{"id":22788,"date":"2015-07-16T18:45:19","date_gmt":"2015-07-16T21:45:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=22788"},"modified":"2015-07-16T18:45:19","modified_gmt":"2015-07-16T21:45:19","slug":"cpi-desiste-de-investigar-contas-secretas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cpi-desiste-de-investigar-contas-secretas\/","title":{"rendered":"CPI desiste de investigar contas secretas"},"content":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal autorizou a quebra de sigilo em contas secretas de brasileiros no banco HSBC, mas a CPI do Senado Federal desistiu dela, na manh\u00e3 desta quinta-feira (16).<br \/>\nPor maioria absoluta (7 a 1) reverteu sua decis\u00e3o anterior e bloqueou qualquer investiga\u00e7\u00e3o sobre os dados banc\u00e1rios e fiscais de seis pessoas.<br \/>\nAssim, a CPI do HSBC virtualmente trancou a apura\u00e7\u00e3o sobre os US$ 7 bilh\u00f5es depositados em 5.549 contas suspeitas de 8.667 mil brasileiros flagrados com dep\u00f3sitos n\u00e3o declarados na ag\u00eancia su\u00ed\u00e7a do HSBC em Genebra. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi o \u00fanico voto contrario, em quatro vota\u00e7\u00f5es. Ele denunciou press\u00f5es do poder econ\u00f4mico. Ele mesmo teria sido assediado.<br \/>\n&#8220;A CPI morreu hoje&#8221;, acusou o senador Rodrigues , sem esconder sua irrita\u00e7\u00e3o, no final da manh\u00e3, quando viu todos os seus requerimentos de quebra derrotados sucessivamente por 7 votos a 1, inclu\u00eddos a\u00ed os votos do presidente da CPI, Paulo Rocha (PT-PA), \u00a0e do relator, Ricardo Ferra\u00e7o (PMDB-ES). &#8220;Pensei que, depois da Copa do Mundo, nunca mais veria um 7 a 1 como aquele. Pois nesta manh\u00e3 isso aconteceu seis vezes comigo&#8221;, ironizou o senador, autor da proposta de cria\u00e7\u00e3o da CPI, instalada em mar\u00e7o passado para investigar a maior den\u00fancia de vazamento banc\u00e1rio da hist\u00f3ria \u2014 o SwissLeaks, a lista de mais de 100 mil clientes do HSBC em 203 pa\u00edses, com dep\u00f3sitos estimados em mais de US$ 100 bilh\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDinheiro n\u00e3o fala, conta<br \/>\n&#8220;Uma das CPIs mais importantes do Parlamento acaba de ser assassinada num dos momentos mais vergonhosos da hist\u00f3ria do Congresso Nacional&#8221;, protestou Randolfe diante dos jornalistas, logo ap\u00f3s a reuni\u00e3o da CPI, um dia antes do Senado entrar em recesso, que dura at\u00e9 o in\u00edcio de agosto. &#8220;Eu j\u00e1 avisei que n\u00e3o serei entregador dessa pizza&#8221;, repetiu o senador, ao lembrar que o forno come\u00e7ou a ser aceso com a revers\u00e3o nessa quinta-feira da quebra de sigilo, j\u00e1 aprovada, de Paula Queiroz Frota, uma das executivas da fam\u00edlia que dirige o maior conglomerado de comunica\u00e7\u00e3o do Cear\u00e1 (TV Verdes Mares e Di\u00e1rio do Nordeste), o Grupo Edson Queiroz. Paula, junto com Lenise e Yolanda Queiroz, tamb\u00e9m membros do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o, tinha em 2007 um saldo de US$ 83,9 milh\u00f5es na conta 5490 CE aberta em 1989 no HSBC de Genebra.<br \/>\nA pedido do senador Paulo Bauer (PSDB-SC), a quebra de sigilo j\u00e1 aprovada de Paula Queiroz foi revogada, sob o argumento de que ela diz n\u00e3o ter conta no HSBC. &#8220;Uma CPI que n\u00e3o investiga, que tem medo de investigar, n\u00e3o tem raz\u00e3o de ser&#8221;, criticou Randolfe, mas Bauer, refletindo a posi\u00e7\u00e3o conservadora da maioria, replicou: &#8220;Dinheiro n\u00e3o fala&#8221;. Randolfe rebateu: &#8220;Dinheiro n\u00e3o fala. Mas dinheiro conta, revela e denuncia, senador. Para isso, tem que ser investigado&#8221;.<br \/>\nNa v\u00e9spera da reuni\u00e3o, o Supremo Tribunal Federal, por decis\u00e3o do ministro Celso de Mello, tinha rejeitado mandado de seguran\u00e7a do empres\u00e1rio Jacks Rabinovich, ex-dirigente do Grupo Vicunha, que teve seu sigilo quebrado no final de junho. A CPI se sentiu agredida pela resposta seca do empres\u00e1rio, recusando-se a dar qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre os US$ 228,9 milh\u00f5es registrados no SwissLeaks em 2007, sob o argumento de que &#8220;a prova da CPI (a lista do HSBC) n\u00e3o \u00e9 l\u00edcita&#8221;. At\u00e9 o relator, senador Ricardo Ferra\u00e7o, sentiu-se atingido: &#8220;Precisamos elevar o tom e afirmar a autoridade da CPI&#8221;, disse ele.