{"id":25828,"date":"2015-10-26T08:32:11","date_gmt":"2015-10-26T11:32:11","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25828"},"modified":"2015-10-26T08:32:11","modified_gmt":"2015-10-26T11:32:11","slug":"25828-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/25828-2\/","title":{"rendered":"Argentina: em elei\u00e7\u00e3o tranquila, candidatos falam em uni\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dizem os jornais brasileiros que Cristina Kirchner sofreu uma derrota na elei\u00e7\u00e3o de domingo, embora seu candidato, Daniel Scioli. tenha vencido o primeiro turno.<br \/>\nEm 2011, \u00a0Cristina Kirchner conquistou sua reelei\u00e7\u00e3o com 54% dos votos, sem oposi\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAgora, apoiado por ela, \u00a0Scioli fez apenas 36,2% e n\u00e3o conseguiu evitar um segundo turno, in\u00e9dito na Argentina, contra Maur\u00edcio Macri, filho de um dos empres\u00e1rios mais ricos do pa\u00eds, que alcan\u00e7ou \u00a034,7% dos votos.<br \/>\nScioli ainda \u00e9 o favorito, mas mesmo sua vit\u00f3ria, se ocorrer, n\u00e3o deixar\u00e1 de \u00a0representar um desgaste da presidente Cristina Kirshner. Pelo seu perfil, \\\u00e0 direita do kirchnerismo, e pelas circunst\u00e2ncias pol\u00edticas: pela primeira vez ter\u00e1 que negociar com uma oposi\u00e7\u00e3o que sai das urnas fortalecida.<br \/>\nUma vit\u00f3ria importante do governo, n\u00e3o devidamente destacada, foi o clima de tranquilidade em que se deu a vota\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAs elei\u00e7\u00f5es foram definidas como \u201cas mais controladas da hist\u00f3ria\u201d, e os partidos recrutaram um ex\u00e9rcito de interventores para evitar qualquer tipo de fraude.<br \/>\nA sele\u00e7\u00e3o de r\u00fagbi, que disputava o mundial com a Austr\u00e1lia, foi citada pelos dois principais candidatos como exemplo para o pa\u00eds. Scioli expressou seu desejo de que seu pa\u00eds fosse reflexo do esp\u00edrito de Los Pumas, como \u00e9 chamada a sele\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u201cOs Pumas s\u00e3o uma express\u00e3o do que deve ser o pa\u00eds. Que nos contagiemos pelo esp\u00edrito dos Pumas. Eu digo isso como esportista. Eu acredito nesses valores. Essa \u00e9 a garra que temos que ter.\u201d<br \/>\nMacri tamb\u00e9m aderiu \u00e0 ideia. \u201cVejo muita alegria na rua, hoje pode ser um dia hist\u00f3rico. Os argentinos votam por continuar igual ou mudar, esperemos que votem pela mudan\u00e7a\u201d, disse Macri e contou que veria a partida em fam\u00edlia. \u201cEles s\u00e3o um exemplo, \u00e9 a Argentina que queremos,\u00a0todos unidos e olhando para a frente\u201d, concluiu.<br \/>\nSergio Massa, \u00a0dissidente peronista que fez 21% dos votos e vai ser decisivo no segundo turno, tamb\u00e9m parecia euf\u00f3rico: \u201cPara al\u00e9m do resultado, para al\u00e9m das quest\u00f5es pol\u00edticas, tomara que comece uma nova fase na Argentina a partir da decis\u00e3o das pessoas\u201d. Massa foi o \u00fanico que falou de pequenas fraudes: \u201cAcabaram de me avisar que tivemos um pequeno incidente de roubo de c\u00e9dulas, hoje todos os argentinos temos a responsabilidade de cuidar do voto das pessoas\u201d, afirmou.<br \/>\nO segundo turno est\u00e1 marcado para 22 de novembro.