{"id":25251,"date":"2015-10-12T12:48:18","date_gmt":"2015-10-12T15:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25251"},"modified":"2015-10-12T12:48:18","modified_gmt":"2015-10-12T15:48:18","slug":"estacionamento-subterraneo-e-a-solucao-aceita-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/estacionamento-subterraneo-e-a-solucao-aceita-pelo-mundo\/","title":{"rendered":"&quot;Estacionamento subterr\u00e2neo \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o aceita pelo mundo&quot;"},"content":{"rendered":"<p>O arquiteto Moacyr Moojen Marques, 85 anos, nasceu em Lagoa Vermelha mas se considera cidad\u00e3o portoalegrense. Vive na capital desde 1947. Formou-se em Arquitetura pela UFRGS em 1954 e mant\u00e9m ativo at\u00e9 hoje seu escrit\u00f3rio. Lecionou na Faculdade de Arquitetura por dez anos (at\u00e9 o in\u00edcio da ditadura de 1964) e trabalhou 35 anos na Divis\u00e3o de Urbanismo da Prefeitura. Participou dos Planos Diretores, da cria\u00e7\u00e3o do Parque Marinha do Brasil, do Parque da Reden\u00e7\u00e3o, do audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, do pr\u00e9dio da SMOV, de pr\u00e9dios do DMAE, entre outros.<br \/>\n\u201cOs projetos eram todos feitos pelos funcion\u00e1rios do munic\u00edpio, n\u00e3o eram terceirizados como hoje se faz.\u201d<br \/>\nA seguir, parte do depoimento gravado sobre a hist\u00f3ria do Audit\u00f3rio Ara\u00fajo Vianna, que, em breve, ser\u00e1 lan\u00e7ada em livro.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como foi a mudan\u00e7a do audit\u00f3rio da Pra\u00e7a da Matriz para o Parque da Reden\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nNa Pra\u00e7a da Matriz, era uma concha ac\u00fastica em forma de um quarto de esfera voltada aos bancos de pra\u00e7a, e uma p\u00e9rgola com cobertura vegetal. Era de frente \u00e0 antiga Assembleia, um pr\u00e9dio muito antigo. O atual pr\u00e9dio est\u00e1 onde ficava o audit\u00f3rio. Por um conv\u00eanio, a Assembleia executaria um novo audit\u00f3rio para a cidade, desde que o munic\u00edpio fornecesse o terreno.<br \/>\n<figure id=\"attachment_25253\" aria-describedby=\"caption-attachment-25253\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25253 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/Aua\u00fajo-Vianna-e-Theatro-S\u00e3o-Pedro-anos-1930.jpg\" alt=\"Ara\u00fajo Vianna e Theatro S\u00e3o Pedro, anos 1930\/Fotos Fototeca Sioma Breitman\" width=\"700\" height=\"447\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25253\" class=\"wp-caption-text\">Ara\u00fajo Vianna e Theatro S\u00e3o Pedro, anos 1930\/Fotos Fototeca Sioma Breitman<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como foi a escolha da nova localiza\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nNa Reden\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tinha sido executado ainda todo o projeto original de paisagismo. Esta zona onde hoje est\u00e1 o audit\u00f3rio era um banhado, a parte mais baixa do parque, inundava, e por n\u00e3o ser usada, virou um dep\u00f3sito de lixo. Uma parte muito feia e in\u00fatil. Eu e o colega Carlos Fayet escolhemos essa parte da Reden\u00e7\u00e3o, tendo ali um audit\u00f3rio para o p\u00fablico sanava a quest\u00e3o da drenagem e completava a organiza\u00e7\u00e3o do parque.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais ideias nortearam este projeto do novo audit\u00f3rio?<\/span><br \/>\nA localiza\u00e7\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o ac\u00fastica que deveria ter o audit\u00f3rio. Na \u00e9poca, a avenida Osvaldo Aranha tinha linhas de bonde, e o bonde, como a gente sabe, faz grande ru\u00eddo. Por isso o audit\u00f3rio tem um recuo de 100 metros, para se afastar desse ru\u00eddo.\u00a0 Al\u00e9m disso, optamos por um paisagismo que se integrasse ao parque: a eleva\u00e7\u00e3o da nova constru\u00e7\u00e3o aparece de fora como um grande talude gramado, uma eleva\u00e7\u00e3o. As paredes de tijolo aparente, com diferentes inclina\u00e7\u00f5es, s\u00e3o para deter o som que vem de fora, e internamente essas paredes refletiam o som produzido no palco. Entendo que esta concha foi um marco da arquitetura nacional quanto \u00e0 sonoriza\u00e7\u00e3o do audit\u00f3rio.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">E a torre de ilumina\u00e7\u00e3o externa?