{"id":25204,"date":"2015-10-09T09:00:51","date_gmt":"2015-10-09T12:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25204"},"modified":"2015-10-09T09:00:51","modified_gmt":"2015-10-09T12:00:51","slug":"sindicato-dos-engenheiros-prepara-frente-pro-carvao-mineral-gaucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/sindicato-dos-engenheiros-prepara-frente-pro-carvao-mineral-gaucho\/","title":{"rendered":"Sindicato dos Engenheiros prepara frente pr\u00f3-carv\u00e3o mineral ga\u00facho"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\"><strong>Cleber Dioni Tentardini*<\/strong>\u00a0<\/span><br \/>\nO Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge\/RS) realizou um\u00a0debate na quinta-feira, 8, sobre\u00a0o uso do carv\u00e3o mineral no desenvolvimento sustent\u00e1vel do Estado. Convidou palestrantes de diversas entidades e empresas para que apresentassem alternativas e\u00a0identificassem os gargalos que impedem um melhor\u00a0aproveitamento desse recurso energ\u00e9tico.\u00a0Foi a quinta edi\u00e7\u00e3o dos Pain\u00e9is da Engenharia, evento t\u00e9cnico promovido por Conselho T\u00e9cnico Consultivo do Senge.<br \/>\nDiante de tantos especialistas, o\u00a0coordenador do\u00a0Conselho T\u00e9cnico Consultivo do Senge. Vin\u00edcius Galeazzi, prop\u00f4s que fosse\u00a0produzido um documento em defesa do carv\u00e3o, a fim de ser entregue ao governador Jos\u00e9 Ivo Sartori. &#8220;Vamos produzir um documento com\u00a0todos os temas abordados neste evento para que o carv\u00e3o se torne prioridade nas pol\u00edticas p\u00fablicas e, tamb\u00e9m, para que a sociedade tome conhecimento sobre as possibilidades do carv\u00e3o mineral na retomada do crescimento econ\u00f4mico do Estado, sem prejudicar o meio ambiente&#8221;, disse o engenheiro.<br \/>\n<figure id=\"attachment_25206\" aria-describedby=\"caption-attachment-25206\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Vinicius-Galeazzi-coordenador-t\u00e9cnico-consultivo-do-senge_Abertura_paineis-da-engenharia_foto-Myrian-Pla.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25206 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Vinicius-Galeazzi-coordenador-t\u00e9cnico-consultivo-do-senge_Abertura_paineis-da-engenharia_foto-Myrian-Pla.jpg\" alt=\"Vinicius Galeazzi, coordenador t\u00e9cnico consultivo do Senge na abertura do evento\/fotos Myrian Pla\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25206\" class=\"wp-caption-text\">Vinicius Galeazzi na abertura do evento\/fotos Myrian Pla<\/figcaption><\/figure><br \/>\nRepresentantes de empresas estatais e privadas apresentaram novas tecnologias desenvolvidas para reduzir o impacto ambiental da emiss\u00e3o de gases poluentes. Uma delas \u00e9 a lavagem de carv\u00e3o, que mistura o carv\u00e3o triturado a um l\u00edquido, separando as impurezas. Em outras t\u00e9cnicas, o di\u00f3xido de enxofre, uma das maiores causas da chuva \u00e1cida, \u00e9 retirado. Especialistas dizem tamb\u00e9m que j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel a redu\u00e7\u00e3o de \u00f3xidos de nitrog\u00eanio, uma das causas do oz\u00f4nio no n\u00edvel do ch\u00e3o.\u00a0Tamb\u00e9m foram citados estudos sobre o uso do carv\u00e3o ga\u00facho na siderurgia.<br \/>\nO diretor de Inova\u00e7\u00f5es e Fontes Alternativas da Secretaria Estadual de Minas e Energia,\u00a0Carlos Almeira, ressaltou que um tema de extrema import\u00e2ncia para o Brasil n\u00e3o pode deixar de ser interpretado como a solu\u00e7\u00e3o do problema energ\u00e9tico do pa\u00eds.<br \/>\n&#8220;Por temos 90% das reservas de carv\u00e3o, temos a seguran\u00e7a da matriz energ\u00e9tica. Embora estejamos evoluindo muito nas \u00e1reas de energia limpa &#8211; e\u00f3lica, solar e biomassa &#8211; s\u00e3o energias alternativas. As e\u00f3licas, por exemplo, est\u00e3o produzindo entre 25% e 30% de suas capacidades, enquanto o carv\u00e3o produz 24 horas, sete dias por semana, tem uma garantia de 80% de energia. Se olharmos para outros pa\u00edses, o carv\u00e3o participa com 30% da matriz energ\u00e9tica, enquanto no Brasil ele representa entre 3% e 4%&#8221;, comparou Almeida.