{"id":21568,"date":"2015-04-22T19:43:46","date_gmt":"2015-04-22T22:43:46","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=21568"},"modified":"2015-04-22T19:43:46","modified_gmt":"2015-04-22T22:43:46","slug":"clima-de-apreensao-nos-bastidores-da-operacao-zelotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/clima-de-apreensao-nos-bastidores-da-operacao-zelotes\/","title":{"rendered":"Clima de apreens\u00e3o nos bastidores da Opera\u00e7\u00e3o Zelotes"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Elmar Bones<\/span><br \/>\nA mat\u00e9ria mais completa publicada at\u00e9 agora sobre a &#8220;<a title=\"Zelotes vira \u201copera\u00e7\u00e3o que apura fraudes ao fisco\u201d\" href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/zelotes-vira-operacao-que-apura-fraudes-ao-fisco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Opera\u00e7\u00e3o Zelotes<\/a>&#8221; \u00a0est\u00e1 na <a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Carta Capital<\/a> desta semana, assinada por F\u00e1bio Serapi\u00e3o. A revista dedicou ainda a capa da edi\u00e7\u00e3o do dia 10 de abril ao assunto.<br \/>\nAl\u00e9m de detalhar a opera\u00e7\u00e3o (em que consiste, quais s\u00e3o os envolvidos e como se operavam as fraudes) o autor registra o temor dos delegados que conduzem o processo: pelo poderio e a influ\u00eancia dos envolvidos, eles temem pela continuidade das investiga\u00e7\u00f5es.<br \/>\nDiz ele:<br \/>\n&#8220;Enquanto os documentos amealhados nas buscas e as transa\u00e7\u00f5es financeiras das outras empresas ligadas aos integrantes do esquema s\u00e3o analisados, nos bastidores da Zelotes o clima \u00e9 de apreens\u00e3o. Com o retrospecto negativo na rela\u00e7\u00e3o com o juiz Ricardo Leite, os investigadores duvidam que novas dilig\u00eancias e quebras de sigilo sejam autorizadas. Cientes do poder financeiro e pol\u00edtico dos envolvidos, a frase mais repetida entre as autoridades \u00e9: \u201cPrecisamos de um Sergio Moro em Bras\u00edlia\u201d.&#8221;<br \/>\nEis a integra:<br \/>\n<span class=\"intertit\">A OPERA\u00c7\u00c3O ZELOTES CAMINHA COM DIFICULDADES<\/span><br \/>\n<span class=\"assina\">por Fabio Serapi\u00e3o<\/span><br \/>\nA dimens\u00e3o da Zelotes estarrece: o valor investigado soma o dobro daquele at\u00e9 o momento apurado na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. E, mais ainda, fere a consci\u00eancia dos cidad\u00e3os honestos a constata\u00e7\u00e3o de como a corrup\u00e7\u00e3o faz parte do estilo de vida dos poderosos do Brasil. Est\u00e1 sobretudo neste poder a dificuldade de uma investiga\u00e7\u00e3o profunda e independente. Ao comparar Zelotes com Lava Jato, em primeiro lugar, na an\u00e1lise dos comportamentos das autoridades judici\u00e1rias atuantes nos procedimentos, verifica-se de imediato a inexor\u00e1vel discrep\u00e2ncia pol\u00edtica entre gra\u00fados sonegadores e funcion\u00e1rios petistas destinat\u00e1rios do propinoduto da Petrobras.<br \/>\n\u00daltima inst\u00e2ncia \u00e0 qual o contribuinte brasileiro pode recorrer para reverter d\u00edvidas com a Receita Federal, o Carf\u00a0 acumula, atualmente, cerca de 105 mil processos cujo valor ultrapassa 520 bilh\u00f5es de reais. At\u00e9 ent\u00e3o esquecido dentro da estrutura do Minist\u00e9rio da Fazenda, o \u00f3rg\u00e3o ganhou o notici\u00e1rio ap\u00f3s a Pol\u00edcia Federal desarticular um esquema respons\u00e1vel por negociar votos de seus conselheiros e fraudar vota\u00e7\u00f5es que causaram um preju\u00edzo estimado em 6 bilh\u00f5es de reais. S\u00e3o 74 processos investigados no valor de 19 bilh\u00f5es de reais em d\u00edvidas de bancos, montadoras de autom\u00f3veis, sider\u00fargicas e in\u00fameros grandes devedores que apostavam na corrup\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos para burlar o pagamento de impostos. Na opini\u00e3o dos investigadores da PF, trata-se da maior fraude tribut\u00e1ria descoberta no Brasil.