{"id":22699,"date":"2015-07-09T20:09:42","date_gmt":"2015-07-09T23:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=22699"},"modified":"2015-07-09T20:09:42","modified_gmt":"2015-07-09T23:09:42","slug":"kuna-oferece-oficinas-abertas-a-comunidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/kuna-oferece-oficinas-abertas-a-comunidade\/","title":{"rendered":"Espa\u00e7o Kuna oferece oficinas abertas \u00e0 comunidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Matheus Chaparini<\/strong><br \/>\nA casa de fachada colorida desperta a curiosidade dos transeuntes dos primeiros metros da Avenida Osvaldo Aranha. Na cal\u00e7ada, um pequeno brech\u00f3, uma arara cheia de roupas: pode levar. Se puder, deixa outra roupa, ou um livro, ou uns trocados. Se n\u00e3o puder, tudo bem. A corrente fica solta no port\u00e3o. N\u00e3o resistindo \u00e0 curiosidade, \u00e9 s\u00f3 bater palma, \u00e0 moda antiga das vizinhan\u00e7as de bairro. Logo algum morador aparece ao fundo do corredor para te atender, com sotaque de Porto Alegre, da Bahia, de Minas ou mesmo em portunhol. Seja bem vindo ao Espa\u00e7o Libert\u00e1rio Kuna.<br \/>\nO tablado que por mais de uma d\u00e9cada foi espa\u00e7o de aulas e apresenta\u00e7\u00f5es de dan\u00e7a estava desocupado e sem utilidade h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Em outubro de 2014 um grupo ocupou a casa situada no n\u00famero 418 da Osvaldo. Hoje, a Kuna conta com diversas atividades abertas ao p\u00fablico todos dias, como as oficinas de viol\u00e3o, bateria, teatro, yoga, massoterapia, circo, literatura independente. Al\u00e9m das fixas, acontecem tamb\u00e9m atividades eventuais com artistas de passagem pela cidade. Foi o caso de uma oficina de teatro de rua ministrada no m\u00eas passado por uma fam\u00edlia de artistas mexicanos.<br \/>\nO coletivo tamb\u00e9m promove alguns eventos, como a Varieter\u00e7a, que conta com apresenta\u00e7\u00f5es dos moradores da casa, palco aberto para os visitantes e uma refei\u00e7\u00e3o coletiva. Nos s\u00e1bado pela manh\u00e3, a Kuna vai para a rua com seu cortejo, que acontece na Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio junto \u00e0 Feira Ecol\u00f3gica. O cortejo \u00e9 uma das principais fonte de renda da casa. Al\u00e9m das contribui\u00e7\u00f5es em moeda no chap\u00e9u, ali eles ganham dos feirantes o recicle, as doa\u00e7\u00f5es do fim da feira. As atividades da casa s\u00e3o gratuitas, mas o coletivo aceita doa\u00e7\u00f5es de dinheiro, comida, livro ou qualquer coisa que possa ser \u00fatil ao espa\u00e7o.<br \/>\nAl\u00e9m do tablado, de cerca de 100m\u00b2, h\u00e1 ainda uma cozinha no andar de baixo, e no de cima um quarto com quatro camas, um banheiro e mais duas pe\u00e7as pequenas usadas para guardar as bagagens. Hoje moram 10 pessoas na Kuna. A rotatividade \u00e9 bem grande, o que faz com que o lugar esteja em constante mudan\u00e7a. Arthur Yanai Barduche mora na casa h\u00e1 tr\u00eas meses e conta que neste per\u00edodo j\u00e1 presenciou algumas transforma\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o. \u201cA maior parte da galera \u00e9 viajante. Algumas pessoas s\u00e3o mais fixas, mas em torno de 80% \u00e9 itinerante.\u201d explica Barduche.<br \/>\nArthur nasceu em S\u00e3o Paulo e se criou em Minas Gerais, onde se formou em m\u00fasica. Quando chegou em Porto Alegre, com amigos que conheceu viajando, n\u00e3o sabia da exist\u00eancia da Kuna. \u201cQuando eu entrei aqui eu falei que era formado e me propus a dar umas oficinas de m\u00fasica.\u201d Arthur d\u00e1 aulas de musicaliza\u00e7\u00e3o e viol\u00e3o nas sextas feiras.<br \/>\nDiogo Estivallete, o Baiano, \u00e9 um dos moradores mais antigos, est\u00e1 na casa h\u00e1 sete meses. Quando chegou haviam apenas duas pessoas na casa. Ele explica que h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o para que o espa\u00e7o n\u00e3o perca o car\u00e1ter de espa\u00e7o de difus\u00e3o de conhecimentos. \u201dA gente procura ter muito cuidado pra que as pessoas que vem ficar aqui n\u00e3o pensem que por ser um processo de ocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 um hotel. A gente procura ver qual a ideia da pessoa, qual a proposta.\u201d<br \/>\nNatural de Salvador, Diogo mora em Porto Alegre h\u00e1 cinco anos. Antes de se mudar para a Kuna, ele havia sido demitido do emprego onde trabalhava com manuten\u00e7\u00e3o de<br \/>\nbombas hidr\u00e1ulicas e estava em situa\u00e7\u00e3o de rua. Hoje trabalha como malabarista e se sustenta com as apresenta\u00e7\u00f5es nas sinaleiras. Nos cortejos, Baiano se apresenta de vestido e salto alto, uma esp\u00e9cie de mulher barbada da Kuna. \u201c\u00c9 um questionamento em rela\u00e7\u00e3o a g\u00eanero. O que \u00e9 roupa de mulher ou roupa de homem? O que \u00e9 brinquedo de menino ou de menina? Eu procuro trazer isso \u00e0 tona. Como o malabares tem a quest\u00e3o da magia, faz as pessoas se questionarem inconscientemente.\u201d explica Baiano.<br \/>\nA casa n\u00e3o tem luz nem \u00e1gua, cortados logo que o grupo se instalou. A \u00e1gua \u00e9 captada no parque, a luz basicamente \u00e9 de velas. H\u00e1 uma bateria el\u00e9trica na casa, mas s\u00f3 \u00e9 utilizada em eventos. Baiano estima em 160 litros o consumo di\u00e1rio de \u00e1gua. A lou\u00e7a \u00e9 lavada em cumbuca e quase toda \u00e1gua \u00e9 reaproveitada para o vaso sanit\u00e1rio e para lavar o ch\u00e3o.<br \/>\nAl\u00e9m das oficinas e eventos, o que a casa prop\u00f5e \u00e9 uma experi\u00eancia de conv\u00edvio e de troca, \u201ca vida como fazer natural\u201d, como o t\u00edtulo de uma carta escrita pelo coletivo no come\u00e7o da ocupa\u00e7\u00e3o. O mesmo texto afirma que a Kuna \u00e9 \u201cuma ocupa\u00e7\u00e3o que convida a todas a experimentar conte\u00fados e continentes sem perspectivas de resposta exata.\u201d E a\u00ed, t\u00e1 afim?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Matheus Chaparini A casa de fachada colorida desperta a curiosidade dos transeuntes dos primeiros metros da Avenida Osvaldo Aranha. Na cal\u00e7ada, um pequeno brech\u00f3, uma arara cheia de roupas: pode levar. Se puder, deixa outra roupa, ou um livro, ou uns trocados. Se n\u00e3o puder, tudo bem. A corrente fica solta no port\u00e3o. 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