{"id":21476,"date":"2015-04-16T19:23:11","date_gmt":"2015-04-16T22:23:11","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=21476"},"modified":"2020-04-19T23:19:07","modified_gmt":"2020-04-20T02:19:07","slug":"procura-se-o-matador-de-vivian-morta-a-148-passos-de-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/procura-se-o-matador-de-vivian-morta-a-148-passos-de-casa\/","title":{"rendered":"Procura-se o matador de Vivian, morta a 148 passos de casa"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Renan Antunes de Oliveira<\/span><br \/>\nA pol\u00edcia de Santa Catarina tem quatro suspeitos pelo estupro e assassinato da universit\u00e1ria Vivian Lais Philippi, 17, ocorrido a um quarteir\u00e3o de casa, em I\u00e7ara, Santa Catarina, em 4 de mar\u00e7o &#8211; faz mais de um m\u00eas, mas d\u00f3i todo dia pros pais e irm\u00e3os.<\/p>\n<p>As autoridades aguardam resultados de testes de DNA com material gen\u00e9tico encontrado sob as unhas dela &#8211; o legista atestou que ela arranhou o agressor e lutou bastante at\u00e9 ser subjugada, asfixiada e morta.<\/p>\n<p>O delegado Rafael Iasco disse que a investiga\u00e7\u00e3o aponta para um crime de oportunidade: &#8220;Foi coisa de um s\u00f3 homem, possivelmente drogado, que estava escondido num barraco de obras na rua por onde ela passava&#8221;.<\/p>\n<p>Vivian foi arrastada pelo agressor para a constru\u00e7\u00e3o \u00e0s 4 da tarde de um dia ensolarado, sem que os vizinhos percebessem.<\/p>\n<p>Moradores contaram \u00e0 pol\u00edcia ter visto rondando por ali momentos depois do crime um jovem desconhecido, de altura mediana, moreno, de pele clara e cabelos encaracolados. Ele n\u00e3o foi mais visto. Centenas de outras dicas an\u00f4nimas foram investigadas, sem sucesso.<\/p>\n<p>Vivian Lais era a quinta filha do casal Pl\u00ednio e Anna Philippi, descendentes de alem\u00e3es e italianos: &#8220;Ela era nossa ca\u00e7ula&#8221;, disse o pai, um metal\u00fargico qualificado.<\/p>\n<p>Os Philippi deram entrevista no seu novo apartamento, amplo e confort\u00e1vel, no centro de I\u00e7ara: &#8220;N\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos continuar na casa onde viv\u00edamos com ela&#8221;, disse o pai.<\/p>\n<p>Eles se mudaram da casa amarela do Jardim Silvana, local do crime, incapazes de suportar as lembran\u00e7as: &#8220;N\u00e3o dava mais pra ficar, era um lugar que ela enchia de vida, ficou s\u00f3 o vazio&#8221;, diz o pai.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia tem recebido apoio da comunidade. Na semana passada, quase mil pessoas participaram de um ato pedindo justi\u00e7a &#8211; a cidade \u00e9 importante no polo carvoeiro e industrial da regi\u00e3o de Crici\u00fama. O delegado Evaldo Greg\u00f3rio disse que &#8220;foi o crime mais brutal e sem sentido que vi nos \u00faltimos 15 anos&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Fam\u00edlia vive com conforto<\/span><\/p>\n<p>Vivian nasceu em Blumenau, mas cresceu no Jardim Silvana, uma regi\u00e3o boa de I\u00e7ara. O padr\u00e3o de vida dos Philippi \u00e9 elevado. O chefe da fam\u00edlia \u00e9 inspetor de qualidade de tratores, com v\u00e1rios cursos no exterior. Vivian tinha de tudo e todo conforto na casa.<\/p>\n<p>Os irm\u00e3os delas s\u00e3o formados e j\u00e1 deram aos av\u00f3s quatro netos. Na hora da dor, eles se apoiaram uns nos outros: &#8220;Os filhos \u00e9 que est\u00e3o nos dando muita for\u00e7a, somos uma fam\u00edlia unida&#8221; conta Pl\u00ednio.<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 inconsol\u00e1vel. Interrompe a entrevista a cada minuto para chorar um pouco, mas j\u00e1 quase sem l\u00e1grimas depois de um m\u00eas e uma semana de saudades.<br \/>\nPl\u00ednio exibe o \u00e1lbum de formatura escolar da filha aos visitantes, com dezenas de fotos onde Vivian aparece sempre linda e sorridente.