<br \/>\nCom n\u00fameros t\u00e3o expressivos e nomes acostumados a frequentar as mais badaladas listas de grandes empresas, a Opera\u00e7\u00e3o Zelotes acumula muitos dos requisitos necess\u00e1rios a uma investiga\u00e7\u00e3o de futuro incerto. Ciente desse cen\u00e1rio nada favor\u00e1vel, a PF, desde o recebimento da den\u00fancia an\u00f4nima que deu origem ao inqu\u00e9rito, toma todos os cuidados para evitar um desfecho sem puni\u00e7\u00f5es. Para desviar do caminho de opera\u00e7\u00f5es como a Castelo de Areia, aniquilada pelo fato de ter come\u00e7ado com uma den\u00fancia n\u00e3o identificada, os investigadores realizaram uma s\u00e9rie de dilig\u00eancias preliminares que resultaram em um acervo probat\u00f3rio capaz de tirar o sono de grandes empres\u00e1rios cujas d\u00edvidas fiscais foram abatidas pelo Carf entre 2005 e 2015.<br \/>\nOs recursos de d\u00edvidas tribut\u00e1rias funcionam da seguinte maneira. O processo administrativo fiscal, o PAF, come\u00e7a com o auto de infra\u00e7\u00e3o pela delegacia da Receita de cada estado. Caso o contribuinte reclame, o procedimento segue para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a DRJ, considerada a primeira inst\u00e2ncia. Posteriormente, os recursos seguem para o Carf, onde passam primeiro pelas turmas ordin\u00e1rias e especiais e, caso prossiga o impasse, s\u00e3o decididos no pleno da C\u00e2mara Superior de Recursos Fiscais. O \u00f3rg\u00e3o \u00e9 composto de 216 conselheiros, dos quais 108 indicados pela RF e 108 pelos contribuintes. Eles n\u00e3o recebem remunera\u00e7\u00e3o e na pr\u00e1tica as indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o todas pol\u00edticas. \u201cO que vimos e foi demonstrado \u00e9 que muitos conselheiros agem em benef\u00edcio de causa pr\u00f3pria, utilizando o \u00f3rg\u00e3o como um meio de obter acesso f\u00e1cil a clientes e causas importantes, utilizando-se das facilidades de acesso a sistemas e outros servidores e conselheiros, tudo em prol do seu interesse particular de enriquecimento em detrimento dos cofres da Uni\u00e3o, fazendo do Carf um lucrativo balc\u00e3o de neg\u00f3cios\u201d, descreveu o delegado federal Marlon Oliveira Cajado dos Santos no pedido de busca e apreens\u00e3o contra os integrantes da organiza\u00e7\u00e3o criminosa.<br \/>\nFoi ao solicitar as pris\u00f5es, em janeiro deste ano, que os investigadores tiveram certeza das dificuldades a serem enfrentadas. O juiz Ricardo Leite, da 10\u00aa Vara Criminal de Bras\u00edlia, \u00fanica especializada em lavagem de dinheiro na capital, negou todos os pedidos de pris\u00e3o contra integrantes do esquema. Mas antes, ainda em 2014, os investigadores perceberam que algo estranho ocorria. Ap\u00f3s as dilig\u00eancias preliminares confirmarem a den\u00fancia an\u00f4nima, a PF solicitou a quebra de sigilo fiscal das empresas e pessoas apontadas como integrantes do esquema. Os arquivos com as informa\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias revelaram aproximadamente 163 mil transa\u00e7\u00f5es financeiras entre as empresas e pessoas investigadas. A soma alcan\u00e7ou a cifra de 1,3 bilh\u00e3o de reais. Com esses n\u00fameros, ficou evidente para os delegados a necessidade de intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas a fim de descobrir qual era o modus operandi do grupo e quem eram seus clientes finais. Nesse primeiro momento, estavam na mira dos federais dois n\u00facleos de empresas de fachada intermediadoras do pagamento de propina.