{"id":23836,"date":"2015-08-21T15:50:31","date_gmt":"2015-08-21T18:50:31","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=23836"},"modified":"2015-08-21T15:50:31","modified_gmt":"2015-08-21T18:50:31","slug":"brasil-e-alemanha-inauguram-torre-de-pesquisa-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/brasil-e-alemanha-inauguram-torre-de-pesquisa-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Brasil e Alemanha inauguram torre de pesquisa na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Estrutura \u00e9 a maior da Am\u00e9rica Latina. O Observat\u00f3rio de Torre Alta da Amaz\u00f4nia, de 325 metros, permitir\u00e1, por exemplo, monitorar efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na floresta.<br \/>\nSer\u00e1 inaugurado, neste s\u00e1bado (22), o Observat\u00f3rio de Torre Alta da Amaz\u00f4nia (ATTO, na sigla em ingl\u00eas), estrutura de 325 metros que ampliar\u00e1 o campo de pesquisa e o entendimento da intera\u00e7\u00e3o entre a biosfera e a atmosfera. A torre foi instalada na\u00a0Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel do Uatum\u00e3, entre os munic\u00edpios de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Uatam\u00e3 (AM) e Itapiranga (AM), a cerca de 150 quil\u00f4metros, em linha reta, de Manaus (AM). O ministro da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, Aldo Rebelo; o governador do Amazonas, Jos\u00e9 Melo; e representantes da embaixada da Alemanha no Brasil participam da cerim\u00f4nia.<br \/>\nEstimada em R$ 26 milh\u00f5es, a Torre Alta da Amaz\u00f4nia \u00e9 resultado de parceria cient\u00edfica entre Brasil e Alemanha, implementada por meio do Instituto Nacional da Amaz\u00f4nia (Inpa\/MCTI), da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e dos institutos alem\u00e3es Max Planck de Qu\u00edmica e de Biogeoqu\u00edmica. Do valor total, R$13 milh\u00f5es foram aportados pelo governo brasileiro, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep\/MCTI), e R$ 13 milh\u00f5es pelo governo alem\u00e3o. Al\u00e9m disso, a Universidade Estadual do Amazonas (UEA) empregou R$ 2 milh\u00f5es para restaurar a estrada do rio Uatum\u00e3 at\u00e9 o s\u00edtio do projeto.<br \/>\nA Torre ATTO permitir\u00e1 a an\u00e1lise de mudan\u00e7as e modelos clim\u00e1ticos na floresta amaz\u00f4nica, al\u00e9m de monitorar os componentes da atmosfera relevantes \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00a0 Ser\u00e3o estudadas, por exemplo, as trocas de massa e energia que ocorrem entre o solo, a copa das \u00e1rvores e o ar acima delas. O Observat\u00f3rio \u00e9 o primeiro desse tipo na Am\u00e9rica do Sul e o \u00fanico no mundo voltado para essa finalidade. A estrutura de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica vai gerar conhecimento in\u00e9dito sobre o papel do ecossistema amaz\u00f4nico no contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<br \/>\nSegundo o coordenador do projeto ATTO pelo Inpa, Antonio Manzi, ser\u00e1 poss\u00edvel aprimorar os modelos que fazem previs\u00e3o de tempo e clima. \u201cN\u00f3s projetamos o Observat\u00f3rio como um laborat\u00f3rio de refer\u00eancia mundial para as intera\u00e7\u00f5es entre as florestas tropicais e a atmosfera. Os resultados obtidos fornecer\u00e3o um grande avan\u00e7o na representa\u00e7\u00e3o das florestas tropicais em modelos de sistemas meteorol\u00f3gicos e da Terra para gerar previs\u00f5es de tempo e cen\u00e1rios muito mais precisos sobre o clima\u201d, explica.