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCercando o senador<br \/>\nO Supremo refor\u00e7ou esse sentimento, agora, dizendo que a CPI tinha pleno direito em quebrar o sigilo de Rabinovich. O senador Ciro Nogueira (PP-PI)\u00a0 apresentou o requerimento que anulava a quebra de sigilo de Rabinovich, desfazendo da decis\u00e3o da mais alta corte do Pa\u00eds. &#8220;A CPI, gra\u00e7as a esta decis\u00e3o do STF, nunca esteve t\u00e3o forte. E, apesar disso, est\u00e1 desistindo de exercer seu direito reconhecido na plenitude pelo Supremo. Isso \u00e9 um absurdo&#8221;, condenou Randolfe, sem convencer o resto da CPI.<br \/>\nEm quatro vota\u00e7\u00f5es sucessivas, todas decididas por 7 a 1, &#8220;a maioria da pizza&#8221; \u2014 como classifica Randolfe \u2014 acabou revertendo a quebra de sigilo de Jacob Barata, e tr\u00eas familiares. Conhecido como o &#8216;Rei do \u00d4nibus&#8217; no Rio de Janeiro, onde a fam\u00edlia tem participa\u00e7\u00e3o em 16 empresas de transporte municipal, Barata aparece nos registros do HSBC de 2007 com um total de US$ 17,6 milh\u00f5es que tinha em conjunto com a mulher, Gl\u00f3ria, e os tr\u00eas filhos \u2013 Jacob, David e Rosane. A conta 1640BG, aberta em 1990, passou a ser operada em 2004 por uma empresa off shore, a Bacchus Assets Limited, baseada no para\u00edso fiscal de Tortola, nas Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas, territ\u00f3rio ultramarino do Reino Unido, conforme apura\u00e7\u00e3o do Portal UOL e do jornal O Globo.<br \/>\nRandolfe estava especialmente irritado porque identificou Barata como piv\u00f4 das press\u00f5es pessoais que recebeu, na condi\u00e7\u00e3o de vice-presidente da CPI. &#8220;Em Bras\u00edlia e at\u00e9 na capital do meu Estado, Macap\u00e1, os emiss\u00e1rios do Sr. Barata tentaram me assediar, exercendo um cerco a que nunca me submeti. Nunca chegaram a mim, gra\u00e7as \u00e0 blindagem de meus assessores. Se estava assim t\u00e3o preocupado, o que tem o Sr. Barata a esconder da CPI? Sem investig\u00e1-lo, jamais saberemos&#8221;, lamentou Randolfe, diante do sil\u00eancio dos outros senadores.<br \/>\nO clima de des\u00e2nimo e a m\u00e1-vontade da CPI para investigar, expl\u00edcita a partir desta quinta-feira,ficou ainda mais evidente com a proposta do senador Blairo Maggi (PR-MT) de paralisar a CPI, agora, enquanto o Senado aprecia um projeto do senador Randolfe Rodrigues, o PLS 298, que repatria dinheiro de brasileiros depositado sem controle no exterior. &#8220;Vamos parar a CPI e esperar a repatria\u00e7\u00e3o. \u00c9 incongruente fazer as duas coisas ao mesmo tempo: dar um doce, de um lado, e castigar com um chicote, de outro. Ningu\u00e9m vai se sentir estimulado a trazer seu dinheiro de volta, se a CPI continuar investigando&#8230;&#8221;, alegou Maggi.<br \/>\nCom prazo de encerramento estipulado para 5 de outubro, o senador Ferra\u00e7o alegou que n\u00e3o teria tempo para concluir seu relat\u00f3rio e sugeriu uma prorroga\u00e7\u00e3o de quatro meses. Randolfe desdenhou: &#8220;Quatro meses mais para n\u00e3o investigar nada? Do jeito que est\u00e1, o melhor mesmo \u00e9 acabar agora, para n\u00e3o prolongar a humilha\u00e7\u00e3o. Essa CPI do HSBC j\u00e1 morreu&#8230; O lobby dos advogados venceu, o Parlamento perdeu. Isso \u00e9 pior do que os 7 a 1&#8221;, finalizou Randolfe Rodrigues.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal autorizou a quebra de sigilo em contas secretas de brasileiros no banco HSBC, mas a CPI do Senado Federal desistiu dela, na manh\u00e3 desta quinta-feira (16). Por maioria absoluta (7 a 1) reverteu sua decis\u00e3o anterior e bloqueou qualquer investiga\u00e7\u00e3o sobre os dados banc\u00e1rios e fiscais de seis pessoas. Assim, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":22319,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-22788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-5Vy","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}