<br \/>\nO primeiro deles era comandado pelo ex-conselheiro Jos\u00e9 Ricardo da Silva. Filho do tamb\u00e9m ex-conselheiro Eivany Antonio da Silva, investigado no passado em esquemas de fraudes tribut\u00e1rias parecidas com os que s\u00e3o alvos da Zelotes. Silva, diz a PF, \u201cesteve envolvido em associa\u00e7\u00e3o criminosa com Jo\u00e3o Batista Grucinki, o ex-conselheiro Edison Pereira Rodrigues, Adriana Oliveira e o conselheiro Paulo Roberto Cortez\u201d. Para os investigadores, as intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas e telem\u00e1ticas comprovaram que Jos\u00e9 Ricardo da Silva, quando conselheiro, foi corrompido para atuar em processos da Gerdau de 1,2 bilh\u00e3o de reais. Embora tenha atuado diretamente em vota\u00e7\u00f5es, a PF descobriu que Silva, ap\u00f3s deixar o Carf, passou a utilizar ao menos oito empresas de fachada para receber vultosas quantias de partes integrantes de processos na Receita Federal.<br \/>\nPor conta da extensa quantidade de informa\u00e7\u00f5es colhidas com a quebra do sigilo das empresas de Silva, a PF conseguiu, na primeira fase da Zelotes, apenas mapear e analisar as transa\u00e7\u00f5es da SGR Consultoria Empresarial. Entre 2005 e 2013, a empresa movimentou cerca de 115 milh\u00f5es de reais. Ao mapear as 909 transa\u00e7\u00f5es financeiras, a PF descobriu que a origem dos valores s\u00e3o empresas com processos pendentes no Carf. Com 11,9 milh\u00f5es em dep\u00f3sitos, a RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, lidera o ranking de empresas que mais depositaram nas contas da SGR. Diz a PF sobre a rela\u00e7\u00e3o das duas empresas. \u201cA empresa RBS foi citada como tendo sido beneficiada com a venda de decis\u00e3o favor\u00e1vel pelo esquema do Carf. Em que pese ainda n\u00e3o tenhamos prova cabal da corrup\u00e7\u00e3o, o fato de Jos\u00e9 Ricardo se declarar impedido no julgamento somado com as transfer\u00eancias de dinheiro para as contas da SGR acaba dando provas de que ele defendia o interesse privado da RBS.\u201d A empresa discutia uma d\u00edvida de 672 milh\u00f5es de reais no \u00f3rg\u00e3o.<br \/>\nTr\u00eas bancos tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis por dep\u00f3sitos nas contas da SGR. O Brascan depositou 2,7 milh\u00f5es de reais em 22 de setembro de 2011. O banco possui ao menos tr\u00eas processos no Carf. Em um deles, Silva participou de um dos julgamentos mesmo com sua empresa mantendo v\u00ednculo com o Brascan. Envolvido em um esc\u00e2ndalo mundial de lavagem de dinheiro, o HSBC figura na lista como deposit\u00e1rio de 1,5 milh\u00e3o de reais efetuado em 2005. Dois processos em desfavor do banco foram encontrados no Carf. O julgamento dos recursos, segundo a PF, coincide com os dep\u00f3sitos. O terceiro banco que manteve rela\u00e7\u00f5es com a SGR foi o Opportunity. Por meio de sua gestora de recursos, segundo a PF, o banco de Daniel Dantes depositou, em 2009, 177 mil reais nas contas da empresa. Foram encontrados 18 processos no Carf relacionados ao grupo alvo da Opera\u00e7\u00e3o Satiagraha.<br \/>\nOutras empresas que depositaram nas contas da SGR s\u00e3o: a Marcondes e Mautoni Emprrendimentos, com 4,7 milh\u00f5es, Via Engenharia (1,8 milh\u00e3o), GRV Solutions (1,1 milh\u00e3o), Tov Corretora (566 mil), Suzano Celulose (469 mil), Votorantim (469 mil), Werebe Associados (422 mil), Incobrasa (405 mil), Electrolux (387 mil), Qualy Marcas (305 mil), Caenge SA (300 mil), Avipal (292 mil), Merck SA (257 mil), Hot\u00e9is Royal Palm (217 mil), Gest\u00e3o Planejamento (128 mil), Vinicio Kalid Advocacia (222 mil) e Lemos Associados (117 mil). Por sua vez, a PF registrou um dep\u00f3sito de 12 mil reais da empresa de Silva para Silas Rondeau. Ex-ministro das Minas e Energia, entre 2005 e 2007, Rondeau ocupou cadeiras nos conselhos da Eletrobras, Petrobras e Eletronorte.