<br \/>\nA localiza\u00e7\u00e3o da torre na floresta tropical brasileira garantir\u00e1, segundo o diretor do Departamento de Biogeoqu\u00edmica do Instituto Max Planck de Qu\u00edmica, Meinrat Andreae, dados mais confi\u00e1veis. \u201cO fato de estar distante das cidades e, portanto, das influ\u00eancias humanas, garante a coleta de dados relativamente n\u00e3o adulterados&#8221;, explica Andreae. \u201cAl\u00e9m disso, a Torre Alta permitir\u00e1 aos cientistas, a partir de agora, realizar suas medi\u00e7\u00f5es nas camadas mais altas da atmosfera e mais cont\u00ednua do que anteriormente, de modo que s\u00e3o de se esperar declara\u00e7\u00f5es mais confi\u00e1veis sobre o desenvolvimento da nossa atmosfera.\u201d<br \/>\n<a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/infografico_torre.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-23838\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/infografico_torre-300x157.jpg\" alt=\"infografico_torre\" width=\"405\" height=\"216\" \/><\/a><br \/>\n<span class=\"intermenos\">Objetivo cient\u00edfico<\/span><br \/>\nO projeto tem o objetivo de monitorar e estudar o clima da Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica, por cerca de 20 a 30 anos, a partir da coleta de dados sobre os processos de troca e transporte de gases entre a floresta e a atmosfera. O observat\u00f3rio deve medir com precis\u00e3o fluxos de \u00e1gua, di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2) e calor, a fim de analisar o impacto do ciclo de absor\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias.<br \/>\nO coordenador do projeto pelo Inpa diz que a ATTO permitir\u00e1 o estudo do balan\u00e7o de carbono. &#8220;Com as pesquisas que ser\u00e3o realizadas, aumentaremos os nossos conhecimentos sobre o esse ciclo de carbono tropical, o que \u00e9 muito importante mundialmente&#8221;, observou Manzi.<br \/>\nOs 325 metros da ATTO possibilitam o monitoramento de uma extens\u00e3o de espa\u00e7o atmosf\u00e9rico jamais alcan\u00e7ada antes, cerca de mil quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2), preenchendo lacunas de monitoramento e coleta de dados feitas por sat\u00e9lites e outros instrumentos. A expectativa \u00e9 que o projeto atraia alto investimento cient\u00edfico de diversos pa\u00edses.<br \/>\nDo topo da torre de medi\u00e7\u00e3o, pesquisadores tamb\u00e9m podem rastrear altera\u00e7\u00f5es em grandes \u00e1reas de floresta tropical causadas por massas de ar que as atravessam. Ao analisar essas intera\u00e7\u00f5es, eles querem chegar a novas conclus\u00f5es sobre a import\u00e2ncia da floresta tropical para a qu\u00edmica e a f\u00edsica da atmosfera.<br \/>\nO objetivo espec\u00edfico dos cientistas \u00e9, em primeiro lugar, compreender melhor as fontes de produ\u00e7\u00e3o e de consumo de gases de efeito estufa, como o CO\u00b2, metano e \u00f3xido nitroso. \u201cBuscamos entender adequadamente o papel que a floresta desempenha na forma\u00e7\u00e3o de part\u00edculas de aerossol e, portanto, a forma\u00e7\u00e3o de nuvens. Uma s\u00e9rie de segredos est\u00e1 esperando para ser descoberta usando nossa nova torre de medi\u00e7\u00e3o&#8221;, avalia J\u00fcrgen Kesselmeier, coordenador do projeto pela Sociedade Max Planck.<br \/>\nO diretor do Inpa, Luiz Renato Fran\u00e7a, aponta as vantagens da coopera\u00e7\u00e3o internacional. \u201cNosso conhecimento sobre a Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica e a Terra n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo quando este empreendimento magn\u00edfico e impressionante estiver em pleno funcionamento\u201d, avaliou. \u201cEsta fascinante coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 uma clara ilustra\u00e7\u00e3o de como uma tarefa gigantesca, que beneficia todo o planeta e a humanidade, pode ser desenvolvida quando dois grandes pa\u00edses, localizados em diferentes e distantes continentes, trabalham juntos em harmonia.\u201d<br \/>\n<figure id=\"attachment_23837\" aria-describedby=\"caption-attachment-23837\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto_ATTO.