{"id":2336,"date":"2009-01-19T08:07:24","date_gmt":"2009-01-19T11:07:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=2336"},"modified":"2009-01-19T08:07:24","modified_gmt":"2009-01-19T11:07:24","slug":"passatao-da-a-volta-na-patagonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/passatao-da-a-volta-na-patagonia\/","title":{"rendered":"AVENTURA: Passat 86 vai e volta da Patag\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Por Daiane Menezes<\/span><br \/>\n<span class=\"capitular\">P<\/span><br \/>\node ser dif\u00edcil arrumar um companheiro. Dar certo se ambos v\u00eam com o pacotinho completo, ainda mais. Agora, imagine o quase imposs\u00edvel que \u00e9 botar quatro integrantes de uma fam\u00edlia rec\u00e9m formada rodando por 21 dias dentro de um Passat ano 1986.<br \/>\nA id\u00e9ia era sair de Porto Alegre e chegar at\u00e9 a Patag\u00f4nia argentina, durante as festas de final de ano. Parece uma miss\u00e3o imposs\u00edvel? Carlos Stein, 48 anos, sua filha Marina, de sete, Naida Menezes, 40 anos, e seu filho Thales, de 13, encararam tal viagem &#8211; no tal Passat\u00e3o.<br \/>\nO destino era o Estreito de Magalh\u00e3es. A grana dispon\u00edvel estava contada. A mochila virou arm\u00e1rio, uma bandeja, a mesa em que preparavam parte das refei\u00e7\u00f5es. Na segunda semana, Marina perguntou: \u201cPor que o almo\u00e7o tem que ser sempre sandu\u00edche?\u201d. A resposta \u00e0 enteada foi: \u201cEst\u00e1 vendo algum fog\u00e3o por aqui? (risos)\u201d.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Pneu furado<\/span><br \/>\nO Passat, ao final da viagem, depois de v\u00e1rias manhas que fizeram a expedi\u00e7\u00e3o ter outros rumos ou ritmos, do pneu furado a uma pe\u00e7a que n\u00e3o existia em lugar algum para ser trocada, virou quase um ser humano. \u201cAgora ele est\u00e1 l\u00e1, descansando\u201d, diz Carlos.<br \/>\nA fam\u00edlia saiu da capital ga\u00facha, cruzou o Uruguai e chegou em Buenos Aires de Buquebus, navio que faz transporte de passageiros e carros de Montevid\u00e9u at\u00e9 a capital argentina. A ceia de Natal come\u00e7ou mais cedo porque as cerejas, p\u00eassegos e peras destinadas ao jantar n\u00e3o passaram no controle fitossanit\u00e1rio da entrada da Patag\u00f4nia. Como a regra era n\u00e3o desperdi\u00e7ar, viraram lanche da tarde.<br \/>\nNa Argentina, desceram pela Ruta 3. Entre Bah\u00eda Blanca e Viedma est\u00e1 o Rio Colorado. Abaixo dele, est\u00e1 a Patag\u00f4nia. Marina ficou encantada ao ver milhares de ping\u00fcins reunidos em Punta Tombo. Neste parque, onde em cada arbusto mora uma fam\u00edlia de ping\u00fcins, a temperatura alcan\u00e7ava 40 graus. Para chocar seus ovos, eles procuram o calor. Passando Comodoro Rivadavia, o barulho dos ventos nas bombonas de \u00e1gua e gasolina que estavam no teto era t\u00e3o forte que pararam em uma borracharia achando que o carro estava com problema nos rolamentos.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14692\" aria-describedby=\"caption-attachment-14692\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14692\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/20081226_1620111.jpg\" alt=\"Em Punta Tombos, uma fam\u00edlia de ping\u00fcim embaixo de casa arbusto | Foto: Carlos Stein\" width=\"700\" height=\"469\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14692\" class=\"wp-caption-text\">Em Punta Tombos, uma fam\u00edlia de ping\u00fcim embaixo de casa arbusto | Foto: Carlos Stein<\/figcaption><\/figure><br \/>\nCada vez mais ao Sul do Sul, no Estreito de Magalh\u00e3es, o Passat ficou com as duas portas amassadas pelo vento. Al\u00e9m disso, o carro, estacionado em um lugar plano, mas sem o freio de m\u00e3o puxado, foi deslocado. Nesta regi\u00e3o, n\u00e3o se v\u00eaem casas em cima dos morros, como seria natural para procurar a melhor vista, mas nas baixadas para se proteger da ventania.