{"id":23231,"date":"2015-08-06T17:42:47","date_gmt":"2015-08-06T20:42:47","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=23231"},"modified":"2015-08-06T17:42:47","modified_gmt":"2015-08-06T20:42:47","slug":"cpi-ouve-envolvidos-na-operacao-zelotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cpi-ouve-envolvidos-na-operacao-zelotes\/","title":{"rendered":"CPI ouve envolvidos na Opera\u00e7\u00e3o Zelotes"},"content":{"rendered":"<p>A CPI do Carf, que investiga den\u00fancias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tomou nesta quinta-feira (6) depoimentos de Maur\u00edcio Taveira e Antonio Lisboa. Ambos s\u00e3o ex-conselheiros do \u00f3rg\u00e3o, ligado ao Minist\u00e9rio da Fazenda, e participaram entre outros do julgamento que levou a um desconto na autua\u00e7\u00e3o da Mitsubishi, reduzindo um d\u00e9bito fiscal superior a R$ 266 milh\u00f5es para menos de R$ 1 milh\u00e3o.<br \/>\nDurante os depoimentos, que se deram em momentos separados, o senador Jos\u00e9 Pimentel (PT-CE) leu um e-mail enviado pelo ex-presidente do Carf Jos\u00e9 Ricardo da Silva a interlocutores, em que um dia antes j\u00e1 informava que o caso da Mitsubishi seria favor\u00e1vel \u00e0 empresa, num placar de 4 a 2.<br \/>\nTanto Taveira quanto Lisboa afirmaram &#8220;n\u00e3o ter nenhum conhecimento&#8221; sobre o porqu\u00ea de o resultado ter sido previsto com anteced\u00eancia. A suspeita investigada pela CPI \u00e9 que o e-mail fez parte de uma estrat\u00e9gia de achaque \u00e0 Ford para que aderisse a um esquema de propinas a conselheiros do \u00f3rg\u00e3o, uma vez que a empresa tamb\u00e9m havia sofrido uma autua\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria da Receita Federal.<br \/>\nTaveira e Lisboa votaram a favor da Mitsubishi, e assim como Jos\u00e9 Ricardo s\u00e3o investigados na CPI e na Opera\u00e7\u00e3o Zelotes, da Pol\u00edcia Federal. O senador Wilder Morais (DEM-GO) disse acreditar que a Mitsubishi foi v\u00edtima de achaque e acabou cedendo.<br \/>\n\u2014 \u00c9 uma empresa muito importante para meu Estado, onde sua f\u00e1brica gera mais de 4 mil empregos \u2014 disse.<br \/>\nA f\u00e1brica da empresa em Goi\u00e1s foi o principal argumento utilizado pelos ex-conselheiros para que a autua\u00e7\u00e3o da empresa fosse drasticamente reduzida. Segundo eles, o correto \u00e9 que a Mitsubishi fosse beneficiada de um regime especial de tributa\u00e7\u00e3o referente \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de investimentos produtivos nas regi\u00f5es Centro-Oeste, Norte e Nordeste.<br \/>\nA relatora da comiss\u00e3o, senadora Vanessa Graziottin (PC do B-AM), disse estranhar que a multinacional japonesa, apesar de contar com uma &#8220;competente e numerosa&#8221; assessoria jur\u00eddica, tenha, no caso do Carf, contratado escrit\u00f3rios de advocacia especializados em atuarem dentro da institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA empresa repassou R$ 24,2 milh\u00f5es a estes escrit\u00f3rios, que segundo as investiga\u00e7\u00f5es fazem parte do esquema de repasse de propinas aos integrantes do Carf.<br \/>\nO senador Otto Alencar (PSD-BA) defendeu a pris\u00e3o de ambos os depoentes durante seus depoimentos. Em seu entender, ambos incorreram em falsos testemunhos. No caso de Taveira, ele teria inicialmente negado\u00a0ter contato com escrit\u00f3rios de advocacia. Mas em seguida admitiu que sua esposa, uma ex-funcion\u00e1ria da Receita Federal, havia abandonado a institui\u00e7\u00e3o e aberto um escrit\u00f3rio de advocacia que atuou inclusive em processos dentro do Carf.<br \/>\nNo caso de Lisboa, Alencar ainda reitera que o depoente admitiu j\u00e1 haver prestado assessoria jur\u00eddica fiscal sem ter declarado alguns destes trabalhos para a Receita.<br \/>\nVanessa Grazziotin afirma que um dos focos de seu relat\u00f3rio ser\u00e1 a completa reformula\u00e7\u00e3o do Carf.<br \/>\n\u2014 N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel continuar como est\u00e1, \u00e9 impressionante a promiscuidade. Um grande n\u00famero de conselheiros possui graus de parentesco ou tem parentes em escrit\u00f3rios de advocacia com processos ali \u2014 disse.<br \/>\nO presidente da CPI, senador Ata\u00eddes Oliveira (PSDB-TO), lembra que o Carf possui em sua agenda o julgamento de processos que somam valores superiores a R$ 600 bilh\u00f5es. Por isso a CPI realiza na pr\u00f3xima semana uma audi\u00eancia em que ser\u00e1 discutida sua PEC (Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o) que reformula o \u00f3rg\u00e3o.<br \/>\n<strong>Outras demandas<\/strong><br \/>\nPara o senador Otto Alencar, os depoimentos prestados nesta quinta tornaram &#8220;ainda mais evidente&#8221; que uma quadrilha teria se apossado do Carf. O senador corrobora da vis\u00e3o de que a Ford, ao negar-se a entrar no esquema de propinas, foi &#8220;punida&#8221; perdendo seu processo.<br \/>\nO senador ainda defendeu a convoca\u00e7\u00e3o de Eduardo Sirotsky, diretor do grupo RBS (Rede Brasil Sul). A empresa, afiliada da Rede Globo na Regi\u00e3o Sul, tamb\u00e9m est\u00e1 sendo investigada por um processo envolvendo mais de R$ 1 bilh\u00e3o.<br \/>\n\u2014 Estamos investigando pessoas muito poderosas e influentes. Tanto que quase nada do que investigamos aqui sai na grande m\u00eddia \u2014 disse.<br \/>\nEle tamb\u00e9m questionou o trabalho do juiz Ricardo Leite, da 10\u00aa Vara de Justi\u00e7a do Distrito Federal, que negou os pedidos de pris\u00e3o preventiva de um grande n\u00famero de investigados. O juiz foi recentemente substitu\u00eddo pela magistrada Marianne Borr\u00e9.<br \/>\n<em>Da Ag\u00eancia Senado \/ Texto: Sergio Vieira. Foto: Edilson Rodrigues<\/em><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CPI do Carf, que investiga den\u00fancias de irregularidades no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tomou nesta quinta-feira (6) depoimentos de Maur\u00edcio Taveira e Antonio Lisboa. 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