<br \/>\nO presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA\/RS), Melvis Barrios Junior, lembrou que o RS importa hoje\u00a050% em m\u00e9dia da energia consumida, com os bra\u00e7os cruzados de frente para\u00a0um potencial carbon\u00edfero que garante um consumo, segundo alguns estudos, durante 500 anos. &#8220;Temos que nos perguntar porque n\u00e3o aproveitamos essas reservas para combater essa situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-falimentar pela qual passa o Estado? S\u00f3 temos uma forma de reverter essa crise: gerando mais impostos e, para isso ocorrer, s\u00f3 atraindo grandes investimentos, que s\u00f3 se instalam se tivermos infra-estrutura adequada, de transportes, energia&#8230;&#8221; avaliou,<br \/>\nBarrios Junior criticou a atitude passiva dos engenheiros diante de campanhas feitas por pessoas do\u00a0movimento ecol\u00f3gico que n\u00e3o entendem nada mas falam abertamente na m\u00eddia, sem que seja feito um contraponto.<br \/>\n&#8220;O que me preocupa \u00e9 que o Brasil \u00e9 um dos raros pa\u00edses que tem um movimento ecol\u00f3gico, formado por meia d\u00fazia de pessoas, que monta uma oposi\u00e7\u00e3o ferrenha contra qualquer investimento estruturante na economia do pa\u00eds. A quem interessa impedir que o Brasil se transforme numa grande\u00a0pot\u00eancia econ\u00f4mica? Ora, desde sempre o homem se preocupa em armazenar \u00e1gua, mas aqui no pa\u00eds se diz que as grandes hidrel\u00e9tricas prejudicam o meio ambiente. Ent\u00e3o, acho que a engenharia tem que fazer esse enfrentamento , sob o risco de\u00a0ser uma eterna col\u00f4nia do terceiro mil\u00eanio, dominado por poucos pa\u00edses com conhecimento tecnol\u00f3gico&#8221;, sugeriu.<br \/>\nMediador dos pain\u00e9is, o ge\u00f3logo Jos\u00e9 Alcides Pereira, disse que SC est\u00e1 com problemas de abastecimento de carv\u00e3o para suas usinas, o que vem provocando o fechamento de empresas pelo esgotamento de reservas. &#8220;Por outro lado, o RS ainda n\u00e3o teve aproveitamento eficiente de suas reservas. Mas isso \u00e9 porque n\u00f3s temos problemas tecnol\u00f3gicos e de gest\u00e3o tamb\u00e9m&#8221;, destacou.<br \/>\nO superintendente regional da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), atual Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, Jos\u00e9 Andriotti. informou que nos \u00faltimos dois anos a CPRM tem se dedicado a preparar \u00e1reas que ainda det\u00e9m os direitos minerais para repassar \u00e0 iniciativa privada. &#8220;Estamos preparando propostas de editais para que o governo coloque essas \u00e1reas de minera\u00e7\u00e3o em disponibilidade da forma que achar adequada, atrav\u00e9s de licita\u00e7\u00e3o ou leil\u00e3o&#8221;.<br \/>\n<figure id=\"attachment_25205\" aria-describedby=\"caption-attachment-25205\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Luiz-Timm-engenheiro-ambiental-e-conselheiro-do-senge_Abertura_paineis-da-engenharia_foto-Myrian-Pla.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25205 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Luiz-Timm-engenheiro-ambiental-e-conselheiro-do-senge_Abertura_paineis-da-engenharia_foto-Myrian-Pla.jpg\" alt=\"Profissionais e estudantes participaram dos pain\u00e9is\" width=\"700\" height=\"467\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25205\" class=\"wp-caption-text\">Profissionais e estudantes participaram dos pain\u00e9is<\/figcaption><\/figure><br \/>\nRepresentantes das Universidades e de empresas tamb\u00e9m falaram sobre seus estudos e projetos.