{"id":251,"date":"2006-08-07T13:45:52","date_gmt":"2006-08-07T16:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=251"},"modified":"2006-08-07T13:45:52","modified_gmt":"2006-08-07T16:45:52","slug":"cinema-de-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/cinema-de-transformacao\/","title":{"rendered":"Cinema de transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cidade3\/med_globais.jpg?0.16507643320296356\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Elenco e equipe t\u00e9cnica do filme conversou com a imprensa em Bento Gon\u00e7alves, onde acontecem as filmagens (Foto: Naira Hofmeister\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><br \/>\n<em>Saneamento B\u00e1sico, o filme<\/em>, \u00e9 explicitamente pol\u00edtico, tema que em outras obras de Jorge Furtado aparecia com menos destaque. Militante hist\u00f3rico do PT, o diretor viu Lula chegar ao poder com o apelo da mudan\u00e7a e n\u00e3o atender \u00e0 expectativa criada. Viu dinheiro ser desviado para o bolso dos poderosos enquanto o pov\u00e3o amargava na fila no INSS, e se perguntou qual o valor da arte num pa\u00eds onde n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para obras b\u00e1sicas.<br \/>\nResolveu transformar as inquieta\u00e7\u00f5es em arte. Trabalhou dois anos no roteiro de <em>Saneamento B\u00e1sico, o filme<\/em>, quarto longa-metragem de sua carreira. Concentrados num hotel em Bento Gon\u00e7alves h\u00e1 cerca de um m\u00eas, elenco e equipe t\u00e9cnica pararam as filmagens no s\u00e1bado \u00e0 noite, 6 de agosto, para conversar com a imprensa.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/saneamento4.jpg?0.4943147554468356\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"232\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Obra de tratamento de \u00e1gua funciona como met\u00e1fora da colis\u00e3o entre cultura e necessidades essenciais (Fotos: Divulga\u00e7\u00e3o\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Saneamento B\u00e1sico, o filme<\/em>, narra o envolvimento de uma pequena comunidade no interior do Rio Grande do Sul com a obra do esgoto local. Os moradores de Linha Cristal ouvem da sub-prefeitura da cidade que n\u00e3o h\u00e1 verbas dispon\u00edveis para sua realiza\u00e7\u00e3o. Em compensa\u00e7\u00e3o, o Governo Federal liberou R$ 10 mil para o desenvolvimento de um filme, dentro de um projeto de incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural em cidades pequenas, que n\u00e3o recebeu nenhuma inscri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em comum acordo com a primeira-secret\u00e1ria, a comunidade decide fazer um v\u00eddeo sobre a obra de canaliza\u00e7\u00e3o do Arroio Cristal, para utilizar a verba na constru\u00e7\u00e3o. No entanto, ao longo da produ\u00e7\u00e3o, os moradores v\u00e3o sendo surpreendidos pelo envolvimento com o v\u00eddeo e repensam seus crit\u00e9rios de julgamento, tendo que decidir entre finalizar o curta-metragem ou a obra de saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u201cA pol\u00edtica sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o minha e, se esse filme tem uma tese, \u00e9 um pouco esse paradoxo entre o registrar e o fazer: arte ou transforma\u00e7\u00e3o real? Sempre existe uma contradi\u00e7\u00e3o nos pa\u00edses subdesenvolvidos sobre o investimento na cultura. Como um pa\u00eds que n\u00e3o tem saneamento b\u00e1sico vai fazer cinema? Mas claro que essa \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o boba: \u00e9 preciso fazer tudo ao mesmo tempo\u201d, opina Furtado.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #cc3300\">A ironia pol\u00edtica<br \/>\n<\/span><\/strong>Mesmo assumidamente mais politizado, <em>Saneamento B\u00e1sico, o filme<\/em>, ainda intercala a cr\u00edtica com uma hist\u00f3ria um tanto ing\u00eanua, como em suas produ\u00e7\u00f5es anteriores. O diretor acredita que \u00e9 fruto do inconsciente coletivo, que o roteiro apenas reflete uma vontade p\u00fablica de tratar a quest\u00e3o: \u201cTem uma frase do Jorge Luiz Borges, que diz que o autor n\u00e3o deve interferir excessivamente na sua pr\u00f3pria obra. Os gregos j\u00e1 sabiam disso, o escritor \u00e9 apenas a manifesta\u00e7\u00e3o de uma voz que ele desconhece. O meu primeiro impulso eu tento deixar, n\u00e3o julgar moralmente\u201d, explica.