<\/p>\n<p>O pai aponta a foto onde se l\u00ea uma tatuagem no bra\u00e7o direito dela, com os dizeres &#8220;Endless Love&#8221; (amor infinito). Ele se desmancha: &#8220;Minha filha era amorosa e inocente&#8221;.<\/p>\n<p>A m\u00e3e passou a maior parte da entrevista deitada no quarto do casal, abra\u00e7ada a uma almofada em forma de cora\u00e7\u00e3o, feita com fotos deles com a filha: &#8220;A gente perde o rumo, o sentido&#8221;, murmura, abatida.<\/p>\n<p>Um olhar pela casa e se v\u00ea v\u00e1rias fotos dela espalhadas em diferentes molduras, tamanhos e cores, sinalizando que ningu\u00e9m quer esquec\u00ea-la.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Menina buscava independ\u00eancia<\/span><\/p>\n<p>A m\u00e3e carrega a dor de ter sido a \u00faltima pessoa a falar com ela: &#8220;Vivian tinha voltado da universidade (onde estudava Farm\u00e1cia), almo\u00e7ou e dormiu pouco&#8221;, conta dona Anna.<\/p>\n<p>Foi da casa amarela que a bela menina de 1m70, 63 quilos e longos cabelos loiros saiu para morrer: Vivian acordou perto das 3, fez v\u00e1rias c\u00f3pias do seu curr\u00edculo e disse \u00e0 m\u00e3e que sairia para distribu\u00ed-los em farm\u00e1cias, onde queria obter um emprego.<\/p>\n<p>&#8220;Era um sonho dela. Trabalhar e ser independente&#8221;, lembra o pai.<\/p>\n<p>&#8220;Seu outro desejo era morar um tempo na Calif\u00f3rnia&#8221;, diz, com um sorriso amargo. Ele procura conforto trocando um olhar com Anna, a m\u00e3e concorda balan\u00e7ando a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c0s 3h15 da tarde da quarta-feira 4 de mar\u00e7o ela saiu de casa para buscar o tal emprego e dar aquela mudada de vida, pra ser independente: &#8220;Eu tinha ido ao oculista e n\u00e3o pude lev\u00e1-la&#8221;, diz o pai &#8211; nesta hora o homem n\u00e3o consegue parar de chorar.<\/p>\n<p>Ele recebeu a not\u00edcia da trag\u00e9dia de forma chocante: &#8220;L\u00e1 pelas 6h30 eu estava voltando para casa quando vi um bombeiro numa esquina do bairro. Parei para ver se ele precisava de ajuda. Ele perguntou se eu morava por ali. Eu disse que morava na casa amarela. Ele perguntou se eu conhecia uma menina de 17 anos &#8211; e me mostrou os documentos de Vivian&#8221;.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio diz que ficou atordoado com o golpe e s\u00f3 lembra que o bombeiro estava chorando &#8211; at\u00e9 o bombeiro, acostumado com trag\u00e9dias.<\/p>\n<p><span class=\"intertit\">Religi\u00e3o \u00e9 consolo<\/span><br \/>\nAgora ele quer justi\u00e7a: &#8220;Quero que tirem este monstro das ruas, para que n\u00e3o aconte\u00e7a com outras fam\u00edlias&#8221;.<\/p>\n<p>Pl\u00ednio conta que n\u00e3o quis ver o corpo da filha: &#8220;A irm\u00e3 dela foi fazer o reconhecimento&#8221;, diz, fecha e abra\u00e7a o \u00e1lbum de formatura.<\/p>\n<p>O pai se tortura com mil pensamentos com a hora final da filha e buscou conforto na religi\u00e3o kardecista &#8211; em que se acredita que exista vida depois da morte: &#8220;N\u00e3o faz sentido ela morrer e ficar esperando o Ju\u00edzo Final&#8221;, come\u00e7a, para depois abandonar o tema religioso.<\/p>\n<p>&#8220;Sabe o que \u00e9 pior ? Ela morreu do lado de casa. Num minuto estava viva, segura e feliz, noutro a trag\u00e9dia&#8221;.<\/p>\n<p>Ele explica: &#8220;Caminhei da minha casa at\u00e9 a frente da obra onde ela foi morta. Contei. Foram apenas 148 passos. D\u00f3i muito saber que n\u00e3o pude fazer nada por ela, t\u00e3o pertinho&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Renan Antunes de Oliveira A pol\u00edcia de Santa Catarina tem quatro suspeitos pelo estupro e assassinato da universit\u00e1ria Vivian Lais Philippi, 17, ocorrido a um quarteir\u00e3o de casa, em I\u00e7ara, Santa Catarina, em 4 de mar\u00e7o &#8211; faz mais de um m\u00eas, mas d\u00f3i todo dia pros pais e irm\u00e3os. 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