\u00a0O\u00a0diretor da Tractebel Energia, Guilherme Ferrari, falou sobre a\u00a0implanta\u00e7\u00e3o da Usina Termel\u00e9trica Pampa Sul\u00a0no munic\u00edpio de Candiota-RS, que dentro de quatro anos ter\u00e1 capacidade de gerar 340MW, utilizando-se de tecnologia avan\u00e7ada, como a caldeira de leito fluidizado circulante, e a\u00a0injetado de calc\u00e1rio na c\u00e2mara de combust\u00e3o, que reduz a emiss\u00e3o de enxofre contido no carv\u00e3o em 70% e reduz a emiss\u00e3o de \u00f3xido de nitrog\u00eanio (Nox).<br \/>\nA secret\u00e1ria estadual do Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, Ana Pellini, que acumula o cargo de presidente da Fepam, falou rapidamente. Apenas elogiou a iniciativa do Senge, e disse que a\u00a0secretaria tem um hist\u00f3rico de licenciamento de \u00e1reas de explora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o , &#8220;com \u00e9pocas melhores, \u00e9pocas piores, e que\u00a0a perspectiva \u00e9 que se torne mais uma fonte de riqueza para o Rio Grande do Sul, contando para isso com a\u00a0participa\u00e7\u00e3o da iniciativa privada como motora do desenvolvimento.&#8221;<br \/>\n<span class=\"intertit\">O vil\u00e3o quer novo papel<\/span><br \/>\nPara os defensores do carv\u00e3o mineral, ele \u00e9 o pr\u00e9-sal ga\u00facho. \u00c9 a maior reserva de combust\u00edveis f\u00f3sseis que o Brasil tem, quatro vezes maior que as de petr\u00f3leo. S\u00e3o 32 bilh\u00f5es de toneladas, praticamente toda jazida concentrada no Sul do pa\u00eds, quase \u00e0 flor da terra.<br \/>\nO governo ga\u00facho, oficialmente, classifica o mineral como estrat\u00e9gico para o crescimento econ\u00f4mico, incluindo-o no seu Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE 2021). \u201cNos pr\u00f3ximos cinco anos, o Rio Grande do Sul precisar\u00e1 dobrar a sua produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e a \u00fanica forma de tornar o Estado autossustent\u00e1vel na gera\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 incluir o carv\u00e3o nos leil\u00f5es do governo federal\u201d, argumentaram os\u00a0 t\u00e9cnicos da Secretaria de Infraestrutura e Log\u00edstica (Seinfra) durante a elabora\u00e7\u00e3o das metas do PDE 2021.<br \/>\nAs manifesta\u00e7\u00f5es concretas do governo em defesa do carv\u00e3o, no entanto, s\u00e3o tolhidas pelas implica\u00e7\u00f5es ambientais. Os ambientalistas garantem que o combust\u00edvel f\u00f3ssil provoca danos ao solo, \u00e1gua, ar e \u00e0 sa\u00fade das pessoas, al\u00e9m de ser o maior vil\u00e3o do efeito estufa. O mineral, de origem vegetal, possui grandes concentra\u00e7\u00f5es de carbono. Diante da press\u00e3o internacional para redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases poluentes na atmosfera, no Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de energia a carv\u00e3o estagnou, mantendo um \u00edndice de 1,3% de participa\u00e7\u00e3o na matriz el\u00e9trica nacional. O resultado \u00e9 que, sem grandes usinas hidrel\u00e9tricas e parques e\u00f3licos ainda insuficientes, o Rio Grande do Sul importa 50% da energia que consome, mesmo dispondo da maior jazida de carv\u00e3o do pa\u00eds.<br \/>\nA demanda hoje do Estado ultrapassa os 16 mil MW, para uma pot\u00eancia de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica instalada que n\u00e3o chega a 6,5 mil MW. Ent\u00e3o, o RS consome mais da metade da energia produzida em outros estados. Isso levando em conta que metade da pot\u00eancia das hidrel\u00e9tricas de It\u00e1, Machadinho, Barra Grande e Foz do Chapec\u00f3 s\u00e3o computadas para Santa Catarina devido \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o das usinas na fronteira.