{"id":22842,"date":"2015-07-20T14:38:08","date_gmt":"2015-07-20T17:38:08","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=22842"},"modified":"2015-07-20T14:38:08","modified_gmt":"2015-07-20T17:38:08","slug":"o-sistema-financeiro-global-esta-maduro-para-levar-um-tranco-dos-grandes-devedores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/o-sistema-financeiro-global-esta-maduro-para-levar-um-tranco-dos-grandes-devedores\/","title":{"rendered":"O sistema financeiro global est\u00e1 maduro para levar um tranco dos grandes devedores"},"content":{"rendered":"<p>Por Geraldo Hasse<br \/>\nAlguns economistas come\u00e7am a colocar em d\u00favida a efic\u00e1cia da ortodoxia monet\u00e1ria e fiscal no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o na economia brasileira.<u><\/u><u><\/u><br \/>\n\u00c9 uma conversa de iniciados que pouco interessa ao p\u00fablico em geral, mais \u201cfocado\u201d, como se diz, no dia-a-dia, o \u201cday by day\u201d, mas cabe lembrar que o assunto n\u00e3o se esgota na dualidade c\u00e2mbio-juros. Focar s\u00f3 isso \u00e9 \u201claborar no erro\u201d, como se dizia antigamente.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nQuando falam em ortodoxia fiscal e monet\u00e1ria, os economistas se referem \u00e0 atual conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros Selic praticada pelo Banco Central (para o pagamento da d\u00edvida do Tesouro Nacional) e, finalmente, ao c\u00e2mbio.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nAntes de mais nada, \u00e9 preciso lembrar que esses tr\u00eas itens \u2013 gastos p\u00fablicos, taxa de juros e cota\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio \u2013 s\u00e3o de dif\u00edcil controle porque dependem de vari\u00e1veis situadas mais ou menos fora do alcance do governo. Vejamos:<u><\/u><u><\/u><br \/>\nI &#8211; Os gastos p\u00fablicos podem ser protelados (\u201ccontingenciados\u201d, no jarg\u00e3o do servi\u00e7o p\u00fablico), mas entre eles h\u00e1 itens inescap\u00e1veis como o custeio da m\u00e1quina, o pagamento do pessoal ativo, as aposentadorias e pens\u00f5es dos inativos, as verbas obrigat\u00f3rias para manuten\u00e7\u00e3o de setores b\u00e1sicos (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a), as obras inadi\u00e1veis, os investimentos em novos projetos de infraestrutura e, especialmente, o servi\u00e7o da d\u00edvida, que come um bocado da grana nacional. Isso, no Executivo; n\u00e3o falamos do Legislativo e do Judici\u00e1rio, que administram as pr\u00f3prias despesas como se n\u00e3o houvessem limites or\u00e7ament\u00e1rios.\u00a0<u><\/u><u><\/u><br \/>\nII &#8211; A taxa de juros manipulada pelo Banco Central obedece mais aos fluxos financeiros internacionais do que aos interesses nacionais, se \u00e9 que esses ainda est\u00e3o vivos em nosso contexto pol\u00edtico, mais orientado para a \u201cinser\u00e7\u00e3o na economia global\u201d, na qual prevalecem os interesses dos pa\u00edses mais fortes.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nIII &#8211; Quanto \u00e0 taxa de c\u00e2mbio, idem: o que mais pesa s\u00e3o os fluxos de com\u00e9rcio, turismo e investimentos externos. \u00c9 preciso entender que o c\u00e2mbio e os juros s\u00e3o tipo irm\u00e3os\/amigos insepar\u00e1veis que \u201catam e desatam em Manhattan\u201d, como disse um empres\u00e1rio paulista no apagar das luzes do enganoso \u201cmilagre econ\u00f4mico brasileiro\u201d da ditadura militar (1964-1985).<u><\/u><u><\/u><br \/>\nTrocando em mi\u00fados, \u00e9 muito reduzida a autonomia dos administradores p\u00fablicos de pa\u00edses da periferia do sistema econ\u00f4mico dominante.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nPor mais que tente falar grosso no concerto global, o Brasil ainda n\u00e3o tem peso para se confrontar com os EUA, Europa, Jap\u00e3o e China. \u00c9 at\u00e9 bom que assim seja. Melhor a concilia\u00e7\u00e3o do que a confronta\u00e7\u00e3o. Ser pot\u00eancia econ\u00f4mica exige poderio b\u00e9lico e outras sandices. \u00a0<u><\/u><u><\/u><br \/>\nNa realidade, o Brasil s\u00f3 vai conseguir ser independente e aut\u00f4nomo quando se livrar do endividamento que mant\u00e9m o governo amarrado a uma pol\u00edtica de juros que s\u00f3 atende aos credores e seus intermedi\u00e1rios financeiros.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nAssim, a discuss\u00e3o sobre as alternativas \u00e0 ortodoxia monet\u00e1ria n\u00e3o pode ficar restrita aos itens c\u00e2mbio e juros. O buraco \u00e9 nitidamente mais embaixo.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nDificilmente o Brasil sair\u00e1 desse dilema crucial sem denunciar a d\u00edvida. O clima para isso nunca foi t\u00e3o favor\u00e1vel.<u><\/u><u><\/u><br \/>\nO sistema financeiro internacional ancorado no d\u00f3lar est\u00e1 maduro para um realinhamento via \u201cdefault\u201d, o popular calote.<u><\/u><u><\/u><br \/>\n<u><\/u>\u00a0<u><\/u><br \/>\nLEMBRETES DE OCASI\u00c3O<u><\/u><u><\/u><br \/>\n\u201cPara mim, os maiores pecados s\u00e3o aqueles que v\u00e3o na estrada da mentira, e s\u00e3o tr\u00eas: a desinforma\u00e7\u00e3o, a cal\u00fania e a difama\u00e7\u00e3o\u201d.Papa Francisco em mar\u00e7o de 2014<u><\/u><u><\/u><br \/>\n\u201cA concentra\u00e7\u00e3o monopolista dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social que pretende impor padr\u00f5es alienantes de consumo e certa uniformidade cultural \u00e9 outra das formas que adota o novo colonialismo. \u00c9 o colonialismo ideol\u00f3gico\u201d.Papa Francisco em julho de 2015<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Geraldo Hasse Alguns economistas come\u00e7am a colocar em d\u00favida a efic\u00e1cia da ortodoxia monet\u00e1ria e fiscal no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o na economia brasileira. \u00c9 uma conversa de iniciados que pouco interessa ao p\u00fablico em geral, mais \u201cfocado\u201d, como se diz, no dia-a-dia, o \u201cday by day\u201d, mas cabe lembrar que o assunto n\u00e3o se [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":22845,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-22842","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-5Wq","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}