{"id":23051,"date":"2015-07-31T10:48:08","date_gmt":"2015-07-31T13:48:08","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=23051"},"modified":"2015-07-31T10:48:08","modified_gmt":"2015-07-31T13:48:08","slug":"fome-zero-lancado-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/fome-zero-lancado-na-africa\/","title":{"rendered":"Fome Zero lan\u00e7ado na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<div><span class=\"assina\">Geraldo Hasse<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nos pr\u00f3ximos 15 anos ser\u00e1 necess\u00e1rio investir US$ 267 bilh\u00f5es por ano para erradicar a fome no mundo. Isso significa US$ 160 anuais por pessoa faminta.\u00c9 o que diz o relat\u00f3rio da FAO apresentado \u00e0 III Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Financiamento do Desenvolvimento, em Addis Abeba (Eti\u00f3pia), l\u00e1 onde andou, dias atr\u00e1s, cercado de holofotes, de agentes de seguran\u00e7a e de jornalistas, o presidente americano Obama.<br \/>\n\u00c9 tanto dinheiro necess\u00e1rio a um ideal de justi\u00e7a social que a m\u00eddia convencional nem se preocupou em entrar em detalhes. Para a maioria dos jornalistas, o assunto dominante era a raiz africana de Obama, o presidente da na\u00e7\u00e3o mais poderosa do mundo.<br \/>\nPor v\u00edcio da cobertura jornal\u00edstica focada nas firulas da estrela mais brilhante da Am\u00e9rica, as lantejoulas do poder ofuscaram completamente as car\u00eancias das massas desnutridas da m\u00e3e \u00c1frica e dos outros continentes.<br \/>\nOra, cochicham os ricos, quem tem paci\u00eancia e tempo para os pobres? S\u00f3 o Papa Francisco e olhe l\u00e1. Quanto a dispor de dinheiro, bem, vai-se levando o assunto com a barriga. A barriga cheia, claro.<br \/>\n\u00c9 bastante claro pelo comportamento da m\u00eddia que os pa\u00edses ricos e os medianamente abonados n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para as necessidades dos famintos do mundo, estimados em quase dois bilh\u00f5es de indiv\u00edduos. Os US$ 160 anuais por faminto representam, na realidade, pouco menos de meio d\u00f3lar por dia. \u00c9 uma esmolinha, uma merreca. O problema \u00e9 que s\u00e3o quase dois bilh\u00f5es de pessoas.<br \/>\nPior, junto com a fome moram a desnutri\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as, a falta de higiene e de saneamento b\u00e1sico, de habita\u00e7\u00e3o adequada e de meios para ir \u00e0 escola e ao trabalho. \u00c9 o maior problema do mundo, junto com o desmanche da Natureza, o que j\u00e1 se reflete nas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br \/>\nResta o consolo de que o relat\u00f3rio da FAO segue as linhas b\u00e1sicas do modelo brasileiro de combate \u00e0 fome implantado e aperfei\u00e7oado nos \u00faltimos 20 anos. N\u00e3o \u00e9 por acaso que a diretoria geral da FAO \u00e9 ocupada pelo agr\u00f4nomo brasileiro Jos\u00e9 Graziano da Silva, o idealizador do programa Fome Zero, institucionalizado no Bolsa-Fam\u00edlia. Antes de apresent\u00e1-lo ao mundo, Graziano mimoseou o &#8220;relat\u00f3rio da fome&#8221; \u00e0 presidenta Dilma Rousseff em sua \u00faltima viagem \u00e0 It\u00e1lia, sede da FAO.<br \/>\nAo buscar dar a m\u00ednima prote\u00e7\u00e3o \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais pobres e vulner\u00e1veis, esse tipo de pol\u00edtica social deve ser encarado n\u00e3o como despesa, mas como investimento: ao prover algum poder aquisitivo aos mais pobres, vinculando a ajuda financeira \u00e0 presen\u00e7a das crian\u00e7as na escola, induz as pessoas a pensar que a \u00fanica forma de resgate da mis\u00e9ria passa pela educa\u00e7\u00e3o. Em s\u00e3 consci\u00eancia, n\u00e3o existe outra sa\u00edda.<br \/>\nAl\u00e9m de manter o programa Bolsa-Fam\u00edlia, o Brasil vem dando outro exemplo de pol\u00edtica social ao proteger a agricultura familiar. Com amplos programas de compras para a merenda escolar e incentivos credit\u00edcios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de alimentos em pequenas propriedades geridas por fam\u00edlias, garante-se a sustentabilidade da popula\u00e7\u00e3o residente no campo e boa parte do abastecimento dos habitantes das cidades.<br \/>\nApesar de aparentemente bem amparada por uma pol\u00edtica de juros subsidiados, a agricultura familiar opera num ambiente de extrema car\u00eancia. Segundo recente relat\u00f3rio da FAO, a pobreza na zona rural brasileira \u00e9, proporcionalmente, mais do que o dobro da pobreza nas \u00e1reas urbanas, onde se encontram 85% da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO fen\u00f4meno da pobreza rural \u00e9 menos vis\u00edvel porque est\u00e1 espalhado em vastas \u00e1reas s\u00f3 frequentadas pelos profissionais vinculados \u00e0s atividades agr\u00edcolas. De vez em quando, a car\u00eancia rural aflora em manifesta\u00e7\u00f5es do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e outras entidades comprometidas com o resgate dos flagelados da desigualdade.<br \/>\nA agricultura familiar \u00e9 o elo mais primitivo da hist\u00f3ria da luta pela sobreviv\u00eancia humana e tende a ser um foco de resist\u00eancia \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio ecol\u00f3gico.\n<\/div>\n<div><span class=\"intermenos\">LEMBRETE DE OCASI\u00c3O\u00a0<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u201cO colonialismo promoveu pelo mundo uma certa forma de progresso, mas sempre a servi\u00e7o dos seus lucros exclusivos, ou quando muito associado a um pequeno n\u00famero de nacionais privilegiados que se desinteressavam pelo futuro da nacionalidade&#8230;\u201d\u00a0Josu\u00e9 de Castro em Geografia da Fome, livro de 1946<b><\/b><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geraldo Hasse Nos pr\u00f3ximos 15 anos ser\u00e1 necess\u00e1rio investir US$ 267 bilh\u00f5es por ano para erradicar a fome no mundo. 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