<br \/>\nPara o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira do Carv\u00e3o Mineral, Fernando Zancan, o governo federal demostra sinais de que os combust\u00edveis f\u00f3sseis retornar\u00e3o \u00e0 pauta de discuss\u00f5es. \u201cDepois do susto hidrol\u00f3gico e a discuss\u00e3o dos pre\u00e7os das tarifas de energia el\u00e9trica, ficou muito claro que esse modelo elevou o custo da energia, ent\u00e3o o governo percebeu que ter\u00e1 de buscar usinas t\u00e9rmicas que sejam seguras e baratas. E, sem d\u00favida, a energia mais segura e barata \u00e9 o carv\u00e3o mineral, por isso, esperamos que ele seja inclu\u00eddo no pr\u00f3ximo leil\u00e3o de energia, a ser realizado ainda este ano\u201d, afirma Zancan. Ele revela que h\u00e1 cerca de 2.300 megawatts em projetos com licen\u00e7a pr\u00e9via do \u00f3rg\u00e3o ambiental, portanto liberados a participar dos leil\u00f5es. \u201cIsso representa cerca de sete bilh\u00f5es de d\u00f3lares em investimentos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina\u201d, completa o presidente da ABCM.<br \/>\n<figure id=\"attachment_25207\" aria-describedby=\"caption-attachment-25207\" style=\"width: 568px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/CapaEnergia9.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25207 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/CapaEnergia9.jpg\" alt=\"Edi\u00e7\u00e3o especial da Revista J\u00c1 sobre energia \" width=\"568\" height=\"800\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-25207\" class=\"wp-caption-text\">Edi\u00e7\u00e3o Revista J\u00c1 sobre energia, de maio de 2013, detalhou pesquisas nas universidades<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"intertit intermenos\">Avan\u00e7am pesquisas para\u00a0queima limpa do carv\u00e3o<\/span><br \/>\nPelo menos quatro pesquisas importantes est\u00e3o em andamento para adequar as emiss\u00f5es atmosf\u00e9ricas provenientes da combust\u00e3o de carv\u00e3o mineral \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o ambiental vigente. Tamb\u00e9m h\u00e1 estudos para reduzir as impurezas do mineral durante a minera\u00e7\u00e3o e beneficiamento, antes de chegar \u00e0s usinas.<br \/>\nA Funda\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia &#8211; Cientec, ligada ao governo ga\u00facho, inaugurou em maio do ano passado uma planta piloto para desenvolver estudos em processos de convers\u00e3o de carv\u00e3o tanto para gera\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica quanto gera\u00e7\u00e3o de gases combust\u00edveis. O equipamento, instalado no campus da institui\u00e7\u00e3o em Cachoeirinha, utilizar\u00e1 a tecnologia de fluidiza\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. \u00c9 uma evolu\u00e7\u00e3o do processo de Leito Fluidizado utilizado na Cientec principalmente em sistemas que envolvam carv\u00f5es de alto teor de cinzas e com outras caracter\u00edsticas comuns no mineral encontrado em solo ga\u00facho.<br \/>\nDe acordo com o engenheiro Leandro Dalla Zen, coordenador do Laborat\u00f3rio de Combust\u00e3o da Cientec, o processo consiste na inje\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos alcalinos, geralmente o calc\u00e1rio, nas caldeiras, juntamente com o combust\u00edvel, para reduzir a emiss\u00e3o de compostos sulfurosos al\u00e9m de favorecer a transfer\u00eancia de calor entre a chama e as superf\u00edcies de aquecimento da caldeira. \u201cO produto resultante que sai com os gases na forma de cinzas caracteriza-se por ser altamente utiliz\u00e1vel como mat\u00e9ria prima de materiais de constru\u00e7\u00e3o civil\u201d, destaca.<br \/>\nEssa pesquisa da Cientec \u00e9 financiada pelo CNPq e tem como parcerias os laborat\u00f3rios de Siderurgia (LASID) e Produ\u00e7\u00e3o Mineral (LAPROM) da UFRGS.