{"id":25991,"date":"2015-11-02T13:17:24","date_gmt":"2015-11-02T16:17:24","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalja.com.br\/?p=25991"},"modified":"2015-11-02T13:17:24","modified_gmt":"2015-11-02T16:17:24","slug":"feira-feminista-acaba-com-violencia-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornalja.com.br\/arquivo\/feira-feminista-acaba-com-violencia-policial\/","title":{"rendered":"Feira feminista acaba com viol\u00eancia policial"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"assina\">Patricia Marini<\/span><br \/>\nCom uma viol\u00eancia inesperada, a pol\u00edcia chegou e acabou com a 1a Feira do Livro Feminista de Porto Alegre, que come\u00e7ou dia 30 de outubro para terminar hoje.<br \/>\nUm casal da faixa dos 60 anos de idade desceu do pr\u00e9dio onde mora e come\u00e7ou a discutir com o grupo que estava na Pra\u00e7a Jo\u00e3o Paulo I, na rua Jer\u00f4nimo de Ornelas, no bairro Santana, local do evento. O casal acabou apanhando tamb\u00e9m.<br \/>\nDepois de um dia de debates e oficinas, algumas mulheres continuavam por ali, numa roda de m\u00fasica. J\u00e1 passava das 11 horas da noite. Segundo v\u00e1rias das presentes, n\u00e3o houve qualquer tentativa de di\u00e1logo.<br \/>\nOs relatos d\u00e3o conta de que chegaram ao mesmo tempo tr\u00eas viaturas da Brigada Militar, das quais os policiais, todos homens, desembarcaram j\u00e1 apontando as armas e empurrando as integrantes do grupo. Questionados, responderam que um morador ligou reclamando de \u201cuivos e tambor\u201d.<br \/>\nUma moradora do bairro comentou que, quando chamada, a Brigada normalmente demora a aparecer e a alega\u00e7\u00e3o dos brigadianos \u00e9 que existe apenas uma viatura para a ronda preventiva de cinco bairros, do Moinhos de Vento a Santana.<br \/>\nDepois de esvaziar a pra\u00e7a, os policiais ali permaneceram por algum tempo, \u201cfestejando\u201d o feito \u00e0s gargalhadas.<br \/>\nAntecedeu o fato a presen\u00e7a de um homem que passou pela Feira com uma atitude claramente provocativa, usando uma camiseta com os dizeres \u201cSou machista sim\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o do evento diz conhecer a identidade dele, que trabalharia como seguran\u00e7a no shopping Praia de Belas.<br \/>\nA reportagem tentou contato por telefone com o comando de policiamento da capital e com o tenente de plant\u00e3o do setor respons\u00e1vel pelo despacho de viaturas, mas os quatro n\u00fameros de telefone informados, pela internet e pelo 190, d\u00e3o sinal de ocupado.<br \/>\nA primeira rea\u00e7\u00e3o das feministas foi relatar o epis\u00f3dio e lan\u00e7ar um pedido de solidariedade na p\u00e1gina do evento na internet. Leia a \u00edntegra:<br \/>\n<span class=\"intertit\">URGENTE! Pedido de solidariedade \u2013 Agress\u00e3o policial durante a FLIFEA<\/span><br \/>\nDesde o in\u00edcio da FLIFEA sofremos persegui\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es machistas e fascistas, com amea\u00e7as, provoca\u00e7\u00f5es e presen\u00e7as hostis, que foram constatadas e enfrentadas em cada momento. Mas o que aconteceu nesta noite de domingo (01\/11\/15) merece uma den\u00fancia espec\u00edfica para apontar a viol\u00eancia estatal que expressa a misoginia institucional que violenta mulheres sistematicamente.<br \/>\nNa noite de domingo estava acontecendo um ensaio art\u00edstico, com a presen\u00e7a de em torno de 20 mulheres, e uma viatura chegou com dois policiais que vieram supostamente devido ao barulho. Eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou rea\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEm seguida chegaram outras viaturas com mais policiais que foram extremamente agressivos e marcadamente racista desde o in\u00edcio e tentaram deter uma de n\u00f3s de maneira violenta, o que desencadeou uma s\u00e9rie de agress\u00f5es f\u00edsicas por parte da pol\u00edcia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento m\u00e9dico.<br \/>\nMuitas agress\u00f5es aconteceram de maneira simult\u00e2nea, havendo inclusive policiais que sacaram armas de fogo \u2013 um deles sacou uma arma e amea\u00e7ou v\u00e1rias de n\u00f3s dizendo \u201ceu vou queimar voc\u00ea\u201d. Entre as amea\u00e7adas nessa situa\u00e7\u00e3o, uma das mulheres inclusive avisou que estava gr\u00e1vida, o que n\u00e3o foi relevante para os policiais. Dois moradores que estavam na pra\u00e7a no momento do ocorrido tamb\u00e9m foram agredido com cacetetes pela pol\u00edcia.<br \/>\nAs mulheres que estavam com celulares foram alvo espec\u00edfico de agress\u00f5es, e dois celulares foram roubados pelos policiais. Algumas das mulheres que tentavam fugir eram perseguidas e derrubadas e n\u00e3o conseguiam sair das agress\u00f5es dos policiais, ca\u00eddas no ch\u00e3o apanhavam com cacetetes e chutes, enquanto outras voltavam pra colocar seus corpos como escudos para tentar proteg\u00ea-las e tir\u00e1-las dali. Essa cena se repetiu sucessivamente, e em meio a espancamentos com cacetetes as mulheres conseguiram chegar at\u00e9 as proximidades do Hospital de Cl\u00ednicas, quando os policiais finalmente dispersaram.<br \/>\nEm nenhum momento companheiras ficaram para tr\u00e1s, conseguimos nos reunir em seguran\u00e7a para escrever este relato e para chamar a solidariedade de todas as pessoas que possam nos apoiar neste momento. A feira est\u00e1 programada para continuar suas atividades na segunda feira (02\/11\/15), no mesmo local onde ocorreram essas agress\u00f5es.<br \/>\nConsiderando que mulheres chegar\u00e3o desavisadas do ocorrido, temos que nos fazer presentes e precisaremos de todo o apoio poss\u00edvel. Come\u00e7aremos o dia com uma roda de conversa sobre essa situa\u00e7\u00e3o. Precisamos da presen\u00e7a da maior quantidade de pessoas poss\u00edvel para garantir a continuidade da feira nesse \u00faltimo dia.<br \/>\n\u00c9 assim que a gente revida, n\u00e3o nos calando e resistindo juntas n\u00e3o apenas na disputa pela rua e o espa\u00e7o p\u00fablico mas tamb\u00e9m contra um sistema que n\u00e3o admite a auto-organiza\u00e7\u00e3o de mulheres e que se sente amea\u00e7ado pela nossa exist\u00eancia insubmissa. Foi escancarado o acr\u00e9scimo de \u00f3dio que a misoginia teve nesse epis\u00f3dio e sentimos que isso precisa ser enfrentado pela nossa sobreviv\u00eancia, por todas n\u00f3s que vivemos na guerra desse mundo contra as mulheres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Marini Com uma viol\u00eancia inesperada, a pol\u00edcia chegou e acabou com a 1a Feira do Livro Feminista de Porto Alegre, que come\u00e7ou dia 30 de outubro para terminar hoje. 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