<br \/>\nSubindo pela Ruta 40, Naida ficou admirada com o Glaciar Perito Moreno. Do mirante em que estavam enxergavam um pared\u00e3o de gelo de 60m de altura com quase 2,5km de largura. Em El Calafate, a fam\u00edlia comeu a fruta de um arbusto espinhoso que tem o mesmo nome do local. H\u00e1 uma supersti\u00e7\u00e3o que diz que todos aqueles que comem calafate, retornam. Carlos comeu na primeira vez que foi. Este ano, l\u00e1 estava ele de volta.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14693\" aria-describedby=\"caption-attachment-14693\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14693\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/20081229_1607441.jpg\" alt=\"Glaciar Perito Moreno, um pared\u00e3o de gelo de 60m de altura com quase 2,5km de largura | Foto: Carlos Stein\" width=\"700\" height=\"469\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14693\" class=\"wp-caption-text\">Glaciar Perito Moreno, um pared\u00e3o de gelo de 60m de altura com quase 2,5km de largura | Foto: Carlos Stein<\/figcaption><\/figure><br \/>\nThales se impressionou com a imensid\u00e3o dos Andes, no mirante que d\u00e1 para o Monte Fritz Roy. Passaram o Ano Novo em El Chalt\u00e9n. O albergue em que estavam tinha turistas de v\u00e1rios lugares, entre eles, espanh\u00f3is, alem\u00e3es, italianos. Cada grupo comemorou segundo o hor\u00e1rio do seu pa\u00eds, ou seja, a virada foi festejada muitas vezes. A ceia contava com frutas, bolos e vinho, nada de banquetes. Mas o que n\u00e3o teve pre\u00e7o foi aquela torre de babel cantando junto \u201cI will survive\u201d. Pelo menos a fam\u00edlia em quest\u00e3o sobreviveu.<br \/>\nA op\u00e7\u00e3o preferencial por albergues se deu porque, al\u00e9m de ser mais barato, t\u00eam cozinha para fazer almo\u00e7o. H\u00e1 outras possibilidades de hospedagem mais em conta, como residencial, hostel, hostal e albergo. S\u00f3 cuidado para n\u00e3o pedir para dormir em um \u201cResidencial dos Abuelos\u201d, pois pode tratar-se de casa geri\u00e1trica. N\u00e3o ter lugar reservado para dormir d\u00e1 liberdade, mas pode trazer alguns inconvenientes. Marina, por exemplo, \u00e0s vezes dormia antes de terem conseguido encontrar um local para pernoitar.<br \/>\nO plano era ir at\u00e9 o Vulc\u00e3o Lanin, mas a rota teve que ser mudada por causa da outra bucha de suspens\u00e3o do carro que estragou. Em Bariloche conseguiram improvisar uma solu\u00e7\u00e3o. Apesar deste contratempo, Carlos realizou um sonho ao cruzar com o Rally Dakar, em Neuqu\u00e9n, sem que nada disso fosse planejado. Desfilaram junto com as motos, triciclos, quadriciclos, side-cars, carros e caminh\u00f5es. Marina abanava para todo mundo. \u201cNunca achei que eu ia me divertir tanto\u201d, disse ela.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14695\" aria-describedby=\"caption-attachment-14695\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14695\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/20090106_1849291.jpg\" alt=\"O Passat tentando competir com um super caminh\u00e3o que participou do Rally Dakar. As portas foram amassadas pelo vento do Estreito de Magalh\u00e3es | Foto: Carlos Stein\" width=\"700\" height=\"469\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14695\" class=\"wp-caption-text\">O Passat tentando competir com um super caminh\u00e3o que participou do Rally Dakar. As portas foram amassadas pelo vento do Estreito de Magalh\u00e3es | Foto: Carlos Stein<\/figcaption><\/figure><br \/>\nComo f\u00e9rias para crian\u00e7as e adolescentes sem \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 f\u00e9rias, perto de Bariloche fizeram uma das tantas paradas para um banho. Esta foi no Lago Mascardi, formado por \u00e1gua de degelo.