada pela Lava Jato, foram apontados. A pol\u00edtica editorial que explica esta revela\u00e7\u00e3o seletiva foi assim justificada pelo exclusivo detentor da lista brasileira: \u201cA lista completa nunca ser\u00e1 publicada? N\u00e3o, pois seria uma invas\u00e3o de privacidade indevida no caso de pessoas que podem ter aberto contas no exterior de boa f\u00e9, respeitando a lei e pagando impostos. O ICIJ vai publicar algum dia todas as informa\u00e7\u00f5es? N\u00e3o\u201d, antecipa Rodrigues, frustrando quem imaginava ver luz sobre este breu financeiro.<br \/>\n<span class=\"intertit\">A HISTORIA DOS AN\u00d4NIMOS<\/span><br \/>\nO jornalista adianta, sem dar nomes, que h\u00e1 uma minoria de pessoas conhecidas \u2013 empres\u00e1rios, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais \u2013 e garante que a imensa maioria dos brasileiros da lista do HSBC \u00e9 \u201cdesconhecida do grande p\u00fablico\u201d. Seria gente an\u00f4nima, portanto.<br \/>\n\u00c9 bom lembrar que pessoas an\u00f4nimas tamb\u00e9m fazem hist\u00f3ria. No passado recente, dois an\u00f4nimos, desconhecidos do grande p\u00fablico, vieram \u00e0 luz para mudar o destino e a biografia de pessoas importantes de nossa Rep\u00fablica.<br \/>\nO motorista Eriberto foi crucial no desfecho das investiga\u00e7\u00f5es que levaram ao impeachment do presidente Fernando Collor. O caseiro Francenildo foi decisivo no caso que culminou com a demiss\u00e3o do ministro da Fazenda, Ant\u00f4nio Palocci.<br \/>\nO jornalista Fernando Rodrigues avisou na quinta-feira (12\/2), sem esclarecer, que \u201cuma fra\u00e7\u00e3o m\u00ednima de nomes sobre os quais h\u00e1 alguma suspeita foi mostrada ao governo, de maneira reservada\u201d. No dia seguinte, sexta, Rodrigues foi um pouco mais claro: ele forneceu em novembro passado, sob \u201cRESERVA\u201d, uma amostra de 342 nomes de nomes de brasileiros do HSBC ao Conselho de Atividades Financeiras (COAF), \u00f3rg\u00e3o vinculado ao Minist\u00e9rio da Fazenda. O COAF respondeu que apenas 15 daqueles nomes indicavam poss\u00edvel atividade criminosa, como corrup\u00e7\u00e3o, tr\u00e1fico de drogas e crimes fiscais.<br \/>\nO pa\u00eds continua sem saber quem s\u00e3o os 15 nomes suspeitos, ou os 342 da amostra, ou os 8.667 nomes da lista brasileira integral.<br \/>\nEste caso do HSBC \u00e9 importante demais para ficar restrito \u00e0 decis\u00e3o pessoal, privativa, seletiva, monocr\u00e1tica de um \u00fanico jornalista, de um s\u00f3 blog, de apenas um ve\u00edculo poderoso da internet.<br \/>\nO dinheiro sonegado e subtra\u00eddo ao Brasil e aos brasileiros n\u00e3o pode ser envolvido pelo segredo, pelo sigilo, pela impunidade que todos combatemos.<br \/>\nEm 2010, os super-ricos brasileiros somavam cerca de US$ 520 bilh\u00f5es em para\u00edsos fiscais, segundo um estudo feito por James Henry, ex-economista-chefe da Consultoria McKinsey, e encomendado pela Tax Justice Network. O estudo cruzou dados do Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais, do FMI, do Banco Mundial e de governos nacionais.<br \/>\nA taxa de sonega\u00e7\u00e3o nacional, segundo o Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), atingiu R$ 415 bilh\u00f5es em 2013, cerca de 10% do PIB brasileiro, a soma de todas as riquezas produzidas pelos brasileiros honestos.<br \/>\nNada disso foi publicado nos nossos grandes ve\u00edculos da m\u00eddia. Saiu num pequeno blog de nome sugestivo \u2013 Limpinho &amp; Cheirosinho \u2013 e com um slogan veemente: \u201cA gente resiste, insiste e n\u00e3o desiste\u201d.<br \/>\nQuero ser leal a este lema inspirador: n\u00e3o vou desistir e vou insistir na revela\u00e7\u00e3o integral dos nomes desses 8 mil brasileiros, justa ou injustamente envolvidos com a den\u00fancia sobre a maior evas\u00e3o de impostos da Hist\u00f3ria.