{"id":24126,"date":"2015-09-03T17:49:03","date_gmt":"2015-09-03T20:49:03","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=24126"},"modified":"2015-09-03T17:49:03","modified_gmt":"2015-09-03T20:49:03","slug":"funcionario-de-empresas-investigadas-pela-cpi-do-carf-relata-saques-milionarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/funcionario-de-empresas-investigadas-pela-cpi-do-carf-relata-saques-milionarios\/","title":{"rendered":"Zelotes: Depoente na CPI do CARF relata saques milion\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p><strong>Agencia Senado\u00a0<\/strong><br \/>\nA advogada e ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau frequentaram por pelo menos seis meses, entre 2011 e 2012, o escrit\u00f3rio das empresas J. R. Silva e SGR Consultoria Empresarial, apontadas como pe\u00e7as principais do esquema de manipula\u00e7\u00e3o de julgamentos realizados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Eles teriam se reunido semanalmente com Jos\u00e9 Ricardo Silva, ex-conselheiro e dono das empresas, e Alexandre Paes dos Santos, s\u00f3cio da empresa Davos, ambos investigados pela Opera\u00e7\u00e3o Zelotes, da Pol\u00edcia Federal.<br \/>\nA revela\u00e7\u00e3o foi feita nesta quinta-feira (3) por Hugo Rodrigues Borges, esp\u00e9cie de &#8220;faz-tudo&#8221; nas empresas de Jos\u00e9 Ricardo, em depoimento na Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito que investiga irregularidades no Carf. Borges trabalhou por quase 10 anos para a SGR, J. R. e Agropecu\u00e1ria Terra F\u00e9rtil, entre outras empresas administradas por Jos\u00e9 Ricardo e sua fam\u00edlia.<br \/>\nAl\u00e9m de Erenice e Rondeau, que j\u00e1 haviam deixado seus cargos no governo \u00e0 \u00e9poca dos encontros, Jos\u00e9 Ricardo e Alexandre tamb\u00e9m teriam se reunido na mesmo per\u00edodo com o ex-governador do Cear\u00e1 Cid Gomes, de acordo com Borges.<br \/>\n&#8220;Come\u00e7aram [Erenice e Rondeau] a se afastar porque andou rep\u00f3rter l\u00e1 na frente&#8221;, contou Hugo Rodrigo Borges, que negou saber os temas das reuni\u00f5es.<br \/>\nA Opera\u00e7\u00e3o Zelotes investiga se, por meio dessas empresas, conselheiros cobravam propina para anular autua\u00e7\u00f5es fiscais ou reduzir substancialmente os tributos devidos por empresas \u00e0 Uni\u00e3o. Ford, Mitsubishi, Santander e RBS, afiliada da Globo, s\u00e3o algumas das empresas que teriam se beneficiado do esquema.<\/p>\n<h3><strong>Saques<\/strong><\/h3>\n<p>Borges contou que buscava e levava processos do Carf para Jos\u00e9 Ricardo e fazia saques a pedido dele em diferentes contas. O dinheiro, que era colocado em envelopes, era levado para o escrit\u00f3rio da SGR Consultoria, que funcionava em uma casa no Lago Sul, \u00e1rea nobre de Bras\u00edlia, onde tamb\u00e9m ficava a sede de outras empresas.<br \/>\nO ex-funcion\u00e1rio contou que recebia R$ 1.200 por m\u00eas, mas chegou a sacar R$ 1,2 milh\u00e3o em uma semana para Jos\u00e9 Ricardo. Eram comuns, contou, retirar mais de R$ 400 mil em cada opera\u00e7\u00e3o. O dinheiro era levado para o escrit\u00f3rio da SGR Consultoria, relatou.<br \/>\n&#8221; Entregava a Glegliane, que recebia ordem do Jos\u00e9 Ricardo. E era assim: \u00e0s vezes vinham duas pessoas em um dia, a\u00ed no outro vinham mais. Esse dinheiro sumia r\u00e1pido&#8221;, disse.<br \/>\n&#8220;T\u00e3o r\u00e1pido&#8221;, afirmou Borges, que a empresa chegava a ficar sem dinheiro para pagar conta de energia el\u00e9trica e mesmo os funcion\u00e1rios. O ex-funcion\u00e1rio disse que estranhava a movimenta\u00e7\u00e3o, mas seguia ordens.