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-23837\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/foto_ATTO-200x300.jpg\" alt=\"foto_ATTO\" width=\"390\" height=\"574\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-23837\" class=\"wp-caption-text\">As pe\u00e7as vieram por estrada e por rio at\u00e9 a Reserva do Uatum\u00e3<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intermenos\">Desafio da engenharia<\/span><br \/>\nA empresa respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da torre \u00e9 a San Solu\u00e7\u00f5es Empresariais, do Paran\u00e1, que venceu a licita\u00e7\u00e3o. O representante da empresa, S\u00e9rgio Alves do Nascimento, relata os desafios tecnol\u00f3gicos log\u00edsticos de uma obra dessa magnitude na Regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. &#8220;Em m\u00e9dia, as estruturas que fazemos est\u00e3o entre 50 metros e 150 metros. Para entregar uma estrutura de 325 metros no meio da floresta amaz\u00f4nica tivemos que vencer uma log\u00edstica impressionante. Foi preciso trazer as pe\u00e7as da torre por estrada e por rio at\u00e9 a Reserva do Uatum\u00e3\u201d.<br \/>\nA estrutura, que pesa 142 toneladas, \u00e9 formada por um conjunto de 15 mil pe\u00e7as. Elas foram transportadas de Curitiba \u00e0 Reserva do Uatum\u00e3 por seis carretas que percorreram 4,5 mil quil\u00f4metros at\u00e9 Humait\u00e1 (AM), onde foram embarcadas em uma balsa que percorreu os rios Amazonas e Uatum\u00e3. Vinte e seis quil\u00f4metros de cordoalhas de a\u00e7o fixam a estrutura a blocos de concreto instalados no solo da floresta.<br \/>\nPara chegar ao topo da Torre ATTO \u00e9 preciso subir 1,5 mil degraus ou utilizar um dos seis elevadores de contra peso. A tecnologia empregada \u00e9 100% nacional.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Constru\u00e7\u00e3o da parceria\u00a0<\/span><br \/>\nA Alemanha \u00e9 uma das principais parceiras do Brasil em a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e inova\u00e7\u00e3o. No setor de meio ambiente, a parceria entre os dois pa\u00edses j\u00e1 existe h\u00e1 30 anos, por meio do Experimento de Grande Escala de Biosfera-Atmosfera na Amaz\u00f4nia (LBA), projeto do qual a Torre ATTO faz parte. Ambos os pa\u00edses t\u00eam tradi\u00e7\u00e3o em estudos ambientais. Na Alemanha, a ind\u00fastria de tecnologia do meio ambiente \u00e9 um setor importante da economia e os alem\u00e3es s\u00e3o l\u00edderes no estudo da qu\u00edmica da atmosfera. J\u00e1 o Brasil tem compet\u00eancia no campo da f\u00edsica de nuvens e transporte de mat\u00e9rias na camada limite \u2013 \u00e1rea situada na baixa troposfera (camada da atmosfera em que vivemos e respiramos) e que, portanto, sofre diretamente a influ\u00eancia da superf\u00edcie. Na Amaz\u00f4nia, a camada limite pode atingir at\u00e9 1,6 mil metros .<br \/>\nO LBA j\u00e1 possui outras torres na Amaz\u00f4nia, com alturas entre 50 metros e 80 metros, que s\u00e3o capazes de monitorar fen\u00f4menos de intera\u00e7\u00e3o entre floresta e atmosfera num raio de 10 km.\u00a0 Em 2007, pesquisadores alem\u00e3es propuseram a constru\u00e7\u00e3o da torre alta depois de visitar a Torre K34, de 52 metros de altura, localizada na reserva biol\u00f3gica Cuieiras, ao norte de Manaus.<br \/>\nA coopera\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o foi inicialmente acordada em 2009 por meio de um memorando de entendimento entre o Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) do Brasil com o Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e Pesquisa (BMBF) da Alemanha, que nomearam o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) e o Instituto Max Planck de Qu\u00edmica (MPIC), respectivamente, como institui\u00e7\u00f5es coordenadoras do projeto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estrutura \u00e9 a maior da Am\u00e9rica Latina. 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