<\/span><br \/>\nEssa torre foi prevista para, uma vez iluminada, anunciar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o os dias de espet\u00e1culo. Ela tamb\u00e9m tem uma rela\u00e7\u00e3o com o parque, porque est\u00e1 diretamente no eixo do chafariz principal, que por sua vez \u00e9 o eixo do grande lago do parque, no seu projeto original.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quais foram as maiores dificuldades para a constru\u00e7\u00e3o do audit\u00f3rio na Reden\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nN\u00e3o quero fazer nenhum ju\u00edzo de valor, mas naquela \u00e9poca a gente tinha a fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica como uma esp\u00e9cie de religi\u00e3o. O Fayet e eu fizemos o projeto. Podia ter sido feito fora, mas nos aventuramos a construir o audit\u00f3rio, para a Prefeitura n\u00e3o depender de empresas e para ser mais econ\u00f4mico. \u00c9ramos muito mo\u00e7os, pouco experientes, mas bancamos a obra junto com a Prefeitura, foi na \u00e9poca do Loureiro da Silva.<br \/>\n<figure id=\"attachment_25254\" aria-describedby=\"caption-attachment-25254\" style=\"width: 700px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-25254 size-full\" src=\"https:\/\/jornalja.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/foto-1915f.jpg\" alt=\"foto 1915f\" width=\"700\" height=\"554\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-25254\" class=\"wp-caption-text\">Concha ac\u00fastica foi constru\u00edda no parque em 1964<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<span class=\"entreperg\">Quanto tempo levou a constru\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nLevou uns quatro anos, durante a gest\u00e3o do Loureiro da Silva, n\u00e3o tenho esse registro.\u00a0 Foi inaugurado em 13 de mar\u00e7o de 1964, pelo prefeito Sereno Chaise, que depois foi cassado.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">O senhor lembra da inaugura\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nOlha, o Fayet e eu ficamos exultantes, porque de certa forma foi um projeto pessoal, fizemos todo o processo com a Assembleia, escolhemos o terreno, fizemos o projeto e o executamos. Ent\u00e3o, na inaugura\u00e7\u00e3o foram dias de gl\u00f3ria, eu pelo menos senti isso. Houve uma solenidade com m\u00fasica de Tchaikovsky, foi muito bonita, uma emo\u00e7\u00e3o indescrit\u00edvel.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">\u00c9 verdade que os senhores tiveram problemas com o regime militar, que achou que o Ara\u00fajo tivesse a forma de uma foice e um martelo?<\/span><br \/>\n\u00c9, existe at\u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o me engano da UFRGS, que relata esse fato, porque a forma curva do audit\u00f3rio, mais a passarela ali, podem dar a ideia, para quem tem preconcebido isso, de uma alus\u00e3o ao martelo do Partido Comunista. N\u00f3s todos recebemos inqu\u00e9rito. O arquiteto Fayet foi cassado na Faculdade, eu respondi a inqu\u00e9rito l\u00e1 e na Prefeitura, e essa era uma pergunta que era feita.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">E os primeiros tempos de atividades?<\/span><br \/>\nO funcionamento do audit\u00f3rio, mesmo sendo descoberto, foi um sucesso. A popula\u00e7\u00e3o aceitou, principalmente a juventude. Havia muita atividade. Aos domingos, mesmo n\u00e3o tendo espet\u00e1culo, as pessoas vinham e sentavam nos bancos. Foi um per\u00edodo muito bom. Tanto que n\u00f3s ach\u00e1vamos que n\u00e3o se devia cobrir o audit\u00f3rio. S\u00f3 que muitas programa\u00e7\u00f5es eram canceladas por causa do clima. Ent\u00e3o, quando come\u00e7ou a haver imprevistos em espet\u00e1culos contratados, surgiu uma campanha em v\u00e1rios setores para cobrir o audit\u00f3rio.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como foi feito o projeto para cobertura com lona?<\/span><br \/>\nEntregamos o projeto da lona ao prefeito Tarso Genro, acompanhado de um relat\u00f3rio, no qual voltamos a insistir que ao inv\u00e9s da lona se fizesse a cobertura permanente, por uma quest\u00e3o de patrim\u00f4nio p\u00fablico, de perman\u00eancia no tempo. J\u00e1 sab\u00edamos que a lona tinha um per\u00edodo de tempo limitado, era de oito anos, depois passou a dez. Mas, por causa do custo e da velocidade de execu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que era o final do mandato dele, ele optou pela lona.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como foi a implanta\u00e7\u00e3o da cobertura com lona?