{"id":25678,"date":"2015-10-23T05:52:15","date_gmt":"2015-10-23T08:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25678"},"modified":"2015-10-23T05:52:15","modified_gmt":"2015-10-23T08:52:15","slug":"guaiba-maior-enchente-ocorreu-depois-que-a-chuva-parou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/guaiba-maior-enchente-ocorreu-depois-que-a-chuva-parou\/","title":{"rendered":"Gua\u00edba: maior enchente ocorreu depois que a chuva parou"},"content":{"rendered":"<p>Ao menos 700 habitantes de Porto Alegre est\u00e3o agora sem acesso a suas casas por causa das chuvas.\u00a0J\u00e1 \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que desencadeia a\u00e7\u00f5es de solidariedade ao tempo que evidencia a fragilidade da cidade perante o El Ni\u00f1o desta temporada, muito mais influente no clima que o anterior, de 1997.<br \/>\nMas o que mais assusta \u00e9 a previs\u00e3o de que as chuvas continuar\u00e3o intensas por toda a primavera, e ver\u00e3o adiante. E diante disso, \u00e9 inevit\u00e1vel que ressurjam no imagin\u00e1rio da cidade as cenas da maior enchente pela qual ela passou, em 1941. Daquela vez foi La Ni\u00f1a, fen\u00f4meno clim\u00e1tico de efeitos mais violentos que os de El Ni\u00f1o.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de todas as outras chuvaradas que causaram inunda\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas pr\u00f3ximas ao Gua\u00edba, sempre na primavera, a de 1941 foi no outono.<br \/>\nO auge foi no dia 7 de maio de 1941, quando, j\u00e1 com sol, as \u00e1guas dos rios que desembocavam no Gua\u00edba, especialmente as do caudaloso rio Jacu\u00ed, chegaram \u00e0 metade da altura das portas do Mercado P\u00fablico e alcan\u00e7aram a Andradas, antiga Rua da Praia.<br \/>\nImpedidas pelo vento sul de seguirem pela Lagoa dos Patos em dire\u00e7\u00e3o ao oceano, as \u00e1guas da chuva ficaram represadas como aconteceu na semana passada.<br \/>\nComo agora, as regi\u00f5es atingidas n\u00e3o foram apenas as partes tomadas ao rio, os aterramentos para expandir o centro. A zona Sul e a parte lindeira ao cais na zona Norte s\u00e3o facilmente inund\u00e1veis. Por\u00e9m, os primeiros s\u00e3o sempre os moradores da regi\u00e3o das ilhas.\u00a0\u201cDevido ao aterramento, o Gua\u00edba perdeu espa\u00e7o e quem sofre os maiores preju\u00edzos s\u00e3o as popula\u00e7\u00f5es das ilhas, pois a \u00e1gua tem que ir para algum lugar\u201d, diz o jornalista Rafael Guimar\u00e3es, que pesquisou o epis\u00f3dio e publicou o livro em formato de \u00e1lbum\u00a0A enchente de 1941 (Libretos, 2009)<br \/>\nO livro resgata as imagens e os n\u00fameros da inunda\u00e7\u00e3o que deixou 70 mil pessoas desabrigadas, praticamente um quarto da popula\u00e7\u00e3o da cidade na \u00e9poca, de 272 mil habitantes.<br \/>\nConstru\u00eddo na d\u00e9cada de 1970, durante o per\u00edodo militar, com a inten\u00e7\u00e3o de proteger a cidade de uma nova grande enchente, o muro da Mau\u00e1 \u00e9 at\u00e9 hoje motivo de pol\u00eamica. Muitos s\u00e3o a favor da sua perman\u00eancia para evitar inunda\u00e7\u00e3o na cidade. Para Rafael, est\u00e1 provado que o muro \u00e9 desnecess\u00e1rio. \u201cOs alagamentos na cidade aconteceram mesmo com o muro j\u00e1 que \u00e1gua avan\u00e7a por baixo, pelo esgoto. \u00c9 um custo benef\u00edcio muito baixo para a cidade.\u201d argumenta.<br \/>\nGuimar\u00e3es prepara agora o lan\u00e7amento do novo livro, \u00c1guas do Gua\u00edba, no qual faz um relato da hist\u00f3ria do Gua\u00edba, seus afluentes e aspectos culturais que o cercam &#8211; monumentos, pr\u00e9dios, museus, avenidas que o cercam ou cercavam\u00a0no passado. Al\u00e9m de contar uma parte da hist\u00f3ria de Porto Alegre, tamb\u00e9m reporta a cultura das outras cidades ligadas ao Gua\u00edba, como Barra do Ribeiro e a cidade Gua\u00edba. \u201cFoi um trabalho muito legal, que lembrou minha inf\u00e2ncia, quando \u00edamos a Itapu\u00e3 desfrutar do Gua\u00edba\u201d, recorda. O livro ser\u00e1 lan\u00e7ado em novembro, tamb\u00e9m pela Libretos, na Feira do Livro de Porto Alegre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao menos 700 habitantes de Porto Alegre est\u00e3o agora sem acesso a suas casas por causa das chuvas.\u00a0J\u00e1 \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, que desencadeia a\u00e7\u00f5es de solidariedade ao tempo que evidencia a fragilidade da cidade perante o El Ni\u00f1o desta temporada, muito mais influente no clima que o anterior, de 1997. 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