{"id":257,"date":"2006-08-24T15:17:43","date_gmt":"2006-08-24T18:17:43","guid":{"rendered":"http:\/\/75.126.185.46\/~jornalja\/?p=257"},"modified":"2006-08-24T15:17:43","modified_gmt":"2006-08-24T18:17:43","slug":"experiencia-de-gestao-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/experiencia-de-gestao-cultural\/","title":{"rendered":"Experi\u00eancia de gest\u00e3o cultural"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/capas_novas\/med5_santander.jpg?0.581312174101533\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"232\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">Santander Cultural foi um dos exemplos de gest\u00e3o cultural bem sucedida apresentado durante o F\u00f3rum Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Cidadania (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong>Naira Hofmeister<\/strong><br \/>\nSantander Cultural, Porto Alegre Em Cena, Bienal do Mercosul, Centro de Cultura Telemar, no Rio de Janeiro e SESC foram os exemplos de bem sucedidas iniciativas de gest\u00e3o cultural, apresentadas no F\u00f3rum Comunica\u00e7\u00e3o, Cultura e Cidadania, ocorrido na noite de ter\u00e7a-feira, 22, no Santander Cultural. O p\u00fablico, que na porta de entrada da institui\u00e7\u00e3o, lotava a lista de espera para ouvir o semin\u00e1rio, acabou o evento com um brinde de champagne e a sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o foi exatamente o que esperavam.<br \/>\nA expectativa era pelo debate do atual modelo de gest\u00e3o cultural, de possibilidades de jun\u00e7\u00e3o do interesse p\u00fablico com o marketing das empresas voltado para a cultura e dos problemas das Leis de Incentivo \u00e0 Cultura, que n\u00e3o d\u00e3o conta da diversidade art\u00edstica do pa\u00eds nem viabilizam projetos menos comerciais.<br \/>\nOs convidados \u2013 Liliana Magalh\u00e3es, do Santander Cultural, Maria Arlete Gon\u00e7alves, do Centro Cultural Telemar, Justo Werlang, da Bienal do Mercosul, Danilo Miranda, do SESC e Luciano Alabarse, do Porto Alegre Em Cena \u2013 em sua maioria acabaram atendo-se a narrativas das experi\u00eancias de seus institutos, celebrando as atividades que cada um promove, sempre destacando o interesse de viabilizar a transforma\u00e7\u00e3o social atrav\u00e9s da arte.<br \/>\n<span style=\"color: #cc3300\"><strong>N\u00e1dia Rebou\u00e7as: a te\u00f3rica da cultura<\/strong> <\/span><br \/>\nO semin\u00e1rio iniciou com uma apresenta\u00e7\u00e3o de N\u00e1dia Rebou\u00e7as, salientando que suas atividades n\u00e3o estavam ligadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o cultural, mas sim, \u00e0 pesquisa sobre o assunto. Em sua abordagem te\u00f3rica, N\u00e1dia materializou a mudan\u00e7a do paradigma s\u00f3cio-cultural da contemporaneidade. Ela entende que tudo o que antes recebia interpreta\u00e7\u00f5es mecanicistas, pr\u00e1ticas, \u201cnewtonianas\u201d, tem hoje uma concep\u00e7\u00e3o atual mais hol\u00edstica, sist\u00eamica e integrada.<br \/>\nSegundo a pesquisadora, essa vis\u00e3o abriga novos olhares, pede mudan\u00e7as na percep\u00e7\u00e3o, nos valores e\u00a0 credos das pessoas. \u201cCompreender \u00e9 hol\u00edstico, mas explicar \u00e9 mecanicista\u201d, exemplificou, sublinhando que nesse mundo hol\u00edstico, as mensagens s\u00e3o sentidas e n\u00e3o faladas.<br \/>\nDentro dessa l\u00f3gica, a cultura exerceria o papel fundamental de forma\u00e7\u00e3o de identidade. A comunica\u00e7\u00e3o, proporciona alcance a iniciativas de resgate e reflex\u00e3o sobre o que somos. Juntos, os dois processos culminam na cidadania, que se reflete no cuidado e respeito com o que nos pertence. Quanto ao enfoque cultural, N\u00e1dia afirma que a excel\u00eancia art\u00edstica est\u00e1 em saber unir a preserva\u00e7\u00e3o do passado e a criatividade do futuro.<br \/>\n<strong><span style=\"color: #cc3300\">Di\u00e1logo: a palavra da boa gest\u00e3o cultural<\/span><\/strong><br \/>\nNa pr\u00e1tica, o que os palestrantes do F\u00f3rum de Gest\u00e3o Cultural \u2013 Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Cidadania apresentaram, foi o modelo do sucesso de suas institui\u00e7\u00f5es. As diferen\u00e7as entre os estabelecimentos \u2013 o SESC, entidade de classe, o Em Cena e a Bienal, que t\u00eam apoio nas LICs e as casas que representam o bra\u00e7o cultural de grandes empresas \u2013 n\u00e3o se refletiram na maneira como seus gestores comandam as pol\u00edticas culturais, que se aproximam bastante umas das outras.<br \/>\nA regra geral \u00e9 manter um di\u00e1logo, identificando as necessidades da sociedade e trabalhando em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es: \u201cQuando fizemos o balan\u00e7o de nossas atividades, fiquei muito surpresa ao saber que 60% de tudo o que o Santander Cultural realizou foi com recursos externos\u201d, revela Liliana Magalh\u00e3es, superintendente da institui\u00e7\u00e3o. Foi ela tamb\u00e9m que sistematizou a regra: ter sintonia com o tempo e o espa\u00e7o que convive a institui\u00e7\u00e3o, capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e respeito ao mercado.