<br \/>\nEmbora inicialmente Silva fosse o alvo principal, com o andamento da investiga\u00e7\u00e3o um segundo grupo foi descoberto. O n\u00facleo era formado por Jorge Victor Rodrigues, tendo como parceiros o assessor de Otacilio Cartaxo, atual presidente do Carf, Lutero Nascimento, o genro de Cartaxo, Leonardo Manzan, o chefe da delegacia da Receita em S\u00e3o Paulo, Eduardo Cerqueira Leite, e o ex-auditor do Tesouro Jeferson Salazar. S\u00f3cio da SBS Consultoria Empresarial, o conselheiro Jorge Victor foi flagrado nos grampos telef\u00f4nicos ao negociar o pagamento de propina em v\u00e1rios casos envolvendo recursos bilion\u00e1rios no Carf. Em um deles, uma d\u00edvida 3,3 bilh\u00f5es de reais do Banco Santander, o conselheiro aparece em conversas com Lutero Nascimento, assessor de Cartaxo, nas quais eles tratam os detalhes do plano para cooptar o conselheiro Jorge Celso Freire da Silva.<br \/>\nEntre setembro e outubro de 2014, as coversas entre os dois, segundo a PF, demonstram que o plano teve \u00eaxito e contou com a participa\u00e7\u00e3o de Manzan, genro de Cartaxo. De acordo com o levantamento feito pelos investigadores, o processo em quest\u00e3o era relativo \u00e0 compra do Banespa pelo banco espanhol e a comiss\u00e3o para o grupo conseguir barrar a cobran\u00e7a ficaria entre 1% e 1,5% do valor da d\u00edvida abatida. Diz o relat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o sobre o caso Santander: \u201cEntendemos restar demonstrado que o grupo corrompeu o Presidente da Turma Jorge Celso Freire da Silva para fazer o exame de admissibilidade e colocar em pauta, tendo este cobrado 500 mil reais\u201d.<br \/>\nEnquanto acompanhavam o desenrolar das negocia\u00e7\u00f5es envolvendo o Santander, os agentes federais perceberam que Jorge Victor tamb\u00e9m atuava em outros casos milion\u00e1rios. Em um deles, sobre um processo do Banco Safra de 767 milh\u00f5es de reais, foi poss\u00edvel detalhar a a\u00e7\u00e3o do grupo e a participa\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o In\u00e1cio Puga, integrante do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do banco. Para este caso, diz a PF, foi acordado um pagamento de 28 milh\u00f5es de reais para o grupo de Jorge Victor \u201ca fim de que fossem distribu\u00eddos entre o pessoal de S\u00e3o Paulo, Jorge Victor e conselheiros para a agiliza\u00e7\u00e3o dos processos dentro do Carf\u201d. Outros 2,5 milh\u00f5es de reais foram solicitados em forma de adiantamento a \u201cpretexto de localizar e cooptar a pessoa certa para a manipula\u00e7\u00e3o\u201d. Com o objetivo de comprovar as negocia\u00e7\u00f5es, a Pol\u00edcia Federal acompanhou o encontro agendado por telefone entre Puga e os integrantes do esquema. No dia 25 de agosto de 2014, os agentes fotografaram desde o encontro dos envolvidos no aeroporto, a reuni\u00e3o em um restaurante na capital paulista e o retorno de Puga para a sede do Safra na Avenida Paulista (quadro ao lado).