<br \/>\nA crise econ\u00f4mica \u00e9 a principal causa do desgaste governista. De 2012 em diante, a economia se manteve parada e, em 2014, uma forte desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso fez disparar a infla\u00e7\u00e3o, que atualmente\u00a0chega a 25% e superou os reajustes salariais.<br \/>\nMultiplicaram-se os casos de corrup\u00e7\u00e3o, \u00a0que chegaram ao vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, processado em dois casos, e afetaram inclusive a fam\u00edlia da presidente, com o caso Hotesur. Sua guerra com a m\u00eddia, por conta da \u201cley de m\u00e9dios\u201d que atingiu os grandes grupos, tamb\u00e9m foi fator de grande desgaste<br \/>\nApesar de tudo, Cristina \u00a0mant\u00e9m sua popularidade acima dos 40%. Ainda \u00e9 presente na mem\u00f3ria de \u00a0muitos eleitores \u00a0a crise de 2001, antes de o kirchnerismo chegar ao poder, quando a Argentina registrou os maiores \u00edndices de pobreza a desemprego de sua hist\u00f3ria.<br \/>\n<strong>ARGENTINA NA ERA DO AJUSTE<\/strong><br \/>\n(Do El Pais) \u00a0&#8211; A Argentina foi um dos primeiros pa\u00edses a se juntar \u00e0 era dourada da esquerda latino-americana, que teve como l\u00edderes N\u00e9stor Kirchner,Lula\u00a0e\u00a0Hugo Ch\u00e1vez. Todos eles viveram os anos de bonan\u00e7a e expans\u00e3o econ\u00f4mica.<br \/>\nAgora, quando o continente entra em uma crise decorrente da\u00a0queda do pre\u00e7o das mat\u00e9rias primas, a Argentina vota neste domingo e, ganhe quem ganhar, todos os pol\u00edticos e empres\u00e1rios consultados preveem que chega uma nova etapa muito mais centrada e de prov\u00e1vel ajuste.<br \/>\nAt\u00e9 o candidato do Governo, Daniel Scioli, est\u00e1 muito \u00e0 direita dos Kirchner e aponta para uma virada.<br \/>\nA esquerda latino-americana mais antag\u00f4nica aos Estados Unidos tem um marco institucional: a c\u00fapula de Mar del Prata em 2005, quando Kirchner, Lula e Ch\u00e1vez, apoiados por um\u00a0Evo Moralesainda na oposi\u00e7\u00e3o e outros l\u00edderes emergentes, romperam com a ALCA, a \u00e1rea de livre com\u00e9rcio das Am\u00e9ricas promovida pelos Estados Unidos, e desdenharam de\u00a0George Bush\u00a0com discursos muito duros. Dez anos depois, a Argentina \u00e9 novamente o lugar onde se inicia uma mudan\u00e7a de ciclo, mas em sentido contr\u00e1rio.<br \/>\nO que os argentinos votam neste domingo \u00e9 a velocidade dessa virada, mas a dire\u00e7\u00e3o parece indiscut\u00edvel. Se, como indicam as pesquisas, ganhar Daniel Scioli, que foi vice-presidente de N\u00e9stor Kirchner, embora sempre estivessem distanciados, essa virada ser\u00e1 gradual. Se optarem por dar uma oportunidade a\u00a0Mauricio Macri, o candidato mais forte da oposi\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 tem chance de ganhar se conseguir for\u00e7ar um segundo turno, a guinada ser\u00e1 muito mais r\u00e1pida.<br \/>\nScioli \u00e9 muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos<br \/>\nScioli vem da ala mais \u00e0 direita do peronismo e foi contratado pelo ex-presidente Menem, mas mant\u00e9m v\u00ednculos muito estreitos com os l\u00edderes da esquerda latino-americana, que viajaram a Argentina para fazer campanha com ele, em especial Lula e Evo Morales. N\u00e3o compareceu o venezuelano Maduro, mas Scioli evitou qualquer enfrentamento com ele e n\u00e3o disse uma palavra de condena\u00e7\u00e3o pela pris\u00e3o do l\u00edder opositor Leopoldo L\u00f3pez. Macri, que suavizou sua imagem em busca do voto peronista, est\u00e1 mais irmanado com a direita e tem bons amigos no PP espanhol. Ele sim fez duras cr\u00edticas a Maduro e anunciou que se ganhar as elei\u00e7\u00f5es reunir\u00e1 os l\u00edderes do Mercosul para condenar a Venezuela.