<br \/>\nEstou requerendo \u00e0s autoridades do meu Pa\u00eds as informa\u00e7\u00f5es que todos n\u00f3s, brasileiros, merecemos e ainda n\u00e3o recebemos.<br \/>\nAo Minist\u00e9rio da Fazenda, a quem est\u00e1 subordinada a Receita Federal, e ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, a quem se reporta a Pol\u00edcia Federal, estou solicitando informa\u00e7\u00f5es sobre os nomes e as condutas il\u00edcitas supostamente imputadas aos brasileiros do HSBC.<br \/>\nQueremos saber quais as provid\u00eancias e medidas tomadas no \u00e2mbito do Governo Federal para dar ao Pa\u00eds a satisfa\u00e7\u00e3o que exige a opini\u00e3o p\u00fablica brasileira.<br \/>\n<span class=\"intertit\">O DEVER DOS JORNAIS<\/span><br \/>\nMas, quero ir al\u00e9m destes requerimentos. Na condi\u00e7\u00e3o de Senador da Rep\u00fablica e de cidad\u00e3o brasileiro, quero fazer um apelo p\u00fablico aos jornalistas e aos empres\u00e1rios de comunica\u00e7\u00e3o, para que se unam a n\u00f3s em defesa da livre express\u00e3o e da absoluta transpar\u00eancia num caso de repercuss\u00e3o internacional que, para os brasileiros, ainda aparece nebuloso, pouco informado e nada claro.<br \/>\nConclamo aqui os jornalistas e os empres\u00e1rios da m\u00eddia, patr\u00f5es e empregados \u2013 reunidos em torno da FENAJ (Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornalistas) e da ANJ (Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Jornais), da ABI (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa) e ABERT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de R\u00e1dio e Televis\u00e3o), que defendem juntos a livre informa\u00e7\u00e3o e combatem qualquer tipo de censura \u2013, para que juntem seus esfor\u00e7os e emprestem seu prest\u00edgio para quebrar este cone de sil\u00eancio que paira sobre a lista de brasileiros passiveis de investiga\u00e7\u00e3o nos arquivos do HSBC.<br \/>\n\u00c9 um apelo que estendo ao jornalista Fernando Rodrigues, ao portal UOL e ao ICIJ (Cons\u00f3rcio Internacional de Jornalistas Investigativos), na pessoa de seu diretor-geral, Gerard Ryle, a quem estarei me dirigindo formalmente, via internet.<br \/>\n\u00c9 oportuno, aqui, repetir as palavras candentes de um dos mais importantes jornalistas brit\u00e2nico, Peter Oborne, o veterano comentarista-chefe de pol\u00edtica do jornal conservador Daily Telegraph, que se demitiu publicamente de seu posto na semana passada, esclarecendo logo na primeira frase: \u201cA cobertura do HSBC no Telegraph \u00e9 fraudulenta com seus leitores\u201d. As palavras a seguir de Peter Oborne devem servir de inspira\u00e7\u00e3o para todos n\u00f3s, pol\u00edticos e jornalistas, que acreditamos na livre express\u00e3o e na transpar\u00eancia como primados de uma sociedade democr\u00e1tica:<br \/>\n<em>Ensina Oborne:<\/em><br \/>\n\u201cUma imprensa livre \u00e9 essencial para uma democracia saud\u00e1vel. H\u00e1 um prop\u00f3sito no jornalismo, \u00e9 n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 entreter. N\u00e3o deve ceder ao poder pol\u00edtico, grandes corpora\u00e7\u00f5es e homens ricos. Os jornais t\u00eam o que no final das contas \u00e9 um dever constitucional de dizer a seus leitores a verdade\u201d.<br \/>\nQue assim seja!<br \/>\n<strong>*Randolfe Rodrigues \u00e9 senador (PCdoB)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RANDOLFE RODRIGUES* Apesar do evidente interesse p\u00fablico de um assunto t\u00e3o pol\u00eamico e bilion\u00e1rio, a pauta do &#8216;SwissLeaks&#8217; vaza na imprensa brasileira pelo esfor\u00e7o quase solit\u00e1rio de blogs e blogueiros desvinculados da grande m\u00eddia. 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