{"id":22568,"date":"2015-06-29T20:39:14","date_gmt":"2015-06-29T23:39:14","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=22568"},"modified":"2015-06-29T20:39:14","modified_gmt":"2015-06-29T23:39:14","slug":"estudo-revela-gastos-do-governo-federal-com-propaganda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/estudo-revela-gastos-do-governo-federal-com-propaganda\/","title":{"rendered":"Estudo revela gastos do governo federal com propaganda"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dados in\u00e9ditos e exclusivos sobre os gastos do governo federal com publicidade<\/strong><br \/>\n<strong> A Rede Globo \u00a0ainda lidera, mas tem queda em anos recentes. <\/strong><br \/>\n<strong>\u00a0A Rede TV!, com menos de 1 ponto de audi\u00eancia, recebeu R$ 408 mi nos anos petistas.<\/strong><br \/>\n<strong>* Reportagem de Fernando Rodrigues, publicada originalmente em seu Blog.<\/strong><br \/>\nA Rede Globo e as 5 emissoras de propriedade do Grupo Globo (em S\u00e3o Paulo, Rio de aneiro, Minas Gerais, Bras\u00edlia e Recife) receberam um total de R$ 6,2 bilh\u00f5es em publicidade estatal federal durante os 12 anos dos governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011 a 2014).<br \/>\nComo a cifra s\u00f3 considera TVs de propriedade do Grupo Globo, o montante ficaria maior se fossem agregados os valores pagos a emissoras afiliadas. Por exemplo, a RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) recebeu R$ 63,7 milh\u00f5es de publicidade estatal federal de 2003 a 2014.<br \/>\nOutro exemplo: a Rede Bahia, afiliada da TV Globo em Salvador, que pertence aos herdeiros de Antonio Carlos Magalh\u00e3es (1927-2007), teve um faturamento de R$ 50,9 milh\u00f5es de publicidade federal durante os 12 anos do PT no comando do Pal\u00e1cio do Planalto.<br \/>\nA TV Tem, que abrange uma parte do rico mercado do interior do Estado de S\u00e3o Paulo, em 4 regi\u00f5es (com sedes nas cidades de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, Bauru, Itapetininga e Sorocaba), faturou R$ 8,5 milh\u00f5es de publicidade estatal federal em 2014. Essa emissora \u00e9 de propriedade do empres\u00e1rio Jos\u00e9 Hawilla, conhecido como J. Hawilla (pronuncia-se \u201cJota \u00c1vila\u201d), que est\u00e1 envolvido no esc\u00e2ndalo de corrup\u00e7\u00e3o da Fifa.<br \/>\nOs dados deste post s\u00e3o in\u00e9ditos. Nunca foram publicados com esse n\u00edvel de detalhes at\u00e9 hoje. Os valores at\u00e9 2013 est\u00e3o corrigidos pelo IGP-M, o \u00edndice usado no mercado publicit\u00e1rio e tamb\u00e9m pelo governo quando se trata de informa\u00e7\u00f5es dessa \u00e1rea. Os n\u00fameros de 2014 s\u00e3o correntes (sem atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria).<br \/>\nA s\u00e9rie hist\u00f3rica sobre publicidade do governo federal come\u00e7ou a ser constru\u00edda de maneira mais consistente a partir do ano 2000. N\u00e3o h\u00e1 dados confi\u00e1veis antes dessa data.<br \/>\nO volume total de publicidade federal destinado para emissoras pr\u00f3prias do Grupo Globo \u00e9 quase a metade do que foi gasto pelas administra\u00e7\u00f5es de Lula e Dilma para fazer propaganda em todas as TVs do pa\u00eds. Ao todo, foram consumidos R$ 13,9 bilh\u00f5es para veicular comerciais estatais em TVs abertas no per\u00edodo do PT na Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. As TVs da Globo tiveram R$ 6,2 bilh\u00f5es nesse per\u00edodo.<br \/>\nApesar do valor expressivo destinado \u00e0 Globo, h\u00e1 uma n\u00edtida trajet\u00f3ria de queda quando se considera a propor\u00e7\u00e3o que cabe \u00e0 emissora no bolo total dessas verbas.<br \/>\nAs emissoras globais terminaram o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, em 2002, com 49% das verbas estatais comandadas pelo Pal\u00e1cio do Planalto e investidas em propaganda em TVs abertas.