<br \/>\nA Funda\u00e7\u00e3o tem um\u00a0laborat\u00f3rio de emiss\u00f5es zero, onde ser\u00e3o estudados processos em que as emiss\u00f5es de compostos sulfurosos, nitrogenosos, particulados e di\u00f3xido de carbono respeitem a legisla\u00e7\u00e3o ambiental. O foco ser\u00e1 a redu\u00e7\u00e3o do di\u00f3xido de carbono, o g\u00e1s causador do efeito estufa. Uma das pesquisas \u00e9 a combust\u00e3o de carv\u00e3o com oxig\u00eanio puro, cujo g\u00e1s gerado nesse processo poder\u00e1 servir como mat\u00e9ria prima de alguns processos industriais ou ser armazenado geologicamente, evitando sua libera\u00e7\u00e3o para a atmosfera.<br \/>\nO engenheiro Leandro Dalla Zen explica que o processo de oxi-combust\u00e3o que est\u00e1 sendo pesquisado \u00e9 o \u00fanico a n\u00edvel mundial que utiliza g\u00e1s real ao contr\u00e1rio de outros que utilizam gases obtidos por misturas artificiais. \u201cDe qualquer forma, o laborat\u00f3rio estar\u00e1 preparado para efetuar testes com qualquer carv\u00e3o mineral, indicando quais as tecnologias que seriam adequadas para garantir emiss\u00f5es compat\u00edveis com os requisitos ambientais\u201d, diz o engenheiro, que \u00e9 PhD em combust\u00e3o.<br \/>\nA Cientec conta tamb\u00e9m com uma caldeira a n\u00edvel industrial, instalada junto a Unidade Termel\u00e9trica de S\u00e3o Jer\u00f4nimo, pertencente \u00e0 CGTEE, que tem por fim demonstrar a caracter\u00edstica multi-combust\u00edvel do processo de combust\u00e3o em leito fluidizado. \u201cEsse processo \u00e9 a principal alternativa para combust\u00e3o em pequenas centrais t\u00e9rmicas de carv\u00e3o mineral, lenha, res\u00edduos florestais picados, res\u00edduos de madeireiras e ind\u00fastria moveleira, casca de arroz, sendo o \u00fanico processo que garante a gera\u00e7\u00e3o de cinzas adequadas para utiliza\u00e7\u00e3o direta como insumo de materiais de constru\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta Dalla Zen.<br \/>\nOutro projeto sendo desenvolvido pela Funda\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo conhecido como combust\u00e3o mista (cofiring), que testa a combust\u00e3o concomitante entre carv\u00e3o mineral e biomassas (podem ser quaisquer res\u00edduos derivados de biomassas), visando a produ\u00e7\u00e3o de cinzas basicamente puras e de grande aplicabilidade na produ\u00e7\u00e3o de tijolos ou blocos de alta resist\u00eancia (com adi\u00e7\u00e3o de cal) que podem ser utilizados como tijolos estruturais, eliminando a necessidade de pilares na constru\u00e7\u00e3o civil.<br \/>\nJ\u00e1 a tecnologia de gaseifica\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o nacional ainda est\u00e1 sendo analisada em laborat\u00f3rios norte-americanos a fim de verificar a viabilidade t\u00e9cnica e econ\u00f4mica de gera\u00e7\u00e3o de g\u00e1s a partir do mineral ga\u00facho e catarinense. O processo consiste em uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica com a inje\u00e7\u00e3o de vapor d?\u00e1gua para transformar o carv\u00e3o mineral em um g\u00e1s combust\u00edvel ou de s\u00edntese.<br \/>\nSegundo o coordenador do laborat\u00f3rio de gaseifica\u00e7\u00e3o da Cientec, Rodnei Pacheco, h\u00e1 in\u00fameras vantagens nesse processo, principalmente ambientais. \u201cO g\u00e1s \u00e9 mais vi\u00e1vel de ser transportado, al\u00e9m de permitir uma maior facilidade na remo\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, tais como enxofre e cinzas, de capturar o CO\u00b2 durante sua queima\u201d, explica. Outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 empregar esse g\u00e1s na ind\u00fastria carboqu\u00edmica. \u00c9 poss\u00edvel produzir diversos compostos qu\u00edmicos, como diesel, metanol, am\u00f4nia, entre outros. Pacheco informa que essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito empregada na \u00c1frica do Sul, que chega a fabricar gasolina a partir do carv\u00e3o mineral.