<br \/>\nFoi a a\u00e7\u00e3o do grupo de Jorge Victor em um processo do Banco Bradesco o respons\u00e1vel por acender o alerta vermelho, em 2014, dentro da PF. Ap\u00f3s as dilig\u00eancias preliminares e quebras de sigilo, o juiz Ricardo Leite autorizou que as intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas come\u00e7assem em 28 de julho de 2014. A partir desse momento, as suspeitas, uma a uma, foram confirmadas pelas conversas entre membros do grupo criminoso, conselheiros e representantes das empresas beneficiadas. Tudo ia bem, at\u00e9 que no in\u00edcio de setembro os grampos mostraram os preparativos para uma reuni\u00e3o entre integrantes do grupo criminoso e a c\u00fapula do Bradesco.<br \/>\nEm conversas realizadas entre setembro e outubro, o conselheiro Jorge Victor fala ao ex-auditor do Tesouro Jeferson Salazar e ao chefe da Delegacia Especial da Receita em S\u00e3o Paulo, Eduardo Cerqueira Leite, dos detalhes do encontro. Diz o relat\u00f3rio da PF: \u201cAs liga\u00e7\u00f5es corroboram n\u00e3o s\u00f3 o encontro, mas tamb\u00e9m as tratativas para o julgamento. Salazar chega a dizer que Eduardo foi bem em suas coloca\u00e7\u00f5es na reuni\u00e3o com o BRA(Bradesco). Estavam todos, os vices e o presidente. O Trabu (Trabuco) esteve presente, cumprimentou a todos e saiu\u201d. A PF chegou a mobilizar uma equipe para acompanhar o encontro, mas n\u00e3o teve \u00eaxito em registrar com fotos, porque os policiais foram convidados a se retirar do pr\u00e9dio da presid\u00eancia do banco, em Osasco.<br \/>\nA partir desse primeiro encontro, em outubro, os investigadores acompanharam v\u00e1rias conversas entre os integrantes do n\u00facleo de Jorge Victor sobre as negocia\u00e7\u00f5es com o Bradesco. As expectativas do grupo melhoraram em 12 de novembro, quando o Carf negou por unanimidade um recurso do banco. Com a negativa, os integrantes do grupo debateram nas conversas interceptadas ser momento de tentar fechar um contrato para intermediar, como aponta a PF, \u201ca revers\u00e3o do resultado do processo na C\u00e2mara Superior\u201d. Seria prometido achar \u201co paradigma para o recurso especial e algu\u00e9m para apreciar e aceitar\u201d a argumenta\u00e7\u00e3o. Um dia ap\u00f3s a vota\u00e7\u00e3o, em 13 de novembro, a negocia\u00e7\u00e3o com a c\u00fapula do Bradesco fica expl\u00edcita em um grampo. Em conversa grampeada com Eduardo Leite, o empres\u00e1rio M\u00e1rio Pagnozzi, apontado pela PF como respons\u00e1vel por captar clientes para o esquema, comenta que o pr\u00f3prio Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco, conversou com ele e afirmou: \u201cM\u00e1rio, fico feliz de voc\u00ea estar aqui, ajudando o banco\u201d.<br \/>\nCom essas informa\u00e7\u00f5es, os investigadores se animaram e aguardavam o desenrolar das negocia\u00e7\u00f5es para provar a corrup\u00e7\u00e3o envolvendo o Bradesco e o grupo. Entretanto, sete dias ap\u00f3s a conversa interceptada citar a fala de Trabuco a Pagnozzi, em 20 de novembro, o juiz Ricardo Leite mandou cessar as intercepta\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas e impediu a PF de confirmar se o banco aceitara a proposta. A decis\u00e3o irritou os investigadores e confirmou as desconfian\u00e7as sobre a dificuldade em investigar os desmandos dentro do Carf. Nos bastidores, os agentes federais fazem quest\u00e3o de lembrar que o ministro da Fazenda Joaquim Levy, tamb\u00e9m ex-funcion\u00e1rio do banco, logo que assumiu nomeou como vice-presidente do Carf a advogada do Bradesco Maria Teresa Martinez Lopes.<br \/>\nQuestionado, o banco esclareceu que \u201cpossui estrutura pr\u00f3pria suportada por renomados escrit\u00f3rios contratados para atuar em sua defesa no \u00e2mbito judicial e administrativo, os quais s\u00e3o os \u00fanicos autorizados a representar em nosso nome nos processos\u201d. Sobre a reuni\u00e3o com integrantes do grupo investigado pela PF, o banco informou que ela foi solicitada por eles e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos executivos Domingos Abreu e Luiz Carlos Angelotti. \u201cN\u00e3o procede a informa\u00e7\u00e3o de que o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, tenha participado.