<\/span><br \/>\nA lona trouxe v\u00e1rios problemas. Primeiro, porque era uma lona distendida, come\u00e7ou a dar eco, reverbera\u00e7\u00e3o interna, e o som fugia todo. O pr\u00f3prio munic\u00edpio se adiantou na legisla\u00e7\u00e3o ambiental, de conter o som e tal, o audit\u00f3rio n\u00e3o acompanhava a legisla\u00e7\u00e3o posterior, e os vizinhos entraram na justi\u00e7a, proibindo a emiss\u00e3o de ru\u00eddo. Isso foi fundamental para o novo projeto da cobertura definitiva &#8211; se n\u00e3o quero que o som se espalhe pela vizinhan\u00e7a, tenho que fechar todo o pr\u00e9dio; fechando o pr\u00e9dio, precisa ter ar-condicionado.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Em 2005, o senhor foi convidado pela Prefeitura para apresentar um projeto?<\/span><br \/>\nA lona foi se deteriorando at\u00e9 que o audit\u00f3rio n\u00e3o teve mais condi\u00e7\u00f5es de funcionar, e a Prefeitura passou a receber cr\u00edticas porque tinha abandonado o Ara\u00fajo. Foram o prefeito Jos\u00e9 Foga\u00e7a e o secret\u00e1rio da Cultura, S\u00e9rgius Gonzaga, que nos chamaram para solucionar o problema. Fizemos um estudo e foi estimado um or\u00e7amento, mas era s\u00f3 um estudo, ali se revelaria uma obra tr\u00eas vezes mais custosa.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como ficou a ac\u00fastica depois da reforma?<\/span><br \/>\nO Carlos Konrath, diretor da Opus, sugeriu que f\u00f4ssemos a S\u00e3o Paulo procurar t\u00e9cnicos para tratar da ac\u00fastica, mas o trabalho do arquiteto Fl\u00e1vio Sim\u00f5es, que \u00e9 ga\u00facho, foi espetacular. Saiu no outro dia no jornal que a ac\u00fastica era perfeita. O Lulu Santos falou numa entrevista que gostava muito de atuar no Ara\u00fajo, porque parece que a plateia abra\u00e7a os artistas, e o som \u00e9 muito adequado.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Como o senhor v\u00ea a quest\u00e3o do Audit\u00f3rio ter um estacionamento?<\/span><br \/>\nEssa \u00e9 outra batalha. Antigamente, era um ve\u00edculo para cada 400 metros quadrados de constru\u00e7\u00e3o. Hoje, para o audit\u00f3rio, \u00e9 um ve\u00edculo para cada quatro espectadores. O Ara\u00fajo Vianna que foi feito h\u00e1 50 anos, n\u00e3o tinha esse tipo de solicita\u00e7\u00e3o. Hoje em dia n\u00e3o existe uma atividade assim que n\u00e3o necessite de estacionamento, \u00e9 uma obrigatoriedade pela lei urban\u00edstica do munic\u00edpio. Um estacionamento no parque tamb\u00e9m poderia servir o bairro, o HPS, o parque esportivo e outras atividades da Reden\u00e7\u00e3o. Existem equipamentos p\u00fablicos nas proximidades que n\u00e3o t\u00eam estacionamentos porque os pr\u00e9dios s\u00e3o anteriores a esse volume de autom\u00f3veis.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Qual seria a solu\u00e7\u00e3o?<\/span><br \/>\nQuando o Fayet e eu nos demos conta de que o audit\u00f3rio seria revitalizado sob a vig\u00eancia de uma lei que obriga a ter estacionamento, passamos a estudar uma forma de suprir essa car\u00eancia. A forma que encontramos \u00e9 aceita internacionalmente. Em v\u00e1rios lugares da Europa, os estacionamentos s\u00e3o subterr\u00e2neos, tamb\u00e9m no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.\u00a0 Aqui seria sob o Ramiro Souto.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">Esse projeto \u00e9 tecnicamente vi\u00e1vel?<\/span><br \/>\nN\u00e3o tem problema nenhum, a quest\u00e3o de maior ou menor custo \u00e9 inerente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es do local. O shopping Praia de Belas est\u00e1 todo abaixo do n\u00edvel do Gua\u00edba. Nesta parte da Reden\u00e7\u00e3o, que antes era um banhado, encarece a constru\u00e7\u00e3o, mas isso \u00e9 contorn\u00e1vel.<br \/>\n<span class=\"entreperg\">O qu\u00ea o senhor sente quando est\u00e1 no Ara\u00fajo Vianna?<\/span><br \/>\nO arquiteto \u00e9 pai de sua obra, e quando essa obra \u00e9 p\u00fablica, para a frequ\u00eancia popular, \u00e9 uma parte de cada um dos cidad\u00e3os&#8230; eu me emociono muito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O arquiteto Moacyr Moojen Marques, 85 anos, nasceu em Lagoa Vermelha mas se considera cidad\u00e3o portoalegrense. Vive na capital desde 1947. Formou-se em Arquitetura pela UFRGS em 1954 e mant\u00e9m ativo at\u00e9 hoje seu escrit\u00f3rio. 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