{"id":24834,"date":"2015-09-27T20:36:38","date_gmt":"2015-09-27T23:36:38","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=24834"},"modified":"2015-09-27T20:36:38","modified_gmt":"2015-09-27T23:36:38","slug":"a-politica-como-simulacao-e-heranca-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/a-politica-como-simulacao-e-heranca-da-ditadura\/","title":{"rendered":"\u201cO virus da simula\u00e7\u00e3o contamina a pol\u00edtica&quot;"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Elmar Bones<\/span><br \/>\nA pr\u00e1tica da simula\u00e7\u00e3o introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) \u00e9 o v\u00edrus que contamina at\u00e9 hoje o organismo pol\u00edtico do pa\u00eds, segundo Fl\u00e1vio Tavares. \u201cAt\u00e9 hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse p\u00fablico, mas cada um s\u00f3 defende seu pr\u00f3prio interesse\u201d, disse o jornalista no lan\u00e7amento da revista J\u00c1 sobre as consequ\u00eancias da ditadura.***<br \/>\nPosso dizer que vivi um dia hist\u00f3rico\u00a0 no s\u00e1bado passado, 26, na Associa\u00e7\u00e3o Riograndense de Imprensa,\u00a0 quando lan\u00e7amos o nosso \u201ckit antiditadura\u201d \u2013 as tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es da revista especiais da J\u00c1 sobre os idos de 1964.<br \/>\nTive a honra de ter a meu lado na mesa dois dos maiores lutadores pela democracia no Brasil \u2013 o jornalista Fl\u00e1vio Tavares e o presidente do Movimento de Justi\u00e7a e Direitos Humanos, Jair Krischke.<br \/>\n\u201cAqui mais que a liberdade de imprensa, defendemos a liberdade de pensamento e express\u00e3o\u201d, disse o presidente Batista Filho, ao registrar que o evento fazia parte dos 80 anos da ARI.<br \/>\nNa plateia, alguns de meus mestres como Valter Galvani, Jo\u00e3o Borges de Souza, Carlos Bastos, Carlos Alberto Kolecsa, Antonio Goulart e Ercy Thorma. Kenny Braga a relembrar nossa pris\u00e3o na Rua da Praia&#8230;Lutadores impenitentes como Jos\u00e9 Wilson da Silva, Alfredo Daudt&#8230; Jovens colegas, estudantes.<br \/>\nO que mais me impressionou: mais de duas horas de conversa e ningu\u00e9m arredou p\u00e9. N\u00e3o fosse o compromisso com o programa de r\u00e1dio da ARI, a discuss\u00e3o teria ido pela tarde adentro.<br \/>\nLeve-se em conta que era s\u00e1bado e faltou o Carlos Ara\u00fajo, nosso terceiro convidado. Em convalescen\u00e7a, at\u00e9 a manh\u00e3 de s\u00e1bado ele manteve a expectativa de participar, mas n\u00e3o foi poss\u00edvel. Fica para outra ocasi\u00e3o a discuss\u00e3o que ele prop\u00f5e sobre a luta armada contra a ditadura. \u201cA luta armada foi um erro\u201d, diz ele na entrevista exclusiva \u00e0 revista.<br \/>\nFlavio Tavares trouxe a ideia que norteou os debates: a pr\u00e1tica de simula\u00e7\u00e3o introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) \u00e9 o v\u00edrus que contamina at\u00e9 hoje o organismo pol\u00edtico do pa\u00eds. \u201cAt\u00e9 hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse p\u00fablico, mas cada um s\u00f3 defende seu pr\u00f3prio interesse\u201d.<br \/>\nKrischke lembrou um caso exemplar da pr\u00e1tica da simula\u00e7\u00e3o: o documentos da pol\u00edcia pol\u00edtica do Rio Grande do Sul. O ent\u00e3o governador, Amaral de Souza, anunciou publicamente em 1982 que eles foram queimados. Na verdade, foram queimados os registros em papel, todos previamente micro-filmados e mantidos em sigilo at\u00e9 hoje. \u201cEst\u00e3o no QG do Comando Militar do Sul\u201d, assegura Jair.<br \/>\nO despreparo do eleitorado, que na semana seguinte n\u00e3o lembra em quem votou, foi trazido ao debate pelo jornalista Kenny Braga, como uma a fonte das mazelas da pol\u00edtica nacional. Quais as causas disso? Entre elas, um sistema de comunica\u00e7\u00e3o que se conformou na ditadura, para sair dela fortalecido e contaminado pelo v\u00edcio da omiss\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o e da manipula\u00e7\u00e3o do notici\u00e1rio.<br \/>\n\u201cPel\u00e9 tamb\u00e9m disse que o povo n\u00e3o sabia votar\u201d, lembrou Fl\u00e1vio Tavares. \u201cMas era noutro contexto. Foi em 1972, ali ele estava verbalizando o discurso da ditadura: o povo n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de escolher os governantes, justificando as elei\u00e7\u00f5es indiretas. Agora \u00e9 diferente: estamos supostamente numa democracia:o povo \u00e9 que deve escolher, mas ele n\u00e3o tem informa\u00e7\u00f5es, ele \u00e9 manipulado\u201d.<br \/>\nUma dura cr\u00edtica \u00e0 imprensa se seguiu: \u201cA imprensa\u00a0 que temos tamb\u00e9m \u00e9 uma heran\u00e7a da ditadura\u201d.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elmar Bones A pr\u00e1tica da simula\u00e7\u00e3o introduzida pelo regime militar (era uma ditadura que simulava que era democracia) \u00e9 o v\u00edrus que contamina at\u00e9 hoje o organismo pol\u00edtico do pa\u00eds, segundo Fl\u00e1vio Tavares. \u201cAt\u00e9 hoje vivemos isso, todos simulam que defendem o interesse p\u00fablico, mas cada um s\u00f3 defende seu pr\u00f3prio interesse\u201d, disse o jornalista [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":24839,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-24834","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-6sy","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24834"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24834\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}