<br \/>\nNo ano seguinte, em 2003, j\u00e1 com o petista Luiz In\u00e1cio Lula da Silva na Presid\u00eancia, a fatia da Globo pulou para 59% de tudo o que a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal gastava em publicidade nas TVs abertas. Esse salto n\u00e3o se sustentou.<br \/>\nNos anos seguintes, com algumas oscila\u00e7\u00f5es, a curva global foi decrescente. No ano passado, 2014, a Globo ainda liderava (recebeu R$ 453,5 milh\u00f5es), mas chegou ao seu n\u00edvel baixo de participa\u00e7\u00e3o no bolo estatal federal entre TVs abertas: 36% do total da publicidade.<br \/>\nTodos esses dados podem ser observados em detalhes no quadro a seguir (clique na imagem para ampliar):<br \/>\nComo se observa, a queda de participa\u00e7\u00e3o das TVs \u00e9 tamb\u00e9m sentida na audi\u00eancia da maior emissora brasileira. Segundo a aferi\u00e7\u00e3o realizada pelo Ibope Media Workstation (Painel Nacional de Televis\u00e3o, com base 15 mercados, durante 24 horas, todos os dias), a TV Globo teve 12 pontos de audi\u00eancia domiciliar m\u00e9dia em 2014.<br \/>\nTodas as 4 maiores emissoras de TV aberta enfrentaram quedas de audi\u00eancia ao longo dos \u00faltimos anos. Essa menor presen\u00e7a nas casas das pessoas, entretanto, nem sempre est\u00e1 refletida em menos verbas publicit\u00e1rias federais.<br \/>\nA Record, por exemplo, recebeu um verba de R$ 264 milh\u00f5es em 2014 contra R$ 244 milh\u00f5es em 2013 (aumento de 8,4%), apesar da queda da audi\u00eancia da emissora de um ano para o outro (de 4,5 para 4,2 pontos no Ibope, das 6h \u00e0 0h).<br \/>\nJ\u00e1 o SBT, terceira TV aberta no Brasil (cuja audi\u00eancia ficou quase est\u00e1vel, variando de 4,5 para 4,4 pontos no Ibope, de 2013 para 2014), registrou uma queda no faturamento de publicidade estatal federal: saiu de R$ 182 milh\u00f5es para R$ 162 milh\u00f5es.<br \/>\nNota-se, portanto, uma assimetria no tratamento dado pelo governo para as 2 maiores TVs que ficam abaixo da Globo quando se considera audi\u00eancia e valores de publicidade recebida.<br \/>\nRecord e SBT tiveram audi\u00eancias muito semelhantes em 2014, na casa de 4 pontos no Ibope. S\u00f3 que a Record, emissora do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, recebeu cerca de R$ 100 milh\u00f5es a mais de verbas publicit\u00e1rias federais no ano passado na compara\u00e7\u00e3o com o SBT, do empres\u00e1rio e apresentador Silvio Santos.<br \/>\nJ\u00e1 a Band (com apenas 1,7 ponto de audi\u00eancia m\u00e9dia no Ibope em 2014) teve R$ 102,4 milh\u00f5es de propaganda dilmista no ano passado. A Rede TV! (0,6 ponto de audi\u00eancia) ficou com R$ 37,8 milh\u00f5es.<br \/>\n<strong>JORNAIS IMPRESSOS<\/strong><br \/>\nNos governos Lula e Dilma (2003-2014), os jornais impressos arrecadaram R$ 2,1 bilh\u00f5es com a publica\u00e7\u00e3o de propagandas da administra\u00e7\u00e3o petista. Desse total, R$ 730,3 milh\u00f5es (35%) foram destinados a apenas 4 publica\u00e7\u00f5es: \u201cO Globo\u201d, \u201cFolha de S.Paulo\u201d, \u201cO Estado de S.Paulo\u201d e \u201cValor Econ\u00f4mico\u201d.<br \/>\nAlguns aspectos chamam a aten\u00e7\u00e3o a respeito da publicidade estatal federal para jornais di\u00e1rios impressos.<br \/>\nUm deles \u00e9 que durante os anos de 2000, 2001 e 2002 (no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso) essas 4 publica\u00e7\u00f5es tiveram um volume de receita de publicidade estatal proporcionalmente igual ao do per\u00edodo subsequente, com o PT no poder.<br \/>\nComo est\u00e1 registrado acima neste post, n\u00e3o existem dados dispon\u00edveis e confi\u00e1veis sobre gastos em propaganda antes do ano 2000.<br \/>\nDessa forma, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel somar os valores dos 3 \u00faltimos anos do segundo mandato de FHC, quando todos os jornais di\u00e1rios brasileiros receberam R$ 701,4 milh\u00f5es de verbas de propaganda do governo federal. Desse total, a quadra \u201cGlobo-Folha-Estado-Valor\u201d ficou com R$ 243,1 milh\u00f5es \u2013ou seja, 35% do bolo completo do meio jornal.