<br \/>\nSegundo os sciolistas, o governador de Buenos Aires vai inaugurar uma nova era p\u00f3s-kirchnerista em que vai se aproximar de uma economia mais ortodoxa, mas sem chegar ao\u00a0ajuste fiscal dur\u00edssimo do Brasil.\u00a0\u201cN\u00f3s olhamos para o continente e aprendemos com os outros. Temos dois exemplos recentes. A Venezuela continuou com as mesmas pol\u00edticas apesar da crise e da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo, e foi um desastre. E o Brasil deu uma guinada radical para o ajuste duro e tamb\u00e9m foi um desastre, pol\u00edtico e econ\u00f4mico. Scioli vai inaugurar uma terceira via aprendendo com os erros alheios\u201d, afirma um sciolista importante.<br \/>\nScioli \u00e9 muito diferente dos Kirchner, mas agora se entregou ao kirchnerismo porque precisa dos seus votos. Tira fotos com o embaixador dos Estados Unidos, um an\u00e1tema para o kirchnerismo, e promete aproximar-se da UE. Seus homens mais fi\u00e9is divulgam aos investidores que Scioli vai consertar os desajustes da economia e pactuar com os recursos abutre para que a Argentina deixe de estar economicamente isolada e sem acesso ao cr\u00e9dito barato.<br \/>\n<span class=\"intermenos\">Promessas e planos reais<\/span><br \/>\nScioli, filho de um rico empres\u00e1rio italiano de eletrodom\u00e9sticos, n\u00e3o desperdi\u00e7a nenhuma ocasi\u00e3o para deixar claro que ele vai fazer pol\u00edticas a favor dos investidores porque necessita que retorne ao pa\u00eds uma parte dos 300 bilh\u00f5es de d\u00f3lares que se sup\u00f5e que os argentinos ricos e n\u00e3o t\u00e3o ricos mantenham a salvo fora de sua terra. Macri \u00e9 ainda mais claro quando promete que eliminar\u00e1 a armadilha cambial, que limita a compra de d\u00f3lares e provocou um mercado negro que est\u00e1 em pleno apogeu diante da incerteza das elei\u00e7\u00f5es.<br \/>\nNo entanto, a suposta virada de Scioli e Macri \u00e9 um pacto impl\u00edcito. Nenhum deles conta seus planos reais. Os argentinos d\u00e3o uma esp\u00e9cie de cheque em branco a seus candidatos. Quase todos os presidentes fizeram o contr\u00e1rio do que prometeram em suas campanhas. Os eleitores sabem e n\u00e3o parece ser um problema grave.<br \/>\nTudo est\u00e1 nas entrelinhas, em c\u00f3digos que os argentinos, interessados em pol\u00edtica como poucos povos no mundo, entendem melhor que ningu\u00e9m. Para ter uma ideia, basta reproduzir o an\u00fancio de campanha de Scioli mais repetido nas r\u00e1dios: \u201cA \u00fanica coisa que lhes pe\u00e7o \u00e9 uma oportunidade. O resto deixem comigo. Eu sei o que preciso fazer e como fazer\u201d. Os detalhes vir\u00e3o depois das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem os jornais brasileiros que Cristina Kirchner sofreu uma derrota na elei\u00e7\u00e3o de domingo, embora seu candidato, Daniel Scioli. tenha vencido o primeiro turno. Em 2011, \u00a0Cristina Kirchner conquistou sua reelei\u00e7\u00e3o com 54% dos votos, sem oposi\u00e7\u00e3o. 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