{"id":21121,"date":"2015-03-23T23:21:22","date_gmt":"2015-03-24T01:21:22","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=21121"},"modified":"2015-03-23T23:21:22","modified_gmt":"2015-03-24T01:21:22","slug":"chananeco-o-primeiro-voluntario-da-patria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/chananeco-o-primeiro-voluntario-da-patria\/","title":{"rendered":"Chananeco, o primeiro volunt\u00e1rio da p\u00e1tria"},"content":{"rendered":"<p>Diz uma lenda vigente no centro do Rio Grande do Sul que no ver\u00e3o de 1864 um pe\u00e3o conhecido por Chananeco tocava uma carreta carregada de cal de Ca\u00e7apava do Sul para S\u00e3o Gabriel.<br \/>\nIa tranquilo quando foi alcan\u00e7ado por um destacamento militar que lhe pediu informa\u00e7\u00f5es sobre o melhor caminho para Uruguaiana.<br \/>\nChananeco deu a dica e perguntou \u2013 mas por que tanto soldado cruzando o pampa? Soube ent\u00e3o que o ditador paraguaio Solano Lopez havia atacado S\u00e3o Borja, dando in\u00edcio a uma nova guerra.<br \/>\nChananeco n\u00e3o teve d\u00favida: desajojou a junta de bois e, escorando a carreta ali mesmo, incorporou-se \u00e0 caravana guerreira que rumava ao rio Uruguai.<br \/>\nFoi talvez o primeiro e mais aut\u00eantico \u201cvolunt\u00e1rio da p\u00e1tria\u201d. Os bois&#8230;voltaram sozinhos para a quer\u00eancia, presume-se; e a carreta ficou ali mesmo, sendo devorada pelo tempo, dela s\u00f3 restando um vest\u00edgio no caminho: a carga de cal dilu\u00edda no ch\u00e3o ainda era vis\u00edvel nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, muitos anos depois do desaparecimento do carreteiro lend\u00e1rio.<br \/>\nChananeco era o apelido de um pe\u00e3o chamado Vasco Antonio da Fontoura, nascido entre 1820 e 1826 na localidade de Cerrito do Ouro, hoje munic\u00edpio de S\u00e3o Sep\u00e9 e perto de Ca\u00e7apava.<br \/>\nHavia participado do final da Guerra dos Farrapos como alferes da cavalaria do General Netto. Tamb\u00e9m participou da invas\u00e3o do Uruguai em 1848 e da campanha contra Oribe e Rosas por volta de 1850.<br \/>\nNa Guerra do Paraguai (1865-1870) entrou como tenente e voltou coronel, peito cheio de medalhas por bravura. Destacou-se como chefe de uma vanguarda de cavalaria escalada para miss\u00f5es arriscadas.<br \/>\nDe todas se safou com brio invulgar, recebendo elogios por escrito de todos os principais comandantes, desde Os\u00f3rio at\u00e9 Caxias e o Conde d\u2019Eu.<br \/>\nNuma ocasi\u00e3o, a ordem do dia do comandante chegou a lamentar seu desaparecimento, mas no dia seguinte l\u00e1 estava ele s\u00e3o e salvo de volta ao acampamento com seu grupo de guerreiros a cavalo.<br \/>\nApesar de constar em livros como her\u00f3i em v\u00e1rias batalhas no Paraguai, Chananeco foi esquecido pelos historiadores brasileiros.<br \/>\nTalvez por ser um peleador, sem cabe\u00e7a para o comando \u2013 como Bento Gon\u00e7alves ou Davi Canabarro \u2013, os intelectuais n\u00e3o lhe deram import\u00e2ncia.<br \/>\nOu contribu\u00edram para refor\u00e7ar aspectos rom\u00e2nticos da sua biografia, enriquecida por causos passados pela voz do povo.<br \/>\nSegundo outra lenda, em plena campanha do Paraguai, Chananeco teria pedido ao general Os\u00f3rio para voltar a ser capit\u00e3o, pois n\u00e3o estava gostando da fun\u00e7\u00e3o de major da intend\u00eancia, um posto burocr\u00e1tico. Queria lutar.<br \/>\nComo um certo capit\u00e3o Rodrigo, ele gostava de pelear<br \/>\nTudo isso \u00e9 veross\u00edmil, mas depois de 150 anos n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: ningu\u00e9m chegou mais perto do verdadeiro Chananeco do que o advogado e historiador ca\u00e7apavano Cesar Pires Machado em seu <a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/chananeco-da-lenda-para-a-historia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">livro \u201cChananeco da Lenda para a Hist\u00f3ria\u201d<\/a>.<br \/>\nLan\u00e7ado em 2008 por J\u00e1 Editores, esse livro de 226 p\u00e1ginas repassa os principais momentos da Guerra do Paraguai no af\u00e3 de recuperar o perfil do carreteiro valente do Cerrito do Ouro.<br \/>\nMembro do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul, Cesar Pires Machado n\u00e3o valida as lendas em torno de Chananeco, mas reconhece que ele foi um guerreiro de extraordin\u00e1ria valentia, podendo-se concluir que rivaliza na hist\u00f3ria ga\u00facha com comandantes como Sep\u00e9 Tiaraju e Moringue, entre outros.<br \/>\nEntre fatos e lendas, vasculhando min\u00facias aparentemente sem import\u00e2ncia, Cesar Pires Machado refaz a hist\u00f3ria da vida de um ga\u00facho esquecido pela Hist\u00f3ria.<br \/>\n\u00c9 evidente que Chananeco foi um t\u00e1tico, n\u00e3o um estrategista. Por isso e por n\u00e3o ser dado a leituras, n\u00e3o passou de coronel. Seria como um certo capit\u00e3o Rodrigo Cambar\u00e1, personagem de Erico Verissimo em O Tempo e o Vento. E chegad\u00edssimo em corridas de cavalo, a grande divers\u00e3o dos ga\u00fachos da campanha.<br \/>\nDepois que voltou da guerra, Chananeco teve at\u00e9 um bolicho de campanha que lhe servia como ponto para amarrar carreiras e contratar carreteadas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz uma lenda vigente no centro do Rio Grande do Sul que no ver\u00e3o de 1864 um pe\u00e3o conhecido por Chananeco tocava uma carreta carregada de cal de Ca\u00e7apava do Sul para S\u00e3o Gabriel. Ia tranquilo quando foi alcan\u00e7ado por um destacamento militar que lhe pediu informa\u00e7\u00f5es sobre o melhor caminho para Uruguaiana. 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