{"id":24252,"date":"2015-09-17T17:46:45","date_gmt":"2015-09-17T20:46:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=24252"},"modified":"2015-09-17T17:46:45","modified_gmt":"2015-09-17T20:46:45","slug":"x-o-racismo-em-discussao-na-galeria-ecarta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/x-o-racismo-em-discussao-na-galeria-ecarta\/","title":{"rendered":"X: o racismo em discuss\u00e3o na Galeria Ecarta"},"content":{"rendered":"<p>A Galeria Ecarta inaugura, no dia 19 de setembro, a mostra X, com obras de Carlos Vergara, Mois\u00e9s Patr\u00edcio e Rafael RG. A proposta aborda uma das quest\u00f5es mais contundentes que a sociedade brasileira precisa enfrentar para se desenvolver de forma justa e digna: o racismo direcionado aos negros.<br \/>\nEm um contexto de \u201cracismo estrutural e institucionalizado\u201d \u2012 conforme a defini\u00e7\u00e3o da ONU em relat\u00f3rio de 2014 sobre a discrimina\u00e7\u00e3o racial no pa\u00eds \u2012, X apresenta-se como uma resposta \u00e0 onda conservadora que toma conta do debate p\u00fablico nacional. Al\u00e9m disso, busca estabelecer um espa\u00e7o de reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o problema, tomando como eixo central para o seu combate um di\u00e1logo com as reflex\u00f5es e express\u00f5es desenvolvidas pelo povo negro. Essa interlocu\u00e7\u00e3o observa os lugares de fala dos envolvidos como forma de perceber problemas e privil\u00e9gios presentes no racismo estrutural e institucionalizado. A curadoria \u00e9 assinada em dupla por Luisa Duarte, cr\u00edtica de arte, e Leo Felipe, diretor art\u00edstico da Galeria Ecarta.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Biblioteca tem\u00e1tica e rodas de conversa<\/span><br \/>\nA mostra X contar\u00e1 tamb\u00e9m com uma biblioteca tem\u00e1tica, formada por uma fortuna cr\u00edtica liter\u00e1ria sobre racismo direcionado aos negros. Durante o per\u00edodo da mostra, estar\u00e3o dispon\u00edveis para consultas trabalhos de refer\u00eancia sobre escravid\u00e3o, racismo, colonialismo e cultura afro-brasileira. Entre os autores e pensadores, nomes como Franz Fanon, Nei Lopes, Chimamanda Ngozi Adichie, Kabengele Munanga, Carolina de Jesus, Reginaldo Prandi\u00a0e Oliveira Silveira.<br \/>\n<figure id=\"attachment_24254\" aria-describedby=\"caption-attachment-24254\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/FOTO-2-_RAFAEL-RG_-Monos_detalhe.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-24254 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/FOTO-2-_RAFAEL-RG_-Monos_detalhe.jpg\" alt=\"Mat\u00e9ria \u201cMonos en Buenos Aires\u201d, retirada de peri\u00f3dico argentino \u201cCr\u00edtica\u201d\" width=\"700\" height=\"579\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-24254\" class=\"wp-caption-text\">Mat\u00e9ria \u201cMonos en Buenos Aires\u201d, retirada de peri\u00f3dico argentino \u201cCr\u00edtica\u201d<\/figcaption><\/figure><br \/>\nA programa\u00e7\u00e3o inclui ainda as Rodas de Conversa com grupos de ativistas, artistas e pesquisadores. Esses encontros visam tornar p\u00fablicas as recentes discuss\u00f5es sobre as implica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e sociais do racismo, bem como as formas de combat\u00ea-lo, um debate geralmente restrito \u00e0s esferas da Academia ou da milit\u00e2ncia pol\u00edtica. A coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 de Fernanda Oliveira, doutoranda em Hist\u00f3ria e respons\u00e1vel pela consultoria na elabora\u00e7\u00e3o do referencial bibliogr\u00e1fico da exposi\u00e7\u00e3o,<br \/>\n\u201cCompreender o racismo exige a problematiza\u00e7\u00e3o da branquidade, a qual sustenta a consci\u00eancia dos sujeitos que comp\u00f5em a sociedade e, por vezes, mesmo que inconscientemente, se beneficiam de privil\u00e9gios que corroboram com a manuten\u00e7\u00e3o da ideia de ra\u00e7a e, consequentemente, do racismo. A luta contra o racismo necessariamente passa pela problematiza\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios da branquidade\u201d, aponta Fernanda.