{"id":2428,"date":"2009-01-20T15:58:39","date_gmt":"2009-01-20T18:58:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/?p=2428"},"modified":"2009-01-20T15:58:39","modified_gmt":"2009-01-20T18:58:39","slug":"ex-empregados-tomam-calote-no-pontal-do-estaleiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/ex-empregados-tomam-calote-no-pontal-do-estaleiro\/","title":{"rendered":"Ex-empregados tomam calote do Estaleiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Daiane Menezes<\/strong>\u00a0<br \/>\nAnunciado como grande neg\u00f3cio para Porto Alegre, aquele que poderia revitalizar a orla do Gua\u00edba, o projeto do Pontal Estaleiro ainda n\u00e3o saiu do papel, mas j\u00e1 tem pelo menos 600 perdedores. S\u00e3o os ex-funcion\u00e1rios da empresa, que deveriam ter recebido 14 milh\u00f5es em sal\u00e1rios.\u00a0O leil\u00e3o do im\u00f3vel do Estaleiro S\u00f3 para pagar as d\u00edvidas trabalhistas foi determinado pela Justi\u00e7a em 1999, a venda saiu em 2005,\u00a0mas at\u00e9 hoje a turma n\u00e3o viu a cor do dinheiro.<br \/>\nEm 2004, de acordo do Moacyr da Rocha Curi, representante dos ex-empregados do Estaleiro, a \u00e1rea estava avaliada em\u00a0R$ 26 milh\u00f5es. Estranhamente, em 2005, quando os empregados j\u00e1 esperavam por seu dinheiro a seis anos, o terreno foi arrematado por 7,2 milh\u00f5es, quase quatro vezes menos do que a avalia\u00e7\u00e3o e pouco mais da metade do valor da d\u00edvida com os empregados.<br \/>\nDos 7,2, metade ficou retido pelo s\u00edndico da massa falida. Os trabalhadores recorreram novamente \u00e0 Justi\u00e7a tentando\u00a0tentando receber a parte que lhes cabe &#8211; e o processo est\u00e1 \u00e0 deriva no Judici\u00e1rio.<br \/>\nMoacyr conta que por muitos anos &#8220;trabalhar no Estaleiro S\u00f3 era motivo de orgulho&#8221;. Nos anos 70 a empresa tinha um centro de forma\u00e7\u00e3o de soldadores, caldeireiros, tubuladores e eletricistas. Segundo ele, ainda hoje ter na carteira de trabalho que foi empregado l\u00e1 abre muitas portas. Nos tempos \u00e1ureos, at\u00e9 os presidentes da Rep\u00fablica compareciam nos batismos de navios. Na entrega de um deles, em que general Castello Branco compareceu, o navio \u201cn\u00e3o quis descer da rampa onde foi constru\u00eddo,\u00a0ficou envergonhado&#8221;, brinca Moacyr, talvez fazendo refer\u00eancia\u00a0\u00e0 ditadura que vigorava na \u00e9poca.<br \/>\n<figure id=\"attachment_2429\" aria-describedby=\"caption-attachment-2429\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli40.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2429  \" title=\"17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli40\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli40-300x199.jpg\" alt=\"\u201cQuem veio aqui h\u00e1 quinze anos... Eu nem gosto de andar muito aqui dentro\u201d, diz Moacyr. (Foto: Thiago Piccoli)\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2429\" class=\"wp-caption-text\">\u201cQuem veio aqui h\u00e1 quinze anos... Eu nem gosto de andar muito aqui dentro\u201d, diz Moacyr Curi. (Foto: Thiago Piccoli)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n\u00a0No entanto, a vida dos oper\u00e1rios n\u00e3o era moleza. At\u00e9 a d\u00e9cada de 80, o mestre de obras n\u00e3o chamava os funcion\u00e1rios pelo nome. Ele simplesmente apitava, e todos tinham que olhar para saber com quem o chefe queria falar. Mesmo no inverno, os navios eram colocados na \u00e1gua com for\u00e7a humana. Para combater o frio, o mestre dava um c\u00e1lice de conhaque para o oper\u00e1rio que sa\u00eda do rio.<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a melhorar quando os superiores da velha guarda se aposentaram e o estaleiro come\u00e7ou a modernizar-se. Por\u00e9m, em seguida vieram anos ruins para o setor naval, que deixou de receber tantos financiamentos estatais. A orienta\u00e7\u00e3o do governo da ditadura militar mudou para\u00a0investir nos transportes ferrovi\u00e1rio e rodovi\u00e1rio. O Estaleiro S\u00f3 diversificou suas atividades, fabricando caldeiraria, pe\u00e7as de metal para maquin\u00e1rio industrial, o que chegou a dar uma sobrevida \u00e0 empresa.<br \/>\nO ponto mais cr\u00edtico foi uma violenta explos\u00e3o, provocada por um soldador que perfurou a base de \u00f3leo de um navio. Nessa ocasi\u00e3o, o fogo invadiu as instala\u00e7\u00f5es. Em seguida, centenas de funcion\u00e1rios foram demitidos.<br \/>\n<figure id=\"attachment_2434\" aria-describedby=\"caption-attachment-2434\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli02.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2434\" title=\"17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli02\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli02-300x199.jpg\" alt=\"Poucas coisas n\u00e3o foram furtadas do local. O cofre onde se guardavam os segredos industriais, os raios X dos navios, \u00e9 uma delas. (Foto: Thiago Piccoli)\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2434\" class=\"wp-caption-text\">Poucas coisas n\u00e3o foram furtadas do local. O cofre onde se guardavam os segredos industriais, os raios X dos navios, \u00e9 uma delas. (Foto: Thiago Piccoli)<\/figcaption><\/figure><br \/>\nOs \u00faltimos administradores alugaram o local para as escolas de samba Bambas da Orgia, Imperadores do Samba e Restinga. O neg\u00f3cio tamb\u00e9m n\u00e3o funcionou. Elas fizeram uma d\u00edvida de 12 milh\u00f5es em \u00e1gua e luz. Hoje, fora os seguran\u00e7as que se revezam cuidando o local, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de completo abandono. Nos escombros h\u00e1 restos que mostram que ali j\u00e1 houve uma grande empresa. Ela chegou a ter 3 mil funcion\u00e1rios.<br \/>\nTodos querem, ex-empregados e porto-alegrenses, que a \u00e1rea seja bem aproveitada. A quest\u00e3o \u00e9: \u00e0s custas de quem ?<br \/>\n<figure id=\"attachment_2431\" aria-describedby=\"caption-attachment-2431\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli09.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-2431  \" title=\"17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli09\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2009\/01\/17_01_09_ruinas_pontal_estaleiro_so-thiago_piccoli09-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2431\" class=\"wp-caption-text\">Estaleiro S\u00f3: ru\u00ednas e d\u00edvidas. (Foto: Thiago Piccoli)<\/figcaption><\/figure><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Daiane Menezes\u00a0 Anunciado como grande neg\u00f3cio para Porto Alegre, aquele que poderia revitalizar a orla do Gua\u00edba, o projeto do Pontal Estaleiro ainda n\u00e3o saiu do papel, mas j\u00e1 tem pelo menos 600 perdedores. 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