<br \/>\nA conclus\u00e3o \u00e9 simples: embora o discurso do PT no poder tenha sido cr\u00edtico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cobertura jornal\u00edstica feita pelos grandes jornais impressos di\u00e1rios, os petistas no Pal\u00e1cio do Planalto continuaram a conceder proporcionalmente a esses ve\u00edculos o mesmo que o governo do PSDB concedia.<br \/>\nEis os dados sobre publicidade estatal nos principais jornais impressos do pa\u00eds (clique na imagem para ampliar):<br \/>\n<strong>JORNAIS DIGITAIS<\/strong><br \/>\nH\u00e1 um dado que merece ser visto com mais aten\u00e7\u00e3o quando se observa o valor recebido pelos mais tradicionais jornais impressos do pa\u00eds para veicular publicidade estatal federal: quanto vai para as suas opera\u00e7\u00f5es na internet.<br \/>\nO quadro acima neste post mostra o valor total recebido por \u201cO Globo\u201d, \u201cFolha de S.Paulo\u201d, \u201cO Estado de S.Paulo\u201d e \u201cValor Econ\u00f4mico\u201d. Mas \u00e9 poss\u00edvel saber exatamente quanto essas empresas faturaram desses an\u00fancios para veicul\u00e1-los apenas em suas edi\u00e7\u00f5es online. E tamb\u00e9m existem dados sobre quantas edi\u00e7\u00f5es desses 4 jornais s\u00e3o de fato impressas, em papel, e quantas s\u00e3o apenas assinaturas digitais. Eis os dados (clique na imagem para ampliar):<br \/>\nComo se observa, h\u00e1 uma curva de crescimento para todos os 4 ve\u00edculos ao longo dos \u00faltimos anos, com algumas oscila\u00e7\u00f5es. Em 2014, o l\u00edder das verbas estatais federais em suas edi\u00e7\u00f5es digitais foi o jornal \u201cO Estado de S.Paulo\u201d, que recebeu R$ 2,743 milh\u00f5es. Outro dado interessante: a queda continua das edi\u00e7\u00f5es impressas. E no m\u00eas de maio de 2015, o jornal \u201cO Globo&#8221; se tornando o de maior tiragem impressa entre os ve\u00edculos de qualidade do pa\u00eds, \u00e0 frente da \u201cFolha de S.Paulo&#8221; \u2013que h\u00e1 d\u00e9cadas liderava esse ranking.<br \/>\n<strong>REVISTAS<\/strong><br \/>\nO meio revista tem experimentado tamb\u00e9m uma grande queda no faturamento com verbas publicit\u00e1rias federais. A semanal \u201cVeja\u201d, l\u00edder do mercado, j\u00e1 chegou a ter R$ 43,7 milh\u00f5es dessas verbas em 2009 (o seu recorde). Em 2014, desceu para R$ 19,9 milh\u00f5es.<br \/>\nEis os dados detalhados sobre as 4 principais revistas do pa\u00eds (clique na imagem para ampliar):<br \/>\n<strong>PORTAIS DE INTERNET<\/strong><br \/>\nO meio internet j\u00e1 \u00e9 o segundo que mais recebe publicidade estatal do governo federal. Esse dado fica bem vis\u00edvel quando se observam os valores destinados a 4 grandes portais brasileiros.<br \/>\nO UOL, maior portal do pa\u00eds com 39,8 milh\u00f5es de visitantes \u00fanicos em dezembro de 2014, teve R$ 14,7 milh\u00f5es de faturamento para veicular propaganda estatal federal nesse ano. O UOL pertence ao Grupo Folha.<br \/>\nO G1 e o portal Globo.com, somados, tiveram uma audi\u00eancia de 34,1 milh\u00f5es de visitantes \u00fanicos em dezembro de 2014. Receberam R$ 13,5 milh\u00f5es de verbas federais de publicidade nesse ano.<br \/>\nEis os dados detalhados de 4 grandes portais de internet (clique na imagem para ampliar):<br \/>\n(Colaborou nesta reportagem\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/blupion\"><strong>Bruno Lupion<\/strong><\/a>, do UOL, em Bras\u00edlia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados in\u00e9ditos e exclusivos sobre os gastos do governo federal com publicidade A Rede Globo \u00a0ainda lidera, mas tem queda em anos recentes. \u00a0A Rede TV!, com menos de 1 ponto de audi\u00eancia, recebeu R$ 408 mi nos anos petistas. * Reportagem de Fernando Rodrigues, publicada originalmente em seu Blog. 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