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Visita guiada aos Territ\u00f3rios Negros de Porto Alegre<\/span><br \/>\nIntegrando a programa\u00e7\u00e3o de X, no s\u00e1bado, dia 19 de setembro, \u00e0s 14h, o \u00f4nibus do projeto Territ\u00f3rios Negros realizar\u00e1 o seu roteiro por \u00e1reas ligadas \u00e0 cultura e \u00e0 hist\u00f3ria dos afro-brasileiros em Porto Alegre. Com a presen\u00e7a dos curadores da mostra, a atividade \u00e9 restrita a convidados.<br \/>\n\u201cO X \u00e9 o fator indeterminado, a inc\u00f3gnita que precisamos solucionar para seguirmos adiante como sociedade. O X do ativista Malcolm, marcado para morrer como muito jovens negros nesse pa\u00eds. O X da encruzilhada, o espa\u00e7o m\u00e1gico da religiosidade afro. A Galeria Ecarta fica em frente aos Campos da Reden\u00e7\u00e3o, local que h\u00e1 80 anos teve seu nome branqueado para Parque Farroupilha.<br \/>\nH\u00e1 uma rica hist\u00f3ria constru\u00edda pelos negros em nossa cidade que muita gente desconhece\u201d, considera Leo Felipe.<br \/>\nA exposi\u00e7\u00e3o X fica em cartaz na Galeria Ecarta at\u00e9 15 de novembro. A visita\u00e7\u00e3o pode ser feita de ter\u00e7a a sexta, das 10h \u00e0s 19h; s\u00e1bado, das 10h \u00e0s 20h; e domingo, das 10h \u00e0s 18h. Informa\u00e7\u00f5es pelo telefone 51 4009.2971. A entrada \u00e9 franca.<br \/>\n*Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o projeto Territ\u00f3rios Negros est\u00e3o dispon\u00edveis neste endere\u00e7o: http:\/\/www2.portoalegre.rs. gov.br\/gpn\/default.php?p_ secao=18<br \/>\n<span class=\"intermenos\">SOBRE OS PARTICIPANTES DE X:<\/span><br \/>\nCarlos Vergara possui uma obra extensa e consistente, que vem produzindo desde os anos 1960 e que lhe conferiu posi\u00e7\u00e3o de destaque na arte contempor\u00e2nea brasileira. Participou da 1\u00aa Bienal do Mercosul, das 18\u00aa e 20\u00aa Bienais de S\u00e3o Paulo, da 39\u00aa Bienal de Veneza e sua obra faz parte da cole\u00e7\u00e3o do Instituto Inhotim, do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, do Museu de Arte Contempor\u00e2nea de Niter\u00f3i, entre outras importantes cole\u00e7\u00f5es.<br \/>\nFernanda Oliveira \u00e9 licenciada em Hist\u00f3ria pela UFPel, mestre em Hist\u00f3ria pela PUCRS e doutoranda pela UFRGS. Trabalha com associativismo negro a partir de fontes produzidas pelo grupo em uma interface com a compreens\u00e3o do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o enquanto um per\u00edodo hist\u00f3rico que traz em seu eixo central a quest\u00e3o da liberdade e seus significados. Sua pesquisa est\u00e1 em di\u00e1logo estreito com os movimentos sociais, tendo em vista a ci\u00eancia como uma forma de apresentar a outros p\u00fablicos as din\u00e2micas, imposi\u00e7\u00f5es e negocia\u00e7\u00f5es exercidas pelos grupos negros enquanto parte da sociedade brasileira, uruguaia e diasp\u00f3rica, em uma busca constante por uma autoria compartilhada. \u00c9 assessora de clubes sociais negros e desenvolveu pesquisa para a constru\u00e7\u00e3o de material did\u00e1tico por interm\u00e9dio dos projetos &#8220;RS Negro&#8221; (secretaria de justi\u00e7a do RS), &#8220;A \u00c1frica est\u00e1 em n\u00f3s&#8221; (Editora Grafset), assim como do website &#8220;Outros Carnavais&#8221;, coordenado por Irene Santos.<br \/>\nMois\u00e9s Patr\u00edcio \u00e9 artista multim\u00eddia e arte-educador. Nasceu, em S\u00e3o Paulo, em 1984. Aos dez anos, inscreveu-se na oficina de pintura e grafite dos Meninos de Arte de Santo Andr\u00e9. Durante o per\u00edodo da oficina, chegou a trabalhar como assistente do professor e a participar de v\u00e1rias exposi\u00e7\u00f5es e eventos. Hoje, trabalha e vive como artista e educador em S\u00e3o Paulo. \u00c9 membro-fundador do Atelier Coletivo DES (Dial\u00e9ticas Sensoriais), que, desde 2006, realiza a\u00e7\u00f5es coletivas est\u00e9ticas, produzindo exposi\u00e7\u00f5es, instala\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas sobre arte contempor\u00e2nea e urbanidade nas periferias de Santo Andr\u00e9 e S\u00e3o Paulo.