<br \/>\nOutra tecnologia sendo estudada envolve a Companhia Riograndense de Minera\u00e7\u00e3o (CRM) e a Companhia de Gera\u00e7\u00e3o T\u00e9rmica de Energia El\u00e9trica (CGTEE). As empresas assinaram um termo de compromisso para montar em Candiota uma planta piloto de beneficiamento a seco do carv\u00e3o. O superintendente de Engenharia da CRM, engenheiro Jo\u00e3o Casanova, explica que o processo de gigagem a seco reduz as cinzas e o \u00edndice de enxofre do mineral antes da sua queima, diminuindo assim o n\u00edvel poluente do carv\u00e3o. \u201cEssa tecnologia \u00e9 \u00edmpar, n\u00e3o existe no Brasil e poucos no mundo a utilizam em escala industrial\u201d, ressalta. Os equipamentos j\u00e1 est\u00e3o sendo montados e ter\u00e3o um sistema de filtros fabricados no Brasil, com tecnologia alem\u00e3, que ret\u00eam a poeira durante o beneficiamento. Outra vantagem desse processo, destaca o engenheiro, \u00e9 que pode-se utilizar em munic\u00edpios que n\u00e3o disp\u00f5e de muita \u00e1gua, como \u00e9 o caso de Candiota.<br \/>\n<span class=\"intertit\">Aumenta consumo do carv\u00e3o<\/span><br \/>\nO carv\u00e3o \u00e9 o combust\u00edvel f\u00f3ssil mais abundante na natureza e o mais usado no mundo para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. As reservas mundiais comprovadas passam de 800 bilh\u00f5es de toneladas.<br \/>\nApesar dos acordos entre os pa\u00edses para reduzir a emiss\u00e3o de gases nocivos, o consumo do mineral cresce h\u00e1 pelo menos seis anos consecutivos. S\u00f3 perde para o avan\u00e7o do g\u00e1s natural, outro combust\u00edvel f\u00f3ssil. A expans\u00e3o das usinas termel\u00e9tricas registra \u00edndices superiores a 30%.<br \/>\nEstudos da Ag\u00eancia Internacional de Energia e da Uni\u00e3o Europeia apontam que, em 2035, com o aumento da demanda mundial de energia em 49%, restariam somente 16% das reservas de petr\u00f3leo e 36% das de g\u00e1s. J\u00e1 as reservas de carv\u00e3o mineral est\u00e3o dispon\u00edveis em 75 pa\u00edses e, mesmo com o crescimento de cerca de 53% da demanda, somente 25% das reservas seriam utilizadas.<br \/>\nPara a produ\u00e7\u00e3o de eletricidade, o carv\u00e3o continuar\u00e1 sendo a fonte de energia mais importante, seguido das renov\u00e1veis e do g\u00e1s natural. A participa\u00e7\u00e3o do mineral na matriz energ\u00e9tica mundial deve chegar bem pr\u00f3xima de 28% em 2035. O consumo mundial passaria dos atuais 3,4 trilh\u00f5es de toneladas equivalentes de petr\u00f3leo (tep) para 5,1 trilh\u00f5es de tep em 2035, com uma taxa anual de crescimento de 1,6%.<br \/>\nEm 2010, foram consumidos cerca de 6,5 bilh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o, sendo mais da metade para produzir energia el\u00e9trica. A China \u00e9 a maior produtora e consumidora de carv\u00e3o, respondendo por quase a metade do beneficiamento do mineral. Para sua economia continuar crescendo a dez por cento ao ano, o pa\u00eds asi\u00e1tico precisa de muita energia. Por isso, \u00e9 o que mais investe tamb\u00e9m em energia e\u00f3lica, considerada a mais limpa dentre as fontes renov\u00e1veis.<br \/>\nO Brasil \u00e9 o \u00fanico no mundo com uma matriz el\u00e9trica dependente excessivamente (90%) das usinas hidrel\u00e9tricas. Em tempos de escassez de chuva e maior demanda por energia com a recupera\u00e7\u00e3o gradual da economia, cresce a press\u00e3o pela inclus\u00e3o de outras fontes no sistema. Os atuais estudos de expans\u00e3o do suprimento de energia, do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, mostram que a capacidade instalada de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica a carv\u00e3o deve passar de 1,7 GW em 2010, para 3,2 GW em 2020.<br \/>\nO governo garante que o pa\u00eds n\u00e3o corre risco de sofrer um novo apag\u00e3o energ\u00e9tico, como em 2001\/2002 porque retomou os investimentos em energia t\u00e9rmica e dezenas de usinas foram constru\u00eddas. Por isso, n\u00e3o houve apag\u00e3o no ver\u00e3o de 2013, quando os reservat\u00f3rios ca\u00edram abaixo dos n\u00edveis de 2001.