{"id":25343,"date":"2015-10-15T14:58:19","date_gmt":"2015-10-15T17:58:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25343"},"modified":"2015-10-15T14:58:19","modified_gmt":"2015-10-15T17:58:19","slug":"miele-homem-de-multiplos-talentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/miele-homem-de-multiplos-talentos\/","title":{"rendered":"Miele, homem de m\u00faltiplos talentos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\"> Celia e Celma<\/span><br \/>\nUma de n\u00f3s, h\u00e1 tempos, andava sozinha por Ipanema, no Rio, quando ouviu uma voz masculina, familiar aos ouvidos: oi, Celia e Celma! S\u00f3 pode ser ele, pensou, chamando assim, uma, pelo nome das duas. E era, o pr\u00f3prio: Miele&#8230;<br \/>\nCom a not\u00edcia de sua morte, Luiz Carlos Miele, diretor, ator, humorista, apresentador, roteirista e um muito\u00a0mais, era um dos \u00faltimos chamados showman em atividade no pa\u00eds. Voltemos \u00e0 uma tarde de ver\u00e3o, em nosso pequeno apartamento em Copacabana, no Rio, final dos anos de 1960:\u00a0toca a campanhia. Do jeito como est\u00e1vamos, de chinelos e shorts, caras lavadas, recebemos a dupla do show bizz, Miele e B\u00f4scoli, acompanhados\u00a0do \u00a0pianista Luiz Carlos Vinhas, um dos \u00edcones da Bossa Nova. Vamos inaugurar a melhor casa de shows de S\u00e3o Paulo e queremos voc\u00eas como cantoras do conjunto do Vinhas, O Som Psicod\u00e9lico de LCV. As duas, que come\u00e7avam a ensaiar os tr\u00f4pegos passos em dire\u00e7\u00e3o ao sucesso, n\u00e3o iriam perder essa oportunidade. Era uma tremenda responsa\u00a0ocupar a linha de frente com Miele e o bailarino Lennie Dale, que\u00a0tamb\u00e9m j\u00e1 conhec\u00edamos de nome por ter ensinado a Elis Regina os gestos de girar os bra\u00e7os para tr\u00e1s, na m\u00fasica Arrast\u00e3o, imagem fresquinha em nossas mem\u00f3rias e nas de todos os brasileiros da \u00e9poca.<br \/>\nAssim, da\u00ed a alguns dias j\u00e1 est\u00e1vamos em Sampa, de mala, cuia e sonhos&#8230; Quanto a boate onde nos apresent\u00e1vamos, a Blow Up, fez hist\u00f3ria com essa temporada de casa lotada todas as noites. Sairam\u00a0mat\u00e9rias jornal\u00edsticas nos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o, grava\u00e7\u00e3o de disco e at\u00e9 um convite para sermos apresentadoras de televis\u00e3o&#8230;. Para compor o espet\u00e1culo, foi preciso deixarmos as lourices de lado e encarar os cabelos tingidos de preto. O figurino tamb\u00e9m foi tratado com esmero: \u00a0vestiu-nos\u00a0o badalad\u00edssimo costureiro Dener. Miele, sempre atento aos detalhes, nos acompanhou na visita \u00e0 mans\u00e3o do elegante estilista que, ap\u00f3s nos examinar de cima a\u00a0baixo, jogou delicadamente dois vaporosos vestidos em nossa dire\u00e7\u00e3o, dizendo: vistam!, sob nossos ing\u00eanuos e assustados olhares. Depois, observador como era, Miele repetiu, diante do elenco da Blow Up, os gestos e atitudes afetados do estilista, homossexual assumido, \u00a0como n\u00e3o se via naqueles tempos, o que provocou uma gargalhada geral. At\u00e9 ent\u00e3o, s\u00f3 o &#8220;atelier &#8220;da Gioconda, nossa m\u00e3e, tinha coberto as peles dessas duas&#8230;<br \/>\nDurante a temporada de shows, uma de n\u00f3s, a Celia, pegou um belo resfriado, em consequ\u00eancia do frio paulistano e por tr\u00eas noites foi substitu\u00edda por Miele. Ele, debochado, criativo, pendurou o tal vestido do Dener num cabide e o gancho do mesmo no colarinho de sua camisa, para ficar &#8220;g\u00eameo&#8221; com a outra; com sua imita\u00e7\u00e3o, &#8220;as duas&#8221; fizeram o show&#8230; . O que podemos afirmar \u00e9 que esse tempo foi fundamental para nos dar um amadurecimento n\u00e3o s\u00f3 como artistas mas tamb\u00e9m como pessoas, n\u00f3s, iniciantes, eles experientes e na crista da onda, como se dizia&#8230;<br \/>\nOutro fato que n\u00e3o d\u00e1 pra esquecer, foi quando o Miele, arregalando seus olhos claros, pegou no guarda roupa de seu camarim partes de seu smoking, retalhado por sua mulher, para se vingar de uma trai\u00e7\u00e3o do marido. Olhem o que a Anita fez, mostrava os peda\u00e7os do que havia sido gola, ombros, mangas&#8230; Tudo muito diferente do mundo de onde hav\u00edamos vindo, de U.B.A. City (leia-se\u00a0 I\u00fa \u2013B\u00ed- \u00eai city &#8230;) como nos anunciavam Miele e Lennie, brincando com nossa origem interiorana&#8230;<br \/>\nFoi ainda de Miele\/B\u00f4scoli a dire\u00e7\u00e3o do nosso grupo do Vinhas nos sal\u00f5es do Copacabana Palace, no Rio, \u00a0para receber a dama da Pepsi Cola, Joan Crawford, ent\u00e3o a super\u00a0estrela de Hollywood.\u00a0Lindo!<br \/>\nBem, n\u00e3o cabem aqui mais hist\u00f3rias, apenas quer\u00edamos fazer essa homenagem a um ex diretor e companheiro de palco, homem de m\u00faltiplos talentos que soube aproveitar como poucos as oportunidades que teve, at\u00e9 o fim da sua vida eletrizante.<br \/>\nValeu, Miele!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celia e Celma Uma de n\u00f3s, h\u00e1 tempos, andava sozinha por Ipanema, no Rio, quando ouviu uma voz masculina, familiar aos ouvidos: oi, Celia e Celma! S\u00f3 pode ser ele, pensou, chamando assim, uma, pelo nome das duas. 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