<br \/>\nRafael RG nasceu em Guarulhos, em 1986. Vive e trabalha na cidade. Formado em Artes Visuais pela Faculdade de Belas Artes de S\u00e3o Paulo (2010). Participou de mostras e festivais em cidades do Brasil e em outros pa\u00edses, como Argentina, M\u00e9xico, Col\u00f4mbia, Alemanha, Pol\u00f4nia, Espanha e Holanda. Recebeu, entre outros reconhecimentos, o 1\u00ba Pr\u00eamio Foco ArtRio, o Pr\u00eamio Honra ao M\u00e9rito Arte e Patrim\u00f4nio\/ IPHAN, o Pr\u00eamio aquisi\u00e7\u00e3o do Centro Cultural S\u00e3o Paulo e, recentemente, foi agraciado com a Bolsa Iber\u00ea Camargo para resid\u00eancia no K\u00fcnstlerhaus Bremen, na Alemanha. Em sua pr\u00e1tica art\u00edstica, costuma trazer duas fontes para constru\u00e7\u00e3o de seus trabalhos: uma documental e outra afetiva, em geral por meio do uso de documentos garimpados em arquivos institucionais ou pessoais associados a narrativas que podem envolver sua pessoa ou um alter ego. A intera\u00e7\u00e3o entre essas territorialidades resulta em obras que quase sempre se aproximam de uma fic\u00e7\u00e3o, ou de uma no\u00e7\u00e3o\u00a0tensa\u00a0de ficcionalidade.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">SOBRE OS CURADORES<\/span><br \/>\nLeo Felipe \u00e9 escritor e curador; mestre em Artes Visuais, pela UFGRS, com pesquisa que investiga o punk e a contracultura. Desde o in\u00edcio dos anos 1990, tem atuado na cidade de Porto Alegre nas \u00e1reas de m\u00fasica, jornalismo, literatura e artes visuais. \u00c9 diretor art\u00edstico da Galeria de Arte da Funda\u00e7\u00e3o Ecarta e da web r\u00e1dio M\u00ednima FM, onde apresenta o programa Elefante. Tem dois livros de fic\u00e7\u00e3o publicados, AUTO (Ideas a Granel, 2004) e O Vampiro (Ideas a Granel, 2006), al\u00e9m do memoir A Fant\u00e1stica F\u00e1brica (Pubblicato, 2014). Participou da 9\u00aa Bienal do Mercosul, como convidado do projeto Island Sessions, e do conselho curatorial da Casa M, projeto da 8\u00aa Bienal. Integrou o conselho consultivo do MAC\/RS (2013-2014). H\u00e1 12 anos \u00e9 produtor e DJ residente da festa Pulp, que acontece mensalmente no Bar Ocidente.<br \/>\nLuisa Duarte, curadora independente e mestre em Filosofia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo, \u00e9 cr\u00edtica de arte do jornal O Globo e membro do conselho consultivo do Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo. Coordenadora do ciclo de confer\u00eancias &#8220;A Bienal de S\u00e3o Paulo e o Meio Art\u00edstico Brasileiro &#8211; Mem\u00f3ria e Proje\u00e7\u00e3o&#8221;, plataforma de debates da 28a Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo. Fez parte da comiss\u00e3o curatorial do programa Rumos Artes Visuais, Instituto Ita\u00fa Cultural (2005\/ 2006).\u00a0Organizou, com Adriano Pedrosa, o livro ABC \u2013 Arte Brasileira Contempor\u00e2nea, publicado pela editora Cosac Naify em 2014.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">SOBRE AS IMAGENS:<\/span><br \/>\nFOTO 1 | Poder, de Carlos Vergara. Imagem extra\u00edda da famosa s\u00e9rie de registros do Carnaval carioca que Vergara realizou entre 1972-1976 com blocos que desfilavam no centro do Rio, entre eles, o Cacique de Ramos.<br \/>\nFOTOS 2 e 3 |\u00a0Detalhes\u00a0de Monos, de Rafael RG. Monos faz parte da s\u00e9rie\u00a0Arquivo Mesti\u00e7o\u00a0e \u00e9 constitu\u00eddo de dois recortes de jornal de \u00e9poca. O primeiro \u00e9 a mat\u00e9ria \u201cMonos en Buenos Aires\u201d, retirada de peri\u00f3dico argentino\u00a0\u201cCr\u00edtica\u201d,\u00a0sobre uma partida de futebol a ser realizada na capital Argentina e a sele\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 retratada (atrav\u00e9s de uma ilustra\u00e7\u00e3o) como de macacos. A primeira frase da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: \u201cJ\u00e1 chegaram em terras portenhas os macaquinhos do Brasil\u201d.\u00a0Semanas depois, o escritor brasileiro Lima Barreto publicou uma resposta ao artigo na revista \u201cCareta\u201d. Ele explorou o uso do termo \u201cmacaco\u201d e de como se sente orgulhoso em pertencer a uma na\u00e7\u00e3o cujo animal que a representa \u00e9 o macaco.\u00a0Ambos os textos foram publicados em 1920.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Galeria Ecarta inaugura, no dia 19 de setembro, a mostra X, com obras de Carlos Vergara, Mois\u00e9s Patr\u00edcio e Rafael RG. 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