{"id":22378,"date":"2015-06-08T17:29:58","date_gmt":"2015-06-08T20:29:58","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=22378"},"modified":"2015-06-08T17:29:58","modified_gmt":"2015-06-08T20:29:58","slug":"rebobinando-a-fita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/rebobinando-a-fita\/","title":{"rendered":"Rebobinando a fita"},"content":{"rendered":"<p><strong>Artigo Geraldo Hasse\u00a0<\/strong><\/p>\n<div>\n<div>\n<div>Passados cinco meses do segundo governo de Dilma Rousseff, vem a impress\u00e3o de que estamos assistindo \u00e0 rebobinagem de uma fita cujo conte\u00fado, at\u00e9 outro dia, foi gratificante para a maioria dos brasileiros. Tanto que a presidenta foi reeleita, na suposi\u00e7\u00e3o (e na promessa) de que a bonan\u00e7a continuaria por mais um longo per\u00edodo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Foi ent\u00e3o que a minoria abonada come\u00e7ou a chiar, amea\u00e7ou entrar com um processo de impedimento e imp\u00f4s um Bradesco boy no comando da economia. E tudo come\u00e7ou a mudar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os brasileiros passaram os meses de novembro e dezembro de 2014 sob uma chuva de amea\u00e7as veladas. Nessa primeira etapa da mudan\u00e7a em curso, o economista Guido Mantega, o ministro mais longevo na Fazenda, passou a ser pintado como um paspalho, um Z\u00e9 Ningu\u00e9m, um pau mandado da Dilma.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Era uma campanha de terra arrasada para aplainar o terreno para a aterrissagem do salvador da p\u00e1tria enviado por S\u00e3o Bradesco em nome do Deus Mercado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No af\u00e3 de promover o ajuste fiscal e conter a infla\u00e7\u00e3o, o duo Joaquim Levy (Fazenda) e Alex Tombini (Banco Central) apertou o torniquete sobre os gastos governamentais e elevou os juros (esta semana) para 13,75%, taxa que n\u00e3o \u00e9 apenas imoral, mas inconstitucional. A economia se ressente do aperto, o emprego cai e os progn\u00f3sticos v\u00e3o se tornando cada vez mais negativos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Depois de dar ao mundo uma s\u00e9rie de li\u00e7\u00f5es sobre como aquecer a economia e distribuir renda aos setores tradicionalmente marginalizados da sociedade, o governo brasileiro p\u00f5e o p\u00e9 no freio, num estranho surto de ortodoxia monetarista. Nada a ver!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Todo mundo sabe que essa receita concentradora foi usada sem sucesso pelo FMI em todo o mundo, inclusive na Argentina, cuja economia at\u00e9 hoje n\u00e3o se recuperou do \u201cchoque de gest\u00e3o\u201d aplicado no tempo do presidente Menem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sendo claro que o monetarismo n\u00e3o d\u00e1 certo, como se pode explicar a ado\u00e7\u00e3o desse receitu\u00e1rio por um governo legitimamente eleito pela maioria do eleitorado?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Parece ser a marcha de uma governante que se sente inexplicavelmente fraca, embora tenha ganho a elei\u00e7\u00e3o, sete meses atr\u00e1s \u2013 algo que parece ter acontecido h\u00e1 uma d\u00e9cada. Da\u00ed a sensa\u00e7\u00e3o de que estamos caminhando para tr\u00e1s ou rebobinando a fita dos anos de recente prosperidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 como se estiv\u00e9ssemos dentro de um trem que perdeu for\u00e7a na subida e amea\u00e7a retroceder. A despeito da campanha pela volta dos militares, a composi\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria se mant\u00e9m nos trilhos da normalidade democr\u00e1tica e ruma para a esta\u00e7\u00e3o 2018, mas nos vag\u00f5es atulhados de aliados, amigos e advers\u00e1rios ningu\u00e9m se entende, \u00e9 um deus nos acuda, o maquinista s\u00f3 pensa no freio fiscal, o foguista n\u00e3o p\u00f5e lenha suficiente na fornalha e, na janela dos not\u00e1veis, a presidenta olha a paisagem e informa aos rep\u00f3rteres:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; Fechei a boca e emagreci 12 quilos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Parece um recado sinistramente esquizofr\u00eanico. A bela promoveu em si mesma um ajuste f\u00edsico que corresponde a 15% do seu peso anterior. Se a economia brasileira emagrecer na mesma propor\u00e7\u00e3o, estaremos roubados.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Durante a viagem desse maluco trem brasil, os passageiros n\u00e3o falam de outra coisa: \u00e9 a Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que mirou na Petrobras e acertou nas empreiteiras, ou vice-versa, o que d\u00e1 quase no mesmo. Da Opera\u00e7\u00e3o Zelotes pouco se fala depois da pris\u00e3o do ex-presidente da CBF como parte do esc\u00e2ndalo da FIFA.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sem d\u00favida, agora ficou mais claro do que nunca, a corrup\u00e7\u00e3o tem dimens\u00f5es globais. Mas a pergunta que n\u00e3o quer calar \u00e9 a seguinte: por que o combate aos mal feitos da minoria do andar de cima tem que castigar a maioria situada na base da pir\u00e2mide social?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A alguns parece que o trem vai descarrilar. A outros, que a presidenta premedita apenas corrigir os desvios para chegar inteira em 2018, a ponto de indicar um sucessor vi\u00e1vel.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No PT o \u00fanico sobrevivente parece ser Lula \u2013 e olhe l\u00e1.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No PMDB pululam os candidatos avulsos, a come\u00e7ar pelo deputado Eduardo Cunha e o senador Renan Calheiros, mas no Partid\u00e3o Central do Brasil o \u00fanico com a ficha limpa \u00e9 o vice-presidente Michel Temer, a quem n\u00e3o falta, ali\u00e1s, uma bela primeira-dama.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No campo do conservadorismo moralista, pode vingar a candidatura do jovem A\u00e9cio Neves, que precisa apenas se controlar um pouco, como fazia \u2013 e como fazia bem! \u2013 seu tio Tancredo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><strong>LEMBRETE DE OCASI\u00c3O<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><strong>\u201cN\u00e3o nos dispersemos!\u201d<\/strong><\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><em><strong>Apelo feito em 1985 por Tancredo Neves, temeroso de uma recidiva dos militares golpistas<\/strong><\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo Geraldo Hasse\u00a0 Passados cinco meses do segundo governo de Dilma Rousseff, vem a impress\u00e3o de que estamos assistindo \u00e0 rebobinagem de uma fita cujo conte\u00fado, at\u00e9 outro dia, foi gratificante para a maioria dos brasileiros. 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