<\/p>\n<h3><strong>Fam\u00edlia<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m de Hugo Borges, tamb\u00e9m compareceram \u00e0 CPI Fl\u00e1vio Rog\u00e9rio da Silva, irm\u00e3o de Jos\u00e9 Ricardo e Edson Pereira Rodrigues, ex-presidente do Carf.<br \/>\nFl\u00e1vio \u00e9 s\u00f3cio de Jos\u00e9 Ricardo na Terra F\u00e9rtil. Mesmo amparado por um habeas corpus, o engenheiro agr\u00f4nomo resolveu falar e sustentou que n\u00e3o conhece nada sobre o funcionamento do Carf. Ele admitiu, contudo, que movimentava elevadas somas de dinheiro em sua conta e revelou que tomava e dava empr\u00e9stimos para o seu irm\u00e3o. De acordo com a relatora da CPI, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), foram mais de 90 transa\u00e7\u00f5es entre os dois, totalizando aproximadamente R$ 6 milh\u00f5es. Nenhuma delas foi declarada \u00e0 Receita Federal.<br \/>\n&#8220;Se n\u00e3o h\u00e1 uma declara\u00e7\u00e3o, \u00e9 porque o montante que foi, foi o montante que veio. Um empr\u00e9stimo para uma lavoura de caf\u00e9 \u00e9 em torno de R$ 1 milh\u00e3o para a nossa lavoura. \u00c9 R$ 1 milh\u00e3o a parte do meu irm\u00e3o e R$ 1 milh\u00e3o a minha parte. S\u00e3o 80 hectares do meu irm\u00e3o e 80 hectares meus. [&#8230;] Ent\u00e3o, quando ele empresta, depois eu devolvo. Quando eu empresto, ele devolve&#8221;, Fl\u00e1vio Rog\u00e9rio da Silva.<br \/>\nVanessa Grazziotin e Ata\u00eddes Oliveira (PSDB-TO) cobraram a apresenta\u00e7\u00e3o dos balan\u00e7os da agropecu\u00e1ria Terra F\u00e9rtil. Segundo Ata\u00eddes, as movimenta\u00e7\u00f5es financeiras da empresa s\u00e3o t\u00edpicas de lavagem de dinheiro.<\/p>\n<h3><strong>Surpresa<\/strong><\/h3>\n<p>J\u00e1 Edson Rodrigues disse que recebeu com surpresa as suspeitas de manipula\u00e7\u00e3o de julgamentos realizados pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ele presidiu o \u00f3rg\u00e3o entre 1995 e 2004.\u00a0Rodrigues se recusou a responder perguntas sobre e-mails e grava\u00e7\u00f5es que apontariam seu envolvimento no caso. Disse que, desde 2007, n\u00e3o \u00e9 mais s\u00f3cio da empresa SGR Consultoria, considerada central no esquema.<br \/>\n&#8220;Os honor\u00e1rios eu continuei recebendo dos processos de que eu fazia jus. At\u00e9 2011 andei recebendo alguma coisa&#8221;, assinalou.<\/p>\n<h3><strong>Busca e apreens\u00e3o<br \/>\n<\/strong><\/h3>\n<p>A filha de Edson Rodrigues, Meigan Sack Rodrigues, tamb\u00e9m seria ouvida nesta quinta-feira, mas apresentou atestado m\u00e9dico e n\u00e3o compareceu. Ex-conselheira do Carf, ela \u00e9 s\u00f3cia do pai em um escrit\u00f3rio de advocacia.<br \/>\nA reuni\u00e3o da CPI ocorreu no mesmo dia em a Opera\u00e7\u00e3o Zelotes realizou buscas e apreens\u00f5es em nove escrit\u00f3rios de contabilidade nos estados do Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo e no Distrito Federal. As buscas foram realizadas pela Pol\u00edcia Federal, Receita Federal e Corregedoria do Minist\u00e9rio da Fazenda, para recolher documentos cont\u00e1beis de algumas empresas investigadas.<br \/>\nPara o presidente da CPI, Ata\u00eddes Oliveira, os depoimentos desta quinta-feira ajudam nas investiga\u00e7\u00f5es. Prevista para acabar neste m\u00eas, a comiss\u00e3o teve seus trabalhos prorrogados at\u00e9 dezembro.<br \/>\n&#8221; Vamos ter que quebrar sigilos banc\u00e1rios. Saber de onde saiu o dinheiro n\u00f3s j\u00e1 sabemos. Agora precisamos saber aonde \u00e9 que esse dinheiro chegou&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agencia Senado\u00a0 A advogada e ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau frequentaram por pelo menos seis meses, entre 2011 e 2012, o escrit\u00f3rio das empresas J. R. 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