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/saneamento2.jpg?0.8577357861401222\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"233\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Jorge Furtado dirige Camila PItanga, que encarna Silene na trama <\/span><\/strong><\/p>\n<p>Furtado faz quest\u00e3o de salientar que, ao contr\u00e1rio do que nos faz crer a m\u00eddia, sua ang\u00fastia com os rumos do pa\u00eds n\u00e3o se restringem ao governo Lula: \u201cMinha mem\u00f3ria \u00e9 muito boa: os recentes acontecimentos pol\u00edticos n\u00e3o t\u00eam nada de recente. Infelizmente no Brasil, a hist\u00f3ria de desvio de dinheiro p\u00fablico \u00e9 muito antiga. Pero Vaz de Caminha, na carta dele, pede emprego pro pr\u00edncipe. Quer dizer: o Brasil come\u00e7ou j\u00e1 assim, n\u00e9?\u201d.<br \/>\nO coment\u00e1rio \u00e9 um misto de bom humor com ironia, e o filme que dele resultou n\u00e3o ser\u00e1 diferente: \u201c<em>Saneamento B\u00e1sico<\/em> tem essa qualidade de ser uma com\u00e9dia ing\u00eanua e ao mesmo tempo, um filme terr\u00edvel\u201d, atesta Fernanda Torres, uma das protagonistas da trama.<br \/>\nA id\u00e9ia de manter-se na linha c\u00f4mica levou Furtado a buscar na tradi\u00e7\u00e3o da <em>Commedia dell\u2019Arte<\/em> os arqu\u00e9tipos das personagens. \u201cO interessante do teatro da <em>Commedia dell\u2019Arte<\/em> \u00e9 que sobreviveu durante s\u00e9culos com seis, sete personagens, com os quais \u00e9 poss\u00edvel realizar toda a dramaturgia necess\u00e1ria\u201d, explica.<br \/>\nF\u00e3s assumidos do trabalho de Furtado, os integrantes do\u00a0elenco, composto majoritariamente por estrelas da televis\u00e3o brasileira, confessaram o envolvimento com o sistema de trabalho da t\u00e9cnica cl\u00e1ssica de teatro. \u201cA <em>Commedia dell\u2019Arte<\/em> faz com que em muitos momentos a gente se sinta como uma trupe de teatro, essa estrada nos proporciona o companheirismo, um sentido de entrega para o trabalho\u201d, descreve Bruno Garcia.<br \/>\nCamila Pitanga concorda com o colega. \u201cMuito do tom da interpreta\u00e7\u00e3o acontece por estar no meio desse grupo, observando. As cenas de grupo me ajudaram a encontrar esse tom c\u00f4mico, que n\u00e3o \u00e9 de uma com\u00e9dia rasgada, mas de uma com\u00e9dia \u00e1spera, \u00e1cida, com temas cr\u00edticos\u201d.\u00a0 J\u00e1 Fernanda Torres tem uma impress\u00e3o mais pessoal sobre as filmagens: \u201cA minha m\u00e3e estava gr\u00e1vida de mim, quando fez um trabalho com <em>Commedia Dell&#8217;Arte<\/em>, isso me tocou profundamente\u201d.<br \/>\nAl\u00e9m dessas duas caracter\u00edsticas, o diretor inova tamb\u00e9m na narrativa: esse ser\u00e1 seu primeiro filme que n\u00e3o tem <em>off<\/em>, o narrador, e nem um personagem central. \u201cOs tr\u00eas outros longas erram narrados por um protagonista masculino, que tinha como objetivo conquistar a mulher amada. Isso \u00e9 meio impulso de escritor: sa\u00eda escrevendo sempre na primeira pessoa\u201d.<br \/>\nA linguagem tradicional do dramaturgo tamb\u00e9m ser\u00e1 alterada pela parceira com Jacob Solitrenick, que assina a fotografia de <em>Saneamento B\u00e1sico<\/em>. \u201cJacob \u00e9 excelente fot\u00f3grafo e um grande c\u00e2mera. Em quase todo o filme utilizamos pel\u00edcula em 16mm s\u00f3 em planos mais abertos que a gente usa 35mm\u201d, revela.<br \/>\nCom um or\u00e7amento considerado baixo para o cinema \u2013 R$ 5 milh\u00f5es entre produ\u00e7\u00e3o montagem e distribui\u00e7\u00e3o \u2013 a pel\u00edcula n\u00e3o tem cenas gravadas em est\u00fadio: \u201cOptamos por fazer tudo em loca\u00e7\u00f5es, que acaba sendo um super-personagem: em qualquer lugar se acha um enquadramento diferente, uma ilumina\u00e7\u00e3o bacana\u201d.