{"id":24732,"date":"2015-09-23T15:21:45","date_gmt":"2015-09-23T18:21:45","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=24732"},"modified":"2015-09-23T15:21:45","modified_gmt":"2015-09-23T18:21:45","slug":"diferencas-entre-borges-de-medeiros-e-ivo-sartori","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/diferencas-entre-borges-de-medeiros-e-ivo-sartori\/","title":{"rendered":"Diferen\u00e7as entre Borges de Medeiros e Ivo Sartori"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">S\u00e9rgio Lagranha<\/span><br \/>\nA d\u00edvida atual do Rio Grande do Sul j\u00e1 passou dos R$ 54 bilh\u00f5es. Conforme acordo assinado em 1998, durante o governo de Ant\u00f4nio Britto (PMDB), todos os meses o governo do Estado paga \u00e0 Uni\u00e3o 13% da receita do Estado. Hoje, algo pr\u00f3ximo de R$ 280 milh\u00f5es.<br \/>\nNo livro \u201cGet\u00falio 1882-1930\u201d, primeiro de uma trilogia, do jornalista Lira Neto sobre a vida de Get\u00falio Vargas, consta que em um pa\u00eds que j\u00e1 vivia sob o signo do eterno d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio, no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, o Rio Grande do Sul era at\u00e9 ent\u00e3o o \u00fanico estado da federa\u00e7\u00e3o que podia se gabar de nunca ter recorrido a empr\u00e9stimos externos, desde a \u00e9poca do governo de J\u00falio de Castilhos, in\u00edcio da Rep\u00fablica.<br \/>\nEm 1908, a situa\u00e7\u00e3o mudou com o in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o de dois moles na barra de Rio Grande, com extens\u00f5es que chegavam a mais de quatro quil\u00f4metros cada um, pela <em>Compagnie Fran\u00e7aise du Port<\/em> de Rio Grande &#8211; de capital majoritariamente franc\u00eas, mas administrada pelo magnata norte-americano Percival Farquhar. Em troca desta obra, a Cie. Fran\u00e7aise obtinha o direito de explorar o novo porto, em regime de monop\u00f3lio, por 60 anos.<br \/>\nA multinacional levantou no mercado internacional 100 milh\u00f5es de francos-ouro. \u201cPara bancar o pacote de obras de infraestruturas, Borges de Medeiros tomou emprestado do Banco Pelotense a fortuna de 25 mil contos de r\u00e9is \u2013 equivalente a toda a receita anual do Estado -, enquanto obteve outros 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares junto a institui\u00e7\u00f5es financeiras de Nova York\u201d, revela Lira Neto.<br \/>\nO governo borgista mudou de opini\u00e3o sobre a encampa\u00e7\u00e3o ao perceber que os interesses financeiros das concession\u00e1rias estrangeiras nem sempre eram coincidentes com os des\u00edgnios palacianos. A pol\u00edtica de monop\u00f3lio e a estrat\u00e9gia de maximiza\u00e7\u00e3o dos lucros levada a cabo pela Cie. Fran\u00e7aise pretendiam centralizar todas as principais opera\u00e7\u00f5es navais do estado no porto da cidade de Rio Grande, o que entrava em choque com as necessidades da classe mercantil regional.<br \/>\nUma vez praticamente conclu\u00eddas as obras, em 1915, conforme Francisco das Neves Alves, no livro Porto e Barra do Rio Grande, o governo estadual tamb\u00e9m percebeu as desvantagens da concess\u00e3o pelo valor das taxas cobradas pela empresa. Dessa forma, os governos federal e estadual passaram a trabalhar com a possibilidade da encampa\u00e7\u00e3o do Porto e da Barra de Rio Grande, que de fato aconteceu em 1919.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Anos rebeldes<\/span><br \/>\nO Rio Grande do Sul entrou num colapso financeiro devido \u00e0 crise p\u00f3s 1\u00aa Guerra Mundial e dos empr\u00e9stimos tomados pelo governo estadual. Estudantes, oper\u00e1rios, comerciantes, empres\u00e1rios, produtores rurais, todos clamavam por mudan\u00e7as urgentes. A postura de Borges de Medeiros mostra uma diferen\u00e7a fundamental em rela\u00e7\u00e3o ao atual governador do Rio Grande do Sul, Ivo Sartori (PMDB).<br \/>\nO governo borgista, como do atual governador, tamb\u00e9m apelou para o aumento de impostos, mas com uma diferen\u00e7a: incluiu os que incidiam sobre grandes heran\u00e7as e sobre propriet\u00e1rios de terra, inclusive os pequenos colonos da \u00e1rea de imigra\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica e italiana.<br \/>\nReunidos em uma comiss\u00e3o de emerg\u00eancia, os criadores rurais passaram a exigir de Borges de Medeiros, conforme Lira Neto, uma medida de \u201csalva\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d, que consistia na concess\u00e3o de cr\u00e9dito especial \u00e0 categoria. O dinheiro, propuseram, podia vir uma fatia dos gordos empr\u00e9stimos internacionais destinados originalmente \u00e0s obras de infraestrutura.<br \/>\nOs donos da ideia, por\u00e9m, ouviram do governo a recusa que selaria a ruptura definitiva do governo, que levaria, entre outros motivos, a revolu\u00e7\u00e3o de 1923. Borges evocou o princ\u00edpio positivista de que o Estado jamais deveria intervir na economia, a n\u00e3o ser em casos relacionados aos servi\u00e7os p\u00fablicos. Negou assim qualquer amparo aos pecuaristas, o que, no seu entender, significaria patrocinar um privil\u00e9gio de classe.<br \/>\nEm 1917, na capital ga\u00facha, motorneiros e condutores de bondes foram os primeiros a cruzar os bra\u00e7os. Tip\u00f3grafos, estivadores, chapeleiros, marceneiros, padeiros, marmoristas, ferrovi\u00e1rios, pedreiros, tecel\u00f5es e alfaiates acompanharam o movimento paredista, conforme Lira Neto. Recebida em audi\u00eancia por Borges de Medeiros, uma comiss\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria ouviu do presidente do estado tr\u00eas promessas, que seriam cumpridas: a garantia de que a Brigada Militar n\u00e3o iria contra a paralisa\u00e7\u00e3o, desde que os grevistas mantivessem a ordem. Em segundo, afirmou que, embora n\u00e3o pudesse obrigar os empres\u00e1rios a aumentar o sal\u00e1rio dos seus empregados, o governo baixaria um decreto elevando o vencimento dos oper\u00e1rios a servi\u00e7o do estado, a fim de que a medida servisse de exemplo pedag\u00f3gico aos demais patr\u00f5es. Por \u00faltimo, Borges disse que interviria no mercado e proibiria a exporta\u00e7\u00e3o de bens de primeira necessidade, at\u00e9 que os pre\u00e7os voltassem a um patamar razo\u00e1vel. Fora do pal\u00e1cio, uma multid\u00e3o de cinco mil pessoas que aguardavam o fim da audi\u00eancia aplaudiu freneticamente o resultado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio Lagranha A d\u00edvida atual do Rio Grande do Sul j\u00e1 passou dos R$ 54 bilh\u00f5es. Conforme acordo assinado em 1998, durante o governo de Ant\u00f4nio Britto (PMDB), todos os meses o governo do Estado paga \u00e0 Uni\u00e3o 13% da receita do Estado. Hoje, algo pr\u00f3ximo de R$ 280 milh\u00f5es. 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