<br \/>\nForam constru\u00eddos tamb\u00e9m muitos parques e\u00f3licos, pequenas centrais hidrel\u00e9tricas, mas o principal acr\u00e9scimo de reserva veio das t\u00e9rmicas &#8211; \u00e0 biomassa, \u00e0 g\u00e1s, a \u00f3leo combust\u00edvel. A carv\u00e3o foi apenas a fase C da Usina Presidente M\u00e9dici, denominada Candiota III, com 350 MW de capacidade instalada, um projeto h\u00e1 30 anos parado, mas que ganhou prioridade no governo Dilma. Hoje, o complexo pertencente \u00e0 CGTEE, da Eletrobras, tem uma pot\u00eancia de 1.200 GW.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m investidores convencidos de que o carv\u00e3o tem futuro na matriz energ\u00e9tica brasileira. A constru\u00e7\u00e3o de Candiota III (Fase C), da Usina presidente M\u00e9dici, recebeu aporte financeiro de bancos chineses.<br \/>\nO pa\u00eds asi\u00e1tico mostrou interesse tamb\u00e9m em conhecer as especifica\u00e7\u00f5es do carv\u00e3o ga\u00facho. No ano passado, representantes do Banco de Desenvolvimento da China estiverem reunidos com o ent\u00e3o vice-governador Beto Grill e com empres\u00e1rios. O diretor Zhu Wang, informou o interesse da institui\u00e7\u00e3o em investir nas \u00e1reas de carv\u00e3o mineral e de infraestrutura ga\u00fachas. \u201c\u201d, destacou. O executivo lembrou que a China promove diversas experi\u00eancias na utiliza\u00e7\u00e3o das cinzas do mineral carv\u00e3o, e que, por isso, o banco gostaria de contribuir para melhorar as pol\u00edticas ambientais para o uso do res\u00edduo no Estado.<br \/>\n<span class=\"intertit intermenos\">Produ\u00e7\u00e3o de energia pode\u00a0chegar 10% do total no pa\u00eds<\/span><br \/>\nNo RS est\u00e3o 89% das reservas nacionais, cerca de 28 bilh\u00f5es de toneladas do mineral. A principal veia de carv\u00e3o se estende do Extremo-Sul do Estado at\u00e9 o Litoral Norte, em munic\u00edpios como Minas do Le\u00e3o, Arroio dos Ratos e Charqueadas, pr\u00f3ximos a Porto Alegre, e Candiota, perto de Bag\u00e9 e da fronteira com o Uruguai. A regi\u00e3o da Grande Candiota tem a maior jazida do pa\u00eds, cerca de 12 bilh\u00f5es de toneladas.<br \/>\nAtualmente, a produ\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o no RS \u00e9 efetuada pela CRM e pela Companhia de Pesquisas e Lavras Minerais &#8211; Copelmi. A Carbon\u00edfera Crici\u00fama, que obteve da CRM a concess\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o da Mina do Le\u00e3o II, ainda n\u00e3o come\u00e7ou a minera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSanta Catarina tem 10% das reservas, cerca de 3,3 bilh\u00f5es de toneladas, no extremo-sul do Estado, em munic\u00edpios como Crici\u00fama, Treviso e Lauro M\u00fcller. No Paran\u00e1, as jazidas est\u00e3o no Norte do Estado.<br \/>\n<strong>* Colaborou\u00a0Felipe Uhr<\/strong><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cleber Dioni Tentardini*\u00a0 O Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge\/RS) realizou um\u00a0debate na quinta-feira, 8, sobre\u00a0o uso do carv\u00e3o mineral no desenvolvimento sustent\u00e1vel do Estado. Convidou palestrantes de diversas entidades e empresas para que apresentassem alternativas e\u00a0identificassem os gargalos que impedem um melhor\u00a0aproveitamento desse recurso energ\u00e9tico.\u00a0Foi a quinta edi\u00e7\u00e3o dos Pain\u00e9is da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":25155,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-25204","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-6yw","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25204","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25204"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25204\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25204"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25204"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25204"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}