\u201d Sobre a nomea\u00e7\u00e3o da advogada Maria Lopes para a vice-presid\u00eancia do Carf, o banco diz que ela faz parte do conselho do \u00f3rg\u00e3o h\u00e1 15 anos.<br \/>\nPor meio de nota, a Gerdau informou n\u00e3o ter sido procurada at\u00e9 o momento e que todos os processos referentes \u00e0 empresa ainda est\u00e3o em tr\u00e2mite no Carf. \u201cCom rela\u00e7\u00e3o a estes processos, nenhuma import\u00e2ncia foi paga, a qualquer t\u00edtulo, a qualquer pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica por conta de sua atua\u00e7\u00e3o em nome da Gerdau.\u201d A RBS, por meio de nota, afirmou ter \u201ca convic\u00e7\u00e3o de que, no curso das investiga\u00e7\u00f5es, ficar\u00e1 demonstrada a corre\u00e7\u00e3o dos procedimentos da empresa. T\u00e3o logo seja contatada pelas autoridades competentes, o que ainda n\u00e3o ocorreu, a empresa ter\u00e1 a oportunidade de colaborar para a plena elucida\u00e7\u00e3o dos fatos\u201d.<br \/>\nO Santander informou que \u201ca defesa da empresa \u00e9 sempre apresentada de forma \u00e9tica e em respeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o aplic\u00e1vel e que o banco est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os competentes para colaborar com qualquer esclarecimento que seja necess\u00e1rio\u201d. A Electrolux afirmou que at\u00e9 o presente momento n\u00e3o foi notificada por qualquer autoridade e defendeu que \u201cseus neg\u00f3cios s\u00e3o guiados por um c\u00f3digo de \u00e9tica e compliance independente\u201d. O HSBC tamb\u00e9m disse n\u00e3o ter sido comunicado pelos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela investiga\u00e7\u00e3o e negou qualquer pagamento com \u201cvistas a influenciar a atua\u00e7\u00e3o de agentes p\u00fablicos\u201d.<br \/>\nEnquanto os documentos amealhados nas buscas e as transa\u00e7\u00f5es financeiras das outras empresas ligadas aos integrantes do esquema s\u00e3o analisados, nos bastidores da Zelotes o clima \u00e9 de apreens\u00e3o. Com o retrospecto negativo na rela\u00e7\u00e3o com o juiz Ricardo Leite, os investigadores duvidam que novas dilig\u00eancias e quebras de sigilo sejam autorizadas. Cientes do poder financeiro e pol\u00edtico dos envolvidos, a frase mais repetida entre as autoridades \u00e9: \u201cPrecisamos de um Sergio Moro em Bras\u00edlia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elmar Bones A mat\u00e9ria mais completa publicada at\u00e9 agora sobre a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Zelotes&#8221; \u00a0est\u00e1 na Carta Capital desta semana, assinada por F\u00e1bio Serapi\u00e3o. A revista dedicou ainda a capa da edi\u00e7\u00e3o do dia 10 de abril ao assunto. Al\u00e9m de detalhar a opera\u00e7\u00e3o (em que consiste, quais s\u00e3o os envolvidos e como se operavam as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":21572,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-21568","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-5BS","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21568","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21568"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21568\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21568"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21568"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21568"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}