<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3300\">A arte da mudan\u00e7a<\/span><\/strong><br \/>\nNo enredo de <em>Saneamento B\u00e1sico<\/em>, Marina, vivida por Fernanda Torres \u00e9 a l\u00edder comunit\u00e1ria que pressiona a prefeitura para que inicie a obra. \u201cNa verdade, ela quer resolver sua vida pessoal com o esgoto, j\u00e1 que o marido tem uma micose que n\u00e3o se sabe se \u00e9 resultado do esgoto ou de uma pulada de cerca\u201d, conta Fernanda. \u201cCom o passar do tempo, Marina se torna a principal respons\u00e1vel pelo desvio das verbas da obra para o filme\u201d, ri. Wagner Moura faz Joaquim, cuja \u201cmelhor defini\u00e7\u00e3o \u00e9 ser o marido da marina\u201d, brinca o ator.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/saneamento.jpg?0.0608582104595779\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"232\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #000000;font-size: xx-small\">O casal protagonista \u00e9 vivido por Fernanda Torres e Wagner Moura<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Filha de Otaviano, vivido por Paulo Jos\u00e9, Marina \u00e9 o oposto da irm\u00e3 mais nova, Silene, encarnada por Camila Pitanga. \u201cAo contr\u00e1rio da irm\u00e3, que \u00e9 idealista e empreendedora, a Silene, \u00e9 empreendedora para si mesma, ela quer o sucesso, e v\u00ea no filme a oportunidade de\u00a0 ir embora daquela cidade\u201d.<br \/>\nOutro que quer subir na vida e utiliza a produ\u00e7\u00e3o como escada \u00e9 Fabr\u00edcio, papel vivido Bruno Garcia. Assim como L\u00e1zaro Ramos, que da vida \u00e0 Zico, Fabr\u00edcio entra na trama em fun\u00e7\u00e3o da necessidade t\u00e9cnica da produ\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO curioso nas personagens, segundo seus int\u00e9rpretes \u00e9 que, se no in\u00edcio da hist\u00f3ria, cada um adere ao projeto do filme por uma raz\u00e3o pessoal, o destino vai fazer com que se envolvam com o curta-metragem. Dessa rela\u00e7\u00e3o com a arte, surgem finalmente as respostas que procuravam.<br \/>\nOtaviano, um homem duro e que esconde suas emo\u00e7\u00f5es, se redime: \u201cO mais importante momento, \u00e9 quando ele chega para filha, chora e reconhece que ela fez uma obra, e a parabeniza, com muita emo\u00e7\u00e3o\u201d, lembra Paulo Jos\u00e9.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/saneamento3.jpg?0.16676270074918037\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"232\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Paulo Jos\u00e9 \u00e9 um dos destaque do elenco, no papel de Otaviano, um velho rabugento<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u201cMesmo sendo uma com\u00e9dia, o filme n\u00e3o debocha dessas pessoas. Talvez se eu tivesse naquela cidade, naquele lugar, teria os mesmos erros e trope\u00e7os que essas pessoas. \u00c9 bom rir da gente mesmo e do pat\u00e9tico\u201d, diagnostica Camila Pitanga. Fernanda Torres adota a mesma linha: \u201cAcredito que o amor \u00e9 a \u00fanica revolu\u00e7\u00e3o que falta fazer, porque j\u00e1 se esgotaram as cren\u00e7as na pol\u00edtica, na religi\u00e3o. E eu acho que o filme \u00e9 sobre isso\u201d. \u201cO bonito do filme \u00e9 que fala de vidas transformadas pela arte\u201d, resume Wagner. Furtado, poeticamente, finaliza com uma frase de Dostoievski: \u201cA beleza salvar\u00e1 o mundo\u201d.<br \/>\nSe a arte tem poder maior do que a pol\u00edtica para transformar uma realidade, talvez o novo filme de Jorge Furtado fa\u00e7a as plat\u00e9ias refletirem. Mas que, no Brasil, ela depende praticamente de incentivos pol\u00edticos, o pr\u00f3prio filme \u00e9 testemunha: <em>Saneamento B\u00e1sico<\/em> s\u00f3 se realizou gra\u00e7as \u00e0 Petrobr\u00e1s, que bancou, atrav\u00e9s de uma premia\u00e7\u00e3o, os R$ 3 milh\u00f5es que o projeto necessitava para sua produ\u00e7\u00e3o. A distribui\u00e7\u00e3o, a cargo da Columbia do Brasil j\u00e1 tem previs\u00e3o de R$ 2 milh\u00f5es investidos. A data de estr\u00e9ia do longa, no entanto, ainda n\u00e3o est\u00e1 definida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elenco e equipe t\u00e9cnica do filme conversou com a imprensa em Bento Gon\u00e7alves, onde acontecem as filmagens (Foto: Naira Hofmeister\/J\u00c1) Naira Hofmeister Saneamento B\u00e1sico, o filme, \u00e9 explicitamente pol\u00edtico, tema que em outras obras de Jorge Furtado aparecia com menos destaque. 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