<\/p>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.jornalja.com.br\/ktml2\/images\/uploads\/cultura2\/lilianamagalhaes.jpg?0.49165547307528095\" border=\"0\" alt=\"\" hspace=\"0\" width=\"350\" height=\"272\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><strong><span style=\"color: #666666;font-size: xx-small\">LIliana Magalh\u00e3es, que, h\u00e1 cinco anos comanda o Santander Cultural, surpreendeu-se com a quantidade de projetos viabilizados atrav\u00e9s de parcerias (Foto: Naira Hofmeister\/Arquivo J\u00c1)<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Seguindo esse par\u00e2metro se deu a cria\u00e7\u00e3o do Centro Cultural Telemar, na cidade do Rio de Janeiro. A privatiza\u00e7\u00e3o do setor de telecomunica\u00e7\u00f5es, ocorrida em 1998, deu \u00e0 Telemar o antigo pr\u00e9dio do Museu do Telephone, que, ap\u00f3s muito estudo e discuss\u00e3o, transformou-se, no in\u00edcio de 2005, em um espa\u00e7o de reflex\u00e3o social, a partir de trocas culturais. \u201cNos demos conta que n\u00e3o havia como a empresa sobreviver sem incentivar o crescimento do pa\u00eds, que n\u00e3o deve ser reduzido \u00e0 economia. Por isso, determinamos que cultura, educa\u00e7\u00e3o e cidadania, seriam os tr\u00eas eixos principais de nosso trabalho\u201d, resumiu Maria Arlete Gon\u00e7alves, curadora do instituto.<br \/>\nA opini\u00e3o de que o desenvolvimento n\u00e3o se d\u00e1 apenas na \u00e1rea financeira \u00e9 dividida com Danilo Miranda, representante do SESC, institui\u00e7\u00e3o voltada ao bem estar social dos trabalhadores do com\u00e9rcio. \u201cTodos aqui temos uma caracter\u00edstica em comum, que \u00e9 ser da religi\u00e3o que acredita que a cultura \u00e9 muito importante\u201d, disse.<br \/>\nPara o gestor, formado em filosofia, um dos principais problemas a ser enfrentado pelas entidades culturais no Brasil \u00e9 a falta de sintonia entre educa\u00e7\u00e3o e cultura. Ele citou como exemplo o MEC, que, na sigla carrega o antigo conceito de cultura e educa\u00e7\u00e3o trabalhando em conjunto, mas que dividiu-se: \u201cHoje, o MinC conta com apenas 0,5% do or\u00e7amento federal\u201d, lamentou.<br \/>\nMiranda tamb\u00e9m deu uma dica para quem se interessa pelo assunto: para uma gest\u00e3o cultural dar certo, deve ter claro o seu \u201cDNA\u201d, que seria o p\u00fablico alvo, a inten\u00e7\u00e3o e o financiador das a\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-culturais. Outro conselho do pensador \u00e9 investir na facilita\u00e7\u00e3o de acesso, seja levando as atra\u00e7\u00f5es para quem precisa, seja disponibilizando transporte gratuito.<br \/>\nLuciano Alabarse, do Porto Alegre Em Cena e Justo Werlang, da Bienal do Mercosul, trouxeram o exemplo de projetos que n\u00e3o funcionam em tempo intergral, alternando momentos de intensa atividade com outros de \u201cdorm\u00eancia\u201d, como referiu Werlang.<br \/>\nPara Alabarse, a principal caracter\u00edstica do meio cultural \u00e9 que sabe lidar bem com seus pr\u00f3prios erros, \u201cque podem dar origem \u00e0 verdadeiras maravilhas\u201d. Esse sintoma, na vis\u00e3o de Werlang, \u00e9 o que culmina no que ele chamou de caos criativo, \u201cuma verdadeira tsumani\u201d de id\u00e9ias.<br \/>\nO papel do patrocinador tamb\u00e9m foi elucidado e, a conclus\u00e3o geral \u00e9 que os interesses comerciais jamais podem se sobressair aos art\u00edsticos: \u201cJamais podemos ter d\u00favida de que o determinante \u00e9 o interesse cultural, ainda mais se lidamos com recursos p\u00fablicos\u201d, pontuou Miranda, complementando que a prioridade do corpo social deve ser a da manuten\u00e7\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o humana para as gera\u00e7\u00f5es vindouras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santander Cultural foi um dos exemplos de gest\u00e3o cultural bem sucedida apresentado durante o F\u00f3rum Cultura, Comunica\u00e7\u00e3o e Cidadania (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/J\u00c1) Naira Hofmeister Santander Cultural, Porto Alegre Em Cena, Bienal do Mercosul, Centro de Cultura Telemar, no Rio de Janeiro e SESC foram os exemplos de bem sucedidas iniciativas de gest\u00e3o cultural, apresentadas no F\u00f3rum [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-257","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-x-categorias-velhas"],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/pbQjBd-49","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/257\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}