<br \/>\nA li\u00e7\u00e3o n\u00famero 1 para a gurizada foi a gentileza. Sem ela, n\u00e3o se resiste a uma m\u00e9dia de 470km di\u00e1rios com tanta diferen\u00e7a de idade no banco de tr\u00e1s de um carro sem mordomias. A palavra foi onipresente nas conversas durante a viagem, tanto usada positivamente como ironicamente: \u201cDeixa eu guardar essas coisas na tua mochila?\u201d, pergunta Thales. \u201cN\u00e3o!\u201d, responde Marina. Ele retruca: \u201cQuanta gentileza\u2026\u201d. Ou ent\u00e3o: \u201cPode escolher a cama\u201d, diz ela. \u201cQue gentileza!\u201d, responde ele.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14696\" aria-describedby=\"caption-attachment-14696\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-14696 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/20090104_1507401.jpg\" alt=\"20090104_150740\" width=\"700\" height=\"469\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14696\" class=\"wp-caption-text\">Thales e Marina aproveitando o Lago Mascardi, com picos nevados da Cordilheira dos Andes ao fundo | Foto: Carlos Stein<\/figcaption><\/figure><br \/>\nPara entreter a gurizada durante tantos quil\u00f4metros, m\u00fasicas animadas, desenhos, jogos de \u201cstop\u201d (lembram disso? aquele que s\u00f3 precisa de um papel e uma caneta, uma letra \u00e9 escolhida e temos que completar uma s\u00e9rie de categorias com coisas que comecem com tal letra), e uma adapta\u00e7\u00e3o do jogo Imagem e A\u00e7\u00e3o.<br \/>\nQuem se interessar por fazer o mesmo roteiro, deve planejar a viagem com mais dias, dizem os aventureiros. Viajar com mais carros junto pode diminuir bastante o estresse. Levar barraca tamb\u00e9m pode ser uma boa id\u00e9ia, j\u00e1 que h\u00e1 v\u00e1rios locais para acampamento no caminho e diminui o custo da viagem. Fora isso, aten\u00e7\u00e3o nas placas, uma caixa de ferramentas completa e bastante sorte para que n\u00e3o d\u00ea problema no carro em uma estrada de ch\u00e3o deserta, \u00e0s 23h, tamb\u00e9m ajudam.<br \/>\n<figure id=\"attachment_14697\" aria-describedby=\"caption-attachment-14697\" style=\"width: 384px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14697\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/mapa1.jpg\" alt=\"Percurso realizado, saindo de Porto Alegre, passando pelo Uruguai e dando a volta na Patag\u00f4nia\" width=\"384\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14697\" class=\"wp-caption-text\">Percurso realizado, saindo de Porto Alegre, passando pelo Uruguai e dando a volta na Patag\u00f4nia<\/figcaption><\/figure><br \/>\nAs vantagens de fazer esse tipo de viagem com um Passat velho? \u201cN\u00e3o houve nenhum problema que eu n\u00e3o pudesse dar pelo menos uma tapeada para seguir viagem. Numa outra ocasi\u00e3o em que rodei com amigos quase a mesma dist\u00e2ncia com seis Land Rovers, cinco quebraram\u201d, conta Carlos.<br \/>\nAl\u00e9m disso, n\u00e3o sofremos achaque da pol\u00edcia argentina. J\u00e1 nesta viagem anterior, com carros 4\u00d74, em todos os postos policiais tinham que desembolsar alguma coisa. Tampouco passaram por r\u00edgida inspe\u00e7\u00e3o. Esqueceram do kit de primeiros socorros, mas isso nem foi exigido nos postos de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nOs pais de Marina e Thales acreditam que depois dessa viagem, eles devem conseguir resolver qualquer problema mais facilmente, al\u00e9m de melhorar o desempenho nas aulas de geografia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daiane Menezes P ode ser dif\u00edcil arrumar um companheiro. Dar certo se ambos v\u00eam com o pacotinho completo, ainda mais. 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